Mapa 10 Classificação da situação de Risco na comunidade São José do Jacó
5.2 PROPOSTAS DE MEDIDAS PARA REDUÇÃO DE RISCO
Sendo reconhecida pelo poder público como área de risco, a comunidade São José do Jacó tem sido visada pelo trabalho da Defesa Civil e tem estado nas pautas da Câmara Municipal de Natal. Desde o ano de 2014, algumas medidas vêm sendo tomadas e questões vêm sendo levantadas, dinamizando os processos da GRD ao envolver a participação de agentes da gestão pública e a mobilização dos moradores da comunidade, juntamente aos pesquisadores da Universidade.
Em relação às medidas tomadas pela gestão pública, destacam-se as interdições de domicílios (cerca de 75), realizadas predominantemente nos anos de 2014, 2018 e 2019; o reassentamento das famílias e a concessão do benefício auxílio moradia (aluguel social); e a retirada de telhados, portas e janelas de domicílios interditados desocupados, enquanto medida de proteção para evitar novas reocupações por parte de outras famílias.
Tais medidas refletiram nos anseios dos moradores em perderem os seus domicílios e não poderem voltar a habitar a comunidade, e consequentemente em conflitos e mobilizações para que sua participação fosse efetivada durante o processo instaurado sob a problemática em questão. As mobilizações ocorreram por meio de reuniões realizadas na própria comunidade, conduzidas por seus representantes e por membros do Programa de Extensão Motyrum Urbano, do curso de Arquitetura e Urbanismo – UFRN, já atuante na comunidade; nelas os participantes levantavam questões, as discutiam e organizavam reinvindicações para que fossem levadas às audiências públicas.
As audiências públicas, por sua vez, foram instauradas pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Proteção das Mulheres, dos Idosos, Trabalho e Minorias da Câmara Municipal de Natal, cujos vereadores membros realizaram visitas na comunidade e visualizaram a necessidade das audiências públicas, oportunizando as discussões entre os envolvidos (vereadores, assessores, representantes das secretarias municipais, representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado do RN, docentes e alunos da UFRN, pesquisadores cientistas, moradores da comunidade em estudo e de outras áreas de risco de Natal).
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Em termos de direcionamentos, ressalta-se que durante as audiências públicas reinvindicações foram levantadas, recomendações do Ministério Público foram dadas ao Município de Natal, e apontamentos de obras e medidas prioritárias foram mencionadas pelos representantes do Programa de Extensão Motyrum Urbano, de forma que acordos foram firmados entre gestão pública e moradores.
Embora esse processo venha acontecendo e esforços tenham se voltado para a problemática, não quer dizer que a mesma tenha sido efetivamente resolvida. Isso porque a situação de risco continua existindo na área de estudo, com a presença de indicadores de exposição física e de vulnerabilidade social considerados críticos, os quais apontam a necessidade de propostas de medidas, especialmente a nível local, mas também a nível de estruturação do processo de GRD.
Considerando a necessidade de propostas de medidas a nível local, destaca-se a abordagem de qualificação de segurança discutida por Moretti et al. (2019), que aponta a necessidade da gradativa redução de riscos, reduzindo a exposição e as vulnerabilidades e aumentando a resiliência, por meio de um planejamento urbano que considere a limitações, as fragilidades físicas e ambientais da área, antes, durante e após uma eventual ocorrência. Ou seja, uma abordagem que não invalida a identificação e enquadramento de risco, mas que também não se restringe a ela: volta o foco principal para medidas prioritárias à eliminação de tal condição, de maneira que a remoção das pessoas do seu próprio lugar não seja a primeira e única solução.
Partindo dos resultados já discutidos nesta pesquisa - Perfis dos setores, Situação de risco da área de estudo, Listagem dos indicadores críticos e positivos, Caracterização da GRD Municipal, Perfil da atuação da Defesa Civil Municipal na GRD, Cenário da situação de Risco segundo o PLANCON-Natal - e seguindo a abordagem de qualificação de segurança discutida por Moretti et al. (2019) e trabalhada por Lélis (2018) na mesma área de estudo, apresenta-se a proposta de Medidas para Redução de Risco na comunidade São José do Jacó (Figura 36).
Salienta-se que as medidas propostas visam a participação e colaboração tanto dos gestores públicos, como também dos moradores da comunidade, sendo a integração o principal pilar. A proposta, apesar de focar nas medidas específicas para a área de estudo, não deixa de lado determinadas medidas necessárias à evolução da GRD a nível municipal (medidas abrangentes), podendo se estender e refletir de forma positiva em outras áreas de riscos existentes na cidade (Quadro 27 e 28).
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Figura 36 - Proposta de Medidas para Redução de Risco na Comunidade São José do Jacó, Natal/RN.
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Quadro 27 - Proposta de Medidas Específicas para Redução de Risco na Comunidade São José do Jacó, Natal/RN.
IDENT. MEDIDAS PROPOSTAS CARACTERIZAÇÃO POSSÍVEIS RESPONSÁVEIS /
ENVOLVIDOS
OBJETIVOS / RESULTADOS ESPERADOS
M ED ID A S ES P EC ÍF IC A S
1 Monitoramento das encostas
Realizar vistorias nas encostas periodicamente, com mais frequência entre os meses de março e julho, para observar a estabilidade do solo, a condição das vertentes, se há indícios de movimentos de massa;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMURB;
Perceber, o quanto antes, indícios de movimentos de massa para então ser possível recuperar a encosta; Diminuir os níveis de Exposição Física;
2 Recuperação das encostas
Realizar limpeza (retirada de entulhos), retirar árvores que estejam inclinadas ou com troncos/galhos em vias de desabamento, realizar retadulamento do talude se necessário, realizar obras de contenção (técnicas como alvenaria armada, tela argamassada, utilizadas pela Defesa Civil de Recife – PE);
SEMOV; Defesa Civil Municipal; Urbana; SEMURB; SEMSUR;
Recuperar encostas que expõem domicílios e suas famílias ao risco de movimentos de massa e desabamento;
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Monitoramento das árvores de médio e grande porte
Realizar vistorias para observar a situação das árvores presentes na área; caso estejam inclinadas ou com troncos/galhos em vias de desabamento devem ser retiradas, visto que estarão aumentando a Exposição Física dos domicílios e dos seus moradores ao risco de movimentos de massa e desabamento;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMURB; SEMSUR;
Perceber se as árvores oferecem riscos aos domicílios e seus moradores; Diminuir os níveis de Exposição Física;
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Monitoramento dos muros de arrimo
Realizar vistorias nos domicílios que apresentam muros de arrimo nos seus terrenos, de forma periódica, com mais frequência entre os meses de março e julho, para observar a condição estrutural, se há indícios de movimentos de massa, de vazamentos e de risco de desabamento;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMOV; SEHARPE;
Perceber se a estrutura apresenta situação estável ou instável e se há, consequentemente, necessidade de reparos, recuperação; Diminuir os níveis de Exposição Física;
5 Recuperação dos muros de arrimo
Retirar entulhos e realizar obras de contenção (técnicas como alvenaria armada, tela argamassada, lonas plásticas, utilizadas pela Defesa Civil de Recife – PE);
SEMOV; Defesa Civil Municipal; SEHARPE;
Recuperar os muros de arrimo que expõem domicílios e suas famílias ao risco de movimentos de massa e desabamento;
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Reconstrução das escadarias Após a realização de estudos técnicos que afirmem a possibilidade de reconstrução na área, realizar a reconstrução das duas escadarias, incorporando-se sistema de drenagem de água pluvial e de abastecimento de água, já que a mesma encontra-se com vazamentos;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada contratada; Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMOV; SEHARPE;
Reconstruir as estruturas afim de diminuir os níveis de Exposição Física e melhorar a acessibilidade;
7 Retirada de entulhos
Retirar periodicamente os entulhos que são despejados na vertente das encostas, nos terrenos dos domicílios; Retirar os entulhos dos domicílios que estão interditados e desocupados, bem como de construções que sofreram desabamento;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMOV; SEMSUR;
Diminuir os níveis de Exposição Física, já que entulhos fazem pressão no solo, e podem atingir domicílios e vítimas durante precipitações; Evitar a exposição ao risco de contrair doenças, visto que pode haver proliferação de vetores;
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Monitoramento dos domicílios interditados
Realizar vistorias nos domicílios interditados para observar a situação do risco identificado e se voltaram a serem ocupados; Realizar vistorias para detectar focos de vetores de doenças;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; SEMOV; SMS;
Manter a segurança dos moradores que foram realocados e dos moradores vizinhos;
9 Isolamento efetivo das áreas interditadas
Realizar medidas de proteção (vistorias, cercamento, patrulhamento) para que os domicílios não sejam reocupados sem permissão e sem segurança, e para que as áreas que oferecem perigo (ex: escadarias) não sejam transitadas;
Agentes da Defesa Civil Municipal; SEMOV; SEMURB;
Manter a segurança dos moradores que foram realocados e dos moradores vizinhos; Garantir que os domicílios interditados sejam guardados e protegidos pelo Poder Municipal;
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Realização de estudos técnicos nas áreas
interditadas
Realizar/contratar estudos técnicos das mais diversas áreas do conhecimento (Geologia, Geografia, Arquitetura, e principalmente Engenharia Civil) para verificar a viabilidade de manutenção, reforma, dos domicílios e demais equipamentos interditados;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada contratada;
Verificar a viabilidade de recuperação das encostas, muros de arrimo, bem como da manutenção e reforma dos domicílios e demais equipamentos interditados;
11 Projeto de urbanização, arborização, paisagismo
Caso os estudos técnicos verifiquem e afirmem a impossibilidade de medidas de recuperação e manutenção, e, consequentemente afirmem a inviabilidade dos domicílios voltarem a ser ocupados, é necessário que haja a elaboração e efetivação de um projeto de urbanização, oferecendo um novo sentido e uso da área, preferencialmente e prioritariamente para ser desfrutada pelos moradores da comunidade;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada contratada; demais secretarias municipais; participação dos moradores;
Impedir a reocupação não permitida, a construção de novas habitações irregulares no local, e o abandono do lugar;
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Vistorias nos domicílios cujo Risco foi classificado como
médio
Realizar vistorias periodicamente, com mais frequência entre os meses de março e julho, nos domicílios que se enquadram no nível médio de risco, de forma a observar a situação dos indicadores críticos indicados nesta pesquisa;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores;
Evitar que o nível de risco evolua de médio para alto; Acompanhar a situação de exposição física e de vulnerabilidade social;
13 Desobstrução da tubulação de drenagem
Realizar periodicamente a desobstrução da única tubulação de drenagem existente na área “baixa” da comunidade (correspondente aos setores D e E), para onde convergem grande parte das águas pluviais da comunidade;
Agentes da Defesa Civil Municipal; participação dos moradores; Urbana;
Evitar a ocorrência de alagamento;
SIGLAS: SEMURB: Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal. SEMOV: Secretaria
Municipal de Obras e Infra-Estrutura; SEMSUR: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos; SEHARPE: Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes; SMS: Secretaria Municipal de Saúde;
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Quadro 28 - Proposta de Medidas Abrangentes necessárias à evolução da GRD a nível municipal. IDENT. MEDIDAS
PROPOSTAS
CARACTERIZAÇÃO POSSÍVEIS RESPONSÁVEIS /
ENVOLVIDOS
OBJETIVOS / RESULTADOS ESPERADOS
M E D IDA S A B R A N G E N T E S 14 Transparência na Informação da interdição seguida de reassentamento
Como recomendou o Ministério Público do Estado do RN (Recomendação n/001/2019/49ª/PmJ): no ato da remoção deve ser informado a cada uma das famílias: a temporariedade da medida; que serão instaurados procedimentos administrativos para a concessão do benefício auxílio moradia; que estão sendo ou serão realizados estudos técnicos. Ou seja, que acordos serão realizados;
Agentes da Defesa Civil Municipal;
Evitar conflitos intensos e intimidações; Esclarecer as etapas do processo; favorecer as capacidades de lidar e de adaptação;
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Benefício moradia/Aluguel social
Como previsto no artigo 2º da Lei Municipal de Natal nº 6473, de 10 de Julho de 2014, o Programa Social de Auxílio Moradia tem como finalidade a concessão temporária, pelo Poder Executivo Municipal, de um valor pecuniário correspondente a 01(um) salário mínimo, às famílias ou pessoas desabrigadas residentes no município de Natal e que sejam potencialmente reconhecidas pela Defesa Civil e/ou pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social - SEMTAS, como vítimas de situações emergenciais ou de calamidade pública em aéreas urbanas.
SEMTAS; SEHARPE;
Garantir o direito de concessão temporária do benefício às famílias desabrigadas/reassentadas até a
devida solução habitacional; favorecer as
capacidades de lidar e de adaptação;
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Abrigamento em local próximo
Caso haja necessidade de abrigamento, o acolhimento das famílias deve ser feito em abrigo conveniado com a Prefeitura Municipal, através de triagem e respeitando a proximidade com o local de moradia dos desabrigados, como consta a recomendação do Ministério Público do Estado do RN (Recomendação n/001/2019/49ª/PmJ);
SEMTAS; Defesa Civil Municipal; Voluntários;
Garantir a não interferência tão intensa e direta na rotina dos moradores; garantir a sensação de segurança; favorecer as capacidades de lidar e de adaptação; 17 Reassentamento no mesmo bairro ou no máximo em bairros vizinhos
Caso as remoções das famílias sejam definitivas e haja necessidade de reassentamento, este deve ser adequado, prioritariamente em habitação situada na própria comunidade, bairro ou em áreas próximas, como consta a recomendação do Ministério Público do Estado do RN (Recomendação n/001/2019/49ª/PmJ);
SEMTAS; SEHARPE; Garantir a não interferência tão intensa e direta na
rotina dos moradores; garantir a sensação de segurança; favorecer a capacidade adaptativa;
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Preparação/Capacitação da comunidade
Organizar um Plano de Educação Comunitária que instaure a elaboração e distribuição de cartilhas informativas, a ocorrência de simulação entre Defesa Civil e comunidade, ocorrência de oficinas, elaboração e divulgação de um plano familiar de emergência;
Agentes da Defesa Civil Municipal;
participação dos moradores;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada/especialistas contratados;
Diminuir os níveis de Exposição Física e de Suscetibilidade; Favorecer as capacidades de lidar e de adaptação; Fortalecer as práticas de Redução de riscos de Desastres – RRD;
19 Setor de Comunicação
Criar um setor ou equipe que seja responsável pela divulgação de informações, curiosidades, orientações, alertas, por meio de redes sociais (site, Instagram, Twitter); Fomentar a efetivação do uso do aplicativo NOAH que vem sendo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa em Desastres (Nuped/UFRN), com a colaboração do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN);
Agentes da Defesa Civil Municipal;
participação dos moradores;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada/especialistas contratados;
Aproximar as comunidades e bairros em situação de risco, bem como a sociedade em geral, aos processos da Gestão de Riscos de Desastres – GRD, promovendo a inserção e o acesso às informações importantes para a segurança de todos; Facilitar a comunicação e as medidas de prevenção, preparação e resposta, possibilitando a diminuição dos níveis de Exposição Física e de Suscetibilidade, e favorecendo as capacidades de lidar e de adaptação.
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Preparação/Capacitação da Defesa Civil
Municipal
Realizar ou aderir minicursos presenciais e/ou à distância através de plataformas on-line; realizar ou aderir palestras e oficinas com especialistas; realizar simulações; Preparar um grupo de voluntários;
Agentes da Defesa Civil Municipal; Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada/especialistas contratados;
Promover a capacitação contínua dos agentes da Defesa Civil Municipal;
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Elaboração de materiais educativos
Investir na elaboração de materiais personalizados (cartilhas, livros, vídeos, jogos) que considerem a realidade das problemáticas existentes nas áreas de risco, bem como as informações referentes à atuação dos envolvidos na GRD e às etapas do processo de gestão;
Defesa Civil Municipal;
Pesquisadores da UFRN; Empresa Privada/especialistas contratados; SME; SEMTAS;
Permitir o desenvolvimento e fortalecimento das capacidades da população, autoridades, funcionários e equipes técnicas envolvidos no processo de GRD; Servir de referência para a gestão de outros Municípios;
SIGLAS
SEMTAS: Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social;
SEHARPE: Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes;
SME: Secretaria Municipal de Educação;
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Ao todo são apresentadas 21 medidas, 13 de ordem específica e 8 de ordem abrangente, as quais giram em torno dos objetivos de diminuir os níveis de exposição e de suscetibilidade ao risco, e de aumentar as capacidades de lidar e de adaptação. As medidas de ordem específica, em sua maioria, são consideradas estruturais, ou seja, funcionam como ações técnicas, sendo necessário haver o contato direto de profissionais com o meio em exposição; é o caso de medidas como monitoramento e recuperação de encostas, árvores e muros de contenção, reconstrução de escadarias, retirada de entulhos, desobstrução da tubulação de drenagem.
As medidas de ordem abrangentes podem ser consideradas como não estruturais, já que consistem em um conjunto de medidas relacionadas à legislação, políticas públicas, planejamento urbano, planos de defesa civil e educação; destaca-se, para o caso da comunidade São José do Jacó e para as demais áreas de risco de Natal, a importância de se planejar e efetivar as seguintes medidas: Preparação/Capacitação da comunidade, Setor de Comunicação, Preparação/Capacitação da Defesa Civil Municipal, Elaboração de materiais educativos.
Uma Defesa Civil capacitada e atualizada, que consiga realizar ou aderir minicursos presenciais e/ou à distância através de plataformas on-line, palestras e oficinas com especialistas, que realiza periodicamente simulações e que visa preparar um grupo de voluntários para atuar em ações necessárias, consegue contribuir também para a capacitação da comunidade e, consequentemente, para a diminuição dos níveis de Exposição Física e de Suscetibilidade, favorecendo as capacidades de lidar e de adaptação, fortalecer então as práticas de Redução de riscos de Desastres – RRD.
A capacitação da comunidade pode acontecer por meio da organização de um Plano de Educação Comunitária que instaure a ocorrência de oficinas, simulação entre Defesa Civil e comunidade, elaboração e divulgação de um plano familiar de emergência, elaboração e distribuição de cartilhas informativas. Aliás, investir na elaboração de materiais personalizados (cartilhas, livros, vídeos, jogos) que considerem a realidade das problemáticas existentes nas áreas de risco, bem como as informações referentes à atuação dos envolvidos na GRD e às etapas do processo de gestão, se coloca como relevante, pois é uma das formas de tornar acessíveis as informações importantes.
Os quadros finais detalham as medidas propostas, apontando os possíveis responsáveis e/ou envolvidos na execução das ações, além dos objetivos e/ou resultados esperados através de tal execução, podendo vir a funcionar como ferramenta de gestão voltada especialmente para a comunidade, agregando-se ao conteúdo do PLANCON-Natal e aos demais produtos apresentados nesta pesquisa.
141 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente Dissertação foi elaborada a partir da problemática identificada na comunidade São José do Jacó, área considerada de risco pela Defesa Civil de Natal devido às ocorrências registradas ao longo dos anos. Se partiu da ausência de estudos em escala de detalhe e da ideia de compreender os elementos e processos que condicionam tal situação, especialmente no que tange ao risco de movimentos de massa, estabelecendo os efetivos níveis de risco, levando em consideração a relação entre Exposição Física, Vulnerabilidade Social e Gestão de Riscos de Desastres.
Diante da problemática e dos questionamentos surgidos a partir dela (contidos na introdução), o principal objetivo do estudo foi analisar os níveis de risco de movimentos de massa na comunidade São José do Jacó, considerando desde a ocupação espacial até a Gestão de Riscos de Desastres, de forma a possibilitar contribuições para as tomadas de decisões.
Para respaldar as etapas metodológicas, a compreensão dos resultados e discussões, e principalmente a clareza e coerência do trabalho realizado ao redor do objeto de estudo, foi de fundamental importância a Discussão Teórica-Conceitual realizada, que girou em torno das abordagens dos estudos de Risco, tendo em seu cerne o embasamento teórico-conceitual que os norteiam, sobretudo no âmbito da ciência geográfica. Portanto, se discutiu os conceitos de Risco, Perigo, Exposição Física, Vulnerabilidade Social, construindo um entendimento sobre áreas de risco enquanto reflexo da interação entre processos naturais e ações de diferentes atores da trama espacial.
O destaque da discussão inicial da pesquisa foi para a inserção da lógica da “invisibilidade” do lugar na abordagem sobre a gênese do que chamamos de áreas de risco, considerando-a elemento chave para a compreensão da ocupação espacial urbana e os seus processos, especialmente no Brasil. Defende-se portanto que ao se buscar compreender as situações de risco de quaisquer áreas é imprescindível dialogar sobre questões como segregação espacial, déficit habitacional, direito à cidade e direito à moradia.
Todavia, salienta-se a afirmação contida na pesquisa de que nem todos as áreas de risco são condicionadas pela lógica da segregação espacial tratada nas discussões iniciais, o que quer