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Projeto SP-95-Caring for Children e Instituto Brasiliana: a experiência de

No documento São Paulo (páginas 69-93)

1.3 Abordagem não governamental

1.3.3 Projeto SP-95-Caring for Children e Instituto Brasiliana: a experiência de

O SP95 é a inspiração paulistana da solução Urban95, da Fundação Bernard

Van Leer, que tem como objetivo buscar alternativas para melhorar as condições de

habitação e a qualidade de vida das famílias com crianças de até seis anos de idade,

com foco em seu desenvolvimento saudável e integral.

As ações referentes ao projeto SP-95-Caring for Children relatam a experiência

da implementação participativa envolvendo ações governamentais, como é o caso do

Programa São Paulo Carinhosa (SP Carinhosa) promovido pela Prefeitura de São

Paulo (PMSP) – que tem como objetivo promover o desenvolvimento físico, motor,

cognitivo, psicológico e social das crianças na primeira infância, priorizando os

territórios e populações em situação de maior vulnerabilidade social, a qual iremos

analisar suas propostas no próximo capítulo junto às ações governamentais na

cidade de São Paulo – e ações não governamentais, representadas pela FBvL e o

Instituto Brasiliana na região da baixada do Glicério, bairro bastante degradado

localizado no centro da cidade de São Paulo às margens do rio Tamanduateí, por

meio de um acordo de cooperação técnica entre as instituições, seguindo as

premissas do Urban 95.

Esta pesquisa teve acesso a esse estudo inédito que avaliou as ações do

Programa São Paulo Carinhosa na região do Glicério, realizado pelo Centro de

Estudos da Metrópole (CEM/USP), pelo coordenador do grupo de pesquisa Cidade,

Cultura, Gênero e Primeira Infância: Modos de Intervir em Territórios Vulneráveis e,

também, Superintendente do Instituto Brasiliana, Rodrigo Mindlin Loeb,. Como dito,

este grupo de pesquisa está delineado a partir da proposta apresentada ao edital

intitulado Urban95, lançado pela Fundação Bernard Van Leer. Esta ação foi noticiada

em diversos meios de comunicação, como o que está disponível em diversos sites na

internet.

Figura 13. Vista do Glicério, São Paulo.

Fonte: Loeb (2017, p. 78).

Entre as iniciativas do Comitê Gestor do Programa São Paulo Carinhosa na

região foi desencadeada uma ação integrada e coordenada, envolvendo diversas

secretarias. O estudo, como um todo, caracterizou as condições socioeconômicas e

demográficas do Glicério e, também, o arranjo de implementação da política, com

ênfase em suas ações intersetoriais, seus desafios, potencialidades e possibilidades

de replicação em outros contextos. Além disso, foram analisadas as condições gerais

de implementação do programa, considerando tanto o arranjo de coordenação do

São Paulo Carinhosa quanto, particularmente, as intervenções realizadas na região

do Glicério, bairro situado entre os distritos da Sé e da Liberdade.

As ações do São Paulo Carinhosa no Glicério foram motivadas por estudos e

indicadores que demonstraram vulnerabilidades específicas desse território,

considerando as diversas áreas prioritárias de intervenção: políticas urbanas e

zeladoria; saúde; educação; assistência social; e, cultura. Em particular as precárias

condições de vida das crianças residentes em habitações coletivas ou cortiços,

sujeitas a diferentes tipos de violência e privação de direitos.

Ainda que, historicamente, a área central da cidade de São Paulo tenha sido

um local de moradia, uma parcela da população, principalmente a de baixa renda,

responde às necessidades recorrendo a várias formas precárias de moradia na área

central, entre elas: cortiços; ocupações ilegais em imóveis vazios; favelas; e, muitas

vezes, a própria rua. Segundo Débora Sanches (2015), a luta dos movimentos sociais

de moradia, que atuam na área central da cidade, insere-se no âmbito da promoção

de programas de requalificação urbana, tendo como pressuposto a inserção da

moradia em regiões dotadas de infraestrutura, próximas dos serviços e dos locais de

trabalho.

Figura 14. Cortiço na região do Glicério. Fotografia de Eduardo Ogata.

As subprefeituras são responsáveis pela implementação dos serviços de

zeladoria da cidade. Sobre o tema habitação, a Secretaria Municipal de Habitação

(SEHAB) e a Subprefeitura da Sé, também bairro central da cidade de São Paulo,

mapearam os cortiços da região do Glicério, e este resultado levou a um determinado

cortiço habitado pelo maior número de crianças, no qual vivem treze famílias.

A partir deste levantamento, o Comitê Gestor do Programa Municipal São

Paulo Carinhosa desenvolveu sua primeira ação de intervenção na região, uma ação

experimental nesse cortiço com algumas frentes prioritárias. Por exemplo, a

Secretaria Municipal de Saúde realizou o cadastro e mapeamento de todos os

moradores do local, incluindo o diagnóstico epidemiológico das famílias com intuito de

adoção de práticas focadas nos agravos e determinantes prevalentes. Por fim, foram

iniciadas ações sanitárias frequentes envolvendo equipe multiprofissional, atuando

em várias frentes.

Apesar de ter sido criado um espaço de leitura no referido cortiço, nenhuma

intervenção estrutural foi realizada até o momento, razão pela qual todo o processo é

bastante questionado pelos moradores.

O programa objetiva viabilizar a reforma de cortiços em conformidade com os critérios da Lei Moura (Lei nº 10.928/1991), que estabelece os padrões mínimos de habitabilidade nesse tipo de moradia. A equipe responsável entrou em contato com o proprietário/responsável pelo imóvel para que efetuasse as obras necessárias. Buscou também outros recursos da pasta Habitação para aplicar na reforma, mas sem sucesso [...] (BICHIR, 2016b, p.18).

Espaços para lazer e de estímulo ao brincar são demandas constantes no

Glicério. Essa dimensão se mostra ainda mais importante, como vimos, uma vez que,

a atividade brincar é uma das características que mais distingue a primeira infância,

pois as crianças podem desfrutar das capacidades que têm quando podem colocá-las

à prova. O valor do jogo criativo e da aprendizagem exploratória está amplamente

reconhecido na educação da primeira infância.

Buscando interferir nesse problema, a prefeitura propôs tornar a praça José

Luiz de Mello Malheiro um espaço de socialização, incorporando o projeto dentre às

estratégias de intervenção do SP Carinhosa no Glicério – que teve início com os

cortiços pilotos e, progressivamente, se ampliaram e diversificaram. O projeto de uma

nova praça de lazer concebida em uma área de 800 m

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que já abrigava uma praça ao

lado do viaduto do Glicério, localizado entre duas avenidas largas conforme relataram

os autores da iniciativa, de difícil acesso para pedestres e até por esse motivo, sem

nenhum mobiliário além de bancos precários ocupados, prioritariamente, por

moradores em situação de rua. Partiram de uma metodologia de escuta qualificada

das crianças que viviam em habitações coletivas precárias nessa região, com o

objetivo de entender quais melhorias elas gostariam que fossem implementadas na

moradia e no espaço público do entorno, e assim proporcionar um novo espaço

público de lazer e de estímulo à sociabilidade das crianças.

Outra iniciativa colocada em prática nessa experiência foi a parceria com

entidades da sociedade civil, a orientação também contou com profissionais de

consultoria de projetos sociais e urbanos como a ONG Criacidade, empoderada como

interlocutora do São Paulo Carinhosa junto ao bairro, com a associação Ato Cidadão

e com estudantes de arquitetura, do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo,

que desenvolveram o projeto da praça por meio de um Projeto de Extensão

Universitária coordenado pela Professora Denise Xavier de Mendonça.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) incluiu a iniciativa

dentro do quadro de atividades do Programa Centro Aberto. Além disso, um estudo

de impacto no sistema viário foi elaborado pela Companhia de Engenharia de Tráfego

(CET) do Município para avaliar a viabilidade de intervenção na praça, sem que

houvesse prejuízo ao tráfego e à segurança dos pedestres e motoristas.

A metodologia de trabalho do acordo de cooperação com a FBvL previa que

todas as ações referentes ao Projeto SP95-Caring for Children seriam planejadas,

coordenadas, executadas e monitoradas a partir de um núcleo de coordenação

constituído pelo Instituto Brasiliana, em estreita colaboração com a equipe do SP

Carinhosa e demais órgãos municipais da Prefeitura de São Paulo. O Instituto

Brasiliana ficou com a responsabilidade pela gestão administrativa e operacional do

plano de trabalho do projeto, o qual se desenvolve em torno de três eixos principais:

I. Realizar uma avaliação de processo das dinâmicas da implementação do projeto SP Carinhosa no Glicério buscando: (a) caracterizar os arranjos de implementação de ações intersetoriais na região, seus desafios, potencialidades e; (b) analisar as possibilidades de replicação das intervenções realizados no Glicério em outros contextos de implementação;

II. Conceber e implementar um plano de comunicação integrada contemplando várias plataformas de comunicação e contendo abordagens e linguagens de comunicação social para o Projeto SP95 e;

III. Prestar apoio e acompanhamento das agendas da SP Carinhosa na região do Glicério; sistematizar estudos de soluções inspiradoras que pudessem ser absorvidas na intervenção e, de forma abrangente, prospectar novas parcerias para fortalecimento da estratégia de intersetorialidade em ações voltadas ao desenvolvimento integral da primeira infância (FISCHER; PORTA, s.d., n.p.).

Uma referência importante a ser citada sobre o bairro do Glicério é a existência

de um grupo coletivo atuante, além de entidades culturais, religiosas, de assistência

social ou educação infantil, conveniadas ou não com a prefeitura de São Paulo, com

grau variado de articulação entre seus membros e, também, com grande interesse

em dar resposta aos problemas do bairro. Essa experiência nos mostra a importância

de envolvimento da população, para que as intervenções urbanas aconteçam de

maneira contínua e sustentável.

Efetuados os devidos alinhamentos e ajustes ao escopo do projeto executivo

de requalificação da praça, dado o fato ser de autoria de um ente não governamental

(cujos direitos deveriam ser cedidos formalmente ao poder municipal) e sua

concepção basear-se em materiais e equipamentos pouco convencionais

representava um desafio para sua implantação, o Centro Universitário Belas Artes e a

SP Urbanismo, formalizam o termo de doação do Projeto da Praça, pressuposto para

o processo de licitação que se instalaria a partir daí.

Enquanto ocorria o diálogo entre as duas instâncias, durante o ano de 2016,

especialmente no segundo semestre, a equipe SP Carinhosa/SP95 liderou

interlocuções com os órgãos públicos envolvidos na execução da Praça Malheiro (SP

Urbanismo, Subprefeitura da Sé, CET e Secretaria de Serviços) objetivando garantir a

implantação das melhorias apontadas no estudo da CET: a instalação de iluminação

LED e sinal de internet WiFi na praça; e, o aprimoramento do serviço de coleta de

resíduos sólidos do entorno, sendo esta, uma reivindicação antiga da comunidade

que sofre com os seus efeitos. Cabe destacar, ainda, que em razão de restrições

impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que desautoriza investimentos em

novas obras nos últimos meses de mandato, a execução do projeto da Praça

Malheiro (topografia e brinquedos) acabou sendo interrompida.

Os autores e administradores públicos do projeto, Erika Fischer, que havia

coordenado o programa de Alimentação Escolar da prefeitura de São Paulo nos três

primeiros anos da gestão de Fernando Haddad promovendo iniciativas bastante

alinhadas à política municipal da primeira infância; e Rogério Porta, especialista em

gestão pública com experiência em estratégias de desenvolvimento local, concluem

que tecer uma reflexão sobre as conquistas e frustrações proporcionadas direta ou

indiretamente pela participação da equipe do SP Carinhosa/SP95, poderia trazer

importantes contribuições para a práxis do trabalho com coletivos quando estão

envolvidos ação governamental e processos participativos:

Do “lado de cá”, por parte da equipe da SP Carinhosa/SP95, é importante registrar que o processo de interação com a sociedade civil organizada, que articula estratégias autogeridas e reivindica ações específicas por parte da municipalidade, reafirmaram convicções anteriores. A principal delas: no âmbito dos projetos de desenvolvimento local, de requalificação de territórios vulneráveis e mesmo de construção de agenda para a primeira infância, é fundamental a articulação prévia com coletivos atuantes, suas lideranças e com os agentes públicos, que conhecem a realidade local, suas especificações, potencialidades e necessidades (FISCHER; PORTA, s.d., n.p.).

As discussões entre o São Paulo Carinhosa e a Secretaria Municipal de

Cultura (SMC) foram introduzidas como uma nova agenda, a programação infantil.

Essa agenda foi transformada em ação por meio da introdução de atividades para

esse público em equipamentos culturais já existentes e, também, pela promoção de

eventos. Foram desenvolvidas as Viradinhas Culturais, que por meio de oficinas,

shows e apresentações, buscam trabalhar questões relativas ao desenvolvimento

social e cognitivo das crianças.

Figura 15. Trabalho com crianças relativo ao seu desenvolvimento cognitivo e social.

Fonte: Haddad (2016, p. 45).

Na perspectiva das famílias do bairro, alguns eventos pontuais promovidos no

âmbito do São Paulo Carinhosa – como as Viradinhas Culturais supramencionadas,

as oficinas com as crianças, atividades de pintura de painéis e murais e algumas

intervenções em cortiços prioritários – são bem avaliados, mas não são entendidos

como uma política continuada e rotineira.

Uma dimensão mais estrutural, realizada no âmbito da política em questão, e

reconhecida pelas famílias, é a melhoria nas condições de coleta de lixo. Porém, no

segundo relatório coordenado por Renata Bichir (2016b), os autores afirmam que

uma breve caminhada pelo Glicério permite identificar diversos pontos de acúmulo de

lixo. Recomendam, do mesmo modo, que em atividades futuras de revitalização de

áreas verdes, é importante dar atenção ao problema de ausência de contratos de

manutenção de parques e áreas verdes existente na Prefeitura que, no longo prazo,

acaba contribuindo para a degradação de espaços revitalizados.

Em grande medida, o problema do lixo está associado às condições de moradia, uma vez que dentro dos cômodos, o lixo disputa 5m2 de espaço com outros 10 moradores, sendo, portanto, uma ação racional despejá-lo para fora a cada pequeno saco acumulado, ainda que de forma não condizente com os horários de coleta. O acúmulo do lixo é ainda somado à coleta insuficiente e aos bueiros entupidos, acentuando os riscos de doenças ocasionadas por pragas urbanas que se alimentam do lixo. Nesse sentido, foi relatado um episódio em que as crianças chegaram na escola com a ponta dos dedos roídos por ratos durante a noite [...] (BICHIR, 2016b, p. 22).

Na área da saúde, foi proposto o Programa das Visitas Domiciliares para

fortalecer ações já existentes, tendo como foco o acompanhamento do

desenvolvimento integral infantil e o apoio às famílias no processo de cuidado e

formação de vínculo (HADDAD, 2016). Sua concepção foi desenvolvida a partir de

diálogos entre a equipe do São Paulo Carinhosa, a Secretaria Municipal de Saúde

(SMS) e o Ministério da Saúde (MS). Este programa foi pensado como um conjunto

de atividades formativas e de subsídio para fortalecimento da Estratégia Saúde da

Família e qualificação para o olhar da primeira infância.

Todo o material preparado, bem como as capacitações, é dirigido ao cuidado das crianças de maneira mais integral e abrangente, considerando não apenas elementos relacionados diretamente à saúde materna e infantil, mas também elementos relacionados à vivência das crianças, com temas como desenvolvimento infantil, ambiente familiar, direitos das crianças, violência, etc. (BICHIR., 2016b, p. 25).

A entrada da pasta de Educação no território, também é percebida pelos

agentes do poder público na interlocução com outras pastas de governo a partir do

São Paulo Carinhosa. É notada essa interação, com mais intensidade, entre as

pastas de educação e saúde, com o encaminhamento de demandas de crianças em

situação de vulnerabilidade no território, mas, também, pela constituição de novas

interlocuções, como, por exemplo, com a Autoridade de Limpeza Urbana (Amlurb),

que se propôs a fazer encontros nas escolas para educação ambiental, por conta das

questões de lixo observadas no território, ações ainda não viabilizadas.

Sob a premissa que tudo passa pela educação, foram feitos encontros para

promover a articulação com coletivos locais, gerando, como diretriz de atuação, a

proposta de formação de educadores da região em duas frentes: a visão dos gestores

na educação sobre a necessidade de atuação para o desenvolvimento integral das

crianças; e, a segunda foi o Programa Criança Fala na comunidade, desenvolvido

com a ONG CriaCidade, que trabalhou com educadores da rede (gestores e

professores) sobre como transformar o meio a partir da escuta das crianças.

Na percepção dos agentes implementadores, as ações de escuta das crianças, cortejos e pinturas das escolas ampliaram a autoestima das crianças. É reconhecida pelos educadores da região uma escuta sensível da CriaCidade e efeito positivo disso. Para famílias beneficiárias do programa há satisfação pelas crianças ocuparem a rua (na visão dessas famílias elas só fazem isso quando o projeto

está), pelo aumento da autoestima e da capacidade de comunicação das crianças (BICHIR, 2016b, p. 32-3).

Na articulação com os serviços de saúde e educação, está o trabalho da

assistência social no cotidiano das famílias do Glicério. Nos estudos realizados, a

assistência social apareceu principalmente relacionada aos programas de

transferência direta de renda às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza,

como o Bolsa Família. Dentre os desafios gerais apontados, está a discussão da

priorização de crianças mais vulneráveis nos Centros de Educação Infantil (CEIs). Em

um contexto de déficit de vagas em creches, concomitante a um processo de

judicialização do acesso a essas vagas, a prefeitura instituiu uma portaria para

estabelecer prioridade na fila para crianças em situação de maior vulnerabilidade

social, tendo como critério o Cadastro Único (a chamada “Fila Social”), um

instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda.

Considerando os principais resultados da avaliação da implementação do São

Paulo Carinhosa no Glicério, segundo o Centro de Estudos da Metrópole (CEM/USP,

2016) observamos um processo, que teve início com ações nos cortiços pilotos e,

progressivamente, foi ampliado e diversificado. É possível destacar que o São Paulo

Carinhosa está bastante consolidado no âmbito da saúde, porém, nas áreas de

assistência social, cultura, educação e, principalmente, habitação enfrenta, ainda,

dificuldades.

Sistematizamos a seguir, no quadro 2, a análise das dimensões envolvidas na

implementação do SP Carinhosa no Glicério. Evidenciando, mais uma vez, a

importância do processo participativo e de integração na consolidação e efetivação de

políticas públicas.

Quadro 2. Síntese da implementação do SP Carinhosa no Glicério: desafios e recomendações sugeridas.

Áreas de ação - Desafios e Recomendações Sugeridas

1. Políticas urbanas e zeladoria: A Subprefeitura da Sé e o tema da habitação; Espaço Público e áreas verdes; Lixo e resíduos sólidos.

Desafios:

• Criação de práticas e rotinas de integração entre a Subprefeitura responsável pelo território e as secretarias em torno de ações em curso existentes. Os principais problemas

Recomendações:

• Aponta-se aqui a necessidade de incluir a população do território na resolução dos problemas, pois além de conhecerem as principais vulnerabilidades locais, têm o

identificados figuraram: necessidade de recuperação de espaços degradados, incluindo praças, pontos viciosos de resíduos (entulho, lixo, sucata de veículos), condição arbórea (poda e remoção), segurança e habitação; • A opção pela localização da praça a ser revitalizada e o desafio de acessibilidade; • Conscientização dos moradores, visando informá-los sobre o descarte dos resíduos orgânicos de acordo com a frequência da coleta domiciliar, e sobre o descarte correto dos resíduos oriundos de obras de reformas e descarte de móveis.

histórico institucional das tratativas já realizadas no bairro e será preciso realizar as intervenções com eles de modo a legitimar a atuação do poder público no território;

• Em atividades futuras de revitalização de áreas verdes, vale atentar para o problema de ausência de contratos de manutenção de parques e áreas verdes existente na Prefeitura que, no longo prazo, acaba contribuindo para a degradação de espaços revitalizados;

• captar o contexto territorial de modo mais amplo para implementação do local de destinação do lixo, incluindo os problemas de moradia associados ao lixo.

2. Saúde: Visitas Domiciliares.

Desafios:

• A dimensão das especificidades dos territórios no programa de formação;

• Visitas Domiciliares com foco no acompanhamento do desenvolvimento integral infantil e o apoio às famílias no processo de cuidado e formação de vínculo;

• Viabilização de convênio com transferência de recurso financeiro para a capacitação de Agentes Comunitários de Saúde e equipes de apoio;

• Criação do programa de Visitas Domiciliares pensando em fortalecer ações já existentes dentro da área de saúde. Tradicionalmente, uma área com olhar prioritário voltado às gestantes e às crianças, especialmente no âmbito da atenção básica à saúde;

• Os Agentes Comunitários de Saúde acumulam muitas tarefas diferentes, o que lhes causa, muitas vezes, dificuldade em conseguir realizar com qualidade todas as

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