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4 RESULTADOS

4.6 Protocolo em TCC para Casais

Dois autores propuseram em suas teses de mestrado, protocolos de tratamento de Casais em TCC, Peçanha (2005) e Durães (2016). No protocolo de 16 sessões proposto por Peçanha (2005) o objetivo foi construir as etapas de um protocolo de tratamento para casais dentro da abordagem da TCC que pudesse ser validado futuramente para a população brasileira. Para elaboração do protocolo o autor buscou embasamento teórico de literatura

científica nacional e internacional. O piloto foi avaliado por cinco psicoterapeutas de casais atuantes dentro da abordagem cognitivo-comportamental. O protocolo piloto foi avaliado como atendendo aos preceitos tanto cognitivos quanto comportamentais em termos de terapia.

Protocolo de 16 sessões proposto por (PEÇANHA, 2005):

1ª. Sessão inicial de avaliação conjunta. Objetivos: Averiguação das principais dificuldades do relacionamento e os pontos positivos da relação do casal, explicação geral do modelo da TCC, fornecimento de folheto instrutivo sobre TCC com casais [anexo 2], acordo quanto a não ser permitido a ambos os cônjuges manter com o terapeuta qualquer tipo de informação que o outro não possa tomar conhecimentos após as sessões individuais, preenchimento individual da medida “Escala de Satisfação Conjugal” e do questionário “Convicções ante a transformação”, propor como tarefa de casa para preencherem individualmente o inventário “Escala de Ajustamento Diático” e trazer preenchido na próxima sessão, feedback do casal sobre a sessão. O tempo da sessão será de 1 hora e trinta minutos.

2ª. Sessão individual com um dos membros do casal. A sessão individual dura 45 minutos, o cônjuge é questionado sobre temas que possam não ter sido abordados na sessão conjunta, o terapeuta e o cônjuge reveem os tópicos importantes assinalados nos questionários, pede-se o feedback. Algumas questões éticas precisam estar claras. As informações prestadas nas sessões individuais só podem ser reveladas com a autorização dos participantes, com exceção de casos específicos como violência física, quando o cônjuge abusado será encaminhado para instituições competentes.

3ª. Sessão individual com um dos membros do casal. A sessão segue o mesmo padrão da segunda sessão agora com o membro que veio depois.

A partir da quarta sessão todas demais sessões terão duração de 1 hora e trinta minutos.

4ª. Sessão. Elaboração da conceituação do caso apontando as áreas problemáticas e as características positivas da convivência do casal, apresentação do plano de tratamento, explicação sobre a importância do aumento dos comportamentos positivos e da expressão de afeto para a interação conjugal, solicita-se ao casal que exercitem na sessão um comportamento positivo específico e que expressem um carinho que agrade a ambos, recomenda-se aos membros do casal que evitem críticas e queixas improdutivas, propõe-se ao casal que os problemas mais complexos sejam, inicialmente sejam deixados para depois de adquirirem habilidades específicas ao longo do processo do tratamento, solicita-se como tarefa de casa que pratiquem comportamentos positivos, que expressem carinho e agradem um

ao outro diariamente, os cônjuges preencherão um formulário para monitorar a tarefa de casa, pede-se feedback do casal sobre a sessão.

5ª. Sessão. O terapeuta e o casal reveem as tarefas de casa juntos, o terapeuta e os cônjuges estabelecem um agenda para a sessão, os membros do casal são ensinados a identificar emoções em uma situação específica da relação, o terapeuta irá fornecer ao casal um lista de “Estados de Humor”, os cônjuges são ensinados e identificar pensamentos automáticos em si mesmos e em situações específicas, associadas à alteração do humor, o casal é ensinado a identificar comportamentos ligados às emoções e pensamentos em situações específicas, o terapeuta ensina o casal como preencher o Registro Diário de Pensamentos Disfuncionais, como tarefa de casa é solicitado ao casal que preencha individualmente as folhas de RPD quando houver mudança de humor durante a semana, pede- se feedback do casal sobre a sessão.

6ª. Sessão. O terapeuta e membros do casal reveem juntos as tarefas de casa, estabelecimento da agenda da sessão junto com o casal, os membros do casal são ensinados a identificar distorções cognitivas em seus pensamentos automáticos, utilizam-se como exemplos de distorções trechos de discursos do próprio casal, poderá também ser utilizado um pensamentos inadequado do casal apresentado no decorrer da própria sessão, é fornecida ao casal um lista das principais distorções cognitivas que estão presentes nas relações conturbadas, é solicitado como tarefa de casa que cada membro do casal rotule suas próprias distorções cognitivas que aparecerem nos seus pensamentos disfuncionais, pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

7ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem as tarefas de casa, o terapeuta e o casal estabelecem a agenda da sessão, os membros do casal são ensinados a encontrar evidências para os pensamentos automáticos com auxílio de um quadro de perguntas, o terapeuta psicoeduca o casal a buscar respostas alternativas ou racionais para os pensamentos disfuncionais preenchendo o RPD com auxílio de um quadro de perguntas (debate socrático), como tarefa de casa é solicitado aos membros do casal preencham o RPD sempre que houver mudança de humor durante a semana, pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

8ª. Sessão. O terapeuta e o casal reveem a tarefa de casa, estabelecem juntos a agenda da sessão, ensina-se ao casal habilidades necessárias para uma comunicação eficaz, serão utilizados exemplos de comunicação inadequada, trechos do próprio discurso do casal durante as sessões transcorridas, pode-se utilizar também como exemplo um diálogo do casal que tenha ocorrido durante essa sessão, é fornecido ao casal um folheto sobre “Regras de Etiqueta par ao Diálogo”, o terapeuta pede ao casal que pratiquem na sessão o papel de falante e

ouvinte, a partir de uma situação sem grande carga emotiva ligada ao relacionamento. Como tarefa de casa é solicitado que o casal pratique o diálogo, recomendando-se que elejam problemas simples do seu convívio para praticarem, pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

9ª. Sessão. Terapeuta e o casal reveem a tarefa de casa, estabelecem juntos a agenda da sessão, os membros do casal são ensinados a utilizar a técnica de resolução de problemas. Primeiramente o terapeuta irá fornecer como exemplo de resolução inadequada de problemas trechos do discurso do casal ao longo das sessões anteriores, será fornecido um folheto ilustrativo sobre regras para solução de problemas, o terapeuta irá praticar com o casal a solução de algum problema específico sem muita carga emocional, como tarefa de casa será solicitado ao casal que treinem a técnica de solução de problemas em uma das áreas de menor dificuldade, pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

10ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão, é solicitado aos membros do casal que pratiquem na sessão o uso das habilidades aprendidas para resolver problemas específicos agora com maior carga emocional trazidos no início ou no decorrer do tratamento, as situações podem ser sobre questões financeira, da maneira de educar os filhos, questões sexuais, entre outras coisas, de acordo com as demandas do casal. Como tarefa de casa pede-se que o casal pratique em casa as habilidades aprendidas para resolver problemas específicos com maior carga emocional que forma trazidos ao longo do tratamento, pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

11ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão, serão seguidos os mesmos pressupostos da sessão 10. Solicita-se o feedback do casal sobre a sessão. Pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

12ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão. Seguem-se os mesmos pressupostos das sessões 10, 11 e solicita-se o feedback do casal sobre a sessão.

13ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão. Seguem-se os mesmos pressupostos das sessões 10, 11 e 12, inclusive a tarefa de casa. Solicita-se o feedback do casal.

14ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão. Prossegue-se seguindo os mesmos pressupostos das sessões anteriores (10, 11, 12 e 13. Pede-se o feedback da sessão ao casal.

15ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão. Seguem-se os mesmos pressupostos das sessões 10 a 14, quanto ao treino de

resolução de problemas inclusive repetindo a tarefa de casa. Pede-se o feedback da sessão ao casal.

16ª. Sessão. Terapeuta e casal reveem a tarefa de casa e estabelecem juntos a agenda da sessão, nesta sessão o objetivo será avaliar com o casal através de perguntas os progressos que ocorrem ou não no tratamento e o casal é encorajado a prosseguir sozinho a partir dessa sessão. Espera-se que a partir dessa sessão em diante o casal utilize as técnicas aprendidas ao longo do tratamento sem a intervenção do terapeuta. Nesta sessão, trabalha-se a prevenção de recaídas e são reaplicados os questionários e inventários para saber qual foi o resultado do tratamento no relacionamento do casal. Pede-se o feedback do casal sobre a sessão.

Durães (2016) em sua dissertação de mestrado, investigou as distorções cognitivas de 16 casais, bem como, propôs uma intervenção ao longo de 12 sessões dentro da abordagem cognitivo-comportamental. De acordo com o autor a intervenção se mostrou eficaz corroborando a melhora dos níveis de satisfação conjugal. Segue abaixo os tópicos do protocolo proposto de 12 sessões propostos pelo autor:

1ª. Sessão. Rapport; Avaliação (conjunta)- Questionário sociodemográfico; Escala de Satisfação Conjugal, BDI; BAI.

2ª. Sessão. Avaliação (individual); DAS; QPA; EAD.

3ª. Sessão. Avaliação conjunta e plano de tratamento, IHSC, RBI.

4ª. Sessão. Psicoeducação – pensamentos automáticos, resposta comportamental, resposta fisiológica, estratégia compensatória de enfrentamento, regulação emocional. 5ª. Sessão. Role playing (dramatização).

6ª. Sessão. Treino em comunicação e habilidades sociais conjugais.

7ª. Sessão. Treino em comunicação, identificação de distorções cognitivas. 8ª. Sessão. Treino em resolução de problemas baseado em evidências. 9ª. Sessão. Treino em resolução de problemas, plano de ação.

10ª. Sessão. Reestruturação cognitiva, RPD. 11ª. Sessão. Prevenção de recaída.

12ª. Sessão. Feedback geral, preenchimento dos inventários, questionários e avaliação. Embora os protocolos apresentados por Peçanha (2005) e Durães (2016) para o tratamento de casais sejam diferentes seguem a mesma sequência, partindo da avaliação, psicoeducação, identificação dos e pensamentos automáticos e distorções cognitivas, aprendizagem quanto a reestruturação cognitiva, treino de comunicação e habilidades sociais, treino de resolução de problemas e prevenção de recaída.

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