Em 1991 Giakos e Ishii (Giakos & Ishii 1991) (ver tambem Ishii & Giakos (1991)) publicaram os resultados de um experimento notavel, no qual trans- mitiram pulsos de microondas com frequ^encia de carregador de 8202GHz atraves do ar. A antena radiadora era simplesmente a sada aberta de um guia de ondas e o receptor era uma antena de chifre com sec~ao transversal de 7
;
19;
5cm2 e comprimento de 14;
4cm. O tempo entre a emiss~ao e arecepc~ao foi medido com um re ect^ometro de domnio de tempo HP1415 para varios ^angulos
entre os eixos das antenas transmissora e receptora (ver gura 8.7), e dist^ancias variaveis (1,658 m a 6,427 m) entre o radiador e o receptor. Os autores mostraram que a velocidade dos pulsos era bem representada porv
= 1cos(
c
= 1);
(8.58)e foram observadas velocidades de ate 1
;
747c
.E oportuno lembrar aqui que o ar e praticamente transparente para microondas; alem disso, e mais importante, Giakos e Ishii observaram que na vizinhanca da antena emissora as microondas n~ao s~ao ondas transversais. No que segue, mostraremos porque a eq.(8.58) e uma boa aproximac~ao para as velocidades dos pulsos observada por esses autores.
O experimento de Giakos e Ishii foi repetido por Ranfagni e colaborado- res em 1993 e 1996 (Ranfagni & Mugnai 1996, Ranfagni et al. 1991). Em seus experimentos, mais precisos que aqueles descritos em Giakos & Ishii (1991) e Ishii & Giakos (1991), foram usadas antenas de chifre piramidais (ver g. 8.7). Os sinais usados eram pulsos com a forma de func~oes degrau (sobre um carregador de 9
;
5GHz) produzidas por um klystron e moduladas por um modulador PIN cujo tempo de decaimento era menor que 10ns.O grupo de Ranfagni determinou primeiramente os tempos de tr^ansito de pulsos de microondas (acima do corte) atraves de um guia de ondas de 90cm de comprimento, conrmando a predic~ao teorica (ver sec~ao 7.4)
Figura 8.7: Antenas de chifre usadas na experi^encia de Ranfagni et al. de que tais pulsos se propagam com velocidade de grupo
v
g<
1. Depoisdisso, mediram o tempo de transmiss~ao para os pulsos propagando-se entre o emissor e o receptor atraves do ar, para valores diferentes do ^angulo
e para dist^ancias entre receptor e emissor variando de 10cm a 100cm. Os resultados obtidos conrmaram a propagac~ao superluminal, com as velocidades dos pulsos sendo dadas pela eq.(8.65) abaixo. Os autores vericaram tambem que para longas dist^ancias o efeito desaparece.Apresentamos agora um modelo matematico para a emiss~ao de micro- ondas por uma antena de chifre que prediz que a propagac~ao de ondas e superluminal, sob certas condic~oes (Ranfagni & Mugnai 1996). Considera- mos que o campo irradiado pode ser expresso como aquele devido a uma abertura retangular com as dimens~oes da boca da antena de chifre. Se- ja (
;;
) um sistema de coordenadas com origem no centro da abertura, como mostrado na gura 8.8.A m de facilitar nossa analise, suponhamos que a boca e innita na direc~ao
. Sob esta condic~ao podemos supor que o campo e independente desta coordenada. Na aproximac~ao escalar, na qual supomos que somente a componente transversalE
(;;t
) =F
(;;t
) e importante, descrevemos osinal emitido pela antena (i.e., para
>
0) como uma superposic~ao de ondas planas:d z O
Figura 8.8: Sistema de coordenadas usado para calcular o campo emitido por uma antena de chifre piramidal.
F
(;;t
) = e;i!t=2
Z ;=2
A
(z
)exp[ik
(cosz
+senz
)dz
= e;i!t
f
(;
):
(8.59)Como e bem conhecido da teoria de antenas (Felsen & Marcuvitz 1973), a m de produzir o campo no plano da abertura, e necessario estender os limites de integrac~ao no plano complexo
z
. Escrevemos ent~aoz
=x
+iy;
=cos;
=sen;
(8.60) onde (;
) s~ao as coordenadas polares do ponto de observac~ao. A integral paraf
(;
) se tornaf
(;
) =Z
C
A
(z
)exp[ik
cos(z
;
)]dz;
(8.61)onde o caminho de integrac~ao
C
e mostrado na gura 8.9.Para
(ondee o comprimento de onda do carregador) a eq.(8.61)pode ser calculada assintoticamente pelo metodo do ponto de sela. Para isso o caminho
C
e deformado emC
0 (gura 8.9), o qual e dado por um ramoda func~ao transcendental
x y i ; 2 r C 0 C C C 0
Figura 8.9: Caminhos de integrac~ao usados para calcular (8.61). que corta o eixo real em
x
; com um ^angulo igual a ;=
4. Quandodeformamos o caminho de integrac~ao, e necessario, naturalmente, levar em considerac~ao a contribuic~ao dos polos da amplitude
A
(z
) que se encontram no interior do contorno, em=r+i
i. A exist^encia de polos paraA
(z
) emostrada abaixo. Calculando a integral, obtemos para (8.61):
f
(;
) = s ei(k;=4)A
() + 2i
Re s[A
(z
!)]eikcos( ;):
(8.63)Na eq.(8.63) o primeiro termo representa a contribuic~ao normal (onda cilndrica) e o segundo termo, devido ao polo, representa uma onda evanes- cente. Escrevendo
=r+i
i, encontramos para essa contribuic~ao2
i
[A
(z
!)]exp[ik
(r;)coshi+k
sen(r;)sinhi]:
(8.64)Esta equac~ao representa uma onda que se propaga na direc~ao
r e cujaamplitude e atenuada quando
e aumentam. Quando r ! 0 sua con-tribuic~ao se torna dominante (se
i for pequeno), um fato que parece estarem acordo com a experi^encia. Essas ondas evanescentes, que praticamente desaparecem para
grande, s~ao chamadas ondas complexas (Tamir & Oliner (1963a), (1963b)).Analisando o fator de fase na eq.(8.64) e levando em conta a variac~ao temporal, vemos que a velocidade de propagac~ao ao longo do caminho de- terminado por um ^angulo
e dada porv
=k
cos(r
!
;
)coshi= cos(
r 1
;
)coshi;
(8.65)onde usamos
!
=k
para a propagac~ao no ar. Esta equac~ao mostra quev
pode ser menor ou maior que 1, dependendo do polo e do ^angulo de observac~ao.Dado que a propagac~ao de microondas no ar e n~ao dispersiva, a velocida- de
v
na eq.(8.65) representa a velocidade de propagac~ao do sinal, um resulta- do conrmado no experimento de Ranfagni et al. (Ranfagni & Mugnai 1996), no qual foi observado quev >
1 para<
r. O valor de r e aproxima-damente metade do valor do ^angulo do chifre da antena, (que tal ^angulo de abertura da antena?) um fato que sugere que as ondas complexas est~ao relacionadas diretamente as paredes verticais da antena. Este parece ser de fato o caso, pois ao serem empregados outros tipos de antenas (como, por exemplo, antenas bic^onicas) este efeito n~ao foi mais observado no plano
H
.Figura 8.10: Divis~ao do plano em 2
N
zonas horizontais para o calculo do campo no ponto P.Mostraremos agora que
A
(z
) tem polos. Para isso, relembramos as con- dic~oes usadas no experimento de Ranfagni et al.(Ranfagni & Mugnai 1996), onde ' 0:
5m, ' 3cm e a dimens~ao da abertura erad
' 10cm. Emseguida, dividimos o plano (g. 8.10) em 2
N
zonas horizontais de larguraf
(;
) =Z
A
(z
)eik( cosz+ senz)dz
'N
X
n=;N Z
A
(z
n)eik( coszn+ senzn)dz
(8.66)onde
A
(z
n) se refere a amplitude dan
-esima zona e e dada porA
(z
n) = 1 Z ;1F
(n)e;iknsenznd
n;
(8.67)onde
F
(n) e a intensidade do campo no plano , suposta constante emcada zona. Sob estas condic~oes temos
f
(;
) = XN n=;N Z ZF
(n)e;ik senznd
neik( coszn+ senzn)
dz
n:
(8.68)Para calcular (8.68) supomos normalmente que e possvel inverter a or- dem de integrac~ao. Aqui vamos trocar P
n com R
d
n. Vamos agora in-vestigar a eq.(8.67), que fornece a amplitude em cada zona. Supondo que e uma boa aproximac~ao tomar
F
(n) =F
() em cada zona, obtemosA
(senz
) = XN n=;N cosz
2 ? Z n;1 e;ik senzd
= cos2z
" e;ikd 2sen(z ;n) ;ik
sen(z
;n) ; eikd2sin(z+n) ;ik
sin(z
+n) #;
(8.69) onde ao passar da primeira para a segunda linha escrevemosz
n =z
; n, onde 2n e o ^angulo compreendido pela abertura a dist^ancia , i.e.,2
n'd=
. Parad
,n!0, recuperamos a conhecida aproximac~ao deFraunhofer, i.e., sen[
k
(d=
2)senz
]=k
senz
.Ranfagni e colaboradores vericaram (Ranfagni & Mugnai 1996) que a eq.(8.69) fornece uma excelente aproximac~ao para o campo como uma func~ao de
z
na vizinhanca da abertura, quandoN e complexo. Neste caso,Consequ^encias para a teoria
da relatividade
Nos captulos anteriores aprendemos que e possvel lancar no espaco, com radiadores planos ou utilizando dispositivos opticos, FAASEXW cujos picos se propagam com velocidade superluminal, e tambem que e possvel ter sinais com velocidades de grupo superluminais em meios dispersivos.1
Enfatizamos aqui que estes dois tipos de superluminalidade n~ao implicam em falsicac~ao do Princpio de Relatividade (PR), visto que a forma como tais ondas s~ao geradas implica que na pratica elas possuem frentes, que se movem sempre com a velocidade da luz. Nesta sec~ao desejamos apresentar de forma rigorosa o PR e demonstrar que se fosse possvel gerar uma UPW superluminal de energia nita sobre uma dada superfcie de Cauchy, isto implicaria na perda de validade do PR.
Antes da descoberta da exist^encia de soluc~oes superluminaisdas equac~oes de ondas relativsticas, apareceram na literatura especializada muitos tra- balhos sobre taquions, partculas hipoteticas que viajam mais rapido que a luz. Alguns autores como, e.g., Recami (Recami 1986) argumentam que, devido a sua din^amica peculiar, os taquions n~ao violariam o PR. Tambem mostramos neste captulo que esta armac~ao e invalida.
9.1 Formulac~ao do
PRJa denimos o espaco-tempo de Minkowski como a triplah
M;g;D
i, ondeM
'R4,g
e uma metrica lorentziana eD
e a conex~ao de Levi-Civita deg
. 1E possvel tambem lancar aproximac~oes de abertura nita de outras soluc~oes super-Consideremos agora
G
M, o grupo de todos os diferomorsmos deM
,chamado o grupo de aplicac~ao da variedade. Seja
T
um objeto geometrico denido emA
M
. O difeomorsmoh
2G
M induz uma aplicac~ao defor-madora
h
:T
7!h
T
=T
tal que(i)
Sef
:M
A
!R, ent~aoh
f
=f
h
;1 :h
(A
) !R.(ii)
SeT
2secT
(r;s)(A
)secT(M
), ondeT
(r;s)(A
) e o subbrado dostensores do tipo (
r;s
) do brado tensorial deT(M
), ent~ao(
h
T
)he(h
!
1;::: ;h
!
r;h
X
1;::: ;h
X
s) =T
e(!
1;::: ;!
r;X
1;::: ;X
s)(9.1)
8
X
i 2T
eA
,i
= 1;::: ;s
,8!
j 2T
e
A
,j
= 1;::: ;r
,8e
2A
.(iii)
SeD
e a conex~ao de Levi-Civita eX
,Y
2secTM
, ent~ao(
h
D
hXh
Y
)heh
f = (D
XY
)ef
8
e
2M:
(9.2)Sef
f
=@=@x
ge uma base coordenada paraTA
ef=dx
ge a basedual correspondente para
T
A
e seT
=T
1:::r 1:::s 1:::
sf
1:::f
r;
(9.3) ent~aoh
T
= [T
1:::r 1:::sh
;1 ]h
1:::h
sh
f
1:::h
f
r:
(9.4)Suponhamos agora que
A
eh
(A
) podem ser recobertos pela carta local (U;
) do atlas maximal deM
, e queA
U
eh
(A
)U
. Sejam hx
i asfunc~oes coordenadas assciadas a (
U;
). A aplicac~aox
0=x
h
;1 :
h
(U
)!R (9.5)
dene uma transformac~ao de coordenadash
x
i7!hx
0ise
h
(U
)A
[h
(A
).De fato, h
x
0i s~ao as func~oes coordenadas associadas a carta (
V;'
) ondeh
(U
)V
eU
\V
6= . Sob as condic~oes acima,h
@=@x
@=@x
0 eh
dx
dx
0, e as equac~oes (9.4) e (9.5) implicam que
(
h
T
)hx 0i(
he
) =T
hxi(e
);
(9.6)onde
T
hxi(e
) signica as componentes deT
na cartah
x
ino eventoe
2M
,i.e.,
T
x (e
) =T
1:::r:::s (
x
(e
)) e ondeT
0 1:::rde
T
=h
T
na base fh
@=@x
=@=@x
0 g,fh
dx
=dx
0 g, no pontoh
(e
).Ent~ao a eq.(9.6) se torna
T
0 1:::r 1:::s(x
0 (he
)) =T
1:::r 1:::s (x
(e
));
(9.7) ou, usando (9.5)T
0 1:::r 1:::s(x
0(e
)) = (;1) 1 1:::
s sT
01:::r 1:::s(x
0(h
;1e
));
(9.8) onde =@x
0=@x
, etc.Na sec~ao 2.1 introduzimos o conceito de sistema de refer^encia inercial
I
2secTU
,U
M
, comog
(I;I
) = 1 eDI
= 0:
(9.9)Um referencial geral
Z
satisfazg
(Z;Z
) = 1, comDZ
6= 0. Se =g
(Z;
)2secT
U
, vale a igualdade(
D
)e =a
ee+e+!
e+ 13eh
e;e
2U
M;
(9.10)onde
a
=g
(A;
), A =D
ZZ
e a acelerac~ao e onde!
e e o tensor de rotac~ao, e e o tensor de cisalhamento,ee o tensor de expans~ao eh
e=g
jHe, ondeT
eM
= [Z
e][H
e]:
(9.11)Nesta express~ao
H
e e o espaco de repouso de um observador instant^aneoem
e
, e um observador instant^aneo e o par (e;Z
e). Alem disso,h
e(X;Y
) =g
e(pX;pY
), 8X;Y
2T
e(M
) ep
:T
eM
!H
e.2 Das equac~oes (9.9) e (9.10)vemos que um sistema de refer^encia inercial n~ao apresenta acelarac~ao, ro- tac~ao, cisalhamento ou expans~ao.
Tambem na sec~ao 2.1 foi introduzido o conceito de um (nacs/
I
). Um (nacs/I
) hx
ie dito estar no calibre de Lorentz sex
, = 0, 1, 2, 3 s~ao ascoordenadas de Lorentz usuais e
I
=@=@x
0 2secTM
. Lembramos que e umteorema que escolhendo
I
=e
0=@=@x
0, existem sempre tr^es outros camposde vetores
e
i 2 secTM
tais queg
(e
i;e
i) = ;1,i
= 1, 2, 3, ee
i =@=@x
i.Um referencial movel para
x
2M
e uma base ortonormal deT
xM
. Seja :RI
3t
7!(t
) 2M
uma curva tipo tempo. Um sistema movel paratodos os pontos
x
2(t
) e chamado um referencial comovel para a curva. 2Para as formas explcitas de!,eveja-se Sachs & Wu (1977) e Rodrigues & Rosa
Agora, sejamh
x
ifunc~oes coordenadas de Lorentz como acima. Dizemosque
l
2G
M e uma aplicac~ao de Poincare se e somente se3x
0(
e
) =x
(e
) +a
;
(9.12)onde 2 L "
+ e uma transformac~ao de Lorentz e
a
s~ao as componentesde um vetor constante. Quando
a
= 0, a equac~ao (9.12) e chamada umaaplicac~ao de Lorentz especial ortocrona. Por abuso de notac~ao tambem denotamos o subconjunto f
`
g deG
M tal que a eq.(9.12) e verdadeira por PG
M.Quando h
x
i s~ao func~oes coordenadas de Lorentz, hx
0i tambem s~ao
func~oes coordenadas de Lorentz. Neste caso denotamos
e
=@=@x
; e
0=
@=@x
0;
=
dx
;
0=
dx
0; (9.13)
quando
`
2PG
M dizemos que`
T
e a vers~ao Lorentz deformada deT
.Seja
h
2G
M. Se para um objeto geometricoT
tivermosh
T
=T;
(9.14)ent~ao
h
e dita uma simetria deT
e o conjunto de todos osh
2G
M para osquais vale a equac~ao (9.14) e chamado o grupo de simetria de
T
. Podemos vericar imediatamente que para`
2PG
M`
g
=g; `
D
=D;
(9.15)i.e., o grupo de Poincare (e em particular seu subgrupoL "
+) e um grupo de
simetria de
g
eD
.Em (Rodrigues, Scanavini & Alcantara 1990) uma teoria fsica
e ca- racterizada por:(i) A teoria de uma certa \especie de estrutura" no sentido de Bourba- ki (Bourbaki 1957).
(ii) Sua interpretac~ao fsica.
(iii) Seu signicado atual e suas aplicac~oes atuais.
3O conjunto de todas as aplicac~oes de Poincare dene o grupo de Poincare ( P), que
e igual ao produto semidireto de L "
+ com o grupo de translac~oes, i.e., P = L
" +
T. O
conjunto de todas as aplicac~oes de Poincare tais que a = 0 dene o grupo de Lorentz
Recordemos que em exposic~oes matematicas de uma dada teoria fsica
, os postulados ou axiomas basicos s~ao apresentados como denic~oes. Tais de- nic~oes signicam que os fen^omenos fsicos descritos por ocorrem de uma certa maneira. Ent~ao, as denic~oes requerem mais motivac~ao que as de- nic~oes puramente matematicas. Chamamos as denic~oes fsicas de denic~oes coordenativas, um termo introduzido por Reichenbach (Reichenbach 1958). E necessario ter em mente que n~ao se podem dar motivac~oes completamente convincentes e genunas para as denic~oes coordenativas, na medida em que elas se referem a natureza como um todo e a teoria como um todo.A postura teorica com relac~ao a fsica por tras de (i), (ii) e (iii) e ent~ao admitir os conceitos matematicos da especie de estrutura que dene
como primitivos, denindo coordenativamente as entidades observaveis a partir deles. Reichenbach sup~oe que \o conhecimento fsico e caracterizado pelo fato que os conceitos s~ao denidos n~ao somente por outros conceitos, mas s~ao tambem coordenados a objetos reais." Entretanto, em nosso tratamen- to, cada teoria fsica, quando caracterizada como uma especie de estrutu- ra, contem tambem alguns objetos geometricos implcitos, como alguns dos campos de sistemas de refer^encia denidos acima, que n~ao podem, em ge- ral, ser coordenados a objetos reais. De fato, seria um absurdo supor que a innidade de referenciais inerciais existentes emM
deve ter um suporte material.Denimos uma teoria do espaco-tempo como uma teoria de uma especie de estrutura tal que, se Mod
e a classe dos modelos de , ent~ao cada 2 Mod contem uma subestrutura chamada espaco-tempo (ST). Maisexatamente, temos
= (ST
;T
1:::T
mg;
(9.16)onde ST pode ser uma estrutura bastante geral (Rodrigues et al. 1990). Em nossa apresentac~ao suporemos que ST = M= (
M;g;D
), i.e. que ST e oespaco-tempo de Minkowski. Os
T
i,i
= 1;::: ;m
s~ao objetos geometricosexplcitos denidos em
U
M
que caracterizam os campos fsicos e astrajetorias das partculas, que n~ao podem ser geometrizados em . Neste contexto, ser geometrizado signica ser um campo metrico ou uma conex~ao sobre
M
, ou ser um objeto derivado desses conceitos como, por exemplo, o tensor de Riemann ou o tensor de torc~ao.Os campos de referenciais ser~ao chamados de objetos geometricos im- plcitos de
, visto tratar-se de objetos matematicos que n~ao correspondem necessariamente a propriedades de algum sistema fsico descrito por.Com o formalismo do brado de Cliord podemos formular em C
`
(M
)tein (Rodrigues & Souza 1993). Vamos introduzir agora a eletrodin^amica de Lorentz-Maxwell (ELM) emC
`
(M
) como uma teoria de uma especie deestrutura. Dizemos que a eletrodin^amica de Lorentz-Maxwell
ELM possuium modelo
ELM =h
M;g;D;F;J;
f'
i;m
i;e
igi;
(9.17)onde (
M;g;D
) e o espaco-tempo de Minkowski,f'
i;m
i;e
ig,i
= 1;
2;::: ;N
e o conjunto de todas as partculas carregadas,
m
i ee
i s~ao as massas eas cargas das partculas e
'
i : RI
!M
s~ao as linhas de universo daspartculas, caracterizadas pelo fato que se
'
i2sec
TM
e o vetor velocidade,ent~ao
'
i =g
('
i;
)2sec1(
M
)secC`
(M
) e'
i'
i = 1.F
2sec2(M
)secC
`
(M
) e o campo eletromagnetico eJ
2 sec1(M
) secC`
(M
) e adensidade de corrente. Os axiomas proprios da teoria s~ao
@
F
=J
m
iD
'i'
i =e
i'
iF
(9.18) Do ponto de vista matematico e um resultado trivial que
LME tem aseguinte propriedade: Se
h
2G
M e se as equac~oes (9.18) t^em uma soluc~ao hF;J;
('
i;m
i;e
i)iemU
M
, ent~aohh
F;h
J;
(h
'
i;m
i;e
i)itambem e uma
soluc~ao das equac~oes (9.18) em
h
(U
). Como este resultado e verdadeiro para qualquerh
2G
M, ele tambem vale para`
2 PG
M, i.e., para qualqueraplicac~ao de Poincare.
Devemos agora deixar claro queh
F;J;
f'
i;m
i;e
igi que s~ao uma soluc~aoda eq.(9.18) em
U
so podem ser obtidos impondo-se condic~oes de contor- no matematicas que denotaremos porBU
. A soluc~ao sera realizavel na natureza se e somente se as condic~oes de contorno matematicas forem si- camente realizaveis. Este e de fato um ponto importante pois nos diz, em particular, que ainda quehh
F;h
J;
fh
'
i;m
i;e
igi possam ser uma soluc~ao
de (9.18) com condic~oes de contorno matematicas
Bh
(U
), pode ocorrer queBh
(U
) n~ao seja sicamente realizavel na natureza. A seguinte armac~ao, denotada PR1, e normalmente apresentada como o Princpio (Especial) deRelatividade na forma ativa:
PR1: Seja
l
2P
G
M. Se para uma teoria fsica , 2 Mod, = hM;g;D;T
1;::: ;T
mi e um fen^omeno fsico possvel, ent~ao`
= h
M;g;D;l
T
1;::: ;l
T
mi tambem e um fen^omeno fsico possvel.
Esta claro que no PR1 encontra-se escondida a suposic~ao de que as con-
de continuar, introduzimos a armac~ao abaixo, denotada PR2 e conheci-
da como Princpio (Especial) de Relatividade na forma passiva (Rodrigues et al. 1990):
PR2: Todos os referenciais inerciais s~ao sicamente equivalentes ou indis-
tinguveis.
Vamos agora tentar dar um signicado matematico preciso a esta armac~ao. Seja
uma teoria do espaco-tempo e seja ST = hM;g;D
i uma subes-trutura de Mod
representando o proprio espaco tempo. SejamI
2secTU
e
I
02sec
TV
,U;V
M
, dois sistemas de refer^encia inerciais. Sejam (U;
)e (
V;'
) duas cartas de Lorentz do atlas maximal deM
que s~ao sistemas de coordenadas naturalmente adaptados aI
eI
0, respectivamente. Seh
x
ie h
x
0i s~ao func~oes coordenadas associadas a (
U;
) e (V;'
), ent~ao temosI
=@=@x
0,I
0 =@=@x
00.Denic~ao.
Dois sistemas de refer^encia inerciaisI
eI
0 como acima s~ao si-camente equivalentes segundo
se e somente se as seguintes condic~oes s~ao satisfeitas:(i) 9
`
2PG
M,`
:U
7!`
(U
)V
, tal quex
0 =
x
`
;1, o
que implica que
I
0 =`
I
Alem disso, sejam 2Mod
, =hM;g;D;T
1;:::T
mi, tais queg
eD
sejam denidos sobre todo
M
eT
i2secC`
(U
)secC`
(M
). Consideremosuma subestrutura
o
=hg;D;T
1;:::T
mi, tal queo
resolve um conjunto deequac~oes diferenciais em
(U
)R4 com um certo conjunto de condic~oes decontorno denotadas
b
ohxi, o que denotamos comoD
hxi(
o
hxi)e= 0 ;
b
ohxi
;
e
2U
(9.19)Ent~ao, se todas as condic~oes acima forem verdadeiras, devemos ter ainda: (ii) Se 2Mod
,`
2Mod
, ent~ao necessariamente`
=h
M;g;D;`
T
1;:::`
T
mi (9.20)
esta denido em
`
(U
)V
e chamando`
o
fg;D;`
T
1;::: ;`
T
m g devemos terD
x0 (`
o
x 0 )`e = 0 ;b
` o hx 0 i`e
2`
(U
)V:
(9.21)Nas equac~oes (9.19) e (9.21)
D
hxi eD
hx 0 i signicam = 1;
2;::: ;m
conjuntos de equac~oes diferenciais emR4. O sistema de equac~oes diferenciais
(9.21) deve ter a mesma forma funcional que o sistema de equac~oes diferen- ciais (9.19) e
b
`ohx 0
ideve ser com relac~ao a h
x
0
io mesmo que
b
ohxie com
relac~ao a h
x
i, e seb
ohxi for sicamente realizavel, ent~ao
b
` ohx 0
i tambem
deve ser sicamente realizavel. Dizemos em tais condic~oes que
I
I
0 e que`
o
e a vers~ao Lorentz deformada dos fen^omenos descritos poro
.Visto que na denic~ao acima
`
=h
M;g;D;`
T
1;::: ;`
T
mi, segue-
se que quando
I
I
0, ent~ao
`
g
=g;`
D
=D
(como ja sabemos) e istosignica que a estrutura do espaco-tempo n~ao atribui um estatuto especial a