• Nenhum resultado encontrado

Propriedade Intelectual: conceitos e definições

1. INTRODUÇÃO

2.4 Papel da universidade brasileira no processo de inovação

2.4.2 Propriedade Intelectual: conceitos e definições

Neste trabalho, é importante conceituar a propriedade intelectual devido à atribuição da AI de oferecer apoio à comunidade acadêmica, no estímulo e execução das criações decorrentes de pesquisas na UFSCar. Somente entendendo o que é a propriedade intelectual, quais vantagens e desvantagens, poderá ser feita alguma avaliação.

O tema sobre propriedade intelectual sempre esteve mais ligado à área do direito, contudo a mudança do cenário de desenvolvimento econômico brasileiro fez surgirem reflexões sobre novas propostas de modelos de interpretação e aplicação da propriedade intelectual. Com isso, a capacitação em propriedade intelectual passa a constituir uma

30 necessidade do novo ambiente de políticas de desenvolvimento econômico e tecnológico e requer um treinamento com estrutura multidisciplinar para atender aos temas relacionados à dinâmica competitiva, à estrutura de acordos internacionais, ao uso de informação tecnológica, à gestão da inovação, em geral, e da propriedade intelectual, em particular, ao licenciamento de tecnologia, entre outros. Esses pontos ampliam o escopo da capacitação para além da ótica do direito (AMORIM et. al., 2007). O tema propriedade intelectual está presente em diversas disciplinas, tais como: direito, administração, economia, relações internacionais, ciência da informação, engenharias e outras. Desse modo, observa-se a multidisciplinaridade dos estudos relacionados a essa área.

Sherwood (1992, p. 11) afirma que a proteção de criações tem sido o fermento do desenvolvimento econômico de muitos países. Para ele, a propriedade intelectual é classificada em duas categorias: a primeira são as ideias, invenções e expressão criativa, e é essencialmente o resultado da atividade privada; e a segunda, o desejo do público de dar o status de prioridade a essas invenções e expressões. A World Intellectual Property

Organization (WIPO)24 divide a propriedade intelectual em suas categorias: 1) a propriedade,

que inclui as invenções, patentes, marcas, desenho industrial e indicação geográfica de origem; 2) direito de autor, que abarca todas as obras artísticas e literárias.

Acoplando a definição da WIPO a demais informações disponíveis no INPI e no trabalho de Pimentel (2009), tem-se o seguinte desdobramento das modalidades dispostas na propriedade intelectual (figura 6):

31 PROPRIEDADE INTELECTUAL

FIGURA 6: Os direitos que compõem a propriedade intelectual.

Fonte: Adaptado das informações da WIPO; INPI; PIMENTEL (2009), 2010.

Os direitos autorais referem-se às obras literárias e artísticas tais como novelas, poemas, obras de teatro, filmes, músicas entre outros. Um dos objetivos do direito autoral é garantir ao autor, ao titular de direitos e mesmo aos artistas, intérpretes e executantes, o direito exclusivo e temporário de utilizar, fruir e dispor de suas criações intelectuais25. Os programas de computador são objeto da legislação de direito autoral e podem ser protegidos por meio de registro depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), contudo, o seu direito é assegurado independentemente do registro. Há uma lei específica para a proteção da propriedade intelectual de computador e sua comercialização26.

A propriedade industrial visa proteger o chamado bem imaterial, que resultou da atividade criativa humana e são criações que interessam especialmente à indústria de transformação e ao comércio – representadas pelas marcas e pelas patentes - ou seja, que

25 Brasil. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências, artigo 28.

26 Brasil. Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, sua comercialização no País, e dá outras providências.

32 possuem aplicabilidade industrial (PEREIRA e KRUGLIANSKAS, 2004). Conforme a figura 6, a propriedade industrial é subdividida em: Patente; Marcas; Desenho Industrial e Indicação Geográfica.

A patente é um direito exclusivo, que confere ao seu titular o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com esses propósitos: I - produto objeto de patente; II - processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado27. Uma definição mais prática indica a patente como um direito temporário de excluir outros do uso de uma invenção nova e útil (SHERWOOD, 1992). As patentes protegem criações de duas naturezas: 1) Privilégio de Invenção: natureza patentária, que possui maior conteúdo tecnológico que consiste na solução de problema técnico; 2) Modelo de Utilidade: natureza de privilégio de criações que sejam dotadas de nova forma ou disposição de objeto de uso prático que resulte em melhoria funcional no seu uso ou fabricação (THEOTONIO, 2004). Obrigatoriamente, o pedido de patente precisa ser depositado no INPI, que é uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, responsável pela proteção e, em alguns casos, pela comercialização da propriedade industrial de acordo com a Lei 9.279/96. O período válido para a proteção da patente ao seu depositante é de 20 anos para PI e 15 anos para MU. A proteção concedida vale somente para o território nacional, de modo que, para proteger e/ou comercializar uma patente em outro país, é necessário que se efetive o registro no país de interesse (BRASIL, 1996). De acordo com a Lei de Propriedade Industrial, é patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.

Outra natureza da propriedade industrial de grande importância são as marcas. De acordo com Sherwood (1992), elas se tornaram direitos protegidos a partir da ideia de que é injusto apresentar-se um bem de uma pessoa como sendo de outra. Conforme disposição da Lei nº 9.279 (BRASIL, 1996), são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. Ela pode ser registrada como marca de produto ou serviço: usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; e marca de certificação: usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza,

27 Brasil. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, artigo 42.

33 material utilizado e metodologia empregada; e marca coletiva: usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. A proteção da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. Em resumo, servem para identificar, individualizar e distinguir determinados produtos e serviços de outros existentes no mercado (ARANOVICH, 2008).

A proteção dos direitos relativos à propriedade intelectual referente a cultivar se efetua mediante a concessão de Certificado de Proteção de Cultivar perante o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Para fins de definição, considera-se cultivar: a variedade de qualquer gênero ou espécie vegetal superior que seja claramente distinguível de outras cultivares conhecidas por margem mínima de descritores, por sua denominação própria, que seja homogênea e estável quanto aos descritores através de gerações sucessivas e seja de espécie passível de uso pelo complexo agroflorestal, descrita em publicação especializada disponível e acessível ao público, bem como a linhagem componente de híbridos (BRASIL, 1997). O prazo de proteção é de 15 para 20 anos para culturas e, pelo menos, 25 para árvores e videiras. Um ponto interessante que é importante destacar é o fato de as instituições públicas de pesquisa nacionais deterem praticamente 40% do total de cultivares protegidas no Brasil. (CARVALHO et. al., 2007)

Uma vez exposta a conceituação dos ativos intangíveis necessários para esta pesquisa, a próxima seção visa demonstrar como a propriedade intelectual advinda da universidade pode interagir com sistema de inovação brasileiro.

2.4.3 O papel da Propriedade Intelectual advinda da universidade brasileira no