Cornélia é natural de Iguaíba, localidade do município de Paço do Lumiar,
nasceu em maio de 1957. Residiu, também, em São Paulo e Rio de Janeiro. Seus pais não tinham escolaridade “só sabiam escrever o nome, nada mais”. O pai, já falecido, era pescador e a mãe agricultora, trabalhos peculiares a localidade, sobretudo, a pesca, quiçá pela proximidade com o Porto do Iguaíba. Ela é a sexta filha, dentre treze irmãos (ãs), a única com nível superior, “fui criada por outra família e lá, eles me botaram para estudar”; é solteira e tem dois filhos.
12 De acordo com Haesbaert (2007), a desterritorialização é a outra face do processo de construção de territórios.
Já em Deleuze e Guattari (1992), os movimentos de desterritorialização são inseparáveis dos territórios, que se abrem sobre outro lugar.
Hortênsia é natural de São Luís, nasceu em setembro de 1981. Sua mãe tem o
Ensino Fundamental, é dona de casa, o pai fez o curso Técnico em Contabilidade e trabalha como motorista, em um órgão do governo federal. Ela é a segunda filha do casal entre três irmãs, a única com nível superior, enquanto as demais têm apenas o ensino médio. É casada, tem um filho de sete anos.
Aspásia nasceu em Maioba Pindoba, localidade de Paço do Lumiar, em agosto de
1969. Sua mãe tinha curso de magistério, hoje, está aposentada. É a quinta filha, junto com um irmão gêmeo. Sua irmã é pedagoga, e os demais têm o ensino superior. Ela é solteira e tem um filho e uma filha.
Tecla nasceu em março de 1959, em São Luís. Sua mãe era professora leiga e o
pai, já falecido, delegado na cidade de Dom Pedro. Ela é a quarta filha, as demais irmãs trabalham. As quatro filhas cursam o ensino superior, três em Pedagogia e uma em Enfermagem; é solteira e tem um filho e uma filha.
Eumáquia nasceu em novembro de 1960, é natural de Primeira Cruz, município
do Maranhão, distante 96 quilômetros de São Luís. Seu pai era pescador e a mãe agricultora. Ela é a nona filha dentre dezesseis irmãos, tem apenas quatorze vivos. É casada, tem quatro filhas e quatro filhos, a única com o ensino superior, na família.
Maria Profetíssima natural de Mojó, localidade de Paço do Lumiar, nasceu em
outubro de 1957. Filha de agricultores, ela é a terceira de cinco filhos, os demais irmãos são agricultores e estudaram até a terceira série do ensino fundamental. É casada, tem três filhos.
Priscila é natural de São Luís, nascida em abril de 1966. Seu pai era agricultor e a
sua mãe também; ela é a quinta filha dentre onze irmãos. É casada e tem dois filhos. É a única com ensino superior“a minha é a maior, eu fui criada com minha avó, ela investiu em mim, como meus pais eram pobres, mas sempre colocaram meus irmãos na escola, porém não conseguiram chegar até o terceiro grau”.
Das diretoras entrevistadas, três nasceram em Paço do Lumiar, três em São Luís e uma em Primeira Cruz. Porém, todas estão há mais de dez anos morando em Paço do Lumiar, a exemplo Eumáquia:“estou com trinta e oito anos que eu moro aqui, só que quando eu cheguei eram poucas casas, era só mato e tinha muita dificuldade porque a estrada era só uma veredinha, não tinha transporte, não tinha luz e, hoje, graças a Deus a população aumentou, aumentou 100%. Já temos transporte, mesmo com algum problemazinho, mas dá para sanar, já temos energia, já temos até rede de telefone”. (informação verbal) 13
Este testemunho remete-nos para duas questões, a primeira é que de acordo com Trovão (1994), boa parte da população de Paço do Lumiar é formada de pessoas provenientes do interior do Maranhão, como o município de Primeira Cruz.
Ademais, não há como definir o sujeito, o grupo, a comunidade, a sociedade sem ao mesmo tempo inseri-los num determinado contexto geográfico “territorial” e o território é também movimento, ritmo, fluxo, rede, é, sobretudo, um movimento dotado de significado, de expressividade, ou seja, tem um significado determinado para quem o constrói e para quem dele usufrui. (HAESBAERT 2007)
Diante disso, é cabível uma relação entre o empoderamento das diretoras e sua territorialidade, entendendo esta como processo de domínio político-econômico ou apropriação simbólico-cultural pelos grupos humanos, pois cada um de nós necessita de um recurso básico para territorializar-se. (HAESBAERT 2007) No entanto, antes de aprofundar a discussão sobre a territorialidade das diretoras, pretende-se delimitar alguns aspectos do território de Paço do Lumiar que serão abordados no próximo capítulo.
Paço do Lumiar - Igreja Católica. Imagem de Nossa Senhora da Luz. Delegacia
Porto de Pau Deitado e plantação de hortaliças em Maioba Piundoba
Igreja evangélica em Tendal Mirim. Vale em Maioba Pindoba. Centro poliesportivo em Paço do Lumiar.
2
2
2
2 ASPECTOS DO TERRITÓRIO ASPECTOS DO TERRITÓRIO ASPECTOS DO TERRITÓRIO ASPECTOS DO TERRITÓRIO
Apesar de ser um conceito central para a Geografia, território e territorialidade têm tradição em outras áreas, cada uma com enfoque centrado em determinada perspectiva, mas a Biologia foi a primeira área a utilizar este conceito para tratar da construção de territórios pelos animais. Na Geografia, há uma ênfase na materialidade do território, em suas múltiplas dimensões que deveria incluir sociedade-natureza, enquanto isso, a Ciência Política enfatiza sua construção, a partir de relações de poder. A Economia percebe o território como uma das bases da produção e a Antropologia destaca sua dimensão simbólica; a Sociologia o destaca a partir da intervenção nas elações sociais, no sentido amplo, enquanto isso, a Psicologia incorpora-o no debate sobre a construção da subjetividade ou da identidade pessoal, ampliando-o até a escala do indivíduo. (HAESBAERT, 2007)
A necessidade de se falar de território e territorialidade é que todas as pessoas precisam de uma territorialidade mínima, aconchego, abrigo, condição indispensável para, ao mesmo tempo, estimular a individualidade e promover o convívio. (HAESBAERT, 2007)
Embora direcione-se este segundo capítulo para tratar, brevemente, do território de Paço do Lumiar, convém registrar que no quarto capítulo, retomaremos as análises sobre a territorialidade das diretoras.