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4 PROGRAMA “CONTA PRA MIM”

4.1 PROPOSITURAS DO PROGRAMA

O “CONTA PRA MIM”, lançado em dezembro de 2019, é um novo programa do Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Secretaria de Alfabetização, em conjunto com a Política Nacional de Alfabetização (PNA) para promover a literacia no ambiente familiar.

O MEC visa conscientizar os pais e responsáveis da importância do apoio dentro do ambiente familiar e o quanto esse apoio contribui para a formação educacional das crianças. Diz o MEC no guia do projeto:

[...] seguindo os rumos apontados pela Política Nacional de Alfabetização (PNA), o Ministério da Educação lançou o programa Conta pra Mim, que tem como objetivo a ampla promoção da Literacia Familiar. Afinal, a aprendizagem da linguagem oral, da leitura e da escrita começa em casa, na convivência entre pais e filhos. (BRASIL, 2019, p. 6)

O projeto conta com um Guia e uma série de vídeos para conscientizar os pais acerca da relevância da literacia familiar, como processo formativo. Dentro do Programa a estratégia central é a literacia familiar, e suas práticas facilitadoras da alfabetização. A propositura aborda a interação familiar, na busca por desenvolver práticas que estimulem a leitura, através de estratégias dentre elas a Interação Verbal.

O Programa busca colaborar no desenvolvimento intelectual, subjetivo estimulando o interesse pela leitura, despertando a imaginação, por intermédio da ficção, dos personagens, dos cenários das ações narradas. Opera, do mesmo modo, no desenvolvimento comunicativo, interacional. Além disso, busca promover a literacia familiar trazendo para os pais um conteúdo simplificado de fácil entendimento. Visa também, contribuir no fortalecimento dos laços familiares, tendo em vista que para praticar a litura no âmbito familiar os pais e/ou responsáveis não precisam de formação educacional elevada, apenas que tenham amor pelos seus filhos e interesse em contribuir para formação intelectual dessas crianças.

Para Abramovich, (2001):

[...] é através de uma história, que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir, ser, outra ética, outra ótica. É ficar sabendo de história, geografia, filosofia política, sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula [...]. (ABRAMOVICH, 2001, p. 17)

No momento em que a criança ouve uma história infantil, sua imaginação é despertada, das fronteiras do imaginário leva-se ao encanto do seu mundo infantil, em que só existe em sua mente.

A contação de histórias em tempo algum deixou de ser um artifício excepcionalmente envolvente, empregado da maneira certa pode despertar o desejo pelo mundo da leitura. Ao se encantar com narrativas, seguramente as crianças descobrirão o caminho dos livros, das leituras, das histórias divertidas, emocionantes, intrigantes, assustadoras.

Das estratégias elaboradas pelo Programa, o mesmo objetiva desenvolver práticas facilitadoras de alfabetização, através de seu conteúdo autoexplicativo, os pais e/ou responsáveis, são conduzidos a desenvolverem métodos de utilização de leitura no lar. A ideia refere-se, a leitura compartilhada em ambiente doméstico, objetivando a inserção da criança no universo imaginário das histórias infantis.

Dessa forma, desde cedo, as referidas compreenderão que há uma finalidade social, para leitura e escrita. Assim, reafirma-se através desta propositura a discussão de Soares (2004), que afirma:

[...] a criança que ainda não se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve histórias que lhe são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função, essa criança

é ainda “analfabeta”, porque não aprendeu a ler e a escrever, mas já penetrou no mundo do letramento, já é de certa forma, letrada.

(SOARES, 2004, p. 24)

O estímulo pelo hábito da leitura tem início no seio familiar, ela deve ser implantada de forma natural no dia a dia das crianças, não deve ser algo imposto.

Os pais que se colocam no papel de contadores de histórias levam a vivência para a criança de forma lúdica. Portanto se os mesmos praticarem a leitura de forma prazerosa, frequentando bibliotecas ou livrarias o olhar da criança será de algo bom, gostoso, prazeroso e curioso.

Nesta atmosfera propícia para a constituição de personalidade que se referencia indelevelmente aos desejos e as motivações, as vontades e os anseios, os gostos e sentidos, evidenciando um início de hábitos, que se bem ajustado, terá incontáveis benfeitorias.

De acordo com Raimundo (2007):

Dentro do seio familiar a leitura é mais leve, prazerosa, criando um vínculo maior entre pais e filhos, num primeiro momento com a observação das ilustrações dos livros lidos pelos pais, com a audição de cantigas de ninar, de histórias para dormir, até que a criança se sinta com vontade de retribuir e contar ou ler suas próprias histórias (RAIMUNDO, 2007, p. 111).

A família possui enorme relevância no processo da leitura, já que a criança detém um convivo e proximidade com a mesma antes mesmo de entrar na escola, através de histórias, ilustrações, e outras fontes que oportuniza o acesso a leitura, além de que, os conhecimentos assimilados no ambiente familiar são carregados, na maioria das vezes, para toda a vida.

A Literacia familiar é estar presente e se fazer presente na educação das crianças. É interagir, conversar, contar história, ler em voz alta, é incentivar, apoiar e principalmente amar a seus filhos. Para que essa prática ocorra, não é preciso muitos aparatos.

A literacia é praticada no dia-a-dia, ao ensinar para a criança a receita de um bolo, mostrá-la onde se localiza tal rua, ao contar uma história inventada em voz alta, existem essas e muitas outras formas de praticar a literacia familiar e incentivar a criança a ser uma leitora.

O gosto pela leitura está diretamente associado aos estímulos que são proporcionados à criança desde muito cedo. O contexto familiar é de grande importância. Quando a criança cresce no meio de livros e vê, à sua volta, adultos lendo é despertado nela o hábito de ler, considerando que a formação de um leitor não se dá através de produtos, e sim, de estímulos.

(NASCIMENTO; BARBOSA, 2006. p. 1).

À vista disso, o hábito de ler deve ser exercitado desde cedo, mesmo que a criança não domine a ler. O incentivo neste momento é primordial para que o processo aconteça e diversos métodos podem colaborar para a iniciação à leitura, como: cantar canções de ninar, contar histórias ao dormir, adquirir livros e o próprio hábito dos pais de lerem na presença dos filhos, como jornais, revistas e etc.

Assim sendo, a família tem uma enorme influência no desenvolvimento de suas crianças. A forma como ela interfere no desenvolvimento da criança, principalmente na primeira infância, é decisivo para o futuro escolar dessas crianças.

Podemos dizer que os pais são os primeiros professores, a educação e o conhecimento de mundo iniciam-se em casa.

De acordo com Vieira (2004):

Os pais podem iniciar contando histórias para os filhos dormirem, presentear as crianças com livros, incentivar os filhos a contarem histórias em casa, assim haverá sempre uma troca de conhecimentos e cria-se um estímulo para que as crianças, adolescentes e jovens tenham realmente prazer pela leitura, pois não adianta crianças crescerem ao redor de livros e odiarem a leitura (VIEIRA, 2004, p. 05).

Pode-se dizer que a literacia familiar é também uma preparação para alfabetização. No Brasil a criança passa a ser formalmente alfabetizada no primeiro ano do ensino fundamental, mas que essa não chega até a escola sem nenhum conhecimento, trazem consigo o que Piaget configurou de conhecimentos prévios.

Crianças que contam com acompanhamento em casa, principalmente no que diz respeito à leitura, se desenvolve melhor ao chegar à escola.

Por isso, o trabalho concomitante da família e escola, no processo de escolarização da criança é essencial e eficaz. A leitura é um ponto crucial nesse processo, pois ao decorrer dos anos (do 2° ano do ensino fundamental I em diante) ela se torna instrumento central no processo de ensino-aprendizagem. Crianças que não têm esse contato com a leitura e não contam com a intervenção nesse processo pré-escolar, podem encontrar dificuldades para serem alfabetizadas somente com a intervenção da escola.

Para ajudar aos pais nesse processo, o programa “CONTA PRA MIM”, fala sobre os facilitadores da alfabetização, tais como, desenvolvimento da linguagem oral, vocabulário, compreensão oral, identificação dos elementos narrativos, conhecimentos sobre a escrita, aquisição de conhecimentos variados sobre o mundo, consciência fonológica e fonêmica, dentre outras. O programa traz cada um desses facilitadores, detalhadamente em vídeos, disponíveis em plataformas gratuitas, além do guia com explicações claras e objetivas.

O programa traz o guia e uma série de vídeos com vários temas importantes, sobre como se dá a literacia familiar e colocá-la em prática no dia-a-dia. Um dos pontos abordados é a interação verbal, que objetiva um bom diálogo entre ou pais ou responsáveis com a criança, tais como, aproveitar uma situação do dia-a-dia para explorar uma conversa. Compreender a relevância de ser um bom ouvinte, observar as expressões corporais.

O adulto que pega uma criança no colo e a embala com aquelas cantigas tradicionais, que brinca com o bebê usando as histórias, adivinhações, rimas e expressões do nosso folclore, que folheia uma revista ou um livro buscando as figuras conhecidas e pergunta o nome delas, está colaborando e muito! – para uma atividade positiva diante da leitura (SANDRONE;

MACHADO, 1991, p. 11).

Os adultos devem lembrar que as crianças, principalmente na primeira infância, tentem a aprender a partir da imitação, ou seja, tendem a repetir aquilo que os adultos fazem. Daí a importância de manter um bom diálogo, favorecendo a criança a ampliação de seu vocabulário, orientando a usá-lo de maneira competente.

Outro ponto de destaque no programa, refere-se a leitura dialogada, esta proporciona um estreito diálogo entre o adulto e a criança, por meio de perguntas e respostas, ou ao contar uma história em voz alta, é sempre importante contar história onde a criança se imagine nela, apresentar histórias a partir de livros ilustrativos, deixando que a posteriori a criança reconte a mesma história, construindo assim um universo de possibilidades.

Existem maneiras de construir um diálogo simples e claro com as crianças.

Cabe aos pais explorarem as diversas oportunidades que surgem e que podem ser criadas ao longo do dia. A criança ao se deparar com essas situações estão explorando seus conhecimentos, assim como o seu emocional, além da percepção, concentração, como tantas outras habilidades.

Outro ponto muito importante que é possível ser encontrado tanto no guia quanto nos vídeos é a relevância de valorizar e incentiva-las. Valorizar os desenhos, os pequenos gestos. Dar incentivo a fazer mais e melhor, mostrando que é possível ir além, todas essas ações fazem parte da aprendizagem da criança. Trazendo para o contexto atual que está se vivendo, já que estamos falando de um programa que teve início em dezembro de 2019 e teria continuidade no ano atual de 2020, onde o projeto ganharia talvez mais “força”, mas pode-se dizer que isto tomou um rumo diferente do que se foi pensado, já que o ano atual em que se fala (2020) foi um ano atípico, podemos assim dizer.

Na atualidade as pessoas vivenciam um momento Pandêmico, em virtude do vírus Covid-19, esse fator paralisou as atividades em todo mundo, pouco são os setores que estão em funcionamento. Várias famílias tiveram suas rotinas interrompidas, os pais estão em casa em isolamento, outro ponto do programa, refere-se ao aproveitar as oportunidades com tempo livre. Ao estarem em casa por mais tempo, essa seria então uma opção dos pais e familiares se conectarem mais com as crianças e praticarem a literacia familiar a partir da proposta do programa.

“Se a leitura deve ser um hábito, deve ser também fonte de prazer, e nunca uma atividade obrigatória, cercada de ameaças e castigos e encarada como uma imposição do mundo adulto. Para se ler é preciso gostar de ler.” (SANDRONE;

MACHADO, 1991, p. 11).

Diante do que foi exposto, fica evidente o quão importante e essencial é a interação dos pais e responsáveis para com os seus filhos(as). A literacia familiar é uma pratica diária e que dispõe de inúmeras variantes, para que os adultos colaborem com a aprendizagem das crianças e o pleno desenvolvimento destas.

Para isto, família e escola caminhem lado a lado para que esse desenvolvimento ocorra significativamente. A forma como a criança é tratada dentro ambiente familiar corresponde as expectativas no que diz respeito a vida escolar destas crianças.