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Prote¸c˜ ao contra terra-enrolamentos do estator

7.2 Tipos de esquemas de prote¸c˜ ao

7.2.3 Prote¸c˜ ao contra terra-enrolamentos do estator

Para limitar danos nos enrolamentos do gerador quando da ocorrˆencia de um curto- circuito fase-terra nos seus enrolamentos ´e comum aterrar o seu neutro, utilizando um desses m´etodos:

• por meio de um reator • por meio de um resistor

• por meio de um transformador monof´asico de distribui¸c˜ao

Qualquer um desses m´etodos, apresenta uma situa¸c˜ao intermedi´aria entre o neutro isolado e o neutro solidamente aterrado.

Por raz˜oes econˆomicas, o aterramento por meio de um transformador monof´asico de distribui¸c˜ao ´e o mais utilizado.

O m´etodo de aterramento utilizado no gerador afeta diretamente o desempenho dos esquemas com rel´es diferencial ou rel´e de terra, isto porque, quanto maior a impedˆancia de aterramento, menor ser´a a magnitude da corrente de curto-circuito fase-terra e mais dif´ıcil a sua detec¸c˜ao. Um esquema de prote¸c˜ao separado localizado no aterramento do gerador ´e, portanto, necess´ario. A aplica¸c˜ao de um esquema com rel´e de sobrecorrente ´e inadequado, pois a necessidade da utiliza¸c˜ao de baixo valor da corrente de pick-up torna muito dif´ıcil a discriminar a corrente de curto-circuito `a terra e as correntes de

7 PROTEC¸ ˜AO DE GERADORES S´INCRONOS 111 3a harmˆonica que fluem no neutro (estas correntes podem atingir valores de at´e 15% da corrente nominal).

A Figura 86 mostra um esquema de prote¸c˜ao adequado, utilizando o m´etodo de ater- ramento atrav´es de um transformador de distribui¸c˜ao e um resistor (Rn) e um rel´e de

sobretens˜ao s˜ao conectados no seu secund´ario.

n R

A

B

C Gerador Transformador elevador

Relé de sobretensão

Figura 86: Gerador aterrado atrav´es de um transformador de distribui¸c˜ao

O valor da resistˆencia do resistor Rn dever´a ser selecionado de tal forma que se en-

quadre dentro de dois limites. A fim de evitar sobretens˜oes transit´orias elevadas, devido ao fenˆomeno de ferro-ressonˆancia, a resistˆencia n˜ao dever´a ultrapassar a um determinado valor. Por outro lado, a fim de n˜ao diminuir demasiadamente a sensibilidade do rel´e de sobretens˜ao, a resistˆencia n˜ao dever´a ser inferior a um determinado limite.

A fim de se evitar as sobretens˜oes transit´orias mencionadas anteriormente, o resistor dever´a ser dimensionado de tal forma que, durante um curto-circuito `a terra no terminal do gerador a potˆencia dissipada no resistor, em kW, seja igual a potˆencia reativa, em kVAr, na capacitancia de zequˆencia zero por fase do sistema compreendido entre o gerador e o prim´ario do transformador elevador inclusive, isto ´e, capacitˆancias dos enrolamentos do estator, capacitores para prote¸c˜ao contra surtos de tens˜ao ou p´ara-raios, se usados, cabos e enrolamentos prim´ario do transformador de potˆencia.

A seguir ´e dada a sequˆencia de c´alculos para a determina¸c˜ao de Rn:

A corrente de sequˆencia zero ´e calculada por

Ioc0 = Vf 2πf C =

Vf

Xc

(162) A corrente capacitiva de curto-circuito ser´a

Ioc= 3I 0 oc= 3 Vf Xc (163) A potˆencia capacitiva para a terra ser´a

7 PROTEC¸ ˜AO DE GERADORES S´INCRONOS 112

Pc = IocVf = 3

Vf2 Xc

(164) Considerando a tens˜ao prim´aria do transformador de aterramento (Vp) igual a tens˜ao

de fase do gerador (Vf), tem-se

Vf

Vs

= N (165)

A potˆencia dissipada no resistor Rn ser´a

Pr= IrVs= Ir Vf N (166) Considerando Pr = Pc: Ir Vf N = 3 Vf2 Xc (167) Portanto, Ir = 3 VfN Xc (168) O valor aproximado da resistˆencia do resistor Rn´e dado por:

Rn= Vs Ir = (Vf N)( 3Xc VfN ) (169) Rn= Xc 3N2 Ω (170)

A determina¸c˜ao da reatˆancia Xc esbarra em certas dificuldades pr´aticas, pois nem

sempre ´e f´acil obter-se os valores das capacitˆancias de sequˆencia zero, principalmente os dos enrolamentos do estator dos geradores s´ıncronos de polos salientes, j´a que variam de m´aquina para m´aquina e de fabricante para fabricante. Por esta raz˜ao e tamb´em para simplificar os c´alculos pode-se admitir que a corrente de curto-circuito fase-terra seja limitada em 15 Amp`eres, desprezando o efeito da reatˆancia Xc. Assim, esta corrente

pode ser calculada por:

Rn =

Vf

15N2 Ω (171)

Para evitar a circula¸c˜ao de corrente de magnetiza¸c˜ao muito elevada no transformador de aterramento, quando da ocorrˆencia de curto-circuito fase-terra, sugere-se que a tens˜ao prim´aria deste transformador seja pelo menos 1,5 vezes a tens˜ao nominal fase-neutro do gerador. A tens˜ao nominal secund´aria pode ser 120, 240 ou 480 V, dependendo da disponibilidade ou a tens˜ao nominal desejada no rel´e.

A potˆencia aparente nominal requerida para o transformador de aterramento depen- der´a se ele ir´a alimentar um rel´e de prote¸c˜ao ou um rel´e de alarme. Se o rel´e for meramente para soar um alarme, o transformador dever´a ter uma capacidade cont´ınua de pelo menos:

7 PROTEC¸ ˜AO DE GERADORES S´INCRONOS 113

Sn=

VfVs

N2Rn

kV A (172)

De maneira similar, a potˆencia dissipada no resistor deve ser de pelo menos

Pr =

Vf2 N2Rn

kW (173)

Se o transformador de aterramento for destinado para alimentar um rel´e de prote¸c˜ao para desligamentos de disjuntor principal e o disjuntor de campo, ent˜ao a sua potˆencia aparente ser´a:

Sn0 = Sn

k kV A (174)

sendo k um fator de sobrecarga, que varia conforme a Tabela 30:

Tempo Fator k 1 minuto 4,7 5 minutos 2,8 10 minutos 2,5 30 minutos 1,8 1 hora 1,6 2 horas 1,4

Tabela 30: Fator de sobrecarga ´

E usual utilizar a capacidade correspondente a 1 minuto de dura¸c˜ao da passagem da corrente. O resistor pode tamb´em ser selecionado na base de 10 segundos ou 1 minuto, mas por uma quest˜ao conservadora ´e prefer´ıvel a de 1 minuto. Entretanto, a escolha de um resistor que suporta a corrente em regime cont´ınuo n˜ao ´e um fator limitante, tanto no seu tamanho como no seu custo.

7.2.4 Prote¸c˜ao contra curto-circuito entre espiras dos enrolamentos do esta-

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