CAPÍTULO 6. RESULTADOS
6.1 Propriedades Psicométricas das Escalas
6.1.1 Propriedades Psicométricas da Escala do continuum
Foi aplicada Análise Fatorial, com extração dos Componentes Principais, nos itens de avaliação do continuum da autodeterminação, com rotação ortogonal (varimax), no conjunto de respostas dadas pelos 623 estudantes, no questionário
(apêndice A), que indicou inicialmente 25 fatores, correspondentes ao número de questões contidas no teste, para avaliação dos tipos de motivação alocados no continuum. De acordo com Kline (apud GUIMARÃES, 2003) o valor próprio ou autovalor (eigenvalue) indica a importância do fator e a variância explicada por ele. Um fator que obtém um autovalor maior, explica uma variância maior. Deste procedimento surgiram cinco fatores, com valor próprio acima de 1, que explicaram 49,36% da variabilidade total dos dados (Tabela 1).
Tabela 1 - Resumo da explicação dos fatores da Análise Fatorial, com autovalor maior do que 1,00, obtida a partir da Análise dos Componentes Principais, com rotação varimax, aplicada aos itens da escala da qualidade da Motivação.
Valor próprio % de Variância Valor próprio acumulado % Variância acumulada Fator 1 5,14 20,55 5,14 20,55 2 3,10 12,39 8,24 32,94 3 1,63 6,54 9,87 39,48 4 1,40 5,59 11,27 45,07 5 1,07 4,30 12,34 49,36
Os itens que não atingiram a carga de pelo menos 0,30 foram descartados. De acordo com o conteúdo dos itens agrupados em torno de cada um dos cinco fatores, foi possível identificar os cinco fatores, descritos a seguir.
No Fator 1 (REGULAÇÃO IDENTIFICADA) carregaram seis itens, com carga fatorial variando de 0,35 a 0,71. O item 16 (Sinto-me interessado (a) quando desenvolvo atividades de português) carregou também no Fator 4, com carga fatorial maior, sendo excluído desta subescala. Pelo conteúdo dos itens, esta escala, passou a ser denominada de avaliação da Motivação Extrínseca por Regulação Identificada a qual, no conjunto de cinco itens, obteve índice de consistência interna, medido pelo alfa de Cronbach de 0,62;
Em torno do Fator 2 (REGULAÇÃO EXTERNA) agruparam-se seis itens com carga fatorial de 0,48 a 0,70. O item 12, (faço as atividades de português, porque é isso que esperam de mim) originalmente elaborado para avaliação da Motivação Extrínseca por Regulação Introjetada, obteve carga fatorial de 0,51 somente em
relação ao Fator 2, sendo, portanto, excluído do instrumento. O índice de consistência interna medido pelo Alfa de Cronbach da subescala foi de 0,69.
No Fator 3 (REGULAÇÃO INTROJETADA), carregaram três itens com cargas de 0,76 a 079, sendo o índice de consistência interna medido pelo Alfa de Cronbach da subescala foi de 0,70. Pelo conteúdo dos itens a subescala foi chamada de Motivação Extrínseca por Regulação Introjetada. O item 18, (Quero que o (a) professor (a) de português veja que faço minhas atividades) originalmente elaborado para esta escala carregou em todos os fatores, com carga fatorial baixa, sendo, portanto excluído do instrumento.
No Fator 4 (MOTIVAÇÃO INTRÍNSECA) carregaram cinco itens com carga fatorial de 0,56 a 0,72, com índice de consistência de 0,74. De acordo com o conteúdo das afirmativas a escala foi denominada de Motivação Intrínseca; Neste fator, além dos quatro itens originais, foi incorporada a questão 16, totalizando cinco itens.
Em torno do Fator 5 (DESMOTIVAÇÃO) carregaram cinco itens, com carga fatorial de 0,45 a 0,71, com índice de consistência interna de 0,73. Pelo conteúdo das afirmativas a subescala é de avaliação da desmotivação. Este Fator manteve os cinco itens elaborados inicialmente.
Desta forma, foram eliminadas para fins das análises seguintes, as questões 12 e 18. Enquanto que o item 16 (Sinto-me interessado(a) quando desenvolvo atividades de português) originalmente elaborado para a subescala Motivação Extrínseca por Regulação Identificada carregou em dois fatores com carga fatorial maior no fator 4, optando-se por computá-lo nesta última, a subescala de Motivação Intrínseca. Portanto, dos 25 itens inicialmente propostos, a escala relativa à qualidade motivacional finalizou com 23 itens. Um aspecto interessante que pode ser observado a partir desta análise é que, os índices de consistência interna pelo alfa de Cronbach (PASQUALI, 2003) foram maiores nas duas pontas da escala, ou seja, 0,74 para Motivação Intrínseca e 0,73 para Motivação Extrínseca.
Na Tabela 2, pode-se visualizar a locação de cada item nos respectivos fatores. A partir da análise dos conteúdos dos itens que se agruparam em torno de cada um dos cinco fatores, podemos constatar que: o Fator 1 corresponde à sub- escala da Motivação Extrínseca por Regulação Identificada (RI). O Fator 2 à sub- escala da Motivação Extrínseca por Regulação Externa (RE), o Fator 3 à sub-escala
da Motivação Extrínseca por Regulação Introjetada (RIN.), o Fator 4 à sub-escala Motivação Intrínseca (MI) e o Fator 5 à sub-escala Desmotivação (D). As cargas fatoriais de todos os itens da escala em relação aos cinco fatores também estão apresentadas na Tabela 3.
Tabela 2– Composição das escalas de avaliação do Continuum da Motivação dos Estudantes de acordo com os resultados da análise fatorial
Fatores Motivação Extrínseca por
R E R INT R I MI DESM 8 10 3 4 1 9 11 5 16 2 Questões 14 23 7 21 6 15 13 24 19 17 20 25 22
Legenda: RE = Regulação Extrínseca; R INT = Regulação Introjetada;
RI = Regulação identificada; MI = Motivação Intrínseca; DESM = Desmotivação
Os dados obtidos nesta análise foram trabalhados com base no critério original de aglutinação dos itens que compunham as cinco variáveis da escala do continuum da Motivação (DECI; RYAN, 2004). Procurou-se identificar o grau de semelhança entre os escores médios obtidos pelos participantes. Na Tabela 5 pode- se identificar a distribuição dos fatores na escala de avaliação do continuum da motivação, lembrando que os dois últimos itens, as questões 18 e 12 foram excluídas.
Tabela 3 - Colocação dos itens com saturação > 0,30 em cada um dos cinco fatores,
após rotação Varimax
QUESTÃO RI 1 RE 2 RINT 3 MI 4 DESM 5
3- Faço as atividades de português porque é uma maneira de ver se
estou aprendendo 0,71
5- As atividades de português permitem que eu continue a aprender
sobre muitas coisas que me interessam 0,47
7- Faço as atividades de português por que é preciso exercitar os
conteúdos aprendidos 0,69
13- Porque fazer as atividades de português faz parte do aprendizado 0,35
20- Faço as atividades e tarefas porque acredito que elas são
importantes para o meu futuro 0,53
8- Faço as atividades de português para não me chamarem de burro 0,48
9- Faço as atividades nas aulas de português porque o professor (a)
diminui a nota dos alunos que não fazem 0,58
14- Assisto às aulas de português para não receber faltas 0,67
15- Faço as atividades porque preciso tirar uma boa nota em
português 0,53
17- Venho às aulas de português para não reprovar 0,70
10- Sinto-me culpado quando não completo meus trabalhos de
português 0,76
11- Sinto-me envergonhada (o) de não terminar as tarefas da matéria
de português 0,79
23- Sinto-me chateado de não entregar os trabalhos de português
quando o (a) professor (a) pede 0,79
4- Eu me sinto bem quando estou na aula de Português 0,72
16- Sinto-me interessado (a) quando desenvolvo atividades de
português 0,56
21- Para mim todas as aulas de português são divertidas 0,66
24- Eu gosto de aprender coisas novas na aula de Português 0,59
25- Eu me envolvo bastante nas atividades realizadas nas aulas de
português 0,67
1. Sinceramente não sei por que faço as atividades nas aulas de
português 0,71
2- Tenho preguiça de assistir às aulas de português 0,45
6- Não vejo razões para fazer as atividades de Português 0,60
19- Eu não entendo porque faço as atividades de Português 0,75
22- Não vejo o que irá mudar se eu fizer as atividades de português 0,61
18- Quero que o (a) professor (a) de português veja que faço minhas
atividades 0,29 0,33 0,23 0,21 0,29
12- Faço as atividades de português porque é isso que esperam de
6.1.2 Propriedades Psicométricas da Escala das Necessidades psicológicas