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A partir da realização das visitas técnicas nas instituições citadas anteriormente, foi possível identificar procedimentos pontualmente distintos: lavagem prévia das amostras (ULg), número limitado de lavagens entre as etapas de ataque ácido (CENPES,

42 CPRM, ULg), utilização de peneiras para concentração de quitinozoários (CPRM), avaliação prévia do material em microscópio estereoscópico (CPRM) e utilização do vidro de relógio para concentração de resíduo orgânico no momento da montagem das lâminas (ULg).

A comparação entre estes protocolos, CENPES, CPRM e ULg, favoreceu a adequação da metodologia a ser utilizada no LabMicro/UnB para a preparação palinológica de rochas sedimentares do Paleozoico Inferior. Este protocolo, realizado em cerca de 20 dias, consiste em 13 etapas prévias à montagem de lâminas palinológicas, descritas a seguir:

1– Lavar as amostras provenientes de afloramento com água e escovinha para retirada de contaminação (vegetal recente). Deixar secar em estufa.

2– Britar a amostra até o tamanho de dois mm. Pesar 30 g. Transferir para Becker de 400 ml devidamente identificado com o número de tombamento MP.

3– Adicionar 100 ml de ácido clorídrico (HCl – 37%). Deixar por 12 horas, para remoção de carbonatos e bicarbonatos. Decantar, descartar o ácido e lavar três vezes com água.

4– Adicionar 100 ml de ácido fluorídrico (HF – 40%) para remoção de silicatos e deixar por 24 horas, mexendo de vez em quando. Decantar e descartar o ácido. Transferir apenas a fração fina para outro Becker por meio de bateamento manual e com auxílio de pisseta com água. Descartar a fração que não reagiu.

5– Lavar três vezes com água por decantação natural.

6– Adicionar HCl (37%) até dobrar o volume inicial. Deixar por 2 horas. Decantar, descartar o ácido e lavar com água quente. Caso a fração mineral seja abundante realizar a etapa a quente em chapa aquecedora. Deixar a amostra em ebulição por 5 minutos. Descartar o ácido e lavar três vezes.

7– Avaliar a quantidade de fração mineral em placa de Petri e microscópio estereoscópico. Filtrar o resíduo em peneira de 106 µm para retirar a fração mineral remanescente e corrigir o pH. Caso a amostra contenha quitinozoários, lavar cuidadosamente em peneira de 63 µm. Identificar tubos de centrífuga e guardar os espécimes recuperados. A fração remanescente contendo o extrato orgânico neutro deve ser acondicionada em tubo de centrífuga de 50 ml.

8– Decantar a fração menor. Descartar o excesso de água. Centrifugar por 15 minutos a 2600 rpm. Descartar o máximo possível de água.

43 9– Preparar a solução de cloreto de zinco: pesar 1 kg de cloreto e medir 326 ml de água. Colocar parte de cloreto num Becker e parte da água. Dissolver com auxílio de agitador magnético ou de um bastão. Adicionar o restante de cloreto e da água até a dissolução completa do cloreto. Utilizar um densímetro para aferir a densidade que deve ser de 1,9 a 2,0 gr/cm3. Guardar a solução em vidro âmbar com tampa.

10– Adicionar cloreto de zinco até triplicar o volume inicial da amostra. Agitar. Aguardar a separação por 24 h ou centrifugar por 5 minutos a 2600 rpm. Montar as peneiras com o tamis de polipropileno de 10 micra e os suportes de acrílico. Transferir o extrato orgânico com auxílio de pipeta descartável para o tamis de polipropileno. Lavar com água e de três a cinco gotas de HCl (1:1) caso haja formação de Zn (OH)2, um composto branco gelatinoso resultante do contato entre a água e o cloreto de zinco.

11– Lavar o extrato orgânico no tamis de 10 micra para corrigir o pH. Transferir o extrato neutro com auxílio de pisseta com água para tubos de centrífuga (50 ml) devidamente identificados com os números de tombamento (MP).

12– Lavar o tamis de polipropileno em ultrassom,

13– Recolher os resíduos de HCl e HF em baldes separados. Neutralizar o resíduo de HCl com carbonato de cálcio e o resíduo de HF com óxido de cálcio. Decantar. Descartar o sobrenadante e deixar secar. O resíduo sólido pode ser utilizado como adubo. A montagem de lâminas é realizada em chapa aquecedora em temperatura entre 50 e 60°C de acordo com dois procedimentos a seguir:

1– Colocar a lamínula sobre a chapa aquecedora. Adicionar cinco gotas de água e três gotas do extrato orgânico na lamínula com um micropipetador. Aguardar a secagem completa do material.

2– Identificar as lâminas. Adicionar de duas a três gotas de resina Entellan na lâmina e colar a lamínula seca.

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Figura 9. Protocolo de preparação palinológica LabMicro para intervalos do Paleozoico Inferior, Universidade de Brasília.

3.4.1. Discussão

A comparação entre os protocolos possibilitou aprimorar procedimentos com intuito de concentrar a matéria orgânica presente nas rochas sedimentares do Paleozoico Inferior. Os protocolos seguem basicamente as mesmas etapas: desmineralização,

45 concentração de matéria orgânica e montagem de lâminas, contudo, conforme citado anteriormente, alguns pontos distintos nos procedimentos das instituições citadas foram essenciais para o aprimoramento do protocolo do LabMicro/UnB. Os pontos de interesse do protocolo do CENPES referem–se à utilização do cloreto de zinco e a necessidade de utilizar tamis de composição resistente ao ácido clorídrico. O tamis de polipropileno utilizado neste trabalho foi doado pelo CENPES.

Quanto ao protocolo da CPRM, a utilização das peneiras permite a recuperação de quitinozoários de maneira bastante eficiente. A visualização do extrato palinológico pré–finalização da preparação em placa de Petri permite uma análise preliminar dos palinomorfos. Entretanto, a triagem de palinomorfos com o palito requer habilidade e treino, demanda muito tempo e deve ser utilizada apenas com a finalidade de fotografar os espécimes selecionados para posterior análise em MEV.

Quanto aos pontos referentes ao protocolo da ULg a lavagem prévia das amostras de afloramento minimiza a probabilidade de contaminação com material recente. Adicionalmente, na ULg o protocolo inclui a lavagem do material em bateria de peneira em malhas de 60, 30 e 12 µm em bomba de vácuo. Esta separação em frações granulométricas do extrato palinológico permite a concentração mais efetiva da matéria orgânica particulada e a neutralização desse material em curto espaço de tempo. A partir de cada fração são preparadas uma ou mais lâminas. Para a análise de quitinozoários, esta divisão em frações permite a análise destes palinomorfos por amostra, visto que, a maioria dos espécimes fica concentrada na peneira de 60 µm. Isto permite a definição da quantidade de espécimes de quitinozoários por grama de rocha.

Em síntese, a incorporação dos procedimentos de lavagem prévia das amostras de afloramento, a observação do extrato palinológico em palca de Petri e a utilização de peneiras para separação de frações permitiu a realização de um protocolo de preparação palinológica satisfatório no LabMicro/UnB.