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Projeto Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola

3. PRÁTICAS DE EDUCOMUNICAÇÃO PARA A CIDADANIA NA ESCOLA

3.1 Projeto Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola

O Projeto Rádio na Escola tem a pretensão de preparar estudantes e professores de escolas públicas para compreender os processos de comunicação e de transformação tecnológica na sociedade. Em execução desde 2008, foi criado por iniciativa de uma professora do Curso de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo da Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), com a denominação de Projeto “Rádio na Escola”,

atualizado em 2013 para “Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola”, procurando atender às demandas do momento e a integração com outros cursos da instituição.

Como fundamentação teórica, o projeto se fundamenta nos estudos de Educomunicação e no exercício da cidadania, considerando o contexto de acesso à informação e também ao conhecimento. As atividades do projeto se desenvolvem por meio da implantação de uma rádio interna, da formulação de um plano de estudo e aplicabilidade do uso de tecnologias e da execução de ações empreendedoras nas rotinas das escolas. O próprio projeto destacaque:

A partir do próprio contexto escolar e do plano de trabalho proposto, os participantes devem sentir-se aptos a usar a comunicação e as tecnologias de modo eficiente e responsável, transformando os processos de sua rotina em atitudes empreendedoras. Espera-se que sejam capazes de trabalhar e criar em grupo, planejar, negociar, sugerir, propor, empreender, liderar, avaliar e comunicar com clareza suas ideias Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola (2016, p. 1).

Segundo a professora Raddatz (2011, p. 87) “o rádio é o meio de comunicação que mais desenvolve a oralidade e que possui maior semelhança com a linguagem cotidiana. Isso facilita qualquer tentativa de implantação de uma rádio dentro de escolas públicas”. O projeto “Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola” é desenvolvido pelo Curso de Comunicação Social da Unijuí, tem o apoio das 32ª e 36ª Coordenadorias Regionais de Educação, assim como da Rádio Educativa UNIJUÍ/FM. A execução do projeto prevê algumas etapas importantes, conforme o quadro 2.

Tabela 2: Etapas do projeto

Etapa 1 Contato com a escola e palestra para todos os

alunos sobre mídia e sociedade.

Etapa 2 Capacitação dos estudantes e professores em

oito oficinas.

Etapa 3 Implantação da emissora de rádio na escola.

Etapa 4 Acompanhamento e orientação das rádios.

Fonte: Elaborado pela autora, com base no Projeto (2017).

A implantação do projeto no espaço escolar é um processo complexo, pois, para sua constituição, é preciso fazer a transformação conjunta e sensibilização da escola como um todo, não somente dos alunos, tampouco do quadro de professores. Afinal todos os integrantes do ensinar e aprender precisam compreender a dimensão dessa atividade como componente de

desenvolvimento escolar. Assim, pais, familiares e amigos partilham dessa atividade, e será possível o desenvolvimento de umas das principais ações, a expressão:

Uma das propostas do projeto é desenvolver o senso de cidadania e a possibilidade de expressão. A intenção é de que, no decorrer das atividades, os alunos demonstrem suas habilidades e a visão crítica, para logo aplicá-las juntamente com a parte técnica em um programa de rádio produzido por eles e veiculado dentro da própria escola (RADDATZ, 2011, p. 89).

As oficinas abordam temas referentes ao funcionamento de uma rádio e à linguagem e técnica radiofônica, com noções de dicção e oratória, redação e locução, boletim, entrevista, reportagem, trilhas para programas, criação e produção de vinhetas, técnicas e edição de áudio:

A linguagem do rádio não inclui apenas a voz, que também é uma espécie de mediação e produz efeitos de sentido nos ouvintes. A linguagem radiofônica vai além. Abrange efeitos sonoros, música e, em alguns momentos, o silêncio, concretizado pela pausa. Até o silêncio faz parte de um programa de radiodifusão, pois ele pode conceber algo essencial, uma informação importante, um drama vivido, tomando até como exemplo a sua utilização em peças radiofônicas como as radionovelas nas décadas que antecederam o apogeu da televisão (RADDATZ, 2011, p. 97).

Um dos processos mais difíceis do projeto é seu acompanhamento, que depende da valorização do instrumento, um novo mecanismo dentro da escola para que tenha importância e se crie a cultura de utilização de suas possibilidades nas práticas de ensino:

Depois da implantação do Projeto, acontece a fase mais difícil, que é o acompanhamento de cada rádio e do modo como ela vai se formatando nas rotinas dentro de cada escola. É nesse momento que aparecem as primeiras dificuldades, como construir de fato um projeto interdisciplinar envolvendo o conjunto das atividades pedagógicas. O maior problema é a resistência de um número considerável de professores que não perceberam ainda o potencial da rádio como possibilidade educomunicativa (RADDATZ, 2011, p. 97).

O projeto ganha força no entender da comunidade escolar, que não apenas o implanta, mas o abraça como importante gerador, um processo de transformação no contexto de aprendizagem. A rádio não pode ser percebida como mais uma atividade escolar que, depois de sua realização, se esgota em suas possibilidades. Precisa ser uma política do educandário, institucionalizada como um plano pedagógico.

O Projeto Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola atualmente integra não somente o Curso de Comunicação, mas outros cursos do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação - DACEC. Nessa nova concepção, agrega outras tecnologias como o vídeo, a fotografia e as mídias digitais, além do rádio, que deu sentido ao nascimento dessa atividade.

Além disso, novas temáticas foram incorporadas ao processo, devido ao ingresso de novos cursos no projeto, como empreendedorismo e direitos humanos. “Em 2015, introduziu as primeiras noções de direitos humanos nas oficinas com ações interativas de quinze minutos, para em 2016 trabalhar oficinas de 50 minutos sobre direitos humanos e tecnologias” (BOCK; RADDATZ, 2016, p. 6).

Em 2016, as dezenove escolas que mantêm o projeto desde 2008, e outras, interessadas em retornar ao projeto, passaram novamente por um processo de capacitação de alunos e professores e:

O novo direcionamento iniciou-se com a programação das Oficinas de Formação, reunindo ao mesmo tempo todos os integrantes (alunos e professores) selecionados pelas 25 escolas públicas, incluindo as já participantes do Projeto e as novas escolas que demonstraram interesse e necessidade de integrar-se à proposta de educomunicação (BOCK; RADDATZ, 2016, p. 6).

As oficinas contaram com atividades variadas, muitas como forma de integrar os presentes aos processos e métodos das tecnologias. Foram atividades de áudio, vídeo e fotografia, dentre outras. Outro momento importante foi a interação com o aplicativo Locutor da Hora10, criado pelo Projeto Rádio, Tecnologias e Empreendedorismo na Escola, que pode ser baixado de forma gratuita pelas escolas e tem como objetivo atender à demanda do projeto de orientação e prática das atividades.

Como as primeiras oficinas abordam assuntos mais gerais, o atendimento específico e mais aprofundado acontece ao longo do ano, com visitas semanais às escolas, pela coordenadora do Projeto, professores extensionistas, professores convidados, bolsistas Pibex dos Cursos de Comunicação Social e de Ciências da Computação, além de profissionais da Usina de Ideias, a agência experimental do Curso de Comunicação - Jornalismo e Publicidade e Propaganda - da Universidade, além de alunos voluntários do curso de Jornalismo e dos mestrandos em Direitos Humanos da Universidade que integram o NEIDH – Núcleo de Educação e Informação em Direitos Humanos (BOCK; RADDATZ, 2016, p. 6).

O projeto recebeu premiações importantes no Estado e também oportunizou um olhar dos gestores educacionais no sentido de disponibilizarem equipamentos de rádio para as escolas da região Noroeste, a partir da inclusão de materiais educomunicativos (equipamentos para rádios) por meio da Consulta Popular na região da 36ª CRE. O projeto concretiza-se como uma oportunidade que jovens e educadores, assim como a comunidade escolar, têm de debater temas, refletir sobre a realidade de suas comunidades e desenvolver habilidades que desenvolvam o processo de cidadania.

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