O sistema GSM utiliza a ideia de camadas de protocolos, no qual um processo é tratado por uma sequência de protocolos, cada um em um nível hierárquico. A figura abaixo ilustra os protocolos do modelo de sinalização da rede GSM.
Sinalização por canal comum número 7 (SCC#7)
Com a evolução tecnológica dos sistemas de rede móvel, as redes telefónicas
passaram a implementar processamento distribuído, usando as centrais controladas por programa armazenado (CPA), e meios digitais de transmissão. Esse processamento exigiu sinalização de maior eficiência, que pudesse ampliar a comunicação entre os nós e acrescentar novos serviços, como integrar às outras redes, principalmente a Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI) e à rede telefônica pública.
Surgiu a técnica, então, de se criar um novo canal exclusivo para a sinalização, para executar processos de sinalização em um canal, e de transmissão de voz e dados por outro canal. Esse canal de sinalização é chamado número 7, e é padronizado
internacionalmente de forma que:
- Otimize operações em redes digitais, suportando aplicações com diversas outras redes (RDSI, redes de bancos de dados, etc);
- Satisfaça as necessidades atuais e futuras de transferência de informação ligadas à sinalização de vários processos;
- Seja robusto, protegido de distúrbios de transmissão e falhas na rede. Com a criação desse canal, a rede foi dividida em duas redes:
- Rede de sinalização, para toda a movimentação de sinalização, necessária para implementar as ligações;
A figura abaixo esquematiza essas redes:
Figura 37
A fim de se obter um sistema flexível, o sistema de sinalização por canal foi dividido em dois subsistemas: o subsistema de transferência de mensagem (Message Transfer Part – MTP) e o subsistema de utilizadores (User Part – UP).
MTP
O MTP tem a função de estabelecer um caminho de comunicação de sinalização que interligasse os diversos subsistemas de utilizadores que necessitam de sinalizações uns dos outros. É, portanto, comum a todos os subsistemas de utilizadores.
O MTP é dividida em três níveis:
- Nível 1: Camada física, responsável pela padronização das características físicas e funcionais do enlace de dados de sinalização, e o meio para acedê-lo. O meio de transmissão digital tem taxa de transmissão de 64 kbits/s;
- Nível 2: Camada de enlace, que garante a integridade do enlace usado na comunicação. Corrige e deteta erros, delimita as mensagens, controla a sequência das mensagens enviadas, entre outros;
- Nível 3: Camada de rede, que trata as mensagens de sinalização, encaminhando-as para o destino certo, e gere a rede, garantindo que os caminhos possam ser traçados da origem ao destino.
UP (nível 4)
Define funções específicas para cada tipo de utilizador, como telefonia, dados, RDSI, ou outros. Cada tipo de utilizador tem suas particularidades, tendo que ser tratado por protocolos diferentes ao integrarem-se à rede.
Abaixo a figura ilustra os subsistemas de utilizadores.
- Subsistema de utilizador para a rede digital de serviços (Integrated Service Digital Network User Part – ISUP): Integra a rede RDSI à rede GSM;
- Subsistema de aplicação do sistema de estação base (Base Station System Application Part – BSSAP): liga a BSS à MSC;
- Subsistema de aplicação da capacitação de transações (Transaction Cpabilities Application Part – TCAP): oferece serviços não orientados à ligação;
- Subsistema de controlo de ligação de sinalização (Signaling Connection Control Part – SCCP): fornece funções adicionais ao MTP para serviços orientados ou não à ligação (veja o tópico “Camada 3 “ da interface A).
Protocolo de gestão da estação emissora base (Base Transceiver Station Management – BTSM)
Responsável pelo tratamento de mensagens de recursos de rádio (Radio Resources – RR), que podem ser transparentes à BTS.
Procedimentos de acesso a enlaces no canal D (LAPD)
O procedimento de acesso a enlaces no canal D (Link Access Procedures on the D-channel – LAPD) é o protocolo usado na camada 2 para transportar mensagens Abis. É usado na rede RDSI. Mais detalhes no tópico “Interface Abis”.
Procedimentos de acesso a enlaces no canal D modificado (LAPDm)
O LAPDm (Link Access Procedures on the D-channel modified) é usado para transportar mensagens da interface aérea. É uma variação do LAPD adaptada para transportar sinais de RF pelos canais da interface aérea (Um).
Conclusão
Este documento teve como objetivo dar uma visão geral do sistema GSM. Corre-se o risco de deixar bastantes detalhes relativos ao GSM por explicar, mas o objetivo é que se fique com uma ideia de referência que permita mais tarde explorar alguns dos aspetos aqui abordados.
O GSM foi a primeira abordagem para desenvolver um sistema de comunicações pessoais, em que tanto o utilizador como o dispositivo são móveis, garantindo a continuidade das comunicações através do serviço de roaming.
A digitalização inerente à codificação GSM permite a integração de novos serviços como o SMS, serviço de fax e de transferência de dados.
O GSM é um padrão muito complexo, mas esse é provavelmente o preço que tem de ser pago para alcançar o nível de serviço integrado e de qualidade oferecido enquanto sujeito às bastante severas restrições impostas pelo meio de transmissão das ondas rádio.
Bibliografia
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