Capítulo 2 – O programa estudado: O Pronatec/Brasil Sem Miséria
1.2 O que é o Pronatec/BSM
Conforme o documento oficial “O Pronatec/BSM dedica atenção especial aos grupos mais expostos aos riscos da extrema pobreza, como as pessoas com deficiência, jovens, mulheres, negros, população em situação de rua, catadores de material reciclável, índios e comunidades tradicionais.” (CARTILHA DO PRONATEC, 2013).
Não há restrições quanto ao número de membros da família inscrita no Cad Único e que poderá pleitear uma vaga do Pronatec/BSM contando as vagas ofertadas em cada região.
Conforme apresentado na Cartilha do Pronatec (2013), “o Pronatec/BSM é estímulo ao retorno ao sistema educacional de pessoas há muito distantes das salas de aula e que necessitam de qualificação profissional para elevar suas chances de inclusão produtiva ou melhorar sua condição de inserção no mundo do trabalho” (p. 7). Afirma- se também que:
Os cursos a serem ofertados no âmbito do Pronatec/BSM, especificados no guia Pronatec de Cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), devem ser adequados a pessoas com baixa escolaridade. É importante atentar que a escolaridade é informada pelo beneficiário (autodeclarada), não podendo a instituição ofertante exigir comprovante de escolaridade. Convém esclarecer que beneficiários do PBF ou inscritos no Cad Único que tenham ou estejam cursando o ensino médio também podem participar dos cursos FIC. (CARTILHA DO PRONATEC, 2013, p. 7).
O funcionamento do Pronatec/BSM foi operacionalizado pelo Ministério do Desenvolvimento em 09 etapas: 1. Habilitação das Prefeituras; 2. Negociação de cursos; 3. Mobilização dos beneficiários; 4. Pré-matrícula; 5. Matrícula; 6. Aula inaugural; 7. Acompanhamento dos beneficiários; 8. Articulação com políticas públicas de trabalho e emprego; e finalmente, 9. Atividade de formatura.
De acordo com documento oficial, as funções atribuídas ao interlocutor estadual do Pronatec/BSM estão descritas da seguinte forma:
O Governo Estadual será o interlocutor do PRONATEC/BSM junto ao MDS no âmbito de sua Unidade Federativa, articulando e mobilizando os municípios, apoiando-os na interlocução com as Unidades Ofertantes e na identificação das vocações econômicas locais, assim como monitorando a execução do Pronatec/BSM em sua jurisdição. A administração estadual poderá indicar interlocutor junto ao MDS, preferencialmente do quadro da Secretaria Estadual de Assistência Social, para tratar da implantação e execução do Pronatec/BSM no Estado. (CARTILHA DO PRONATEC, 2013, p. 13).
Todos os municípios do território nacional podem aderir ao Pronatec/BSM. Contudo, tal adesão não implica a oferta automática de cursos e vagas, a política pública será efetivada nos municípios através da pactuação de cursos e vagas conseguida entre o município e as Unidades Ofertantes: os Serviços Nacionais de Aprendizagem Profissional (SENAI, SENAC, SENAT, SENAR); os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IF's) e as Redes Estaduais de Educação Técnica que fizerem a adesão ao Pronatec.
Os cursos que poderão ser ofertados em cada localidade são definidos em conjunto, entre a Prefeitura e as Instituições Ofertantes, com o possível suporte do governo do Estado, sempre considerando as demandas do mercado de trabalho de cada município. Este processo da definição conjunta dos cursos é denominado como etapa de negociação.
Nessa etapa, o órgão municipal responsável pela gestão do Pronatec/BSM avaliará a demanda do mercado de trabalho local e o perfil socioeconômico da população inscrita no Cad Único. É relevante também a interlocução entre as secretarias estaduais e municipais de planejamento e desenvolvimento econômico, universidades e outros órgãos de pesquisa a Secretaria Municipal de Educação, a Secretaria Municipal de Trabalho e os coordenadores estaduais e/ou municipais do SINE. Prevê-se ainda o incentivo a participação do empresariado, dos sindicatos e, caso haja também as comissões municipais de emprego.
Baseado no processo descrito e levantado as informações, cabe à prefeitura formular sua proposta de demanda e negociar com as unidades ofertantes locais, cursos ajustados aos critérios de implementação da política, ou seja, adequados ao mercado de trabalho local e às especificidades das pessoas inscritas no Cad Único. Como entidade do processo, o município deverá negociar cursos adequados ao público-alvo e à vocação econômica local (CARTILHA DO PRONATEC, 2013).
Portanto, o formato de implementação da política envolve a interlocução de atores governamentais, de forma descentralizada, em cada região do país. E tem como prerrogativa que os cursos ofertados deverão considerar as demandas da economia local – entendemos por economia local o empresariado da região em questão.
1.2.1 O que é o Cad Único
De acordo com os órgãos oficiais o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cad Único) é uma ferramenta de controle que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, delimitadas por sua renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, ou renda mensal total de até três salários mínimos. O Cad Único possibilita monitorar a realidade socioeconômica dessas famílias, trazendo informações de todo o núcleo familiar, das características do domicílio, das formas de acesso a serviços públicos essenciais e, também, dados de cada um dos componentes da família.
Através de um sistema informatizado, o Governo Federal supervisiona os dados coletados no Cadastro Único e pode cruzar informações com outras bases de dados.
Assim, o poder público pode formular e implementar políticas específicas destinadas a população de baixa renda. Este mecanismo de controle é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), devendo ser obrigatoriamente utilizado para seleção de beneficiários de programas sociais do Governo Federal, como o Bolsa Família. Suas informações são regulamentadas pelo Decreto nº 6.135/07, pelas Portarias nº 177, de 16 de junho de 2011, e nº 274, de 10 de outubro de 2011, e Instruções Normativas nº 1 e nº 2, de 26 de agosto de 2011, e as Instruções Normativas nº 3 e nº 4, de 14 de outubro de 2011, tais informações também poderão ser utilizadas pelos governos estaduais e municipais para obter o diagnóstico socioeconômico das famílias cadastradas. Além disso, as famílias com renda superior a meio salário mínimo também podem ser cadastradas, contanto que a inserção dos dados esteja vinculada à inclusão ou permanência em programas sociais implementados pelo poder público nas três esferas do Governo60.