9 O Sol e os cuidados a ter
9.4 Protetor solar
cosmético utilizado na prevenção dos malefícios associados à radiação solar (60). Estudos sugerem que o uso de protetor solar ajuda a prevenir lesões
associadas ao
fotoenvelhecimento e até alguns tipos de carcinoma da pele (56, 58). Os protetores solares podem ser classificados em orgânicos e inorgânicos em função dos
agentes utilizados na sua formulação. O protetor solar ideal é hipoalergénico, não comedogénico, não irritante, de largo espetro apresentando uma associação de agentes físicos e químicos e boa cosmeticidade (61). Um protetor solar de largo espetro é aquele que bloqueia tanto a radiação UVB como a UVA (62)
.
Estudos comprovam que nenhum protetor solar assegura uma proteção completa contra a radiação ultravioleta visto que nenhum consegue filtrar na totalidade a esta radiação. Portanto no rótulo do protetor solar não pode surgir a indicação de que o mesmo assegura 100% de proteção contra os riscos decorrentes da sobre-exposição à radiação UV (60). No rotulo do protetor solar deve estar indicado o fator de proteção solar.Fator de Proteção Solar (SPF): corresponde à relação entre a dose mínima de radiação UVB que causa eritema na pele protegida por um protetor solar e a dose mínima de radiação UVB que causa o eritema na mesma pele, quando desprotegida. Apesar do SPF ser referente à radiação UVB o protetor solar deve proteger também da radiação UVA (58, 61, 63).
Fator de proteção UVA: corresponde à relação entre a dose mínima de radiação UVA necessária para induzir um escurecimento persistente dos pigmentos na pele protegida por um protetor solar e a dose mínima de radiação UVA que é necessária para induzir este efeito na mesma pele, quando desprotegida (59, 61).
A eficácia do protetor solar deve ser indicada no rótulo de acordo a com a categoria em:
baixa (SPF 6 e 10), média (SPF 15, 20 e 25), elevada (SPF 30 e 50) e muito elevada
(SPF 50+) (60). O protetor solar pode atuar por absorção da radiação se apresentar filtros orgânicos/químicos ou então por reflexão da radiação caso contenha filtros
Figura 2: Mecanismo de ação dos filtros solares orgânicos
e inorgânicos. Adaptado de
http://www.petquimica.ufc.br/como-funcionam-os- protetores-solares/
inorgânicos/físicos (58, 61). Existe a possibilidade de incluir na mesma formulação filtros orgânicos e inorgânicos sob a forma de nanopartículas com o objetivo de aumentar o espetro de ação e diminuir a concentração de agentes orgânicos (60, 64).
A eficácia do protetor solar depende do filtro utilizado, da estabilidade da formulação e da combinação de filtros incluídos no produto, sendo que os mais eficazes serão os que garantem proteção face a ambos os tipos de radiação: UVA e UVB (64).
9.4.1 Filtros Solares Inorgânicos
Os filtros solares inorgânicos ou minerais são partículas que refletem ou difundem a radiação solar. Atuam num largo espetro radiação e por isso são eficazes na proteção de radiação UVA e UVB (61). Em Portugal os produtos cosméticos podem conter o óxido de zinco e o dióxido de titânio como filtros solares físicos (64). Tendo em conta que estes agentes se apresentam como partículas de tamanho elevado e não transparentes à luz visível, as formulações apresentam baixa cosmeticidade deixando uma película branca e opaca sobre a pele. Com o objetivo de melhorar a sua apresentação e promover a sua eficácia ao nível da proteção solar pode recorrer-se a nanopartículas (60, 64).
De um modo geral os filtros minerais são considerados mais seguros que os filtros orgânicos, dado que apresentam menor ação sensibilizante. Podem, à partida, ser utilizados por qualquer pessoa, incluindo crianças com menos de 3 anos, grávidas, idosos e indivíduos com pele sensível (64). No entanto são ainda necessários mais estudos para avaliar a sua fototoxicidade, visto que tanto o óxido de zinco como o dióxido de titânio são fotocatalisadores. Por este motivo levam à formação de radicais livres por exposição ao sol. Por sua vez os radicais livres interagem com as células e o DNA causando danos, tais como o cancro (65).
9.4.2 Filtros Solares Orgânicos
Os filtros solares orgânicos ou químicos são substâncias de origem sintética. Atuam por absorção da radiação UV em extensões variáveis, ou seja, diferentes moléculas absorvem radiação de diferentes comprimentos de onda. O seu espetro de ação poderá ser estreito ou alargado dependendo do agente (61). Existem diferentes grupos de filtros solares orgânicos tais como: benzofenonas, dibenzoilmetanos, salicilatos, cinamatos entre outros (64). Os filtros químicos encontram-se mais associados a casos de sensibilização visto que são absorvidos pela pele. Além disso não são inertes o que permite a obtenção de uma preparação com elevada cosmeticidade e invisível. De modo
a garantir um protetor solar com espetro alargado pode-se combinar diferentes moléculas (58, 64).
9.4.3 Seleção do Protetor Solar
No momento de recomendar um protetor solar ao utente da farmácia é importante considerar: a quem se destina (crianças, grávidas ou adultos) para selecionar os filtros solares mais adequados bem como o SPF. Podemos questionar o utente se tem preferência por alguma marca ou por alguma forma farmacêutica assegurando assim um atendimento personalizado. Os protetores solares estão disponíveis em diferentes formas farmacêuticas, tais como:
✓ Loções e cremes: preferíveis quando o produto vais ser aplicado numa área extensa.
✓ Sprays e brumas: fáceis de aplicar, secam rapidamente após aplicação e deixam uma sensação de frescura na pele. Por esse motivo são muito requisitados por desportistas
✓ Leites: fáceis de aplicar e não são gordurosos.
✓ Sticks: para proteção dos lábios e outras zonas mais sensíveis. ✓ Pós compactos: ideais para peles oleosas e sensíveis.
De um modo geral os protetores solares de largo espectro são mais procurados visto que conferem proteção contra a radiação UVA e UVB. Quanto ao SPF o aumento da proteção de um valor para o seguinte é negligenciável, especialmente na gama alta. Além disso, o aumento da proteção só é linear em caso de queimadura solar, ou seja, um produto com SPF 30 protege duas vezes mais das queimaduras solares do que um produto com SPF 15. Contudo, um produto com um SPF 15 absorve 93% da radiação UVB e um produto SPF 30 absorve 97% da radiação UVB. Ou seja, um individuo que utilize SPF 30 não está duas vezes mais protegido da radiação UVB do que aquele que utiliza SPF 15 (61, 66). A FDA (Food and Drug Administration) recomenda o uso de protetor solar com SPF de 15, no mínimo, pois este associado à utilização de roupas é o suficiente para proteger do cancro de pele (62).
No que diz respeito aos lactentes, crianças e grávidas recomenda-se o uso de filtros minerais, visto que não são absorvidos pela pele, associado a um SPF muito elevado diminuindo assim o risco associado à exposição à radiação solar (58, 67).