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PROPRIEDADES BIOLÓGICAS DO Agaricus brasiliensis

No documento BARRAS DE CEREAIS COM (páginas 29-33)

O cogumelo A. brasiliensis tem sido amplamente estudado nas áreas de ciência de alimentos, farmacologia, biotecnologia e medicina (LARGETEAU et al., 2011). Na área da medicina, vários estudos têm reportado que o A. brasiliensis apresenta atividade antibactericida (BERNARDSHAW, JOHNSON e HETLAND, 2005), antioxidante (SILVA et al., 2009 b), antidiabética (KIM et al., 2005),

antiangiogênica (TAKAKU, KIMURA e OKUDA, 2001), anticancerígena

(MANTOVANI et al., 2008), entre outras.

Osaki e colaboradores (1994) isolaram substâncias do corpo de frutificação do A. brasiliensis, com efeito antimutagênico. Dias, Abe e Schwan (2004) relataram que, os pesquisadores Higaki, Eguchi e Watanabe (1997) estabeleceram novos métodos para colheita dos corpos de frutificação do cogumelo, testando os efeitos medicinais, e obtendo resultados positivos quanto às doenças estudadas: diabetes, dermatite e hipertensão.

O A. brasiliensis possui moléculas com atividades antimutagênica, antiviral, antialérgica, antitumoral, imunomoduladora e antioxidante, e ainda outras substâncias bioativas como os terpenos, lipídios e fenóis que foram identificados e caracterizados evidenciando as propriedades medicinais dos basidiomicetos. Os efeitos dessas substâncias incluem a ativação do sistema imunológico que modulam e melhoram a resposta imune (SOARES et al., 2009).

2.2.1 Efeito hipocolesterolêmico

Muitos estudos dentro da área médica mostraram resultados positivos da utilização desse cogumelo no combate a patógenos humanos, e também na ativação do sistema imunológico e na melhora de problemas de saúde como o colesterol, a asma e a úlcera (DI PIERO e PASCHOLATI, 2004).

Além de seu valor nutricional, os cogumelos são amplas fontes de uma série de produtos naturais úteis. De fato, vários compostos, incluindo terpenoides, esteroides, fenóis, alcaloides e nucleotídeos, que tenham sido identificados e isolados a partir do micélio ou do corpo de frutificação de cogumelos, mostraram que têm efeitos biológicos promissores na prevenção de uma série de doenças

predominantes em países ocidentais desenvolvidos, como hipertensão,

hipercolesterolemia, diabetes e câncer (PAPASPYRIDI et al., 2011 b).

2.2.2 Efeito antidiabético

Em estudo realizado em ratos diabéticos, Kim et al. (2005) verificaram que β-glucanas e oligossacarídeos de A. blazei Murill apresentaram efeitos antidiabéticos, sendo que os oligossacarídeos apresentaram duas vezes mais atividade anti-diabética que os β-glucanas.

Diversos relatos descrevem que as propriedades fisiológicas podem ser influenciadas por cogumelos, tais como a imunoproteção, a manutenção de homeostase, a regulação do biorritmo, a prevenção de doenças coronárias e cancerígenas. Relata-se também que cogumelos produzem substâncias efetivas para a redução do colesterol e da pressão sanguínea, além de substâncias com ação antitrombótica e hipoglicêmica (WASSER e WEIS, 1999).

Hsu et al. (2007) relataram que a suplementação com extrato de A. blazei Murril melhora os sintomas na diabetes tipo 2. Em estudo realizado pelos pesquisadores, 72 pacientes com diabetes tipo 2 receberam extrato de A. blazei ou um placebo diariamente durante 12 semanas. Ao final do estudo, os membros do grupo que recebeu o extrato de A. blazei mostraram melhoras significativas em

relação à resistência à insulina em comparação com aqueles que receberam o placebo.

2.2.3 Atividade antioxidante

Uma definição ampla para o termo antioxidante é: “uma substância que, quando presente em baixas concentrações, comparada ao substrato oxidável (que inclui várias substâncias encontradas em tecidos vivos, abrangendo proteínas, lipídeos, carboidratos e ácidos nucleicos), impede ou previne, significativamente, a oxidação desse substrato” (VANNUCCHI et al., 1998). Assim, por definição, a atividade antioxidante é a capacidade de um composto inibir a degradação oxidativa (ROGINSKY e LISSI, 2005).

Antioxidantes podem ser estudados em sistemas biológicos, quando existe a intermediação das espécies reativas de oxigênio (ERO), com a utilização de ensaios que medem a produção dessas (MARTINS et al., 2008).

Biologicamente, antioxidantes podem ser definidos como compostos que protegem os sistemas biológicos contra os efeitos deletérios dos processos ou das reações que levam à oxidação de macromoléculas ou estruturas celulares; assim os antioxidantes podem reduzir a incidência de diversas doenças (MOURÃO et al., 2011). Além de agir como sequestradores de radicais e quelantes de metais, antioxidantes fenólicos funcionam tanto na etapa de iniciação como na propagação do processo oxidativo.

Os compostos fenólicos são principalmente substâncias antioxidantes, cuja principal função é a proteção dos sistemas biológicos contra os defeitos degradantes dos processos e das reações que causam oxidação das moléculas ou estruturas celulares (VANNUCCHI e MARCHINI, 2007). Os radicais livres são altamente reativos, caracterizados por moléculas que apresentam um elétron isolado, livre para ligar a outro.

O desequilíbrio entre a formação e a remoção dos radicais livres no organismo, decorrente da diminuição dos antioxidantes endógenos ou do aumento da geração de espécies oxidantes, gera um estado pró-oxidante que favorece a

podendo resultar na morte celular (HALLIWELL e GUTTERIDGE, 1989). Esse tipo de lesão oxidativa é definido como estresse oxidativo.

Antioxidantes sintéticos têm sido utilizados na estabilização de alimentos: butil hidroxi anisol (BHA), butil hidroxi tolueno (BHT) e terc-butil hidroquinona (TBHQ) são adicionados às gorduras e óleos comestíveis para prevenir a deterioração oxidativa. Entretanto, tem sido relatado que os antioxidantes BHA e BHT possuem propriedades tóxicas e carcinogênicas (SOARES, 2002).

Soares et al. (2009) testaram corpos de frutificação de A. brasiliensis em diferentes estágios de maturidade, frente a sistemas oxidativos, como o método de inibição da peroxidação lipídica com ácido linoleico e caroteno, bem como avaliação antioxidante frente ao DPPH, habilidade de quelação de íon ferroso. Os pesquisadores obtiveram um índice EC50 de 3,0 mg.mL-1 no ensaio com DPPH, e poder sequestrante de 90% para o extrato de A. brasiliensis na concentração de 6,0 mg.mL-1. Ker et al. (2005) verificaram que o micélio também possui atividade antioxidante, testado frente ao DPPH e quelação de íons ferroso. Obtiveram uma faixa de 72,0% a 85,0 % de capacidade sequestrante em extrato de A. blazei com concentração de 5,0 mg.mL-1.

2.2.3.1 Antioxidantes na dieta

A prevenção às doenças tem sido aceita como a maneira mais promissora de se controlar patologias. O consumo de frutas e vegetais auxilia na prevenção de processos degenerativos, diminuindo a incidência e a taxa de mortalidade por câncer ou doenças cardiovasculares, por exemplo. A prevenção, que as frutas e os vegetais promovem contra essas patologias, tem sido atribuída à ação de antioxidantes presentes nesses alimentos (VELLOSA, BARBOSA e OLIVEIRA, 2007; YEN, LAI e CHOU 2001).

Devido ao potencial carcinogênico de antioxidantes sintéticos, antioxidantes naturais são alternativas para minimizar ou retardar os processos de deterioração oxidativa em alimentos e para o desenvolvimento de alimentos funcionais (CHUN et al., 2005). Compostos fenólicos são bons agentes antioxidantes naturais (ATOUI et al., 2005). A atividade antioxidante de compostos orgânicos depende de algumas

características estruturais, que incluem, na maioria dos casos, a presença de grupamentos fenólicos.

No documento BARRAS DE CEREAIS COM (páginas 29-33)