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Capítulo 1 – Fundamentação e Enquadramento

2. Capítulo 2 – Prática Pedagógica

2.4. Proposta didática

interpretar. E a lógica da representação está associada fundamentalmente ao modo de ser dos indivíduos, ao seu contexto cultural.

Os alunos tiveram de produzir imagens únicas, recorrendo aos conhecimentos apresentados e explorando a sua criatividade. A proposta didática torna-se um espaço que estimula e abre espaço para a experimentação e mobilização da experiência de cada aluno da turma.

Ao capturar a imagem, o seu autor pode tanto empobrecer como enriquecer os seus elementos, isto conforme a sua intenção e do que quer que seja transmitido ao espectador. Mesmo que haja uma construção da representação, as mensagens por detrás dos elementos presentes na imagem podem ter diferentes interpretações. As imagens pode transmitir a intencionalidade do autor, mas também podem levar o espectador a recriar ou reviver as suas próprias interpretações, segundo a sua bagagem cultural, social ou económica.

Com a introdução da fotografia digital, os estudantes puderam aplicar os conhecimentos que adquiriram durante as aulas de fotografia analógica e no manuseamento de uma máquina analógica, na fotografia digital. Nesta altura os estudantes, já tinham consciência que a fotografia não era algo instantâneo e já dominavam alguns métodos e técnicas utilizados na fotografia, como luz, filtros, velocidade do obturador, enquadramento, etc. Assim com o desenrolar da proposta didática, puderam ter contato tanto com a parte analógica da fotografia e com a parte digital, percebendo que ambas se complementam.

Conteúdos de aprendizagem:

• Fotografia digital;

• Semiótica;

• Fotomontagem e realidade;

Esta proposta planeou-se em diferentes fases:

1º Realização de um brainstorming inicial com a turma, para ver como eles se caracterizavam. Tratava-se de uma turma recente com estudantes pela primeira vez naquela escola e que não conheciam nenhuns dos seus colegas no início do ano letivo.

Ao ser implementada a proposta, as turmas ainda se encontravam a construir a relação entre todos. Esta proposta fê-los trabalhar enquanto grupo, o que irá fazer com que evolua a sua relação e a sua integração ao longo da realização da proposta.

2º Planeamento de cada fotografia a partir das palavras ditas/escolhidas pela turma;

3º Escolha das imagens a trabalhar e escolha dos elementos mais importantes para realizar a colagem/edição; transmissão de uma mensagem através da imagem através das colagens/edições das fotografias captadas.

Introdução de cor em alguns elementos da fotografia, para transmissão de uma mensagem escondida a partir da própria simbologia das cores;

1ª sessão - 31 de Janeiro

No início da aula o professor cooperante informou os estudantes que durante as aulas seguintes quem iria lecionar a aula seria a professora estagiária.

Iniciou-se a sessão falando um pouco da proposta e dos temas que se iriam tocar com o desenvolvimento da mesma. Continuei com a ideia da artista Maluda e de esta ser a principal base para o desenvolvimento da proposta didática.

Foi revisto o tema das janelas. A janela de Maluda não é apenas a janela aberta para a rua ou o vidro que deixa ver o que se passa no interior das casas, mas sim a ideia de que a janela pode falar da falta de perspetiva sobre a rua, sobre a vida ou de um jogo de perspetivas. Esta ambiguidade metafisica e despojada do possível que torna aliciante o jogo em que entramos, na observação das janelas de Maluda. Como se fossem vistas refletidas em dois espelhos, que frontalmente se desafiassem, as janelas do lado de fora refletem-se lá dentro, desafiando elas também a lei da física. Dai a ideia de “olhar de dentro e de fora”, mencionada em cima. O encanto que toca cada janela.

Esta proposta foi dividida em diversas fases, uma delas foi a realização de exercícios de aquecimento, para os estudantes relaxarem e expressarem-se através do papel. Depois de passarem as suas ideias para papel, falámos sobre o que eles desenharam

e escreveram. Alguns dos resultados obtidos, nas diversas fases podem ser visualizados nas figuras 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Cada um dos alunos explicou o que realizou e o que significava, como se verifica nas figuras 10, 11, 12 e 13.

Depois de uma conversa em grupo, cada um dos elementos da turma, como exercício de aquecimento, foi desafiado a pensar como se sentiam enquanto pessoa individual na turma e depois de como sentiam que a turma era em si, como pensavam enquanto grupo, enquanto turma. Os estudantes nesta reflexão tiveram abertura total, usaram os materiais que acharam possíveis e transmitiram para as suas ideias para o papel.

Aquecimento

1º impacto:

(exemplo de algumas respostas dadas pelos estudantes)

Figura 3 - Desenho de estudante 1 Fonte: elaboração estudante 1

Figura 4 - Desenho de estudante 2 Fonte: Elaboração estudante 2

Figura 5 - Desenho de estudante 3 Fonte: Elaboração estudante 3

Figura 6 - Desenho de estudante 4 Fonte: Elaboração estudante 4

Como se sentem agora, enquanto turma

...Acordava estava escuro. Janela fechada ...Dormia estava escuro. Janela Fechada A minha janela vivia fechada, tal como eu...

A minha janela tem grades, eu também Quem as pôs lá? Eu? Porque eu o faria?

Mas eu cansei-me, porque é que eu tinha de dar ouvida a eles? Nada estava bem comigo para eles! E eu não queria saber, mas então porque doía tanto.

Irritei-me, parei de tentar o que os outros queriam, ignorei-os como faziam sempre comigo. Abri a janela, arranquei as grades com a mãos e finalmente a vi.

A minha nova janela!

Figura 7 - Desenho e poema da fase 2, estudante 5 Fonte: Elaboração estudante 5

Figura 8 - Desenho e poema da fase 2, estudante 6 Fonte: Elaboração estudante 6

Figura 9 - Desenho da fase 2, estudante 7 Fonte: Elaboração estudante 7

Figura 11 - Apresentação de estudante 2 das suas reflexões à turma Fonte: Armando Bento

Figura 10 – Apresentação de estudante 1 das suas reflexões à turma Fonte: Armando Bento

Na apresentação das imagens/ideias/palavras que transmitiram para o papel, numa opinião geral, percebe-se que todos sentiam o mesmo inicialmente. Um certo medo/nervosismo de irem para uma escola e turma nova, sem conhecerem ninguém. De seguida, todos também sentiam que a turma se estava a abrir, e já começava a haver uma união e cumplicidade.

Após esta conversa, os alunos pensaram em grupo em palavras que definiam a turma. Foram escritas as palavras num quadro, para de seguida fazermos uma votação.

As palavras mais escolhidas foram:

Criativos;

Alegres;

Barulhentos;

Ao terminarem de falar sobre as suas respostas ao exercício de aquecimento, começámos por realizar um brainstorming de palavras que os estudantes associavam à sua turma.

Figura 13 - Apresentação de estudante 4 das suas reflexões à turma Fonte: Armando Bento

Figura 12 - Apresentação de estudante 3 das suas reflexões à turma Fonte: Armando Bento

Foram utilizados o desenho e a palavra pelos estudantes no desafio inicial de

“aquecimento”, para transmitirem como se caraterizavam enquanto ser individual naquela turma inicialmente e, de seguida, como se caracterizavam no presente enquanto turma/grupo. Estas foram as formas como cada um deles achou pertinente transmitir as suas ideias.

É uma atividade que permite passar do simples olhar ao ver, e ver pressupõe tempo e consciencialização, interiorização e análise, além da subjetividade e da memória que intervém no julgamento que fazemos das coisas para melhor as compreender. Os mecanismos de perceção visual são, pois, relativizados em função da experiência individual. Nesta medida, tendo à partida mecanismos estruturais de perceção semelhantes, ninguém vê de modo igual. A visão é formada por dados visuais, mas também pela memória, aprendizagem, contexto cultural, geográfico e psicológico, etc.

Desenhar é, a seu modo, uma forma de escrita, a tradução visual de uma ideia.

Escrevemos para que as palavras não se dissolvam no tempo e no espaço, ganhem uma personalidade, um modo de ser, ganhem um sentido pela relação que estabelecem com as outras. Desenhamos para encontrar imagens equivalentes ao que pensamos, ao que intuímos.

De forma geral, o envolvimento dos estudantes foi bastante bom. Durante o desenvolvimento da proposta didática, a turma participou de forma ativa e partilhando

Figura 14 - Escolha das palavras finais pela turma Fonte: Armando Bento

Figura 15 - Continuação da escolha das palavras finais Fonte: Armando Bento

2ª sessão - 1 Fevereiro

Na segunda sessão, estivemos todos a conversar enquanto grupo e a trabalhar sobre as palavras escolhidas.

As três palavras finais, foram selecionadas pela turma como um todo.

Com isto, começámos a falar de cada palavra e de algumas ideias que iam surgindo. Foi realizado um brainstorming, para o planeamento de cada janela, de cada imagem que iria corresponder à palavra a ser trabalhada.

Este planeamento consistiu em pensar na disposição dos elementos a serem utlizados e a organizá-los numa imagem final. Aqui trabalhamos diversos elementos visuais, como forma, direção, tom, escala, movimento, contraste, cor, harmonia e simetria. A composição de uma imagem “confere sequencialidade ou direccionalidade, levando o olhar a percorrer as imagens de acordo com um certo esquema que descobre pontos essenciais e os valoriza” (Duarte, 1998 as cited in Rodrigues 2007, p. 73).

Para a realização destas janelas, recorremos principalmente à fotografia digital, captada em estúdio.

Nesse dia, depois do planeamento, começámos a fazer sessões de teste, como definir equipamentos a utilizar, a posição da luz e posições dos modelos, as cores, como podemos observar na figura 16, 17, 18, 19, 20 e 21. Este planeamento das posições, cor, luz, etc., foi realizado, para que na sessão seguinte, pudéssemos captar algumas das imagens finais, para posteriormente serem editadas em Adobe Photoshop e serem criadas as janelas, através da fotomontagem. A fotomontagem, foi utilizada, essencialmente para realizar uma imagem composta, através da colagem, corte de fotografias ou fragmentos de fotografias que compõem uma única. A sua finalidade é direcionar a o olhar do espectador para detalhes específicos. Ela oferece aos artistas, a oportunidade de representar mais do que a realidade, oferecendo assim novos mundos, reinterpretações e novas visões sobre aquela imagem observada pelo espectador.

Para Barthes (1981, p. 192) existem dois elementos que estão constantemente presentes na fotografia, o “Studium”, que é essencialmente, o interesse humano, cultural e político, estimulado pelos elementos visuais que nos tocam, humana, cultural e moralmente e o “Punctum”, que é um detalhe, que salta da fotografia e nos atravessa, como se a imagem gerasse o desejo para além daquilo que ela dá a ver, para além da representação da realidade. Para Bauret (2010, p. 136) existe a criação de uma imagem, pois o autor acredita que a fotografia não é uma imagem inocente, pois por detrás da

imagem que é captada, existe uma linguagem estruturada nas suas formas e significados, existe uma intencionalidade, derivada de uma história progressivamente enriquecida. Esta intencionalidade na fotografia, além de ser efetuada nas posições dos modelos, também foi pensada na utilização da cor, da posição de luzes e no enquadramento. Duane Michals foi das primeiras pessoas a mudar o sentido da fotografia, levando-a para fora do seu contexto passado de registo fotográfico, passando a fazer parte de uma construção de universos através das cores, materiais, formas, luz, temas e cenários, sendo possível ter diversas imagens por parte do espetador. Esta criação de significados deve-se à experimentação visual que se tem das imagens mostradas, e que remetem o leitor a um significado, gerando assim diferentes interpretações.

A cor, a emoção e expressão na fotografia foram elementos que foram planeados, algo que foi explorado na realização da proposta didática. Na composição da imagem, a utilização da cor foi intencionalizada para transmitir emoções/sensações.

Segundo Bauret (2010, p. 82) a fotografia a cores e a fotografia a preto-e-branco, são “(...) duas visões fotográficas, dois modos de pensamento e de expressão muito diferentes”. De acordo com Itten (1976), a cor pode exercer no espectador diversos poderes, tais como: poder de impressionar, a cor chama à atenção, poder de expressão, pois cada pigmento expressa um significado e provoca uma emoção e o poder de construção, quando a cor obtém um significado, construindo assim através da imagem uma linguagem comunicativa de uma ideia, algo que se pretende com a realização das diferentes janelas a serem construídas através de diversas intenções e planeamentos.

Figura 16 - Teste de posição, luz, cor da janela "criativos"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 17 - Planeamento de posições para a janela "criativos"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 18 - Planeamento da janela "alegres"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 19 - Experiência de posições da janela "alegres"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 20 - Experiência de posições da janela "barulhentos"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 21 - Planeamentos da janela "barulhentos"

3ª sessão - 7 Fevereiro

Nesta sessão, colocámos os nossos ensaios em prática. Ao iniciarmos a sessão começámos de imediato a captar as imagens e a escolher algumas imagens finais, para depois serem editadas no programa Adobe Photoshop. Conseguimos finalizar a captação de fotografias para duas das palavras escolhidas e também foi demonstrado aos estudantes como poderiam realizar a edição no programa Adobe Photoshop, tendo como base as janelas de guilhotina.

As janelas de guilhotina partem da arquitetura tradicional portuguesa, foram segundo Wilhelm Giese implementas em Portugal pelos ingleses no começo do século XVIII. As janelas de guilhotina têm na sua maioria folhas de três e quatro vidros ao largo, contendo entre doze ou dezasseis vidros, simulando portadas, como se verifica nas figuras 22, 23 e 24.

Figura 22 - Janela com 16 vidraças

Fonte: https://forumdacasa.com/discussion/67645/janelas-de-guilhotina/

Figura 23 - Janela com 12 vidraças

Fonte; https://www.pintoepinto.com/janelas-de-guilhotina

As janelas de guilhotina foram escolhidas também pela turma. A palavra criatividade ficou por realizar devido à falta de tempo. Na sessão seguinte então realizamos as imagens para esta palavra e a edição que ainda estava por finalizar.

4ª sessão - 8 Fevereiro 

Nesta última sessão foram realizadas as imagens para a palavra “alegres” e a finalização da edição em Adobe Photoshop de todas as janelas.

Esta palavra foi uma palavra desafiante, pois os alunos consideravam-se alegres, mas tiveram dificuldade em transmitir as ideias que tinham para imagens. Depois de várias tentativas, foi possível ultrapassar os obstáculos e obtivemos imagens bastante interessantes. Com todas as imagens fotografadas, escolhemos as que mais nos interessaram, para que formassem a nossa janela e de imediato editámos no programa Adobe Photoshop.

Obtivemos três janelas finais. Na formação de todas as janelas, os estudantes realizaram pequenos esquemas, como verificamos nas figuras 25, 26 e 27 onde identificaram em cada sítio o número de cada imagem a ser colocada, para depois em Adobe Photoshop, estas janelas serem montadas.

Figura 24 - Esboço da arquitetura no Porto Fonte: “III. Casa urbana”. Arquitetura tradicional portuguesa. By Oliveira.

Figura 25 - Esquema de imagens da janela "Alegres"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Figura 26 - Esquema de imagens da janela "Criativos"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

Estas janelas finais, foram criadas também para serem mostradas à comunidade escolar. O IAI tem como tradição realizar uma festa denominada “Festa da Primavera”, que tem como intuito mostrar à comunidade os trabalhos dos alunos e de a trazer a visitar o espaço escolar.

Tinha-se como ideia inicial realizar uma instalação com janelas de guilhotina antigas, mas como não se conseguiram arranjar optou-se pela base fotográfica de janelas de guilhotina, para formar as nossas janelas de emoções.

Estas “janelas” foram expostas na escola, na festa da primavera da escola, aberta à comunidade escolar, como podemos ver nas figuras 31, 32 e 33.

Existe cada vez mais a necessidade de tornar a escola num lugar de partilha, de relacionamento com o outro, mais especificamente entre escola e família. Esta relação que a escola IAI faz com a comunidade escolar, é importante para se poderem estabelecer

Figura 27 - Esquema de imagens da janela "Barulhentos"

Fonte: Elaboração pelos estudantes

pequenos compromissos, para que o educando não se sinta deslocado tanto dentro como fora da escola. Tendo em conta Brandão (as cited in Pereira, 2008, p. 71), este “define envolvimento como um leque de interações entre a Escola e a Família desde a simples participação dos encarregados de educação em reuniões mais ou menos formais, até à execução de tarefas específicas na escola, em colaboração com os professores”.

Quando queremos democratizar a cultura, não basta conceber acesso a uma produção existente que representa uma ordem social particular do mundo, mas torna-se necessário permitir que essa cultura inclua várias “representações do mundo, das intermináveis apreensões do mundo” (Ramos do Ó, 2007, p. 111). O IAI, diferencia-se de muitas outras escolas, já que coloca o foco mais na experiência artística e nas suas possibilidades dialéticas, do que num resultado previsível e reprodutivo.

Ao longo do tempo, percebe-se que quanto mais envolvimento existe por parte dos encarregados de educação na escola, melhor é o desempenho escolar, a socialização e a inserção na comunidade. A escola acaba por depender da família e a família da escola, uma complementa a outra a nível de inclusão na sociedade, participação, relacionamento, etc. Percebe-se que é necessário tempo para estabelecer uma relação forte e sincera com a comunidade e para criar um vínculo e um compromisso com todos os parceiros envolvidos. É necessário tempo para conhecer as reais preocupações, expectativas e aspirações de cada uma das pessoas envolvidas e do grupo, em geral, para ser transmitida a ideia real do que se passa dentro da comunidade, de forma “nua e crua”. O envolvimento das comunidades (geográfica, social, económica, entre outras) nas práticas escolares é sempre um movimento complexo e que merece ser pensado contextualmente e a partir da escola, dos alunos, trabalhadores e encarregados de educação.

Janelas

Figura 28 - Janela "Criativos"

A janela da criatividade foi criada a partir de diversos elementos, para a composição total desta e da sua mensagem visual. Na seguinte tabela vamos verificar alguns desses elementos e os seus significados.

Tabela 1 - Planificação Janela "Criativos"

Planificação Janela "Criativos"

Elementos da composição fotográfica Significados

Moldura

Dividida em diversos quadros, havendo espaços vazios que remetem para o imaginário, no preenchimento desses

mesmos espaços

Enquadramento Fechado: há uma limitação nas margens, imposta pela moldura

Ângulo do ponto de vista Normal

Composição/leitura da imagem

Leitura da imagem em ziguezague, a partir do canto inferior direito para a esquerda;

dinamismo

Branco Cor da luz; espiritualidade; inocência

Preto Força; mistério; curiosidade

Vermelho Cor quente; energia; ambição;

determinação; dinâmica

Criança Reverte para a infância; simplicidade;

espontaneidade; imaginação; criatividade Borboletas Transformação; recomeço; mudanças Folhas/tesouras/canetas/lápis aprendizagens; experiências; construção

Fonte: Realização própria

Na fig.28, visualizamos uma criança, e na sua leitura, começa numa posição calma e de seguida já se encontra a saltar, sendo as borboletas o símbolo para a expansão/crescimento da sua criatividade, da sua imaginação, de dar vida aos seus sonhos. Sendo a criança o símbolo de simplicidade, não havendo os medos/frustrações/obstáculos de um adulto.

Figura 29 - Janela "Barulhentos"

A janela do barulho foi criada a partir de diversos elementos, para a composição total desta e da sua mensagem visual. Na seguinte tabela, vamos verificar alguns desses elementos e os seus significados.

Tabela 2 - Planificação Janela "Barulhentos"

Planificação Janela "Barulhentos"

Elementos da composição

fotográfica Significados

Moldura

Dividida em diversos quadros, havendo espaços vazios que remetem para o imaginário, no

preenchimento desses mesmos espaços Enquadramento Fechado, há uma limitação das margens pela

moldura

Ângulo do ponto de vista Normal

Composição/leitura da imagem Foco principal na imagem maior, tendo uma leitura dos quadros mais pequenos; dinamismo Vermelho Energia; sensações intensas; poder; ódio;

agressividade

Azul Calma; seguranças; contraste entre a cor fria e a cor quente

Megafone Barulho; intensidade

Posição do modelo

Incentivo ao barulho e que existe demasiado ruído em volta, daí estar o modelo com as mãos a

tapar os ouvidos

Branco Paz

Fonte: Realização própria

Na fig.29, deparamo-nos com uma escolha de cor, que provoca diferentes tipos de associações interpretativas. A construção desta janela teve como objetivo ser contraditório nas suas leituras através da cor, pois temos a cor azul num ambiente que nos transmite para um cenário barulhento, enquanto o azul simboliza calma e segurança.

Figura 30 - Janela "Alegres"

A janela da alegria foi criada a partir de diversos elementos, para a composição total desta e da sua mensagem visual. Na seguinte tabela, vamos verificar alguns desses elementos e os seus significados.

Tabela 3 - Planificação Janela "Alegres"

Planificação Janela "Alegres"

Elementos da

composição fotográfica Significados

Moldura

Dividida em diversos quadros, havendo espaços vazios que remetem

para o imaginário, no preenchimento desses mesmos espaços Enquadramento Fechado: há uma limitação nas

margens, imposta pela moldura Ângulo do ponto de vista Normal

Composição/leitura da imagem

A leitura da imagem parte do centro, expandindo para as laterais;

dinamismo Castanho Simplicidade; Conforto

Amarelo Luz; descontração; otimismo e alegria

Posição do Modelo

Pequenos momentos da alegria que foram acontecendo na construção da janela, com a intenção de mostrar essa

alegria da turma ao espectador

Fonte: Realização própria

Na fig.30, encontramos dois espaços que apenas contêm a cor amarela, estes dois espaços vão remeter para situações de alegria para quem visualiza, já que, as leituras que se encontram nos outros quadros que compõem a imagem são momentos de alegria que aconteceram na construção da janela, partilhando assim com todos as suas expressões e a sua alegria, deixando também para a imaginação o que poderia estar a acontecer.

As imagens deparam-se com limites que são distinguidos como molduras. As janelas “Criativos”, “Barulhentos” e “Alegres” têm uma moldura, mesmo que seja digital.

Esta fornece limites à imagem, limitando também em quadros, tendo como base as janelas de guilhotina. A ausência de imagem nas divisões dos quadros faz com que o espectador se remeta à imaginação para completar os espaços escondidos pela moldura, existindo assim uma construção imaginária complementar (Joly, 2008).

Encontramos um limite também na representação visual, pois o enquadramento da imagem faz com que tenha sido apenas captado o resultado da distância entre o tema fotografado e a objetiva. O ângulo de visão que encontramos em todas as janelas vai de encontro àquilo que o espectador vê, quando olha em frente, como normalmente faz no seu dia-a-dia. É aquele ângulo que dá a noção de realidade e naturaliza a imagem que o espectador está a visualizar.

Quanto à composição visual da imagem e à sua leitura, em cada uma das janelas o espetador experiencia uma forma de leitura diferente, que é proporcionada pela mesma, tal como refere Klee (as cited in Péninou, 1972), o nosso olho segue “os caminhos que lhe foram preparados na obra”.

A interpretação das cores e da luz nas imagens, como nos diz Joly (2008), as referências que temos do nosso dia-a-dia, faz com que as ligações entre essas experiências e as imagens que visualizam se cruzem, com os ajustamentos socioculturais de cada um (Pastoureau, 1997).

As poses dos modelos que encontramos em cada uma das janelas faz com que sejam criadas personagens e parte da interpretação da mensagem visual é definida pela cenografia.

Por ser uma instalação, poderá permitir aos outros (observadores) terem uma experiência criando outras narrativas, pois conforme Baudrillard diz, “A maioria das imagens fala, conta histórias, o seu ruído não pode ser diminuído. Elas obliteram a significação silenciosa de seus objetos. Precisamos nos livrar de tudo aquilo que interfere e encobre a manifestação da evidência silenciosa. A fotografia nos ajuda a filtrar o impacto do sujeito. Ela facilita a deflagração da magia (negra ou não) própria do objeto.”

(Baudrillard, 1999, p. 175). Compreendemos que a fotografia é cheia de significados.

Para além daquilo que mostra esteticamente, o espectador também lhe compreende mensagens que lhe estão subjacentes. Ao visualizarem as janelas, deixamos assim que a imagem transforme, mas que ao mesmo tempo também sofra transformações dadas pelo

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