4. Comportamento e bem-estar animal
4.4. Programas de voluntariado nos CRO
4.4.1. O Projeto Fiel
O CME tem um programa de voluntariado implementado há alguns anos. Para se ser voluntário do Projeto Fiel é necessário preencher uma folha de inscrição, realizar uma pequena entrevista e assumir o compromisso de dar 3h por semana do seu tempo ao canil. Para que se possa desenvolver da melhor forma, a Dra. Margarida Câmara colocou alguns objetivos a serem implementados:
➢ Promover o recrutamento de voluntários através de entidades parceiras
➢ Levantamento e organização dos recursos materiais disponíveis a utilizar pelos voluntários nas suas tarefas diárias
➢ Elaborar e afixar informação relevante no que diz respeito ao cumprimento de regras básicas de funcionamento interno
➢ Definir especificações pessoais - que competências/capacidades cada voluntário tem e ou precisa de adquirir
➢ Elaborar e afixar informação motivacional acerca da importância do seu papel na organização
➢ Promover o trabalho de equipa entre voluntários e funcionários através de uma boa comunicação de tarefas e regras e ações de formação em conjunto
➢ Elaborar plano de formação específico para voluntários afetos a projetos especiais como o treino na prisão e terapias assistidas por animais
➢ O pagamento de “subsídio” de almoço para aqueles que trabalhem mais de um período laboral é obrigatório por lei e não deve ser esquecido
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Para além de trabalharem e desenvolverem o PEA, os voluntários do Projeto Fiel auxiliam em iniciativas esporádicas, e muitas vezes fora do Canil. São exemplos:
➢ “Fiel na Prisão” ➢ “Fiel Out of Portugal”
➢ Campanhas de esterilização ➢ Terapias assistidas
➢ Feira de Natal ➢ “Cãominhada” ➢ “Chá Dançante”
➢ Exposições com fotos dos animais para adoção ➢ Visita de escolas ao CME
➢ Workshops gratuitos de treino e obediência animal
Figura 188 – Cartaz do Workshop Canino, realizado de forma gratuita (CME).
Além destas iniciativas, o CME conta com alguns voluntários com formação na área da Saúde Animal, como Médicos Veterinários, Enfermeiros Veterinários e Auxiliares que ajudam nos tratamentos e nas esterilizações diárias, sendo também fundamentais nas Campanhas de Esterilização.
Durante o estágio no CME participámos nas seguintes iniciativas: “Fiel na Prisão”, “Fiel Out of Portugal”, campanha de esterilização, feira de Natal, “Cãominhadas” e no “Chá Dançante”.
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Fiel na Prisão
A iniciativa “Fiel na Prisão” tem como objetivo levar os benefícios da relação homem- animal aos reclusos do Estabelecimento Prisional de Évora e proporcionar treino de obediência básica e sociabilização aos cães do CME, promovendo assim a sua adoção e valorização.
O projeto pretende atingir as seguintes finalidades:
➢ Promover competências sociais, emocionais e humanas nos reclusos, como a responsabilidade, empatia, autocontrolo, orientação para atingir resultados e comunicação.
➢ Promover interações afetivas de companheirismo e amizade com um animal ➢ Promover a comunicação positiva e sem castigos e o conhecimento da linguagem
canina
➢ Valorizar o recluso enquanto membro ativo da sociedade
➢ Reduzir a violência entre reclusos e comportamentos criminais recidivantes ➢ Promover o conhecimento do cão enquanto ser social e emocional, valorizando o
“cão de canil”
➢ Promover atividades assistidas por animais.
A iniciativa decorre por um período de oito semanas, com uma sessão semanal de 1h. As sessões são orientadas por uma médica veterinária especialista em treino e comportamento canino, que é acompanhada por 3 voluntários do canil. São escolhidos no máximo de 5 cães, para um máximo de 10 reclusos. O grupo de um cão para um par de reclusos mantem-se fixo do início ao fim das sessões.
No final, os reclusos recebem um certificado de “Iniciação ao treino canino em positivo” e os cães recebem um certificado de “Cão educado, apto para a adoção”.
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Figura 189 – Medalhas de mérito entregues aos cães que foram treinados pelos reclusos do Estabelecimento prisional de Évora e o Certificado entregue aos participantes.
Figura 190 – Diana, uma cadela educada no Estabelecimento Prisional de Évora, apta para adoção (foto gentilmente cedida pelo CME).
Feira de Natal
A Feira de Natal é uma iniciativa da Câmara Municipal de Évora que acontece todos os anos num dos parques da cidade. O CME aproveita o convite para divulgar o seu trabalho e alguns dos seus animais. Conta com a disponibilidade dos seus voluntários e com a ajuda dos tratadores do canil para que tudo corra da melhor forma. O potencial adotante, para adotar algum dos animais, precisa de se dirigir depois ao CME para formalizar o processo.
Os animais, que são diferentes todos os dias, ganham muito com a experiência porque, para além de aumentarmos a possibilidade de serem adotados, também lhe proporcionamos um dia diferente, fora das grades da sua jaula.
A barraca possui ainda algumas atividades para as crianças pequenas, e informação de sensibilização contra o abandono e a favor da adoção de cães de abrigos, em vez da compra de animais de raça. Contava ainda com uma pequena exposição de fotos dos voluntários com alguns animais do CME.
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Figura 191 – A gata Camélia no dia em que teve direito a ir à Feira de Natal (foto gentilmente cedida pelo CME).
Figura 192 – Uma cadela e dois cachorros a brincar com os visitantes da Feira de Natal (foto gentilmente cedida pelo CME).
Figura 193 – A visita do Boneco de Neve à barraquinha do CME na Feira de Natal (foto gentilmente cedida pelo CME).
Figura 194 – A visita do Pai Natal à barraquinha do CME na Feira de Natal (foto gentilmente cedida pelo CME).
Cãominhadas e outros passeios
O Projeto Fiel incentiva quase todas as iniciativas que consistem na remoção cães do canil para os levar a passear pela cidade, sempre sobre a supervisão dos seus voluntários. Assim, durante o meu estágio houve várias “Cãominhadas” – caminhadas com cães –, todas elas integradas em praxes solidárias da Universidade de Évora, onde os caloiros e os seus doutores levam os cães a passear. Houve ainda uma um pouco diferente, promovida por uma associação cultural, que consistia em passear alguns cães do canil até ao local do lanche onde se passou a tarde a conviver e a dançar danças de grupo.
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Figura 195 – “Cãominhada” integrada numa praxe solidária (foto da autora).
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