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3 INTRODUÇÃO À TEORIA GERAL DA PROVA

3.7 PROVA DA INCAPACIDADE PARCIAL E PERMANENTE

Como visto no capítulo anterior, para a concessão de auxílio-acidente devem estar presentes os requisitos previstos no art. 86 da Lei 8.213/1991, sendo a redução da capacidade de trabalho o fato mais sensível a ser provado. Isto porque, neste requisito específico, via de

118 XAVIER, Flavia da Silva. op. cit., p. 117.

119 THEODORO JÚNIOR, Humberto, op. cit., p. 1.462.

regra, a convicção do julgador resulta das conclusões de profissionais de outras áreas de conhecimento, geralmente médicos e/ou profissionais da saúde.

Na busca pela comprovação da incapacidade, o segurado pode se utilizar de qualquer meio de prova disponível. Porém, é indiscutível que a prova pericial é a “rainha das provas” nas ações de benefícios por incapacidade, e tem grande influência no convencimento do julgador.

Como veremos com detalhes no próximo capítulo, a prova pericial é o meio preponderante à comprovação da redução da capacidade laboral, todavia, além da prova pericial, habitualmente instrui-se o processo com prova documental, principalmente laudos, atestados, receitas e exames médicos.

Merecem confiança os documentos produzidos pelo médico que acompanha o tratamento de saúde do segurado, pois embora estejam vinculados a uma das partes do processo, foram produzidos por um profissional sujeito às regras do Código de Ética de seu Conselho.121

Existindo no acervo probatório atestados médicos, esses devem ser apreciados e somente afastados por expressa fundamentação. O julgamento da causa sem a devida apreciação dos atestados apresentados pela parte implica a nulidade da decisão, conforme entendimento da Turma Nacional de Uniformização, que disciplinou122:

TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE ATESTADOS MÉDICOS NÃO APRECIADOS. NULIDADE DO JULGADO. PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A aferição do início da incapacidade, quando existentes outros meios de prova além do laudo pericial não preciso em tal ponto, deve decorrer da avaliação de todo o conjunto probatório. 2. Não é a mera omissão ou imprecisão do laudo que conduz à fixação da DIB na data da juntada do exame técnico aos autos, em especial quando dessa conclusão depende a configuração da qualidade de segurada. 3. Existindo nos autos atestados médicos, esses devem ser apreciados e somente afastados por força de expressa fundamentação. Não sendo tais atestados considerados pelo perito, há de se reconhecer a falha do exame técnico quanto ao quesito em questão (início da incapacidade), de forma que tal omissão não tenha o condão de produzir efeitos semelhantes à situação de efetiva impossibilidade de verificação do início da incapacidade. 4. Não apreciados os atestados médicos juntados pela parte autora, impõe-se a anulação do julgado e a devolução dos autos ao juízo de origem, de modo que se proceda a novo julgamento, à luz do entendimento da Turma Nacional. 5. Pedido de Uniformização parcialmente provido.

121 KATO, Cesar Augusto; KAMPA, Rose, op. cit., p. 84.

122 TNU, PU 200683005210084, JUIZ FEDERAL DERIVALDO DE FIGUEIREDO BEZERRA FILHO, DJ 08/01/2010.

Ainda sobre o atestado médico, a Resolução 1.658/2002, prevê os requisitos deste documento e determina ao médico assistente que na emissão de atestado para fins de perícia médica observe os seguintes elementos: o diagnóstico; os resultados dos exames complementares; a conduta terapêutica; o prognóstico; as consequências à saúde do paciente; o provável tempo de repouso estimado necessário para a sua recuperação, que complementará o parecer fundamentado do médico perito, a quem cabe legalmente a decisão do benefício previdenciário, tais como: aposentadoria, invalidez definitiva, readaptação; registrar os dados de maneira legível.123

Além de atestados e laudos, produzidos pelo médico assistente da parte, constitui-se prova documental, usualmente utilizada como prova da incapacidade laborativa, o certificado de reabilitação profissional do INSS.

O certificado de reabilitação profissional, por ser um documento público confeccionado pela autarquia previdenciária tem enorme valor à comprovação da incapacidade laborativa, como se verá no próximo capitulo quando abordarmos as questões envolvendo o auxílio-acidente.

Além da prova documental, pode o segurado também utilizar-se da prova testemunhal para corroborar suas alegações quando se trata de provar a incapacidade laboral. Evidentemente, este meio não é empregado na intensidade da prova material e documental, mas tem grande valor ao desfecho da controvérsia, principalmente quando se trata da repercussão das lesões documentadas ou reconhecidas na perícia nas atividades laborativas habituais do segurado.

A testemunha, nesses casos, pode servir para corroborar a prova material e complementar o acervo probatório, principalmente para esclarecer questões acerca da rotina de trabalho da parte, proporcionando ao julgador avaliar se as sequelas alegadas e/ou comprovadas, podem ter impacto na vida laboral.

O entendimento da jurisprudência é no sentido de que embora caiba ao juiz avaliar se determinada prova é necessária, considerando o claro significado social das ações previdenciárias, seu direcionamento deve ser compatível com o princípio da ampla defesa e do contraditório.

4 A PROVA PERICIAL NA CONCESSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE

Tendo em vista a inegável relevância da perícia médica judicial nas ações de benefícios por incapacidade, sobretudo de auxílio-acidente, o que se fará no presente capítulo é analisar os principais aspectos relativos a esse instrumento probatório (o seu objeto de avaliação; a importância da adequada indicação do médico perito e dos seus limites éticos-legais de atuação; e o valor da perícia ao convencimento do julgador), buscando compreender até que ponto a perícia médica judicial é imprescindível à concessão de auxílio-acidente.

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