FELICIDADE NÃO TEM IDADE
A rápida revisão sobre o movimento feminista que acontece no século XX não pretende estabelecer uma relação de causalidade única no que diz respeito às mudanças sofridas nos comportamentos femininos e em especial das informantes desta pesquisa. Suas trajetórias foram marcadas obviamente pela emancipação feminina e muito de suas decisões, no decorrer de suas vivências, dizem respeito ao que se autorizava ou não fazer. O que se destaca das informantes é um apanhado de justificativas para explicar por que aceitaram os modos de tratar de suas mães, depois das freiras e, por fim, dos maridos. Justificam-se, ainda, mais uma vez, quando esclarecem que com os homens tudo deve ser resolvido na base da “anulação”.
Explicam que não se discute com pai e mãe e reproduzem isso com os filhos hoje. Entre autorizações e desautorizações, as mulheres deste estudo mostram que passaram por diferentes socializações nas quais podemos falar de uma predominância em “serem dominadas”, estando sempre “à disposição” para renunciar. Esse caráter abnegado, entretanto, se rompe na velhice dessas oito mulheres, pois saem de suas rotinas para inaugurar um estilo de vida que, de tão paradigmático, causa revolta nos homens, como foi visto anteriormente, no relato espontâneo do “cavalheiro abandonado”. As participantes dos bailes são afetadas pelas múltiplas regras institucionais que regem os mundos sociais dos quais fazem parte: família, igreja, academia, amigos. Isso pode explicar as variações entre elas e outras mulheres da mesma faixa etária e com o mesmo poder aquisitivo, clientes da mesma academia, que não tomaram a mesma decisão.
O fato é que elas, como todo indivíduo, passam por sucessivas e simultâneas variações produzidas por grupos e instituições e é isso que explica as razões de suas posturas variáveis. (Lahire, 2006, p. 54).
A variação das posturas em relação à própria velhice entre elas (informantes) e as demais mulheres da academia constitui a marca que incorporada pelo social através da
diversidade de “modos de ser” das sociedades atuais formando sujeitos altamente diferenciados.
A pluralidade dos grupos (ou das instituições) e a multiplicidade dos contextos de vida social que cada indivíduo pode frequentar simultaneamente (na verdade, alternativamente) ou sucessivamente (ao longo de sua vida) estão ligadas à forte diferenciação social das funções características de nossas sociedades; (...) (LAHIRE, 2006, p. 54).
As mulheres aqui estudadas romperam, em determinado momento, com uma das barreiras a elas impostas a vida inteira: decidiram sair à noite para se divertirem sozinhas. E por mais que isso pareça simples para a contemporaneidade, na era do lazer e do divertimento, não podemos esquecer que, embora estejam nesta era, elas têm fortes raízes fincadas no passado. A decisão de dançar, pagando um dançarino de quarenta, cinquenta e até setenta anos mais jovem, é uma atitude “avançada” que não se encaixa nas visões que as informantes têm sobre ser mulher e, acima de tudo, uma “mulher velha”. Neste capítulo, analisarei os relatos dessas mulheres, primeiramente sobre o momento que decidiram se matricular na academia, pois, segundo Augusto Ramos, elas buscam saúde e encontram em seguida o prazer. Só depois de ver na dança um instrumento de prazer e de valorização de si é que elas decidem sair do mundo fechado da academia. Analisarei os relatos sobre o momento em que elas decidiram contratar um dançarino e entrar no circuito dos bailes, decisão certamente mais ousada e mais difícil do que entrar na academia, pois lá se sentiam mais resguardadas. Decidir ir ao baile significa se expor ao meio social frequentado por elas. Seus relatos mostram esta característica do primeiro baile, que é considerado aqui como o rito de passagem para uma “nova vida”. Entender o que o baile significa pode revelar até que ponto o princípio legitimado de velhice feminina ligada apenas ao papel de avó, tem sido questionado por estas mulheres “formadas” para pensarem assim, e socializadas para se verem na velhice como meramente avó de alguém e não senhoras com autonomia e direito a ter vontades.
No baile Branco Total15, por exemplo, uma das dançarinas, Beija-flor (68 anos), diz ao entrar: “hoje quero dançar até o salto quebrar.” Ao ouvir uma frase como essa de alguém de sessenta e oito anos, considerando-se as ideias preexistentes acerca da velhice, questiona-se: onde vão parar as dores por ela confessadas? Seu comentário, feito à mesa, enquanto esperava pelo início do baile esclarece: “Tenho artrose neste joelho aqui, mas
15 Baile que acontece, anualmente, para divulgar os serviços da academia. Todos devem ir vestidos de branco,
sendo que, durante a festa, são feitas várias apresentações tais como o melhor casal dançarino de tango, o melhor casal dançarino de forró, entre outras atrações oferecidas pela academia. No capítulo 5, será feita a etnografia dos bailes, onde será exposta melhor a noite do Branco Total.
quando vou dançar tomo remédio e pronto!” Beija-flor criticava, nesse momento, mulheres que vão para os bailes e não saem das mesas, ficam apenas olhando as outras que estão dançando. E, ao “debochar” das demais, ela comenta com Bem-te-vi: “Pobre do rapaz, vai passar a noite servindo de ouvido por que dançar ela não vai porque é cheia de dor!” A mulher a quem ela se referia era outra dançarina que costuma ir ao baile e não dança, apenas observa. Segundo as minhas informantes esta “não dançarina” tem 65 anos, mas já morreu, como disse Bem-te-vi.
São constantes as críticas e os risos disfarçados das mulheres estudadas quando observam que há alguma mesa com “dançarino de pé de ouvido”, como elas chamam os rapazes contratados para dançar, mas que na verdade passam a noite ao lado da cliente, sentados, somente para ouvi-las, outras vezes somente olhando o movimento da festa. As minhas informantes comentam que estas “não-dançarinas” só querem companhia e, por isso, as criticam, pois aquele é um espaço onde se dançar. As 3 que normalmente saem juntas conversam:
- Porque eu sou velha, mas sou pé de valsa...(Bem-te-vi).
- Lá vou pagar ninguém pra ficar sentada, menina, se for por isso trago um neto, sai de graça. (Jaçanã.).
- Coisa de mulher carente, podendo ficar em casa costurando, sai mais barato. (Beija- flor).
O último comentário remete à velhice tradicional. Na opinião das amigas, se você não veio dançar, não faz parte desse mundo, não faz parte do grupo e deveria voltar a ser a “velha que costura”, que “cuida de todo mundo”. Quando Bem-te-vi diz, essa daí morreu, está dizendo que, para ela, a velhice sem movimento é a própria morte. A velhice hoje é ativa. Por que essas mulheres saíram de espaços tradicionais para espaços agitados marcados pela festa e pelo prazer? O que as faz romper com décadas de aprendizado que as colocava numa posição semelhante a das “não dançarinas”? O investimento mercadológico que cria espaços para a “nova velhice” não pode, por si só, explicar uma postura que antes de revelar um desejo de consumo, revela uma nova mudança de conduta. A emancipação dessas mulheres, que faz com que se percebam com direito a fazer escolhas, deve ser visto como fator preponderante para a entrada no circuito dos bailes.
Dancing Days e a entrada para um novo mundo Beija-flor – 68 anos
Antes de entrar na academia Dancing Days tive minha primeira experiência sozinha em público que foi um suplício. Fui almoçar sozinha e eu achava que todos me olhavam e me criticavam. Podia sentir o olhar daquelas pessoas queimando minha pele. Mas era só bobeira minha. O fato é que eu pensei: tô bem vestida, tô pagando, por que tenho tanto medo? Aí disse a mim mesma: rapaz eu vou deixar de ser besta por que tô só e isso não vai mudar. Então almocei uma, duas várias vezes até perder o medo. E para começar a dançar foi assim, eu fazia uns cursos, todos os que tinham na Universidade Sem Fronteiras, inglês, pintura, eu adoro pintar, pinto casarios, e a dança era o meu preferido. Eu já sabia dançar, mas como te disse só dançava com meu marido quando saíamos juntos, então ele morreu e aí, não vou para os bailes sozinha. Não quero ser difamada, não quero agüentar bêbado que não é nada meu me chamando pra transar, e isso se alguém me chamasse pra dançar por que os cabra velho só querem pixotinha, né? Então lá na universidade a gente se divertia demais, só que abriu a Dancing Days, e era mais perto para mim e eu já tinha me enchido dos outros cursos e o único que eu ainda gostava como ainda gosto era a dança. Bom, aí fui para Dancing Days. Eu não podia parar de dançar e lá tinha o serviço de personal dancer que na universidade não tinha. Eu já fui pra academia pensando nisso. Como te falei, eu perdi o medo de andar só em público no almoço. Quando fui pra “sem fronteiras”, assim que meu marido morreu eu buscava ocupar mais o tempo, ele tinha morrido, mas antes eu havia cuidado dele e ele e a doença me ocuparam muito tempo, então quando ele morreu eu fiquei com muito trabalho na pousada, dinheiro no bolso, os filhos criados e tempo sobrando. Aí me dei o direito de ir almoçar só, depois entrei na sem fronteiras e depois na academia Dancing Days. Eu mereço sabe? Sofri muito, me submeti demais. Quando eu disse para minha filha que eu iria dançar ela disse: “mãe, só não deixa ninguém te enganar tá bom”? Aí eu disse: é só isso que você tem para me dizer? Ela disse: “Só, você quer que eu te impeça pra senhora ter uma desculpa e não ir, mas eu quero que a senhora vá”. Aí percebi que eu estava com medo mesmo, e queria que alguém me impedisse, mas ninguém se meteu então fui e estou lá até hoje. De lá só saio morta. Ao contratar o meu primeiro dançarino, eu fiquei ansiosa, mas como ele já dançava comigo na Dancing Days há três meses, já éramos colegas, conversávamos e eu me sentia segura com ele. Então contratei o serviço de personal dancer, que na época você poderia fazer o contrato de três meses, seis meses e um ano. Fiz o menor por que eu podia não gostar. Mas que nada, o meu primeiro baile foi num sábado, se a Dancing Days abrisse num domingo eu tinha ido lá mudar meu contrato. Mas fui na segunda. (gargalhadas)
Beija-flor: o primeiro baile
Foi bom e ruim ao mesmo tempo. Na verdade foi maravilhoso e triste ao mesmo tempo. Foi no Círculo Militar e lá eu tinha ido a muitas festas com meu falecido marido. Então quando entrei de braços dados com meu dançarino, me deu um aperto no peito, uma vontade de chorar, e senti como se eu traísse o pai dos meus filhos. Mas aí levantei a cabeça e disse para mim mesma: você merece ser feliz, vai, ele não está mais nesse mundo. Chega de viver pros outros, viva para você mesma. Fiquei me dizendo isso o tempo todo. As músicas me chamavam, mas a dor no peito persistia. Músicas que eu tinha dançado com meu marido tocavam ali o tempo todo. Músicas de quando eu era uma menina boba. Agora cheia de experiência, mas com um medo de adolescente. O dançarino olhou para mim com calma e disse: “temos a noite toda, ao seu comando nós vamos brilhar no salão para você mostrar para esse povo que é um pé-de-valsa”. Depois que ele falou isso me deu uma injeção de ânimo e na música seguinte eu disse, pode me conduzir? Ele me levou até o salão e eu fechei os olhos e pensei no meu marido, fiz de conta que era ele ali, me mantive distante para não dar o que falar e me esforcei em dançar da melhor forma possível. Sei que foi meu primeiro voo, e este a gente nunca esquece né? Não me sentia no chão, parecia que eu flutuava. Aff, só de lembrar me arrepio toda. Foi inesquecível. Parecia que não era eu.
Bem-te-vi
Eu resolvi entrar na Dancing Days quando eu peguei abuso de hidroginástica e fisioterapia. Eu tenho um problema nesse joelho aqui e preciso exercitar ele. Então minha filha me disse né? E eu sempre gostei de dançar. Dançava no internato nas peças de teatro e tudo, aí fui. No início eu pensei: vão me chamar de “viúva alegre”, mas tinham tantas mulheres velhas e viúvas lá que eu pensei; mas por quê? Se todo mundo tá fazendo eu vou fazer também. Aí passei foi tempo aprendendo todos os ritmos. O que eu mais gosto é o tango. Muito difícil mas muito bonito de se dançar. Era um desafio pra mim. Depois que eu aprendi o tango fiquei com vontade de contratar um dançarino, aí meu dançarino disse que eu já estava pronta para dar um show nos bailes, eu disse: meu filho eu sou uma velha, velha não dá show, dá vexame. (gargalhadas). Demorei um pouco a aceitar a ideia de sair sem meu Carlos. Eu só pensava assim: lá onde ele estiver ele vai dizer, nem se lembra de mim. Mas eu não esqueci dele não. Só precisava preencher mais minhas noites. Estava sozinha e não queria que minhas filhas e netos ficassem tendo de me carregar pra todo lado por pena sabe? Aff, eu acho isso um horror. Enquanto eu puder me virar sozinha, eu me viro. Aí foi indo, foi indo. Eu fui amadurecendo a vontade de me soltar de vez. Eu parecia ainda casada.
Você passa tanto tempo fazendo a mesma coisa, que quando essa coisa acaba você pensa que sua vida acabou também. Mas eu via as mulheres comentando que tinham ido ao baile e que dançaram e isso e aquilo e foi me dando uma vontade tão grande de ganhar a noite sabe? Aí um dia, num sábado aí, eu tava sozinha em casa assistindo a uma novela chata que só, por que não tem mais novela boa né? Aí eu pensei nessa hora: o mulherio tá todo se arrumando para ir pra festa e eu aqui mofando. Na segunda feira eu contratei o serviço de personal, com o meu dançarino da academia. Um menino ótimo. O Augusto Ramos, ele é mesmo que ser meu neto. Ave Maria ele sabe conduzir bem demais. Aí no sábado seguinte eu fui, eu tinha de ir, eu precisava me libertar de dentro de casa. Senão eu ia ficar como minha mãe. Sozinha, amarga e dando trabalho. Só vou dar trabalho “nos finalmente”. Por enquanto eu vou dançando.
Bem-te-vi – O primeiro baile
Minha sensação foi de terror. Eu estava tão apavorada. Parecia a minha primeira noite com o Carlos. Eu não tinha ideia do que ía acontecer. Na academia é diferente, você não está sendo vista por um monte de gente. Você está sozinha com o dançarino e mais algumas dançarinas. Não está em pleno Náutico, cheio de pessoas que te conhecem e que podem te condenar com o olhar, eu sentia pessoas me olhando e pensei: estão achando que sou uma velha enxerida. Meu dançarino percebeu minha insegurança. Sentou comigo e perguntou o que eu ía beber, aí eu disse, garapa de açúcar. (gargalhadas). Bom, aí, passei a festa quase toda sentada criando coragem aí tocou uma música dos meus tempos com o Carlos, aí eu disse, olha essa música é a cara do Carlos. O Augusto disse: pois vamos dançar para relembrar os velhos tempos. Aí eu disse: mas ele não dançava. Ele respondeu; “mas você dança e muito bem”. Faça isso por você e por ele. Você pode, merece e consegue, venha”. Vixe, foi uma coisa fantástica. Ele me conduziu até o salão parecendo aqueles rapazes cavalheiros de filme, sabe? Não levei um cutucão. Ele protege a gente no salão. Foi assim uma das noites mais felizes da minha vida. Eu podia dançar e eu estava dançando, até melhor que na academia. As pessoas olhavam pra mim, mas eu nem ligava mais pro que elas estavam pensando, você tem noção? Soltei a franga mesmo. (gargalhadas). E foi aí que a portinha da minha gaiola se abriu pra sempre e eu voei cada vez mais alto. Aprendi mambo, cha-cha-cha, tango, bolero, forró, valsa, tudo o que me colocavam o desafio eu vencia. Aí venci um concurso de dança e daí pra frente não parei mais. Êta vida boa essa!
Eu passei um longo período reorganizando minha vida depois da morte do meu marido. Como nos últimos anos eu havia cuidado da doença dele, algumas coisas ficam pendentes por que não sobra muito tempo para algumas coisas. Então eu me vi assim: cheia de tempo e uma enorme vontade de usar esse tempo sabe? De fazer tanta coisa. Eu parecia uma criança pobre cercada de brinquedos novos que nunca viu antes. Mas eu tinha medo do que íam falar. Nossa, tinha muito medo da minha família. Eu mesma já estava decidida a entrar na academia ainda com meu marido no leito de morte, tanto é que antes dele morrer eu disse que faria isso. Nem sei se ele entendeu mas se entendeu, não deve ter gostado muito. Nunca me deixou fazer nada sem ele. E logo isso? Mas a decisão de dançar, de me matricular na academia eu sempre tive dentro de mim. Depois que aprendi a dançar no convento, nós dançávamos umas com as outras, e sempre tem uma mais pra frente que ensina as outras a dançar. Eu aprendi fácil. Então passei a vida toda só esperando bailes de formatura, onde um sobrinho, um afilhado me tirava para dançar, uma única música e se ele deixasse. Eu tinha a dança dentro de mim e ela esperou até a morte dele para desabrochar. Aí conversei com minha filha que na época morava em Brasília, sobre a academia. Ela disse que achava uma ótima ideia por que lá em Brasília ela disse, que tinha muito disso e ela mesma ía com o marido dela. Eu disse; não vou para os bailes, vou só para a academia. Aí ela disse: “A senhora que sabe, se eu fosse a senhora iria também para os bailes, quem sabe casa de novo.” Respondi: “Me respeita menina, tá doida?” Aí bem, fui pra academia, e você teria de viver para entender o que é aquilo. Eu saí de lá flutuando de tanta felicidade. Dancei por uma hora com o Augusto Ramos, nem no convento eu tinha dançado tanto. Por que as freiras não deixavam a gente dançar por muito tempo pro corpo não se viciar nessas coisas. E meu marido, eu já te disse. Então na academia, dancei longamente e foi a melhor coisa que tinha me acontecido assim na última década. Fiquei leve e livre você precisa viver aquilo pra saber o que é.
Primavera – O primeiro baile
A Bem-te-vi é a culpada. Foi ela quem contratou o Rafael para mim. Era uma criança. Estávamos na academia e ía ter baile no sábado, né? Aí ela disse assim para o Rafael, “Bebê, você está ocupado neste sábado?” Aí ele disse “não”. Ela então falou: “Pois você vai dançar com minha amiga aqui, viu?”. Eu disse: Não faça isso não por que eu não vou.” Ela pagou o rapaz e eu fiquei com pena dele ir e ficar lá sem cliente. Aí fui, mas levei um familiar. Mas olhe foi assim uma beleza. Mais fantástico do que dançar na academia foi dançar no salão. Tudo é muito bom. A gente se arruma para ir para um baile desses, então se
sente assim voltando no tempo. Mas é no salão que a mágica acontece sabe? Eu voei o mais alto que eu pude. Imaginei que eu estava ali com vinte e pouco aninhos e que era bem magrinha, até por que na dança se você encontra um bom parceiro você nem sente o peso do corpo. Olha, eu me descobri na dança uma outra pessoa. Você se sente capaz de fazer tudo quando se vê dançando o tango que é algo tão difícil. Mas depois que eu me sentei que algumas pessoas me olhavam eu pensei, devem estar me achando ridícula em dançar com uma criança. Aí meu neto disse assim, não ligue, eles estão com inveja. Depois levei meu cunhado, aí assim, nas primeiras três ou quatro vezes eu sempre levei alguém da família, até