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5.2.1 Resistência à compressão axial

Na Figura 12 são apresentados os resultados obtidos da resistência axial sem correção, nos corpos-de-prova com teores de 0%, 5% e 10% em função da idade do concreto no 7o e 28o dia.

Figura 12 - Resistência axial dos corpos de prova em função da idade do concreto Fonte: Autoria Própria

No concreto referência (0%) foi verificada resistência axial de 16,45 ± 0,86 MPa no 7o dia. Quando foi feita incorporação de 5% de lodo, a resistência axial não diminuiu de forma significativa, sendo de 4,19%. A incorporação de 10% permite verificar redução da resistência axial de 37,08% do concreto referência no 7o dia.

Hoppen (2004) obteve resistência de 29 MPa para o concreto padrão e perda de 4 MPa na incorporação de 4% de lodo, atingindo praticamente a resistência axial aos 28 dias. A diferença nos resultados pode ser explicada pelas diferentes metodologias empregadas, pois Hoppen (2004) utilizou vibro prensas para

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 7 dias 28 dias Resi stên cia ( M P a) Referência (0%) 5% de lodo 10% de lodo

moldagem dos corpos-de-prova, enquanto que no presente trabalho foram usadas apenas hastes metálicas e moldagem manual.

Os corpos-de-prova com idade de 28 dias indicaram resultados não satisfatórios quando adotada metodologia indicada pela ABCP/ACI, com resultado de 17,5 ± 1,23 MPa, a resistência à compressão axial para o concreto padrão foi de 54,69% sobre a resistência mínima de 32 MPa, esperada para o corpo-de-prova aos 28 dias.

A falta de correção do traço pode ter influenciado na resistência à compressão do concreto, pois segundo Tutikian e Helene (2011) a desvantagem do método ABCP/ACI é que os valores de proporção do traço são tabelados e não contemplam todos os materiais existentes. Logo se as resistências não forem significativas devem ser realizadas novas dosagens com correção da areia e permanência do consumo a/c, o que não foi realizado neste trabalho.

No concreto com substituição de 5% de lodo de ETA foi verificada redução da resistência à compressão média de 1,9 MPa quando comparado com o traço referência, ou seja, resistência 11,37% menor. Com a idade de 28 dias e 4% de agregado miúdo substituído, Hoppen (2004) obteve resistências superiores a 28 MPa. No concreto com 10% foi verificada redução de resistência à compressão média de 5,12 Mpa e 29,25% em relação ao concreto padrão.

Os resultados obtidos demonstram com confiabilidade de 95% que não houve diferença significativa apenas entre o traço referência e os que continham teor de lodo de 5%, com idade respectiva de 7 dias.

Outro aspecto verificado com a incorporação de lodo de ETA foi a presença de cristais na superfície externa do concreto. Tal efeito foi notado aos 7 dias de cura do concreto, conforme pode ser visto na Figura 13:

Figura 13 - Presença de cristais na superfície do concreto Fonte: Autoria Própria

De acordo com Brown (2002), uma forma física de ataque de sulfatos ao concreto ocorre com a cristalização dos sulfatos. Para afirmar tal fenômeno, é necessário realizar caracterização por difração de raios-x, análise química e microscopia eletrônica de varredura, conforme reportado por Souza (2006).

5.2.2 Resistência à tração por compressão diametral

Para determinação da resistência à tração por compressão diametral para cada traço foram utilizados os corpos-de-prova com idade de 28 dias. Os resultados médios da resistência à tração por compressão diametral e as variações de erros para incorporação de lodo de 0%, 5% e 10% são apresentados na Figura 14.

Figura 14 - Resistência à tração por compressão diametral Fonte: Autoria Própria

Analisando a Figura 14, pode-se verificar que o concreto referência apresentou resistência média de 2,05 ± 0,06 MPa. Quando comparados ao traço padrão, a substituição com 5% e 10% de lodo apresentaram resistências de 2,27 MPa e 1,79 MPa, refletindo ganho de 11% e perda de 13%, respectivamente.

Não foi possível obter resultados comparativos que explicassem o ganho de resistência, pois Vieira e Dal Molin (2012), Hoppen (2004) e Trindade (2012) obtiveram perda na compressão diametral à medida que os agregados da mistura foram substituídos.

Tal fato possivelmente ocorreu por erros de moldagem. Outros parâmetros como tipo de cura e características do agregado graúdo também podem influenciar no resultado final da resistência à tração (MEHTA e MONTEIRO, 1994).

0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 28 dias Resi stên cia M édia (M P a) Referência (0%) 5% de lodo 10% de lodo

5.2.3 Absorção de água total

À medida que foi incorporado o lodo da ETA no concreto, a absorção de água total aumentou gradativamente. Possivelmente, a ocorrência de tal fato seja pela presença de matéria orgânica no lodo.

Na Figura 15 são apresentados os resultados da absorção média de água pela incorporação de 0%, 5% e 10% de lodo da ETA.

Figura 15 – Resultados da absorção média de água pela incorporação do lodo da ETA Fonte: Autoria Própria

A absorção total mínima e máxima para o concreto referência foi de 6% e 5% respectivamente, com média de 6%. Quando incorporado o lodo nos teores de 5% e 10%, esta absorção aumentou para 7% em média.

Sales, Cordeiro e Souza (2004) verificaram aumento de 2% na absorção de água no concreto à medida que foram incorporados agregados de entulho e lodo de ETA conjuntamente.

Com relação à absorção de água, limites de absorção média de até 10% para agregado normal e 13% para agregado leve são estabelecidos na NBR 6136/2006 (ABNT, 2006), e, portanto todos os resultados se enquadram nos limites estabelecidos. 0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% Média A b sorç ão (% ) Referência (0%) 5% de lodo 10% de lodo

De acordo com Gasparim (2007), a durabilidade do concreto é inversamente proporcional à quantidade de absorção de água no corpo de prova, pois maior absorção aumenta a possibilidade de ataques por agentes agressivos presentes na água.

Para Posser (2004), a quantidade de água presente pode influenciar na perda de resistência no concreto, diminuindo a capacidade de absorção de cargas e consequentemente ocasionando aparecimento de patologias, como fissuras e trincas que comprometem seu uso com finalidade estrutural.

5.3 CORRELAÇÃO DOS RESULTADOS DE RESISTÊNCIA DOS CORPOS-DE-

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