I. Panorama Atual do Mercado de Cafés Gourmet e Orgânico
3. Evolução Histórica do Mercado
3.5. Importação e Exportação
3.5.5. Projetos do Setor
3.5.5.1. Projeto Setorial Integrado de Promoção de Exportação de Café Industrializado O Brasil é líder mundial na produção e na exportação de café em grãos. Entretanto, por representar uma commodity, notam-se limitações na adição de valor e conquista de preços maiores.
Por outro lado, na comercialização de cafés industrializados reside a grande oportunidade de diferenciação e construção de marcas fortes, em nível mundial.
Dessa forma, para dar impulso ao processo de exportação do café nacional, por meio de um produto industrializado (grão torrado ou torrado e moído), de maior qualidade e valor
ESTUDOS DE MERCADO SEBRAE/ESPM44
agregado, desenvolveu-se um projeto que fosse ao encontro de uma tendência crescente do mercado mundial por produtos diferenciados e competitivos: PSI para exportação de café industrializado.27
Figura 14
Marca Cafés do Brasil
Fonte: Reproduzido de: CAFÉS DO BRASIL.
Esse projeto, coordenado pelo Sindicafé-SP, em convênio com a APEX-Brasil ofereceu ferramentas importantes para que a indústria brasileira de torrefação e moagem tivesse acesso ao mercado exportador. Com apoio à ex-portação e promoção comercial, o projeto criou um con-ceito de marca “guarda-chuva” que pudesse passar uma imagem única e fortalecida dos cafés de origem nacio-nal. Surgia, então, a marca Cafés do Brasil.
3.5.5.1.1. Importância do Projeto
O Projeto Setorial Integrado, PSI, quer impulsionar às exportações do café torrado e moído nacional beneficiando toda a cadeia produtiva do setor cafeeiro. O PSI contempla produto-res, exportadores e industriais num novo desenho do agronegócio, tudo para que o produ-to brasileiro se apresente no mercado externo com um valor agregado bem mais elevado.
Com isso, a imagem do produto brasileiro se valoriza e a base de exportações é ampliada.
O PSI tem ainda como objetivo resgatar a qualidade do café brasileiro no mercado mun-dial, ampliando a oferta de produtos de maior qualidade, estendendo os benefícios por meio de toda a cadeia produtiva, de forma sistemática e metodológica.
Os exportadores internacionais de café torrado e moído processam e reexportam o café brasileiro numa quantidade cinco vezes menor do que o Brasil exporta na forma de com-modity (grãos verdes). São 5 milhões de sacas de café industrializado contra 23 milhões de sacas de café em grão, porém com maior valor agregado, totalizando quase US$ 1 bilhão ao ano. O valor médio de um quilo de café industrializado pode representar no agronegócio um valor agregado superior a 200%.
Para mudar esse quadro é necessário:
Sensibilizar as empresas quanto à importância da exportação do café brasileiro para
•
ampliação do mix de negócios e redução de riscos.
Difundir informações comerciais sobre as condições de compra do mercado externo,
•
bem como características especificas de determinados mercados, seja em grandes e pequenas redes de varejo, como também para os mercados de nicho.
Implantar uma metodologia de qualidade para os participantes do projeto, com o
ob-•
jetivo de garantir o nível de produtos a serem exportados com apoio do projeto, bem como proporcionar as indústrias de café condições de oferecer ao mercado um produto com garantia de qualidade.
27 O manual de aplicação da marca Cafés do Brasil, bem como informações sobre o projeto, manual de adesão e sobre o mercado podem ser obtidas no site (<www.cafesdobrasil.com.br>).
45café gourmet e orgânico
Iniciar um trabalho de conscientização do público consumidor da qualidade do
verda-•
deiro sabor do café brasileiro, com “Blend 100% brasileiro”, através de degustações em locais de grande concentração de consumidores.
Desenvolver um trabalho de divulgação e conscientização de formadores de opinião
•
em determinados mercados externos.
Difundir as realizações do projeto no mercado interno, esclarecendo o público quanto
•
às ações do projeto, e proporcionar condições para que os atuais e novos participantes tenham acesso às realizações do projeto.
Aplicar de forma metodológica um grupo de ações de mercado elaboradas de acordo
•
com o estágio evolutivo de cada empresa participante do projeto, proporcionando a participação conjunta em ações como: Participação em Feiras Internacionais; Projeto Comprador; Projeto Vendedor; Programas de Degustação e Divulgação de Imagem no mercado Externo.
Disponibilizar aos integrantes do grupo, um banco de profissionais em comércio
ex-•
terior (consultoria comercial), com o objetivo de proporcionar as pequenas empresas condições de iniciar suas negociações internacionais, mesmo sem ter uma estrutura de comércio exterior em sua empresa.
Lançado em 12 de dezembro de 2002, o PSI demonstrou estar alinhado com o potencial de mercado internacional, mas também revelou que a necessidade de estimular não a quali-ficação do produto, mas também as ações junto ao mercado externo, em função da forte concorrência estabelecida por outros países, como no caso da Colômbia.
Em 2002, no primeiro ano de existência do plano, as vendas evoluíram de US$ 5,6 milhões (2002) para US$ 7,1 milhões (no acumulado de maio de 2002 a março de 2003) e fecharam 2003 em US$ 12,8 milhões. A meta de 2004 (US$ 29 milhões) ficou muito acima do resultado real, que foi de apenas US$ 8,3 milhões e, apesar do crescimento nos dois anos seguintes, o desafio de atingir US$ 100 milhões em 2.006 também não foi alcançado, com as vendas tendo atingido pouco menos de um quarto do previsto.
3.6. Consumo Interno
O consumo de café no Brasil, em 2006, foi de 16,3 milhões de sacas, baseado no período analisado pela ABIC, entre 11/2005 e 10/2006, o que representou um acréscimo de 5,10%.
Esse movimento tem sido ascendente e de 1996 até 2006 passou de 11 milhões de sacas para o volume atual, tendo crescido 48% em dez anos.
ESTUDOS DE MERCADO SEBRAE/ESPM46
Gráfico 11 – Consumo de café no Brasil – 1996-2006
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 17
16 15 14 13 12 11 10
Total
anos
milhoes sacas de 60kg
Fonte: ABIC, 2007.
Do total consumido em 2006, 94,3% deu-se na forma de café torrado/moído e o restante foi representado pelo café solúvel.
Tabela 6 – Consumo interno de café no Brasil – nov/2005 a out/2006 (em sacas de 60 kg)
Status Empresas % Volume/
mês % Volume/
ano %
Empresas
Cadastradas 1.215 99,43 1.125.421 82,69 13.505.053 82,69
Consumo não
cadastrado — — 158.261 11,63 1.899.130 11,63
Total café torrado/
moído 1.215 99,43 1.283.682 94,32 15.404.184 94,32
Café Solúvel 7 0,57 77.261 5,68 927.129 5,68
Total Geral 1.222 100,00 1.360.943 100,00 16.331.312 100,00
Base do nº de empresas – através das coletas de café efetuadas no PAIC – Selo de Pureza – dez/2002-out/2006 e dados atualizados dos sindicatos regionais.
Fonte: ABIC, 2007.