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Projeto mitologia de matriz africana na Bahia O objetivo desse projeto é resgatar e divulgar

No documento Diversidade e convivência: vencendo desafios (páginas 112-119)

narrativas de matriz africana e afro-baiana, envolvendo histórias de orixás, contos, fábulas, lendas, histórias de bichos, cânticos – visando contribuir para o trabalho de professores da educação básica, no atendimento à legislação vigente. O mesmo foi criado pelo professor Roberto Rabêllo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) junto ao programa permanecer. Ele está em um momento de desenvolvimento, onde foram levantados os referen- ciais teóricos para dar base ao estudo proposto. Foi feita

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leitura e alguns fichamentos desse material com intuito de aprimorar e legitimar as ações do projeto.

Está sendo muito gratificante fazer parte de um projeto voltado para a afirmação negra, durante essa trajetória de aprendizados, experimentei novos saberes e vivências. Assistimos à apresentação de diversos contadores de histórias, como: Gilvânia, Cândida, Quéu, Romilson Nascimento, agradeço a todos por essa grande oportunidade que nos foi dada. Pudemos interagir de forma incrível com essas pessoas maravilhosas e trocar muitas experiências, e que também deram incríveis colaborações para sabermos mais sobre essa arte de contar histórias. Assistimos ainda a apresentação do Grupo Tapetes contadores de histórias, tudo isso para que pudéssemos aprender um pouco dessa técnica e utilizá- la para contar os mitos e histórias africanas. Participei também de duas oficinas relacionadas com contação e resgate da cultura popular: uma de contação de histórias e outra de pedagogia Griô, onde tive a oportunidade de viajar nesse universo de fantasia e sonho, e de me preparar ainda mais para atuar no projeto. Durante essa preparação percebi a grande diversidade de pessoas que se interessam pelo assunto, e que estão dispostas a atuar nessa educação, aceitando as diferenças entre as culturas e convivendo de forma harmoniosa com elas.

Durante nosso processo, fabricamos bonecos com temáticas de orixás, para utilizarmos como suporte para apresentação com as crianças e pessoas em geral. Foi uma experiência muito satisfatória criar algo com um propósito

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tão nobre. Os bonecos foram utilizados em uma apresentação na Creche-UFBA para contar a história de

Exu. Conviver com todas aquelas crianças foi maravilhoso,

também foi gratificante o sentimento de missão cumprida na educação dos pequenos. A convivência com o coordenador Bob (Roberto Rabêllo) e as colegas de projeto Marta, Sheila, Thula e Isis, que são do curso de Pedagogia, também foi um aprendizado muito grande, já que sou aluno de Educação Física, e ficam muito claras as nossas diferenças, mas aprendemos uns com os outros, e isso é muito gratificante. Sinto falta de nossas bagunças na confecção de bonecos, nos ensaios e gravações dos mitos, mas ainda fazemos isso às vezes e é muito gostoso.

Entramos em contato com alguns terreiros, mas fomos visitar apenas o terreiro da Casa Branca, com intuito de resgatar histórias relacionadas à mitologia africana. Precisaremos explorar esse campo com muito cuidado para não agredir a religião, e ao mesmo tempo conseguir algum material, já que eles são muito reservados quando se tratam dos saberes tradicionais passados pelos ancestrais. O terreiro é um ambiente novo para mim, antes eu tinha medo e até preconceitos em relação ao Candomblé, mas depois que adentrei aquele local e estudei mais sobre o assunto, percebi que estava completamente enganado, existe uma energia muito boa que não sei explicar agindo naquele local. Ainda iremos visitar mais terreiros de Salvador, estamos tentando também entrevistar estudiosos desse assunto como: Makota Valdina, Maria Nazaré Lima, Ordep Serra, entre outros,

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para saber a opinião deles sobre essa raiz africana na educação e na vida das pessoas.

Ainda como propósito de divulgação dessas histórias, vamos tentar a rádio FACED, apresentação em escolas e bibliotecas, e ministrar oficinas para professores da rede pública e outros interessados no assunto. Também estaremos relatando esses trabalhos através de artigos e seminários, pois como os alunos do projeto (sem contar os voluntários) são bolsistas do Programa Permanecer da UFBA, é preciso mostrar resultados periodicamente.

Para o futuro, espero que esse projeto dê frutos, mudando de forma positiva a vida das pessoas e das comunidades envolvidas. Eu me senti uma nova pessoa depois que participei dessa convivência quase que familiar e de pura energia, me sinto renovado e pronto para mostrar para as outras pessoas a importância desses trabalhos. Espero que esses conhecimentos se perpetuem através dessa oralidade e resistência, para que as pessoas possam se identificar com suas matrizes africanas e se sentirem pertencentes a elas, assim como venho me identificando, quebrando preconceitos e me tornando uma pessoa melhor. Vejo como essa cultura tão rica tem mudado para melhor a vida dos participantes desse projeto.

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Considerações finais

Afirmei nesse artigo a necessidade de uma pedagogia voltada para o fortalecimento de identidades de uma população que tem sido forçosamente dominada culturalmente, que a meu entender parte de uma tradição oral fortemente preservada e que tem sido esquecida por interesse de classes dominantes. Os estudos na literatura, exemplos nas matrizes africanas e as atividades do projeto, mostraram ser de imprescindível importância desenvolver essas convivências dentro de uma oralidade africana de resistência. A própria dinâmica da transmis- são oral exige a interação e a convivência sociável entre as pessoas, agindo diretamente para que elas não sejam mais do que meros instrumentos capitalistas, e possam libertar sua alma numa perspectiva de se sentir humano, vivo, respeitado, pertencente a uma lógica maior do que está sendo imposta a todos nós.

Abordei, ainda, como a convivência na comunidade e entre as pessoas é importante para a educação acadêmica e para vida, usando a mim mesmo como exemplo de transformação. Ressaltei a importância das atividades realizadas pelo projeto Mitologia de matriz africana na

Bahia e o seu valor para os alunos participantes e para

as comunidades de descendência africana.

Reconheço que ainda é preciso aprofundar mais no campo das identidades e dos interesses políticos em questão. Precisamos encarar nossa jornada com muito mais afinco no âmbito do projeto de mitologia, levando

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ao máximo de pessoas a importância de valorizar o que é patrimônio delas e nosso também, a nossa cultura e identidade. Por isso, é fundamental fomentar nos jovens e educadores o desejo de preservar as histórias

particulares da comunidade narrativa a que pertencem.

Eles devem ser estimulados para que tragam as histórias que conhecem, para que tenham orgulho delas e passem a contá-las em todos os espaços possíveis. E aí poderemos incluir a tv, o rádio, a internet, o cinema. Os jovens são sem dúvida o nosso maior investimento para a continuidade desse elo. E como educadores, temos que nos aprimorar cada vez mais para dar conta dessa gigantesca responsabilidade, de fazê-los enxergar o mundo por seus próprios olhos e pelos olhos de seus ancestrais.

Notas

1 José Almeida Santos, natural de Aracaju-SE, criado em

Salvador e baiano de coração. De origem humilde, estudou por toda a vida na escola pública, precisamente no Colégio Estadual Luis Viana, em Brotas. Entrou pelas cotas da UFBA no ano de 2007 para cursar Licenciatura em Educação Física, hoje faz parte do Programa Permanecer da UFBA no projeto de pesquisa e extensão: Mitologia de matriz africana na Bahia.

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Referências

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Sites:

Uma releitura do aparelho

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