• Nenhum resultado encontrado

9. REGIÃO SUL AMERICANA (SAM).

4.4. Programas e Ações

4.4.2. Proteção e Gestão Ambiental

A aviação civil tem uma organização e normativas bem regulamentadas em todos os setores e aspectos. Especificamente, o Anexo 16 da OACI trata de Proteção ao Meio Ambiente.

Importante ressaltar que a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) visa o crescimento do sistema global de aviação civil de forma sustentável, tendo como um dos seus objetivos estratégicos a proteção ambiental (OACI, 2017; ROSSATO e HENKES, 2016).

Com intuito de atingir seu objetivo estratégico e reduzir o impacto da aviação civil sobre o meio ambiente, em 2004, foram adotadas três grandes metas ambientais (OACI, 2017):

• Limitar ou reduzir o número de pessoas afetadas pelo ruído das aeronaves;

• Limitar ou reduzir o impacto das emissões da atividade aérea na qualidade do ar local; e

• Limitar ou reduzir o impacto das emissões de gases com efeito de estufa da aviação sobre o clima global.

Assim, a OACI estabelece as políticas, preocupações e objetivos de forma a minimizar os impactos, efeitos negativos e danos das atividades aéreas sobre o meio ambiente (ROSSATO e HENKES, 2016).

Essas normas e práticas recomendadas relacionadas às questões ambientais são estabelecidos no Anexo 16 da Convenção de Chicago, que é subdividido em dois volumes conforme mencionados a seguir (OACI, 2017):

• Volume I - Proteção ao Meio Ambiente - Ruído Aeronáutico; e • Volume II - Proteção ao Meio Ambiente - Emissões de Poluentes

por Motores de Aeronaves.

As normas e práticas recomendadas pela OACI abordam questões importantes relacionadas aos ruídos aeronáuticos e às emissões atmosféricas e sua relação com as mudanças climáticas globais, a questão do uso de energias não renováveis e a substituição gradual dos combustíveis fósseis na atividade

aeronáutica, com intuito das empresas do setor aeronáutico, organizações aeroportuárias e nações alcançarem juntos uma gestão ambiental sustentável (ROSSATO e HENKES, 2016).

Por fim, cabe mencionar que a maior parte do trabalho de proteção ambiental na Aviação é realizado por meio do Comitê de Proteção Ambiental – CAEP (em inglês, Committee on Aviation Environmental Protection), que consiste de membros e observadores dos Estados, organizações intergovernamentais e não governamentais que representam a indústria da aviação e dos interesses ambientais, no qual o Brasil também faz parte (OACI, 2017; ANAC, 2017).

Com relação à emissão de poluentes do transporte aéreo, verifica-se que, no ano de 2014, houve a primeira publicação do inventário nacional de emissões do setor aéreo brasileiro pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC, 2017).

O estudo sobre proteção e gestão ambiental é importante, pois possibilita verificar a evolução das emissões dos poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa e identificar medidas necessárias a serem tomadas de forma a minimizar os impactos ambientais da aviação no Brasil e aumentar a eficiência energética da aviação no país.

Ainda com relação à emissão de poluentes por motores de aeronaves, cabe mencionar a realização do Plano de Ação para redução de CO2 no transporte aéreo. Esse documento foi apresentado pelo Brasil na 38ª Sessão da Assembleia da OACI em 2013, apresentando ações como a pesquisa sobre biocombustíveis para a aviação e as melhorias na eficiência do gerenciamento do tráfego aéreo (ANAC, 2017).

Com relação a mesma questão de emissão de poluentes, cumpre observar que a Agência Nacional de Aviação Civil é responsável por regulamentar o setor aéreo, implementando as práticas e recomendações estabelecidas pela OACI. Identifica-se a existência do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) 34 referente aos requisitos para drenagem de combustível e emissões de escapamento de aviões com motores a turbina.

No que diz respeito ao tema de ruído aeronáutico, pode ser mencionado que esta questão é a mais perceptível às pessoas, principalmente, as que moram próximas aos aeródromos e aeroportos.

Cabe observar que o Regulamente Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) 36 trata dos requisitos de ruído para aeronave, bem como Resoluções e Instruções suplementares que regulam o setor aéreo nesse âmbito.

Ainda, identifica-se análises preliminares de impacto ambiental de aeroportos, como, por exemplo, de Viracopos (SBKP) e Brasília (SBBR).

No âmbito da aviação brasileira, também podem ser identificadas ações relacionadas à abordagem equilibrada para o gerenciamento do ruído aeronáutico, como no caso do Aeroporto Santos Dumont (SBRJ) sendo implementado sistema de monitoramento de ruído. Em adição, verifica-se que ocorreram mudanças na trajetória dos voos e horário operacional de forma a causar menos impactos à população residente nos bairros vizinhos ao Aeroporto.

A mesma restrição de operação também é evidenciada no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, pelo fato de estar localizado próximo às áreas residenciais, verifica-se a restrição estabelecida de forma a minimizar a poluição sonora por meio ruídos aeronáuticos.

Com relação ao gerenciamento do solo ao redor dos aeroportos, existe uma preocupação quanto à necessidade de controle das autoridades com relação à construção de edificações e mesmo estabelecimentos de favelas nos arredores de grandes aeroportos como, por exemplo, Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro e Congonhas em São Paulo. O crescimento desordenado e falta de planejamento urbano causa grandes problemas para operações aéreas e comunidade ao seu redor e também para o meio ambiente como um todo.

Assim, o tema quanto à proteção ambiental no âmbito da aviação civil tem ganhado cada vez mais destaque e necessita de ações coordenadas e integradas não somente dentro da Agência Nacional de Aviação Civil, mas também envolvendo organismos internacionais, comunidades vizinhas aos aeroportos, empresas e operadores aéreos, administração aeroportuárias, fabricantes de aeronaves, motores e turbinas e autoridades locais e federais de forma a minimizar os impactos da atividade aérea no meio ambiente.