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3.3 DIREITOS HUMANOS

3.3.2 Proteção Internacional dos Direitos Humanos

3.3.2.1 Sistema Interamericano

A Convenção Americana de Direitos Humanos é o organismo mais importante no sistema interamericano, no que diz respeito à proteção aos direitos humanos, conhecido também como Pacto de San José da Costa Rica e a mesma assegura uma série de direitos civis e políticos. (PIOVESAN, 2006).

Dentre esses direitos a serem protegidos pela Convenção Americana, podemos destacar: direito à vida, à propriedade privada, à integridade pessoal, a proibição da escravidão e entre outros. (LUIZ SILVA, 2005).

Todavia, como analisa Flávia Piovesan (2006), a Convenção Americana não detalha os direitos sociais, culturais e econômicos, deixando margem aos Estados que fazem parte da mesma a apresentarem soluções adequadas em suas legislações internas, assim como determina em seu artigo 26 da Convenção Americana dos Direitos Humanos:

Artigo 26 - Desenvolvimento progressivo

Os Estados-partes comprometem-se a adotar as providências, tanto no âmbito interno, como mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios apropriados. (CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, 1969)

A Convenção Americana criou dois órgãos de proteção aos direitos humanos, que é integrado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos e Corte Interamericana de Direitos Humanos. (PIOVESAN, 2006).

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi criado em 1964, com sua sede na cidade de Washington, determinando o respeito aos direitos humanos, recebendo denúncias sobre violações dos mesmos quando não há mais soluções adequadas no âmbito interno, funcionando como um órgão integrado a OEA (Organização dos Estados Americanos). Tem sua composição formada por sete membros eleitos pelo Conselho do OEA. (LUIZ SILVA, 2005).

Quanto a Corte Interamericana de Direitos humanos, tem sua sede em San José da Costa Rica, sua composição é formada por sete juízes nacionais dos Estados que fazem parte da OEA, e eleitos pelos Estados partes da Convenção. (PIOVESAN, 2006).

No que se refere ao seu funcionamento, Casado Filho explica:

A Corte tem uma competência judicante e uma competência consultiva . No exercício de sua jurisdição , a Corte tem competência para conhecer de qualquer caso relativo à interpretação e à aplica ção das disposições da Convenção Americana sobre D ireitos Humanos , desde que os Estados - partes, no caso , tenham reconhecido a sua competência . Somente a Comissão Interame ricana e os Estados -partes da Convenção Americana sobre Direitos Humanos podem submeter um caso à decisão da Corte . (CASADO FILHO, 2012, p.71).

O Brasil promulgou a Convenção Americana em nosso ordenamento jurídico no dia 6 de novembro de 1992, pelo Decreto n. 678, e promulgou a declaração de reconhecimento da Competência Obrigatória da Corte Interamericana de Direitos Humanos no dia 8 de novembro de 2002, pelo Decreto n. 4.463. (BRASIL, 1992, 2002).

Como analisa Casado Filho (2002), esse reconhecimento que o Brasil obteve da Competência Obrigatória da Corte Interamericana, foi sob reserva de reciprocidade, ou seja, a outra parte do processo que o país brasileiro possa levar a Corte Interamericana deve também fazer parte dessa jurisdição.

3.3.2.2 Sistema Europeu

A Convenção Européia para a Proteção dos direitos humanos e das Liberdades Fundamentais foi criada no ano de 1949, elaborada pelo Conselho da Europa com objetivo de unir a Europa, dar proteção aos direitos humanos e fazer crescer a estrutura social e econômica da Europa. (COMPARATO, 2008).

No entanto, como analisa Fábio Konder Comparato (2008), em 1961 foi criada a Carta Social Européia, que adotou os direitos sociais, econômicos e sociais que não estavam presentes na Convenção Européia, mas só entrou em vigor em 1965.

A Convenção Européia determina vários direitos e liberdades, dentre eles o direito à vida, à liberdade e segurança, direito a um julgamento justo, proibição da escravidão e trabalho forçado, dentre outros. (PIOVESAN, 2006).

Sobre a Convenção Européia, Flávia Piovesan sintetiza:

Ressalte-se que, dos sistemas regionais, é o europeu o que traduz a mais extraordinária experiência de justicialização de direitos humanos, por meio da atuação da Corte Europeia. Isso é, o sistema europeu não apenas elenca um catálogo de direitos, mas institui um sistema inédito que permite a proteção judicial dos direitos e liberdades nele previstos. (PIOVESAN, 2006, p.64).

Essa proteção judicial diz respeito a Corte Européia de Direitos Humanos, onde tem sua sede em Estrasburgo, e apresenta a finalidade de atender as vítimas de direitos humanos, podendo propor ações contra os estados que fazem parte do Conselho Europeu que foi o titular da violação. (ACCIOLY; SILVA; CASELLA, 2009). 3.3.2.3 Sistema Africano

A Carta Africana de Direitos do Homem e dos Povos foi adotada em Nairobi em 1981 pela OUA (Organização da Unidade Africana), e teve sua estrutura formada como um tratado. (LUIZ SILVA, 2005).

Suas principais características destacam-se no princípio da não- discriminação, determinando os direitos dos povos e dos valores africanos, cria deveres na comunidade, no Estado e na família, entre outros elementos inseridos em sua ementa. (LUIZ SILVA, 2005).

Em 1998 foi criado o Protocolo Adicional da Carta Africana determinando a criação da primeira Corte Africana de direitos humanos, mas entrou em vigor apenas em 2004. (ACCIOLY; SILVA; CASELLA, 2009).

A Corte Africana trabalha para buscar uma solução amigável entre a vítima da violação dos direitos humanos e o Estado, que pode ser de forma de pagamento de compensação e reparação, e também será função da Corte Africana adotar medidas amistosas para evitar tais violações dos direitos humanos. (PIOVESAN, 2006).

Note-se assim, que cada sistema possui a sua forma de proteção aos direitos humanos, estruturando mecanismos para evitar e punir a violação desses direitos.

Cabe ressaltar que a Ásia não possui um sistema regional de proteção dos direitos humanos, no entanto, alguns países do continente asiático adotam o sistema europeu de proteção dos mesmos. (DIREITOS HUMANOS NET).

4 AS POLÍTICAS DE COMBATE AO TRÁFICO INTERNACIONAL DE ÓRGÃOS HUMANOS

Para a devida análise das políticas públicas de combate ao Tráfico Internacional de órgãos no Brasil, União Europeia e Irã numa perspectiva dos direitos humanos, é primordial um estudo sobre a atuação do Tráfico de Órgãos no cenário mundial, abordando alguns aspectos essenciais sobre essa modalidade delitiva, as pessoas mais afetadas a esse crime, e como esse delito tem seu funcionamento dentro do crime organizado transnacional como uma espécie de Tráfico Humano como foi explicado anteriormente.