• Nenhum resultado encontrado

4. REAPROVEITAMENTO DE ÁGUAS USADAS

4.7. A PROVEITAMENTO DE ÁGUAS R ESIDUAIS

Os métodos de reaproveitamento de água em edifícios permitem que a água que já foi usada seja novamente usada para vários fins, em alguns momentos por várias vezes. O procedimento mais comum de reutilização de água em edificações é a reutilização da água de lavagem das máquinas de lavar roupa para fins de limpeza de pavimentos e regas de jardins.

Na procura de melhorar o desempenho dos procedimentos já existentes para o reaproveitamento da água, foram realizados estudos que aperfeiçoaram os sistemas já existentes, tornando-os mais eficientes e complexos, que fazem parte dos sistemas prediais sanitários e hidráulicos.

Os sistemas hidráulicos e sanitários do sistema de reaproveitamento das águas residuais têm a função de fazer a separação das águas já utilizadas para a atividade humana que servem para ser reutilizadas e descartam os efluentes que sejam considerados impróprios para ser reaproveitados.

46

De uma maneira simplificada, considera-se como água adequada para reaproveitamento as águas provenientes de chuveiros, lavatórios, tanques, máquinas de lavar roupa e de banheiras, também classificadas como águas cinzentas. No entanto as águas provenientes de máquinas lava-louça, pias de cozinha e sanitas são consideradas impróprias para reaproveitamento e são denominadas de águas negras.

A qualidade das águas cinzentas pode variar consoante a localidade, o nível de ocupação da residência, o estilo de vida, a classe social, a cultura e os costumes dos moradores. As águas podem ainda apresentar características diferentes, o que depende do tipo de amostragem.

As águas já utilizadas, mas que estão dentro dos padrões para reutilização são posteriormente tratadas e armazenadas para que sejam utilizadas numa altura futura em atividades que não necessitem de água potável. É importante ressalvar que em hipótese alguma o sistema de reutilização de água faça a mistura por meio de ligações com água tratada proveniente do abastecimento público. Caso isto aconteça pode provocar a contaminação do sistema predial de água da edificação e como consequência tornar a água imprópria para consumo humano.

Para a utilização de sistemas prediais de reutilização de água alguns fatores devem ser considerados, como a preservação da saúde e conforto dos utilizadores, a facilidade de manutenção e o desempenho quanto á disponibilidade e uso sustentado da água.

Mesmo com todos os critérios na instalação, operação e manutenção deste sistema, este já se tornou fundamental em edificações sustentáveis e na gestão de disponibilidade dos recursos hídricos. Ao substituir o uso de água potável por águas já previamente utilizadas para a realização de atividades que não necessitem de águas tão nobres, reduz-se o uso de água dentro das edificações, o que promove uma série de outros benefícios como a preservação de outros recursos naturais – Silva et al. (2010).

Em Portugal, os sistemas de reaproveitamento ainda não são muito utilizados na grande parte dos edifícios. É ainda reduzida a sua utilização em edifícios unifamiliares, mas há casos em que já se utilizam os efluentes de máquinas de lavar roupas, chuveiros e lavatórios para a irrigação e lavagem de zonas comuns. O maior problema que impede a prática do uso destes sistemas prediais não é apenas a conscientização da sociedade, mas o elevado custo de implantação destes sistemas e de operação dos mesmos o que torna mais distante das habitações comuns – Silva et al. (2010).

4.7.1. COMPONENTES BÁSICOS DE UM SISTEMA DE APROVEITAMENTO DE ÁGUAS CINZENTAS 4.7.1.1. Reservatórios e Equipamentos

Os reservatórios de água dos sistemas de reutilização de águas residuais servem para compensar o desfasamento entre a afluência das águas cinzentas e o seu consumo, embora também têm algum peso no controlo da qualidade das águas que vão ser reaproveitadas.

Estes reservatórios devem ser opacos ou então protegidos da exposição solar caso sejam dispostos no exterior dos edifícios, a fim de evitar desenvolvimento de organismos como, por exemplo, algas. Além disso, os reservatórios e as condutas de águas cinzentas e águas reaproveitas devem evitar a libertação de odores e, se possível, ser ventilados separadamente das restantes zonas do edifício em condutas próprias. Os reservatórios devem ser providos de mecanismos de descarga de superfície como os reservatórios de água prediais, dispondo de sifão e dispositivos antirretorno. As precauções a ter com as

47 instalações de bombagem serão as mesmas a ter com as instalações dos reservatórios de água para consumo, como referidas anteriormente.

O volume destes reservatórios vai ser dependente do tipo de edifício, do uso que vai ser dado pelos utilizadores do mesmo, e também do tempo de processamento. Geralmente, existe algum equilibro, pelo que o volume destes reservatórios costuma assemelhar-se às quantidades do consumo médio diário.

4.7.1.2. Tratamento

Existem tecnologias de tratamento de águas que podem ser também utilizadas nas águas cinzentas, sendo preferíveis as que dispensem produtos químicos, necessitem de pouca energia e permitam uma manutenção económica.

De entre elas podem referir-se os sistemas biológicos de tratamento, a tecnologia de membranas e tecnologias combinadas.

Se, conjuntamente com a redução de matéria orgânica, ocorrer também uma redução microbiológica, que pode acontecer com membranas ou filtros, pode não ser necessária uma etapa específica para desinfeção - Neves et al. (2010).

Quanto a esta, diversas técnicas podem ser consideradas, mas o uso de cloro deve ser evitado, pois pode originar compostos orgânicos de cloro, com efeitos eventualmente adversos sobre o ambiente e a saúde pública.

Uma técnica bastante utilizada e a das radiações UV, utilizando lâmpadas como o exemplo da figura 20, sendo que após uma separação de sólidos e um tratamento biológico, uma radiação de 250 J/m2e geralmente suficiente para assegurar os necessários requisitos de qualidade - Neves et al. (2010).

48

Por razões de segurança operacional e recomendável o controlo automático dos dispositivos de desinfeção.

Em caso de avaria a unidade de controlo deve desviar automaticamente a água regenerada, de forma a evitar que água não desinfetada entre no circuito de utilização.

Um sistema SPRAC completo, patenteado e para uso coletivo, deve envolver os seguintes tratamentos - Neves et al. (2010):

 Pré-filtração - O filtro retém as partículas de maior dimensão, tais como fibras têxteis, cabelos, etc., sendo limpo automaticamente, com lançamento dos retidos na rede de águas residuais.  Tratamento biológico – É um tratamento biológico com duas fases. Na primeira faz-se borbulhar

oxigénio atmosférico no meio da água a tratar, o qual mantem em suspensão as partículas que servem de suporte aos microrganismos que promovem a degradação da matéria biodegradável por processos metabólicos.

 Sedimentação - Durante o tratamento anterior gera-se um excesso de lamas ativadas, as quais, após sedimentação, são automaticamente removidas a intervalos certos e descarregadas na rede de águas residuais.

 Desinfeção por UVs - Depois da sedimentação a água passa através de uma lâmpada UV, para esterilização. A água assim tratada fica sem cheiros e está pronta a ser armazenada.

4.7.1.3. Suprimento e Utilização

Deve ser prevista uma alimentação alternativa ao sistema predial de reutilização de águas cinzentas (SPRAC) com água proveniente de outras origens mas com qualidade adequada as utilizações em vista. A operação deve ser preferencialmente automática e na última fase do tratamento. Quando o nível mínimo de água regenerada for atingido no reservatório, arranca o dispositivo de suprimento, introduzindo no sistema a quantidade de água estritamente necessária. Se o suprimento for feito com água potável devem ser impedidas ligações cruzadas entre as duas redes e atender-se à EN 1717. As redes de água regenerada, incluindo os elementos acessórios, devem ser claramente diferenciadas das de água potável, sugerindo-se a utilização de tubagens de cor púrpura ou de fita adesiva colorida, preferencialmente com o aviso “Água não potável”, ou equivalente, cujo estado de conservação deve ser controlado periodicamente. Os dispositivos de rega ou lavagem, interiores ou exteriores, devem ser sinalizados com advertências análogas, acompanhadas de simbologia adequada, e as respetivas torneiras dotadas de manípulos amovíveis para evitar usos inadequados - Neves et al. (2010).

No que diz respeito a exploração dos SPRAC, para além de se verificar periodicamente o funcionamento dos seus componentes, devem ser analisadas a turvação e o odor da água. Deve ainda existir um contrato de manutenção com um instalador ou entidade acreditada para o efeito.

Documentos relacionados