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Parte 2 – Projetos desenvolvidos durante o estágio

2. Projeto 2: “Rastreio Cardiovascular”

2.4. Projeto

2.4.1. Objetivos e Metodologia

Constituindo as doenças que mais comummente conduzem à morbilidade e mortalidade da população portuguesa, a avaliação da presença de RCV ou de fatores de risco para o desenvolvimento de DCV revela-se como uma intervenção extremamente importante. A realização de rastreios cardiovasculares num local de prestação de cuidados de saúde e de fácil acesso á população, como é o caso das farmácias comunitárias, acaba por se traduzir numa ótima oportunidade para os utentes monitorizarem o seu estado de saúde.

Visto ser uma intervenção de grande pertinência, durante o meu estágio profissionalizante, sugeri a realização de um rastreio cardiovascular. Para alertar os utentes de que iria se dar um rastreio na FCE, realizei um poster (Anexo 16) que foi colocado no painel digital, que se encontra na montra exterior da FCE, e também partilhado nas páginas de Facebook e Instagram da farmácia. Foram, portanto, marcados 20 rastreios, nos quais foram avaliados diversos parâmetros, nomeadamente, a glicemia capilar, a concentração de colesterol total no sangue capilar, a tensão arterial, o IMC e o perímetro abdominal, fornecendo uma folha com os valores medidos, sendo que estava na mesma já indicados os valores de referência (Anexo 17). Adicionalmente, quando possível, foi avaliado o RCV através da tabela SCORE, tendo explicado aos utentes que a mesma permitia ver o risco dos mesmos virem a desenvolver eventos cardiovasculares fatais, como AVC e EAM, nos próximos 10 anos. Ao mesmo tempo, expliquei como se interpretava, tendo fornecido um exemplar para os utentes levarem consigo. Para além disto, realizei um questionário aos utentes (Anexo 18), de forma a identificar fatores de risco adicionais para melhor avaliação da propensão da pessoa vir a desenvolver DCV. Por último, forneci um panfleto informativo (Anexo 19), no qual abordei o conceito de DCV e aterosclerose, assim como, fatores de risco modificáveis e não modificáveis e, ainda, medidas preventivas.

2.4.2. Resultados

Durante o rastreio avaliei 20 pessoas cujas faixas etárias estavam compreendidas entre 32-85 anos, sendo que 13 utentes eram do sexo feminino e 7 do masculino. Com os resultados

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obtidos na medição dos parâmetros anteriormente referidos e com as respostas aos questionários, tive, então, a oportunidade de avaliar a saúde cardiovascular aos participantes, sendo que agrupei a informação obtida num quadro-resumo (anexo 20).

Em termos de intervenção farmacêutica, a identificação dos fatores de risco permite-nos o aconselhamento mais personalizado, nomeadamente relativamente a fatores modificáveis, visto que nos permite consciencializar o utente e persuadi-lo a combater a instalação dos mesmos. Dentro deste tipo de fatores que propencia o desenvolvimento de DCV, os mais comuns nos participantes eram o IMC >25 kg/m2 (25%), seguido de falta de prática desportiva regular (20%) e elevado perímetro abdominal (20%). Também a pressão arterial elevada foi identificada em parte dos rastreados (14%) (anexo 21).

No que toca à avaliação do RCV através da tabela SCORE, 6 dos participantes encontravam-se fora dos intervalos de idade impostos pela tabela, embora dois já tinham sofrido um evento cardiovascular (AVC e EAM), o que lhes atribui automaticamente RCV alto/muito alto. Dos restantes, 3 utentes apresentavam RCV alto/muito alto, visto dois sofrerem de DM do tipo 2 e outro já ter sofrido EAM, uma apresentava RCV alto (avaliação SCORE=5%), oito possuíam RCV moderado (avaliação SCORE entre 1% a 4%, inclusive) e uma tinha RCV baixo (avaliação SCORE=0%).

Para as participantes com menos de 40 anos, utilizei a tabela que calcula o risco relativo nos jovens, ou seja, relaciona o valor obtido com o valor médio de risco para uma pessoa da mesma idade. Ambas obtiveram avaliação SCORE de 1%.

2.4.3. Conclusão

Relativamente aos resultados obtidos, é notório que houve casos bastante heterogéneos, havendo pessoas das diferentes faixas etárias. No que diz respeito à população com mais de 65 anos, cujo RCV já não pode ser avaliado pelas tabelas SCORE, é importante realçar a importância dos mesmos continuarem a participar neste tipo de rastreios e a controlar todos os parâmetros regularmente, visto que grande parte é medicado e, desta forma, pode monitorizar o sucesso da terapêutica e averiguar o seu estado de saúde cardiovascular.

Entre a faixa dos 40-65 anos foi onde tive mais participantes. Como podemos verificar, uma parte considerável apresentou elevados IMC, gordura abdominal e valores elevados de tensão arterial, sendo que todos os utentes se mostraram bastante preocupados e questionaram que ações poderiam adotar para reduzir este parâmetros. A falta de prática de desporto foi também algo que se evidenciou, sendo que a este nível as pessoas apresentavam maior resistência em adotar medidas, sendo as justificações normalmente falta de tempo ou o cansaço. Ainda assim, insisti que tentassem caminhar, pelo menos, 3 a 5 dias durante meia hora, sendo que grande parte disse que iria tentar. Alguns utentes apresentaram valores de tensão arterial consideravelmente elevadas, sendo que, sem causar alarme, sugeri que procurassem ir ao médico.

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Por fim, tive a participação, embora reduzida, de pessoas na faixa etária abaixo dos 40, sendo que ambas apresentaram o risco relativo mínimo. É extremamente importante a consciencialização da população mais jovem para o controlo do estado da sua saúde cardiovascular, visto que a prevenção poderá significar um decréscimo na morbilidade e mortalidade associadas às DCV no futuro.

No que toca à amostragem obtida, é possível constatar que foi reduzida, mesmo para o objetivo que tinha em mente. Após reflexão, consigo concluir que teriam havido medidas que podia ter adotado que, possivelmente, atrairiam um maior nº de utentes para a realização do rastreio. De facto, se tivesse referido a ocorrência do mesmo, com bastante antecedência, durante o atendimento, com a distribuição de um panfleto sobre factos importantes relativamente às DCV, poderia ter atraído uma maior atenção para a problemática. Não obstante, o feedback que obtive dos utentes que participaram foi muito positivo, sendo que todos me agradeceram pela iniciativa.

3. Projeto 3- “Como lidar com a obstipação? “

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