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Projetos para fins de saúde.

E ATIVIDADE PROFISSIONAL

Mapa 5. Projetos para fins de saúde.

Fonte: elaborada pela autora, Fernan- da Ponte e Carolina Guimarães (2018)

Tab. 6. Projetos para fins de Saú-

de do arquiteto Neudson Braga (1960-80).

PROJETOS PARA FINS EDUCACIONAIS (PE)

Durante as duas décadas estudadas, Neudson Braga projetou o Colégio Lourenço Filho, tradicional instituição de ensino privado de Fortaleza, além de outras escolas menores, mas se destacou, de fato, em proje- tos ligados às duas universidades públicas do Ceará, a UFC e a Uece.

O projeto do Colégio Lourenço Filho (1969) foi provocador, no sentido de a construção ser a primeira em Fortaleza para fins educa- cionais, uma vez que os outros estabelecimentos particulares de ensino funcionavam em casas adaptadas para a função ou em prédios de concepção mais tradicional, no caso as escolas religiosas. As condições econômicas e a disponibilidade de tempo da instituição eram curtas, e o arquiteto cumpriu a demanda exigida ao garantir um projeto de fácil execução, comprovada pelo prazo de execução da obra em 5 meses, e utilizando materiais acessíveis e de baixo custo.

Os dois volumes prismáticos de alturas diferenciadas promovem uma leitura fácil da edificação e dos seus pavimentos e, consequente- mente, de suas funções (Figuras 113 e 114). O programa de propos- tas metodológicas de vanguarda da escola foi distribuído segundo setores específicos. O arquiteto optou pelo tijolo da fábrica cearense Cosmac, dispensando revestimentos. Para Gabriele (2006, p. 5), o projeto apresentou inovações tecnológicas e espaciais, pois a tipologia do pátio, muito comum nos colégios tradicionais, foi usada de forma diferenciada, “com o intuito de integrar através de uma praça interna, estabelecendo uma relação de proximidade com os pavimentos (três) que se desenvolvem ao redor”.

A experiência de Neudson Braga junto à Universidade Federal do Ceará lhe rendeu importantes projetos para a mesma finalidade, entre eles a Universidade Estadual do Ceará (Uece), projeto realizado em parceria com o arquiteto Liberal de Castro.

Seguindo a mesma proposta de reforma e descentralização, pre- sente no contexto brasileiro de modelo de ensino com origem nos anos

Fig. 113. Co- légio Lourenço Filho (1969), fachada da Av. Domingos Olímpio Fig. 114. Co- légio Lourenço Filho (1969), fa- chada Rua Barão do Rio Branco Fonte: (Gabriele, 2006)

1960, a Universidade Estadual do Ceará (Uece) foi criada16 oficialmente pelo

Decreto nº 11.233, de 10 de março de 1975 (CEARÁ, 1975), fruto da junção da Escola de Enfermagem São Vicente de Paula (1943) com a Faculdade de Filosofia do Ceará (1950), a Escola de Serviço Social de Fortaleza (1953), a Escola de Administração do Ceará (1961), a Faculdade de Veterinária do Ceará (1963), a Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (1968) e a Televisão Educativa do Ceará – Canal 5.

A Universidade Estadual do Ceará localiza-se no campus do Itaperi, na Av. Dr. Silas Munguba, 1700, em Fortaleza, e abrange uma área total de 104 hectares. Durante os anos de 1975 e 1977, o professor Antônio Martins Filho foi reitor da instituição e recebeu como incumbência implantar e tornar reco- nhecida a nova universidade. Essa tarefa foi facilitada em razão do prestígio e experiência adquiridos ao criar, 20 anos antes, a Universidade Federal do Ceará (UFC). O convite aos arquitetos Neudson Braga e Liberal de Castro para realizar os projetos arquitetônicos e o plano urbanístico da Uece partiu, portanto, do próprio reitor Martins Filho. Os profissionais já haviam trabalhado juntos por ocasião do projeto de reforma e ampliação da UFC.

A proposta inicial do Plano Diretor da Uece (Figuras 115 a 117) partiu do próprio terreno que foi disponibilizado para o projeto. O terreno era muito extenso, com aproximadamente 400 m de frente por 2 km de profundidade, sugerindo, dessa maneira, uma estrutura linear. Os blocos seriam dispostos ao longo de uma avenida principal, onde haveria um bondinho para fazer circular alunos, profissionais e visitantes. A organização era pensada para o programa se estender em núcleos didáticos por cursos específicos. O plano inicial não foi executado como proposto, somente algumas de suas ideias foram aproveitadas, sendo alterado em sua organização sequenciada.

Em 1984, o reitor Cláudio Regis de Lima Quixadá assumiu a responsabi- lidade pela instituição e convidou novamente os arquitetos da proposta inicial para retomarem o Plano Diretor. Uma segunda fase do projeto foi, portanto,

16 A Lei nº 9.753, de 18 de outubro de 1973 (CEARÁ, 1973), autorizou o Poder Executivo a instituir a Fundação Educacional do Estado do Ceará (Funeduce), cuja primeira presidente foi a professora

Fig. 115. Plano Diretor da UECE, primeira fase, Neudson Braga e Liberal de Castro (1976) Fig. 116. Plantas

dos blocos didá- ticos da UECE, primeira fase, Neudson Braga e Liberal de Castro (1976) Fonte: Acer- vo técnico do arquiteto.

concebida, com alterações significativas em relação à primeira. A nova ideia surgiu do pla- nejamento feito por Severiano Porto para a Universidade de Manaus, onde se estabelece- ram unidades educacionais de utilização livre, ou seja, áreas de estudo com salas de aulas concentradas, mesclando diversos campos de conhecimento, assim como salas de professores integradas. Ficava a cargo da coordenação geral o controle e a utilização do espaço de acordo com a necessidade do momento. Dessa forma, os arquitetos solucionaram o problema das salas de aulas sem uso, exigência recente do Ministério da Educação (MEC), com rendimento integral devido à melhor produtividade das salas. O projeto da Uece era singelo em sua essência, feito de paredes em alvenaria de tijolo local com argamassa e cal, estrutura de con- creto armado, esquadrias em madeira e fechamentos em cobogós, piso industrial, tudo modulado e pensado para a execução rápida e de baixo custo. A empresa de engenharia que executou o projeto da segunda fase soube captar a ideia de racionalização e modulação da proposta e montou uma oficina de elementos pré-moldados no pró- prio Campus, uma serraria para a fabricação das esquadrias e outras

pequenas oficinas para produzir peças exclusivas, de forma sequencial, como no processo de produção em série. Assim, construíram-se os blocos didáticos e administrativos da universidade a tempo, com precisão e custo acessível, qualidades desejadas pela instituição.

As passarelas que interligam os blocos diferenciam-se das projetadas para a UFC 12 anos antes, quanto ao seu uso. Os corredores extrapolam suas funções básicas, por seus limites mais largos (3,50m), servindo inclusive de estar e área de convívio de docentes e discentes. Mais tarde, Neudson Braga usou essa proposta para o campus da Universidade do Cariri (UFCA, 2013) e o campus de Quixadá (2006).

Da proposta inicial, realizada na gestão de Martins Filho, somente os pri- meiros blocos, os centros educacionais e auditórios, administração e Reitoria foram mantidos, mas sem a distribuição linear. Os centros educacionais exe- cutados têm cobertas abobadadas, feitas de tijolo aparente e privilegiam a ventilação natural. Atualmente, muito do primeiro conjunto foi alterado, sem consulta prévia aos autores do projeto, os arquitetos Neudson Braga e Liberal de Castro (Figura 118).

A influência de Neudson Braga como profissional experiente em várias especialidades ainda é notória, uma vez que ele tem atuado largamente tanto em coordenações como na elaboração de projetos de edifícios educacionais. Recentemente o arquiteto foi responsável por planos relacionados à expansão da UFC no interior do Ceará, coordenando os projetos do campus do Cariri e do campus de Sobral e da sede da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) em Redenção, além de filiais de alguns Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCEs), antigos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).

Fig. 117. Fa- chada geral da UECE, primeira fase, Neudson Braga e Liberal de Castro (1976) Fonte: Acer- vo técnico do arquiteto

Fig. 118. Vista aérea da

UECE, Neudson Braga e Liberal de Castro

Fonte: Elaborada pela auto- ra a partir de imagem aé- rea do Google Earth, 2018