5 O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS OFICIAIS?
5.5 PROPOSTA CURRICULAR DO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA
mesma linha de pensamento dos demais documentos, que é a de priorizar as melhorias necessárias à educação, indicando alguns caminhos elaborados de maneira que se construam sujeitos autônomos e críticos no âmbito social. A Proposta sugere que os professores sejam reflexivos e atuantes na missão de educar, levando em consideração os aparatos teóricos disponíveis, de maneira que repensem as suas práticas. É interessante observar que o documento é dividido pelas disciplinas curriculares e que alguns profissionais da rede pública municipal foram chamados a participar da confecção da proposta, contribuindo com os conhecimentos que possuem nas suas respectivas áreas de trabalho. De acordo com o que consta na apresentação do documento (2008), essa é uma maneira de desafiá-los a promover um trabalho significativo e com empenho para, dessa maneira, contribuir para as mudanças a serem implementadas.
A PCMC é fruto do trabalho da Secretaria Municipal da Educação do município, juntamente com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), as quais somaram forças para diagnosticar as necessidades da rede pública municipal, bem como (re)elaborar a Proposta, proporcionando aos professores uma válida fonte de pesquisa e orientações para os trabalhos em sala de aula.
O documento encontra-se dividido em 13 grandes capítulos, os quais abordam as disciplinas curriculares, como já mencionado, e agrega, da mesma forma, princípios norteadores para a Educação Infantil (EI), Educação de Jovens e Adultos (EJA) e os fundamentos teóricos utilizados na elaboração da Proposta (Perspectiva Histórico- Cultural).
A leitura, um dos temas primordiais desta pesquisa, situa-se no capítulo relacionado às práticas de Língua Portuguesa, assim como na PCSC e nos PCN. Existem, nesse capítulo, menções que apresentam o que se quer praticar na sala de aula, e consta que é preciso modificar o foco de ensino de LP, ou seja, ultrapassar o exercício intensificado da metalinguagem (estudos de gramática sem significação), e partir para novas abordagens de trabalho com a linguagem, como a leitura de textos escritos (CRICIÚMA, 2008). Um dos objetivos que são citados se refere
à leitura de: “textos dos mais variados gêneros,14 combinando estratégias de decifração com estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sabendo identificar aqueles mais presentes em suas práticas sociais” (CRICIÚMA, 2008, p. 93).
Nesse sentido, é importante que o leitor tenha habilidade para conduzir a sua leitura, garantindo a significação. Menciona-se ainda, na PCMC (2008), que é importante para o aluno estabelecer relações e inferências, bem como identificar as intenções do autor e reconhecer as possíveis marcas persuasivas presentes no texto. Posteriormente, o documento (2008) aborda novamente a necessidade da prática de leitura de textos, em seus mais variados gêneros, e também do exercício da leitura em seus âmbitos, como os já descritos de estudo e de entretenimento. Em uma seção vinculada especificamente à leitura, a Proposta Curricular mostra que:
o ideal é que haja material para leitura de textos de gêneros diversificados na escola e também material para que o/a educando/a possa ler em casa. Professor/a e educando/a devem ler em momentos próprios para este fim, criando situações em que cada um fale o que se leu, troquem sugestões, aprendendo com a experiência do outro. Estas atividades precisam ser planejadas e valorizadas, o que não significa que para todo ato de leitura tenha que haver uma cobrança, uma avaliação. A escolha do que se vai ler pode ser feita pelo/a professor/a, mas também deve-se dar ao/à educando/a a oportunidade de escolher o que vai ler. Vale lembrar que a escola precisa desenvolver uma política de leitura, já que esta não é uma tarefa exclusiva do/a professor/a de Língua Portuguesa. (CRICIÚMA, 2008, p. 100) Tal fragmento traz à tona vários dos assuntos já debatidos neste trabalho, como a questão do escolher a leitura, não apenas para fins avaliativos, pois a leitura cobrada pode desestimular o aluno e não
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Em sua obra Estética da Criação Verbal, Mikhail Bakhtin (2011) emprega o termo “gênero do discurso” como “tipos relativamente estáveis de enunciados” (p. 262). Ou seja, enunciados que divergem em condições de uso, finalidades, estilos, etc. Bula de remédio, receita e notícia de jornal são exemplos de gêneros.
oportunizar que ele tenha o direito de ler por prazer, ler sem pressão ou compromisso de nota. Traz também a questão da relação professor- aluno em termos de práticas de leitura, sugerindo ações para que esse relacionamento seja aprimorado com discussões acerca do que se lê. Por fim, citam-se as políticas de leitura das escolas, as quais são dever não só do professor de LP, mas de todo o grupo de docentes, ou seja, é responsabilidade de todos a promoção e o exercício da leitura, em quaisquer âmbitos curriculares.
Observa-se que o tema biblioteca não foi diretamente destacado. Falou-se, na Proposta, do suporte de gêneros diferenciados na escola, mas em nenhum momento a palavra foi mencionada. A análise dos dados – o próximo capítulo – poderá dar indícios se a biblioteca escolar é uma carência só no documento ou também na realidade escolar de Criciúma.
6 ANÁLISE DOS DADOS
A partir de agora, os dados coletados em campo terão a devida análise e o confronto com os teóricos que dão base ao trabalhado. Primeiramente, será feita a análise das anotações descritivas realizadas nas bibliotecas escolares. Em um segundo momento, a análise será do discurso dos professores, recolhido por meio das entrevistas semi- estruturadas. Após isso, virá a análise das entrevistas dos bibliotecários e, por fim, será feito um exame das respostas dos alunos, registradas nos questionários.