3.3 Exercícios resistidos
2.3.9 Protocolos de Exercícios Resistidos em idosos
Existe uma grande dificuldade em se montar um protocolo padronizado, para aplicação de um programa de exercício resistido nos idosos.45
Esse paradigma se dá por inúmeros motivos, como: os números reduzidos de artigos que formulem um protocolo, ou que compreendam esse assunto; as necessidades individuais dos idosos; as doenças de base de cada idoso, que por não serem as mesmas em toda a população, muitas vezes o exercício necessita inicialmente atender às alterações causadas pela doença base, antes de pensar num programa que inclua o idoso de forma global.7,31
4 RESULTADOS
Na literatura foram encontrados seis tipos de protocolos assim descriminados:
a) Protocolo para Membros Superiores (MMSS):
Silva e colaboradores45 apresentaram um protocolo de exercícios resistidos para MMSS, com o intuito de comparar o número máximo de repetições para uma dada carga e a percepção subjetiva de esforço, em mulheres jovens e idosas, após séries múltiplas de exercícios para membros superiores organizados em ordem inversa.
Os exercícios realizados foram Supino Horizontal (SH), Desenvolvimento em pé (DP), e Tríceps no Pulley (TP). Para chegar ao objetivo os autores dividiram dois grupos, onde cada um realizou os mesmos exercícios, porém em ordem diferente. Sendo assim, um grupo realizou a sequência A (SEQA) na ordem SH, DP e TP; e outro grupo realizou a sequência B (SEQB) na ordem TP, DP e SH.
b) Protocolo para MMII
O estudo de Schlichte colaboradores46 traz um protocolo de exercícios resistidos para os MMII, e tem como objetivo, examinar o efeito do treinamento de força intensa na parte inferior do corpo, além de outros modos de treinamento físico. A avaliação dos benefícios foi realizada por meio de três testes funcionais relacionados com o risco de queda.
O protocolo apresentado neste estudo abrange os exercíos: Leg extension; Inner thigh
press; Outer thigh press; Glute press; Leg press; Ankle press.
c) Protocolo para MMSS, MMII e tronco
Limae colaboradores47 avaliaram e compararam os ganhos de força muscular obtidos com o treinamento de força em idosas, por meio dos instrumentos de avaliação conhecidos como 1-RM e avaliação isocinética. Para concretizar o estudo, os autores forneceram um protocolo de treinamento de força composto por: supino sentado, cadeira extensora, puxada
latpulldown, cadeira flexora, abdução de ombros com halteres, abdução de quadril e leg press
Adicionalmente, foram prescritos e realizados exercícios para fortalecimento dos músculos abdominais e eretores da espinha, bem como flexão plantar na posição em pé. Cada sessão foi precedida de cinco minutos de aquecimento e seguida de dez minutos de resfriamento.
d) Protocolo de Exercício resistido associado à suplementação
Já Candow e colaboradores48 tiveram como objetivo, determinar se a baixa dose de creatina e a suplementação proteica durante o treinamento de resistência, em homens mais velhos, são eficazes para melhorar a força e massa muscular, sem produzir metabólitos potencialmente citotóxicos.
O protocolo apresentado neste estudo abrange os exercícios como supino, leg press, puxada pela frente, extensão de perna, showder pres, flexão do joelho, rosca bíceps, panturrilha e tríceps. Este protocolo foi realizado após o aquecimento em uma bicicleta estacionaria por cinco a dez minutos e alongamentos leves, e foi associado à suplementação com dose de creatina de 0,1 g.kg-1 e dose de proteína com 0,3 g.kg-1.
Os participantes foram divididos em três grupos, sendo que o exercício resistido foi realizado nos três grupos. Sendo assim, um grupo recebeu doses de creatina e proteína (CP), outro recebeu apenas doses de creatina (C) e o terceiro realizou somente o exercício resistido, recebendo doses de placebo (PLA).
Cada sessão de treinamento resistido foi procedida de três séries de dez repetições com descanso de dois minutos entre elas, com intensidade de 70% de 1-RM, sendo que antes de cada treino foi utilizado a suplementação.
e) Protocolo de Exercício resistido associado ao exercício aeróbico
Roma e colaboradores49 compararam os efeitos do treinamento resistido e aeróbica frente aptidão física e funcionalidade do idoso. Para concretizar o estudo, os autores fornecem um protocolo de treinamento para exercício resistido, contendo os seguintes exercícios: chest
press, remada, leg press, panturrilhas, abdominais e lombares. Para exercícios aeróbicos foi
realizada apenas uma caminhada.
Foi realizado durante 12 meses. Os treinos de exercícios resistidos duraram uma hora e foram realizados duas vezes por semana, sendo realizados em aparelhos com sistema de alavanca, pesos, cabos e roldanas, a carga foi aumentada progressivamente em series de 12,
10 e 8 repetições. Já os treinos aeróbicos duraram 30 minutos e foram realizados duas vezes por semana, sendo controlado a frequência cardíaca (FC) em torno de 60% da FC máxima, aferida a cada cinco minutos.
f) Protocolo de Exercício resistido associado a outras modalidades de exercícios
Alfieri e colaboradores50 analisaram o uso de testes clínicos e de medidas indiretas para verificar as alterações sobre o controle postural em idosos submetidos a programas de exercícios multissensoriais. Para concretizar o estudo, os autores fornecem um protocolo de treinamento multissensoriais, composto por períodos de aquecimento, flexibilidade, exercícios ativos livres, equilíbrio e relaxamento. Com frequência de duas sessões semanais de aproximadamente uma hora de atividades, durante 12 semanas.
O programa de exercícios de fortalecimento muscular foi realizado utilizando pesos em seis aparelhos: Press Peitoral, Remada, Leg Press, Panturrilha, Abdominal, Extensão Lombar, com resistência variável em sistema de alavancas, tais aparelhos trabalham os principais grupos musculares. Foram realizadas três séries: a primeira com doze repetições, a segunda com dez e a terceira com oito. O aumento da carga ocorreu de acordo com a resposta individual de cada participante, porém este aumento foi de forma lenta e gradual, a fim de evitar eventuais riscos.
Foram encontrados seis artigos com protocolos fisioterapêuticos detalhados.
Na figura 7 podem-se observar os dois artigos internacionais inclusos neste estudo e na figura 8 encontram-se os quatro artigos nacionais.
Figura 7: Protocolos de estudos internacionais de exercícios resistidos.
ARTIGO ANO PAÍS OBJETIVOS PROTOCOLO DURAÇÃO
Effect of Intense Strength Training
on Standing Balance, Walking Speed, and Sit-to- Stand Performance in Older Adults 2001 EUA Examinar o efeito do treinamento de força, além de outros treinamentos físicos funcionais. Exercícios de fortalecimento perna, tornozelo, glúteos e outros 3 X na semana, por 8 semanas. Low-Dose Creatine Combined with Protein during Resistance Training in Older Men 2015 Canadá Determinar a efeitos da creatina em marcadores de proteína miofibrilar degradação e reabsorção óssea em indivíduos mais velhos. SUPLEMENTAÇÃO A dose de creatina de 0,1 g.kg-1 Treinamento resisitido: aquecido em uma bicicleta estacionária, alongamentos leves. Os exercícios resistidos supino, leg press,puxada perna, e extensão,ombro, perna,rosca panturrilha 3 X 10 repetições com descanso de 2 min. Suplementaçã o antes de cada sessão de treinamento
Figura 8: Protocolos de estudos nacionais de exercícios resistidos.
ARTIGO ANO OBJETIVOS PROTOCOLO DURAÇÃO
Influência da ordem dos Exercícios Sobre o número de Repetições e Percepção Subjetiva do Esforço em Mulheres Jovens e idosas 2009 Comparar o número máximo de repetições para uma
dada carga e a percepção subjetiva de esforço, em mulheres jovens e idosas. Supino Horizontal Desenvolvimento em pé , e Tríceps no Pulley . 3 séries de cada exercício eram realizadas com cargas
de 10RM até a falha concêntrica. Uso de testes clínicos para verificação do controle postural em idosos saudáveis submetidos a programas de exercícios físicos 2010 Analisar o uso de testes clínicos e de medidas indiretas para verificar as alterações sobre o controle postural de idosos saudáveis submetidos a programas de exercícios físicos. exercícios multissensoriais aquecimento e flexibilidade; exercícios e dissociação de cinturas, exercícios ativos de fortalecimento. 2 de duas sessões semanais, de aproximadamente 1 hora de atividades, ambos durante 12 semanas. Efeitos do treinamento resistido sobre a força muscular de idosas: uma comparação entre métodos 2012 comparar os ganhos de força obtidos com
o TF em idosas avaliadas isoinercialmente (1RM) com aquelas
avaliadas por meio da avaliação
isocinética.
supino sentado, cadeira extensora, puxada (latpulldown), cadeira
flexora, abdução de quadril e leg press sentado. Exercícios para fortalecimento dos músculos abdominais e eretores da espinha, flexão plantar. 6 meses, realizado 3 vezes na semana Os exercícios foram realizados em 3 séries de 8 a 12 repetições, 1min de descanso entre
séries e entre exercícios. Efeitos das atividades físicas resistida e aeróbia em idosos em relação à aptidão física e à funcionalidade: ensaio clínico prospectivo 2013 Comparar os efeitos sobre aptidão física (força muscular, equilíbrio e flexibilidade) e funcionalidade de idosos GR: Exercícios realizados: chest press,
remada, leg press, panturrilhas, abdominais e lombares. GA: A atividade aeróbia foi realizada
em uma pista de caminhada. GR: 12 meses, treinos de 1 hora, 2x semana. Em cada exercício, as cargas foram aumentadas progressivamente em séries de 12, 10 e 8 repetições. GA: 12 meses, treinos
com duração de 30 minutos, 2x semana.
5 DISCUSSÃO
A Sarcopenia é um processo caracterizado pela diminuição de massa e força muscular, onde ocorre a substituição do tecido muscular por tecido gorduroso comprometendo a qualidade de vida da pessoa idosa. Para Silva e colaboradores1, a sarcopenia necessita ser detectada precocemente, pois contribui para a definição da síndrome de fragilidade, morbidade altamente prevalente entre os idosos, além de acarretar inúmeras comorbidades.
Alguns autores, afirmam que a sarcopenia é um dos componentes do envelhecimento e só passa a ser considerada uma doença, quando associada à alguma limitação funcional.19-21 Atualmente é preconizado que seja identificada, mesmo que dentro dos parâmetros ainda fisiológicos, para evitar prejuízos funcionais, pois são estes os responsáveis pela diminuição da capacidade funcional e autonomia dos idosos.18,24
A incapacidade funcional dos idosos é resultante de um envelhecimento musculoesquelético inadequado, no qual culminam características da sarcopenia como: quedas que podem ocasionar fraturas, ou muitas vezes fraturas que levam à queda; incapacidade, dependência, hospitalização recorrente ou a institucionalização e por fim a morte.25 De forma simplificada, a sarcopenia torna o idoso mais vulnerável aos próprios eventos fisiológicos do envelhecimento.
Como já citado, os grandes grupos musculares dos MMII são os primeiros a sofrer com o início da sarcopenia.19,24 Esse fato tem grande impacto na manutenção da capacidade funcional do idoso, pois a maior parte de suas AVD’S necessita da integridade das estruturas musculares dos MMII como exemplo, a marcha, função limitada nos idosos sarcopênicos, bem como o ortostatismo, equilíbrio e transferências.22,49
É sabido que as atividades que envolvem os MMSS são prejudicadas, diante disso, o idoso deixa de realizar funções básicas como comer, cuidados com higiene pessoal, atividades relacionadas a casa, cozinha, e muitas vezes, deixa de lado atividades como artesanato ou atividades de movimentos mais finos, que podem ser uma fonte de renda para sua família.29 Isso mostra o amplo contexto onde a sarcopenia se insere, que altera não somente a condição de saúde de um idoso, mas, gera desestruturação de todo o seu ambiente familiar.
A importância de tratar a sarcopenia se dá em intervir nos eventos posteriores, de modo a evitar os impactos na funcionalidade do idoso e na qualidade de vida. Manter as suas funções preservadas é uma forma de assegurar um envelhecimento mais saudável, independente e confortável para o idoso.
Diante disso, por apresentar um caráter reversível, a sarcopenia precisa ser tratada, pois, por meio da reabilitação do desempenho musculoesquelético do idoso, é possível restaurar sua capacidade funcional e seu nível de aptidão física.
Por se tratar de um fenômeno complexo, e envolver diversos fatores causais, o tratamento para a sarcopenia não é único, ou seja, não existe uma terapêutica específica. O que existe é a interferência nos fatores que a desenvolvem. Sendo assim, as principais opções são os programas de exercícios físicos, a suplementação nutricional e hormonal.46-50
A literatura nacional e internacional tem mostrado a importância da terapêutica da aplicação de exercícios físicos como forma de intervenção na sarcopenia, seja na forma de prevenção ou de tratamento, entretanto, ratifica-se que não existe até o momento na literatura, uma afirmação categórica de qual é a melhor atividade recomendada.51 Existe somente a comprovação da importância da prática de atividades, independente de qual seja, para prevenir e/ou retardar as mudanças que acompanham o processo fisiológico de envelhecimento.24,28;44-52
De todas as modalidades de exercícios físicos, os estudos mais recentes mostram que o exercício resistido, é o que melhores resultados promove tanto a nível da prevenção quanto de reabilitação da sarcopenia, por intervir diretamente na reversão ou interrupção da doença. Fato este que ocorre porque o exercício resistido promove adaptações morfológicas, como aumento da massa e força muscular, assim como redução da gordura corporal, que são os principais sinais da doença.51
Deste modo, como resultado do levantamento de protocolos realizado, foi evidenciado seis tipos de protocolo para treinamento resistido em idosos.
Silva e colaboradores45 promoveram um protocolo para MMSS, com objetivo de comparar o número máximo de repetições para uma dada carga e percepção subjetiva de esforço em jovens e idosas. Para isso, foram realizados séries de exercícios para os MMSS. No protocolo contava de exercícios SH (peitoral maior e menor, tríceps braquial); DP (tríceps braquial, deltóide fibras médias); e TP (tríceps braquial).
Os autores utilizaram duas sequências para aplicar o protocolo: A sequência A (SEQA): SH, DP e TP; e a sequência B (SEQB): TP, DP e SH. Os autores constataram que o número de repetições permaneceu estável na SEQA para o grupo de idosas, com declínio significativo na sequência iniciada pelo menor grupo muscular (SEQB). Não houve diferenças para a percepção de esforço ao final das sequências no grupo de jovens, mas no grupo de idosas tendeu a ser maior para a SEQB em comparação com a SEQA.45
Ao confrontar os dados do protocolo com a fisiologia e biomecânica, é possível perceber que a ordem dos exercícios, nos idosos, causa importantes impactos no desenvolvimento do exercício. Esses impactos são verificados tanto no esforço quanto no desempenho. Quando se finaliza o programa com exercícios que envolvam os maiores grupos musculares, o desempenho acaba prejudicado, ao final do programa, ou seja, as repetições diminuem, e o esforço, juntamente com a fadiga, se eleva.
Como a SEQB começa apenas com o trabalho de tríceps braquial, evolui para trabalho de tríceps braquial com deltóide, e finaliza com tríceps braquial e peitorais, o nível de fadiga da musculatura extensora do cotovelo é maior, e o esforço também se eleva, pois utiliza-se de exercícios compostos, ou seja, que não utilizam uma musculatura isolada.
A tendência de aumentar a percepção subjetiva do esforço, na SEQB, vai ao encontro do comportamento do número de repetições, que diminuiu significativamente do exercício TP para SH. Segundo Roubenoff e colaboradores21 este fato está relacionado com a sarcopenia fisiológica dos indivíduos que envelhecem. Com a diminuição da massa muscular, os pequenos grupos musculares apresentam uma tendência de entrar mais facilmente em fadiga, fato este que compromete o rendimento dos exercícios que os utilizam como musculatura acessória.
Assim, diante dos resultados apresentados, é possível refletir que, ao se pensar na prescrição de um protocolo para MMSS para idosos, a ordem dos exercícios torna-se uma variável importante a ser considerada, pois determina a performance muscular durante o treinamento. Deste modo, considera-se mais produtivo, um treinamento que se inicie com os maiores grupos musculares, e que envolva exercícios para grupos musculares isolados, ou seja, que não repita um músculo já trabalhado, de forma acessória, para que o seu nível de fadiga, durante a realização da sua contração inicial, não interfira na sua participação na contração muscular acessória, de forma a evitar diminuição do número de repetições, aumento do nível de percepção subjetiva do esforço, ou aumento da fadiga.
Já Schlicht e colaboradores46 recomendaram um protocolo para MMII, no qual se examinou o efeito do treinamento de força intensa nos MMII, além de outros modos de treinamento físico. Os autores utilizaram três testes funcionais relacionados com o risco de queda: velocidade máxima ao andar; sentar e levantar; e equilíbrio em pé com os olhos fechados.
O protocolo inclui os exercícios: Leg extension (quadríceps); Inner thigh press (adutores magno, curto e longo, grácil e pectíneo); Outer thigh press (sartório, tensor da fáscia
lata, glúteos médio e mínimo); Glute press (glúteo máximo, isquiotibiais); Leg press (glúteo máximo, quadríceps e isquiotibiais); Ankle press (gastrocnêmios, sóleo, tibial posterior).46
Após a aplicação do protocolo de exercícios resistidos por 12 semanas, constatou-se que os idosos participantes do estudo apresentaram um aumento da força muscular dos MMII de 20 a 48%, sem nenhuma intercorrência de lesões musculoesqueléticas.46 Esse achado comprova que o exercício resistido apresenta impactos positivos no ganho de força, assim como, é uma atividade segura e eficaz para os indivíduos mais velhos.
Ainda, Schlicht e colaboradores46 concluíram que o grupo de treinamento resistido apresentou aumento de 17% na velocidade na marcha. O que permite inferir que quando se fortalece os grandes grupos musculares dos MMII, a marcha como um todo sofre impactos positivos. De acordo com o foco dado pelos autores, aos grupos musculares citados, observa- se que a maior parte dos exercícios foram voltadas para musculatura extensora, ou seja, a musculatura capaz de sustentar o membro na fase de apoio. Diante de uma maior estabilidade em fase de apoio, a fase de balanço também se ajusta, o que gera repercussões na melhora da qualidade da marcha, ou seja, sustentação, amplitude e velocidade dos passos, além de coordenação.
Os efeitos do treinamento sobre o teste de levantar e sentar foi a redução no tempo para completar os cinco ciclos de sentar-se e levantar-se da cadeira, para ambos os grupos. O grupo que realizou o exercício resistido obteve uma diminuição de 15% do tempo para completar o teste, e o grupo controle obteve uma redução de 13% do tempo.46
Diante do fortalecimento dos MMII, a função de sentar-se e levantar-se da cadeira sofre alterações benéficas. Essa função é extremamente necessária para o dia-a-dia, e está presente desde as transferências, até aos cuidados pessoais e atividades mais avançadas. Além de ser um importante marcador da capacidade funcional do indivíduo, é uma atividade que necessita de muito controle motor para a realização de seus movimentos. O controle motor nesta tarefa é necessário para a adequada ativação concêntrica da musculatura extensora para estender o quadril, joelho e tornozelo para alcançar a postura em pé e manter-se nela, assim como, é necessário à devida ativação da mesma musculatura, porém de forma excêntrica, para que torne possível à volta para a postura mais baixa, por meio da flexão do quadril, joelho e tornozelo.
Já os efeitos do treinamento sobre o teste de equilíbrio em pé com olhos fechados, não foram tão claros como os observados nos outros dois testes, pois os resultados variaram de indivíduo para indivíduo. Sendo assim, os autores chegaram a conclusão de que o treinamento de força não melhora o equilíbrio em ortostatismo.46 Esse achado, contradiz o estudo de
Albinoe colaboradores39, que verificou a influência do treinamento de força muscular e de flexibilidade articular sobre o equilíbrio corporal em idosas. Uma vez que os autores concluíram que o treinamento de força muscular e flexibilidade, produziram melhoras no equilíbrio corporal dos idosos.39,42
A diferença entre os achados de um estudo para o outro, podem ser justificados pelo uso de diferentes ferramentas de avaliação, pois Schlicht e colaboradores46 utilizaram o teste de equilíbrio em pé com olhos fechados, juntamente com apoio unipodal, enquanto Albino39 utilizou a um instrumento validado, a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB).
Um terceiro estudo foi analisado, o de Silva e colaboradores53, que teve como objetivo, avaliar o equilíbrio, a coordenação e a agilidade dos idosos submetidos a exercícios físicos. Este estudo formou dois grupos com seus participantes, sendo um grupo experimental a exercícios resistidos; e um grupo controle, que realizou também os mesmos exercícios do grupo experimental, porém, sem sobrecarga. Ao término do estudo, ao comparar os dois grupos, foi concluído que o programa de treinamento de resistência a 80% de 1 RM, durante 24 semanas, mostrou-se favorável na melhora do equilíbrio, da coordenação e da agilidade nos idosos.53 Sendo assim, este estudo, está de acordo com o de Albino e colaboradores39, pois