6. ANÁLISE DO AMBIENTE
6.1 Ambiente institucional
6.1.2 Protocolo sobre trocas comerciais da SADC
Um dos instrumentos que orientam o processo de integração regional é o Protocolo Comercial da SADC (PC-SADC), assinado em agosto de 1996 por 11 (Botswana, Lesoto, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Zâmbia, Tanzânia, e Zimbabwe) dos 14 Estados Membros da SADC, que entrou em vigor em 25 de janeiro de 2000, e está a ser implementado desde janeiro de 2001 pelos 11 países acima mencionados, com a finalidade de criação da Zona de Comércio Livre (ZCL) em 2008.
A implementação do protocolo da SACD implica: i) a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países, por meio, dentre outros, da eliminação dos direitos alfandegários e das restrições não tarifárias à circulação de mercadorias e de qualquer outra medida de efeito equivalente; ii) o estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial comum em relação a terceiros (Estados ou agrupamentos de Estados), bem como a coordenação de posições em foros econômico-comerciais regionais e internacionais; iii) a coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados- Membros – de comércio exterior, agrícola, industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais, de serviços, alfandegária, de transportes e comunicações e outras que se acordem – a fim de assegurar as condições adequadas de concorrência entre os Estados-Membros; e iv) o compromisso dos Estados-Membros de harmonizarem suas legislações nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração.
Nas relações com terceiros (países), os membros se comprometeram a assegurar condições equitativas de comércio. Para tal fim, seriam aplicadas suas legislações nacionais, a fim de inibir importações cujos preços estejam influenciados por subsídios, dumping ou qualquer outra prática desleal. Paralelamente, os Estados-Membros comprometeram-se a coordenar suas respectivas políticas nacionais com o objetivo de elaborar normas comuns sobre a concorrência comercial.
Em matéria de impostos, taxas e outros gravames internos, os membros da SADC comprometeram-se a dar aos produtos originários do território de um Estado-Membro o mesmo tratamento aplicável ao produto nacional. Qualquer vantagem, favor, franquia, imunidade ou privilégio que concedam a um produto originário de ou destinado a terceiros deveria ser automaticamente estendida aos demais Estados-Membros.
De acordo com o Protocolo (artigo 20), um Estado-Membro poderá aplicar uma medida de proteção sobre um determinado produto só se o referido Estado Membro tiver concluído que o mencionado produto está a ser importada em grandes quantidades, absolutas ou relativas quando comparadas com a produção local, e em tais condições que possam causar
ou ameaçar causar graves prejuízos à indústria local que produz bens similares ou bens diretamente competitivos. Porém, o Estado-Membro poderá aplicar medidas de proteção apenas durante um período de tempo necessário para prevenir ou remediar os prejuízos considerados graves e facilitar o processo de ajustamento. Em conformidade com o Artigo 7 do Acordo da OMC sobre as Medidas de Proteção, o período não deverá exceder um prazo máximo de quatro anos, salvo se as autoridades competentes do Estado-Membro importador tiverem decidido pela necessidade da continuidade das medidas de proteção para prevenir e remediar os graves prejuízos, e que existam evidências do processo de ajustamento da própria indústria.
Mesmo estando longe da implementação pretendida para a cadeia de batata reno, a SADC teve impactos fortes e imediatos na produção moçambicana. A batata-consumo da África do Sul apresenta maior potencial competitivo. As regiões sul e centro de Moçambique importam batata reno para o consumo local. Os fatores que condicionam os fluxos de importação de batata reno in natura, para consumo em Moçambique são: i) elevada tradição no consumo de tubérculos com polpa amarela e com alta qualidade visual ii) a região do Vale do Zambeze produz em maior quantidade a batata reno de polpa vermelha sem muita tradição de consumo nas zonas urbanas, iii) o tamanho do tubérculo nacional é geralmente pequeno, especialmente o do cultivo local. Em suma, a África do Sul domina o mercado regional de batata. Para a proteção dos produtores nacionais, o governo moçambicano estabeleceu uma taxa de 20% na importação de batata reno, cebola, repolho, tomate e alho da África do Sul, válida até 2015.
Em relação às medidas de proteção fitossanitária, o Protocolo da SADC estabelece que os Estados membros irão basear as suas medidas sanitárias e fitossanitárias nos padrões, normas técnicas e recomendações internacionais, assim como harmonizar as medidas sanitárias e fitossanitárias para a agricultura e a pecuária. O movimento livre de bens na região não impede as partes de tomarem medidas relacionadas com a conservação dos recursos naturais esgotáveis e dos ambientes bem como as medidas necessárias para garantir o cumprimento das obrigações nacionais existentes ao abrigo de acordos internacionais.
No caso da exportação de batata reno para o mercado do Malawi, ela é regulada pelo acordo sobre o comércio preferencial entre Moçambique e o Malawi e pelo protocolo da SADC. O acordo prevê o comercio livre entre os dois países, sem restrições nas importações e exportações. Entretanto, cada parte contratante pode aplicar uma medida de salvaguarda a um produto somente quando essa Parte Contratante tiver verificado que tal produto está a ser importado para o seu território em grandes quantidades absolutas ou relativas, quando
comparadas à produção doméstica, e em tais condições que causem ou ameaçem causar graves prejuízos à indústria doméstica que fabrica produtos semelhantes ou diretamente competitivos (artigo xii). Para o Malawi, a importação é benéfica, pois alimenta a indústria e o consumo in natura. Para Moçambique, deveria haver medidas para limitar as exportações, visto que são exportadas quantidades que influenciam o consumo nacional.