Revisão Bibliográfica
1. GELÉIA E DOCE EM MASSA DE FRUTA
4.8 PROPRIEDADES FUNCIONAIS DA INULINA E DOS FOS
A inclusão de oligossacarídeos na dieta acarreta vários benefícios à saúde humana, mas a contribuição mais importante desses açúcares está associada a uma melhoria na composição da flora intestinal e ao aumento do número de bifidobactérias. Devido às características fermentativas especiais que os oligossacarídeos apresentam ao organismo humano, esses compostos são considerados como um alimento funcional, que, de acordo com BRASIL (1999) é definido como todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutritivas básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produza efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica. Dessa forma, pode- se verificar que os alimentos funcionais deverão fazer parte da alimentação cotidiana, dentro de uma dieta saudável e balanceada, podendo seu uso regular trazer benefícios fisiológicos específicos, graças à presença de ingredientes fisiologicamente salutares (MULLER, 2001).
ROBERFROID (1998) definiu como alimento funcional aquele que contém, em concentração adequada, um ou mais componentes que afetam as funções no corpo e produzem efeitos celulares e fisiológicos positivos. Atualmente o Japão possui oficialmente os chamados “alimentos funcionais para usos específicos na saúde”, sob licença do Ministério da Saúde. Muitos países da Europa têm seguido esse mesmo rumo, porém o governo dos Estados Unidos ainda não reconhece os alimentos funcionais, apesar de serem largamente comercializados.
Dentro da variada gama de alimentos funcionais, são de particular destaque os probióticos, os prebióticos e os simbióticos. Os alimentos probióticos contêm
suplementos microbianos vivos que promovem a saúde, melhorando o balanço microbiano do hospedeiro. A grande maioria dos probióticos são bactérias dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium (GOLDIN, 1998).
Já os prebióticos são definidos como ingredientes alimentares não digestíveis e que afetam favoravelmente o crescimento e a atividade de um número limitado de bactérias no cólon, beneficiando o hospedeiro. Quando os probióticos e prebióticos são usados em combinação em um produto, fala-se de um simbiótico (GIBSON e ROBERFROID, 1995).
Os oligossacarídeos são classificados como prebióticos, porque além de não serem hidrolisados e nem absorvidos na parte superior gastrointestinal, eles promovem de uma forma seletiva o crescimento e/ou estimulam a atividade metabólica de bactérias benéficas à saúde, sendo o crescimento de bifidobactérias considerado o principal objetivo dos prebióticos (CARRARO, 2000).
As bifidobactérias são responsáveis pelos seguintes efeitos benéficos: manutenção normal da microflora intestinal, maior tolerância à lactose, atividade anticariogênica, estímulo ao sistema imunológico e melhoria do valor nutricional dos alimentos. Quanto às suas aplicações terapêuticas podem-se citar: prevenção de infecções urogenitais, alívio da constipação, redução da diarréia induzida por antibióticos, prevenção da osteoporose, prevenção do câncer de cólon (O’SSULLIVAN et al., 1992).
Os FOS são adoçantes de baixa cariogenicidade. Segundo YUN (1996) os FOS não são utilizados pelo Streptococcus mutans na formação de ácidos e glucanos insolúveis, causadores das cáries. Já a glicose, frutose ou sacarose que acompanham os FOS em pequenas proporções responderiam pela baixa cariogenicidade.
Pelo fato de serem compostos hipocalóricos e não terem relação com a insulina, como ocorre com carboidratos como a glicose e a sacarose, a inulina bem como os oligofrutanos são inócuos para os diabéticos (YUN, 1996).
Por outro lado, a inulina tem sido introduzida na indústria alimentar como substituto de gordura, de uma maneira vantajosa, pois além de não influir na textura nem nas propriedades organolépticas, permite reduzir consideravelmente a ingestão de calorias. Isto é um meio de combater a obesidade e as doenças coronárias (GORDON et al., 1995).
Os FOS, a inulina e muitos oligossacarídeos não digeríveis, depois de serem ingeridos, escapam à digestão no intestino delgado, porém são quantitativamente fermentados logo, no cólon, pela flora colônica, produzindo-se gases, ácidos graxos de cadeia curta e lactato (ROLAND et al., 1995; CAMPBELL, FAHEY e WOLF, 1997).
A inibição do crescimento de bactérias putrefativas ocorre, estimulando o crescimento de Bifidobacterium, Lactobacillus e alguns Streptococcus, os FOS contribuem para a inibição de Clostridium, Salmonella, Shigella, Listeria, Campilobacter, bactérias patogênicas. Após ingestão de 3-5g de FOS/dia em humanos por 2 semanas, GIBSON e ROBERFROID (1995) observaram aumento de bifidobactérias fecais de 6 para 22% e redução de Bacteróides e Clostridium, respectivamente de 25% para 4%, e 1 para 0,2%.
MODLER (1994) verificou que a adição de neosugar à dieta humana (15g/dia), provocou um acréscimo de 10 vezes na população de bifidobactérias do intestino grosso, bem como a ocorrência de bifidobactérias passou de 87% para 100%. Concomitantemente, houve uma redução de 0,3 unidades no pH intestinal e também um decréscimo na contagem de enterobactéria. Estudos similares realizados por HIDAKA e HIRAYAMA (1991) verificou-se que administrando 8g/dia de neo sugar aumentaria a produção de ácidos graxos.
Uma série de aspectos benéficos tem sido atribuída às bifidobactérias, por diversos autores e ressaltada por WANG e GIBSON (1993):
• são imunomoduladores contra células malignas.
• produzem enzimas digestivas e lisozima.
• restauram a flora intestinal normal durante a terapia com antibióticos.
• com o decréscimo do pH gastrointestinal, transformam o NH3, potencialmente tóxico, a NH4+.
• a diminuição do pH, via formação de acetato e lactato, pelas bifidobactérias suprime os patógenos como E.coli, C.perfringens, Salmonellas, etc.
Além dos benefícios acima citados, existe uma forte evidência de que os frutanos e outros oligossacarídeos não digeríveis normalizam os estados de constipação (VAN LOO et al., 1998).
No que diz respeito às doses bifidogênicas de frutanos, pode-se afirmar que cerca de 4g/dia seriam suficientes para um adulto (ROBERFROID, VAN LOO e GIBSON, 1998). Contudo, fazendo parte de um produto simbiótico (junto com microorganismos), os frutanos já são bifidogênicos a doses de 2,75g/dia e esse efeito dura até sete semanas (ROBERFROID, 1998).
TAPER, DELZENNE e ROBERFROID (1997) implantaram células tumorais de dois tipos, hepáticas e mamarias, em ratos, e na seqüência, foram tratados com 150g/kg de FOS ou inulina. Houve uma redução no crescimento dos tumores com relação ao placebo. Segundo TAPER e ROBERFROID (1999) os frutanos agem pelo seu efeito redutor da glicose e da insulina; sendo assim, as células tumorais aproveitam pouco a glicose e não se desenvolvem. Simultaneamente, haveria uma mudança na sensibilidade à insulina, o que seria parte do mecanismo da inibição do crescimento tumoral.
TAPER et al. (1995) verificaram que os FOS possuem um efeito protetor contra a atrofia induzida por deficiência de cobre ou excesso de frutose. YOUNES et al. (1996), em estudos com ratos determinaram que uma mistura de fibras, incluindo FOS, reduz o nível de uréia no soro sanguíneo, via excreção fecal de uréia. Os efeitos seriam devidos à conversão do NH3 a NH4+, menos tóxico (JENKINS, KENDALL e VUKSAN, 1999).
Os FOS têm ação de imunomoduladores via Bifidobacterium auxiliando no ataque imunológico contra células malignas ou bactérias putrefativas, e resistência adquirida do hospedeiro contra fungos patógenos (GIBSON e ROBERFROID, 1995).
Estudos recentes relatam a atividade antioxidante dos tubérculos de yacon; foram encontrados triptofano e ácidos clorogênicos como os compostos mais importantes, evidenciando que ambas as partes da planta são ricas em fenólicos (SIMONOVSKA et al., 2003).