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CAPÍTULO 2 –ASPECTOS HISTÓRICOS DA EJA E LEGISLAÇÃO

2.9. Perfil dos alunos da EJA/EM

Hoje, os alunos da EJA são predominantemente oriundos das periferias urbanas, embora haja também estudantes dessa modalidade no campo, porém, em menor proporção, devido às constantes migrações para as cidades. Já estão no mercado de

trabalho, atuando como provedores, pais e mães de família. Pelo fato de os alunos da EJA trazerem experiências de não-aprendizado com o ensino, descontínuas, e até mesmo de frustrações, a EJA deve ser repensada por parte do profissional que a lidera, não se pode lidar com esse público-alvo da mesma maneira com que se lida com o público infantil. São jovens e adultos que requerem outras estratégias de ensino e seleção de conteúdos/temas a serem abordados. Os alunos da EJA deverão se tornar

leitores e escritores autônomos, que dominem o código linguístico, mas que também sejam capazes de atribuir sentidos e recriar histórias; de compreender criticamente sua realidade, intervindo para transformar (a práxis), pela escrita, sem prejuízo de outras formas de expressão (Brasil, 2008, p. 18)

Espera-se que esse aluno tenha condições de dar continuidade aos seus estudos, disputar uma vaga no mercado de trabalho e participar com cidadania das decisões políticas de seu país, colocando-se como protagonista das ações e transformações sociais.

Havia, no Brasil, de acordo com o IBGE, em 2006, 14,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais (BRASIL, 2008, p. 4). Apesar de, em 1996, esse número ter sido 3,8% pontos percentuais maior, ainda é um índice alto, se comparado aos de países como Estados Unidos e Japão, cuja taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou

mais de idade é de 99,0% para ambos. (IBGE,

http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php, acesso em 4 fev. 2009). A discrepância é grande quando se separa por região: Nordeste, com 20,7%, Norte, 11,3%, Centro-Oeste, com 8,3%, Sudeste 6,0% e Sul com 5,8%, gerando uma média de 10,4% de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais no país. Esses analfabetos com mais de 15 anos, quando voltam a estudar, voltam na EJA. Ao se analisar o tempo de permanência na escola, vê-se que quem frequenta a escola fica nela um período suficiente para concluir tanto o EF (8,3 anos) como o EM (3,3 anos). Entretanto, isso não acontece, já que o tempo médio esperado de conclusão é de 10,1 anos para o EF e 3,9 anos para o EM. O número médio esperado de séries concluídas no EF é de 6,3, e o do EM é de 2,4. A razão de os alunos frequentarem a escola, mas não concluírem seus estudos são as altas taxas de retenção. Por fim, a taxa média esperada de conclusão para o EF é de 53,5% e 68,5% para o EM. Assim, os estudantes que abandonaram os estudos

retornam mais tarde, na EJA, gerando essa demanda. A tabela abaixo traz os valores comentados acima.

Tabela 7: Indicadores de fluxo escolar – 2004

Etapa

Tempo médio esperado de permanência

Tempo médio esperada de

conclusão

Nº médio esperado de séries concluídas

Taxa média esperada de conclusão

Brasil Fundamental 8.3 10.1 6.3 53.5

Brasil Médio 3.3 3.9 2.4 68.5

Fonte: Brasil, 2008, p 6

Quanto às matrículas para a EJA, de 1997 a 2006, no EF, houve um aumento de 59%, enquanto no EM, o aumento foi de 344%. É um crescimento bastante alto, se comparado ao aumento de matrículas do EM no Ensino Regular, que foi de 39%. E quanto menor for a procura por EM regular, maior será a pelo EM/EJA. É necessário esclarecer que o EM/EJA é de responsabilidade do Estado e pode ser oferecido pela Rede Privada, não sendo atributo do Governo Federal nem da Rede Municipal. Esta se responsabiliza pela EJA no EF apenas. O Governo Federal tem o encargo de coordenar e estabelecer diretrizes nacionais, produzindo documentos para regulamentar a EJA,

“minorar as desigualdades regionais e promover um investimento por aluno que, pelo menos, iguale o valor-aluno nacional definido anualmente (...), é um orientador e indutor de políticas” (Op. cit., p. 8). Apesar disso, as Redes Municipal e Federal também mostraram crescimento no número de matrículas, como pode ser visto na tabela abaixo.

Tabela 8 - Matrícula de EJA no ensino médio, em cursos presenciais com avaliação no processo, por dependência administrativa 1997 – 2006

Ensino Médio

Total Federal Estadual Municipal Privada

1997 390.925 648 248.591 18.246 123.440

1999 656.572 538 479.422 26.304 150.308

2001 987.376 566 734.864 29.248 222.698

2003 980.743 354 755.720 29.229 195.440

2005 1.223.859 429 1.029.795 43.470 150.165

2006 1.345.165 814 1.172.870 45.754 125.727

Fonte: Brasil, 2008, p. 7

Como se vê, o aumento maior de matrículas foi na Rede Estadual, pois de 248.591 vagas em 1997, passou para 1.172.870 vagas em 2006, um aumento de 471,8%. O único setor que tem diminuído o número de matrículas, de 2003 para cá, é a Rede Privada, com 222.698 matrículas em 2001 e 125.727 em 2006. Os outros setores só têm aumentando o número de matrículas feitas nesse período. Mas, ainda que seja um número grande de matrículas na EJA/EM, não estão computados nesse valor os alunos acima de 25 anos que estão matriculados no Ensino Regular: 640.536 no total, em 2006 (Op. cit., p. 7). Esse número gera uma distorção, tanto no que concerne ao material didático para eles quanto às políticas de formação de professores, que não levam em consideração a faixa etária desses estudantes, que se equipara à daqueles matriculados na EJA.

Após sucinto estudo histórico acerca da EJA, desde a educação jesuítica, até os mais recentes Programas voltados para essa modalidade de ensino, será abordada, no próximo capítulo, a metodologia utilizada nesta pesquisa, assim como os dados coletados nas escolas de EM/EJA da cidade do Guarujá e sua análise.

Capítulo 3 - Procedimentos metodológicos e análise dos dados

Considerações iniciais

Este capítulo versa sobre a Metodologia empregada na pesquisa, incluindo item sobre o questionário como instrumento de coleta dos dados. Em seguida, foi elaborado um perfil das escolas participantes. No item reservado para os professores respondentes, está a apresentação dos dados, em forma de gráficos, seguida da análise das respostas e do material apontado pelos professores, de acordo com a proposta da EL e com os documentos oficiais previamente analisados.