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Cacela V.R. Santo António Monte Gordo

N. º de fogos ocupados por regime Taxa de Ocupação

4.4. Protecção dos valores locais e regionais (FCD 3)

O património natural e cultural constitui uma das riquezas e recursos do Sotavento Algarvio, a proteger pelo seu valor intrínseco mas também enquanto factor de competitividade do turismo local e regional. Os valores locais e regionais considerados na presente secção incluem designadamente, a biodiversidade e os ecossistemas, o património arquitectónico, arqueológico e etnográfico e a paisagem.

4.4.1. Ecologia e biodiversidade

4.4.1.1. Introdução

No âmbito do Factor Crítico de Decisão “Protecção dos valores locais e regionais”, o Domínio de Análise “Ecologia e Biodiversidade” adquire justificada importância, desde logo tendo em conta que o Plano de Pormenor de Monte Gordo Poente (PPMGP) incide parcialmente sobre uma área classificada em termos de conservação da natureza: o Sítio de Importância Comunitária (SIC) “Ria Formosa/Castro Marim”, integrado na Rede Natura 2000, ao abrigo da Directiva Habitats (D.C. 92/43/CEE), e reconhecido como SIC pela Portaria n.º 829/2007, de 1 de Agosto. A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António (MNDLVRSA), que integra este Sítio, estende-se desde as imediações da área do PPMGP, para Oeste, ao longo de cerca de 2 Km.

A área de incidência do PPMGP situa-se ainda próximo de outras áreas classificadas, a saber:

• A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (RNSCMVRSA), criada pelo Decreto n.º 162/75, de 27 de Março (limites da Área Protegida publicados, como “rectificação”, no Diário da República, I, n.º 104, de 6 de Maio de 1975), cujo limite mais próximo se situa a cerca de 700 metros a Norte;

• A Zona de Protecção Especial “Sapais de Castro Marim” (PTZPE0018), integrada na Rede Natura 2000, classificada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro, ao abrigo da Directiva Aves (D.C.79/409/CEE), cujo limite mais próximo se situa a cerca de 900 m a Norte;

• O Parque Natural da Ria Formosa, criado pelo Decreto-Lei n.º 373/87, de 9 de Dezembro, cujo limite mais próximo se situa a cerca de 6 km a Oeste;

• A Zona de Protecção Especial “Ria Formosa” (PTZPE0017), integrada na Rede Natura 2000, classificada pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro, ao abrigo da Directiva Aves (D.C.79/409/CEE), cujo limite mais próximo se situa a cerca de 6 km a Oeste.

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A região enquadrante da área objecto do PPMGP apresenta assim, em termos gerais, uma importância conservacionista que decorre da presença de habitats naturais e de valores florísticos e faunísticos considerados relevantes à escala nacional e comunitária.

Não obstante a relevância ecológica e conservacionista da região enquadrante, incluindo de parte da sua envolvente próxima, a área do PPMGP insere-se na malha urbana de Monte Gordo, sendo parte de um continuum marcadamente humanizado. De facto, os cerca de 2,87 hectares correspondem, na maioria (7) dos 8 núcleos considerados na proposta urbanística, a terrenos expectantes ou já edificados, não apresentando qualquer relevância do ponto de vista ecológico e conservacionista. Neste contexto, apenas uma parte do núcleo localizado mais a Sul (F) não se apresenta totalmente artificializada, apesar de, mesmo neste caso, se observarem já formas artificializadas – nomeadamente, a presença de um parque de estacionamento com pavimento betuminoso (cf. figuras 2.2.1 e 2.3.1 – Anexo I).

Seguidamente, efectua-se uma caracterização da componente ecológica da área de incidência do PPMGP, com especial incidência no citado Núcleo F, caracterização essa que será estendida, ainda que de forma sucinta, às zonas envolventes à área do PPMGP com relevância ecológica e conservacionista.

4.4.1.2. Habitats

Com o intuito de sustentar uma avaliação dos potenciais efeitos do PPMGP neste domínio, efectua-se uma caracterização da situação de referência dos habitats em presença, incluindo a sua identificação e caracterização florística e faunística.

Um habitat define-se como uma porção de território com características bióticas e abióticas indicadas ao desenvolvimento de um ser vivo ou de uma comunidade biológica, porção de território esta que poderá apresentar um grau variável de humanização (Alves et al, 1998). Uma vez que a distribuição dos seres vivos, principalmente das plantas, é fortemente condicionada pelas características edáficas, geomorfológicas e climáticas do território, estabeleceu-se que as comunidades vegetais características constituem a base estrutural dos habitats e permitem o seu reconhecimento, uma vez que são indicadoras de determinadas condições físicas que condicionam o seu desenvolvimento (Alves et al, 1998).

A caracterização agora efectuada incide fundamentalmente sobre os diferentes macro-habitats da área de estudo, resultantes das distintas formas de ocupação do solo.

Sempre que adequado, far-se-á a correspondência entre estes macro-habitats e os habitats naturais e semi-naturais protegidos pela legislação nacional e comunitária, nomeadamente os integrados no Anexo I

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da Directiva Habitats (Directiva 92/42/CEE, transposta pelo Decreto-Lei n.º 140/99, com as modificações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 49/2005).

Metodologia

A cartografia dos habitats presentes na área de estudo seguiu a seguinte metodologia:

• Em ambiente SIG (ArcView 9.1), procedeu-se à fotointerpretação de ortofotomapas da área de estudo. O resultado deste processo de fotointerpretação foi uma delimitação preliminar dos habitats em presença;

• A delimitação preliminar foi posteriormente aferida e corrigida durante uma visita técnica à área de estudo, que decorreu durante o mês de Janeiro de 2008, tendo sido caracterizadas as diferentes unidades em presença.

Durante essa visita foi realizada uma inventariação sumária dos elementos florísticos e faunísticos em presença. Esta inventariação foi conjugada e complementada com a consulta de bibliografia especializada com incidência sobre a área de estudo, tendo este processo constituído a base da caracterização qualitativa agora efectuada.