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Não são reconhecidos contabilmente ativos contingentes, porém, existem processos em curso cuja perspectiva de êxito é provável, tais como: a) Programa de Integração Social - (PIS), que pleiteia a compensação do PIS sobre a Receita Operacional Bruta, recolhido nos termos dos Decretos Leis no 2.445/88 e no 2.449/88, naquilo que excedeu ao valor devido nos termos da Lei Complementar no 07/70 (PIS Repique); e b) outros tributos, cuja legalidade e/ou constitucionalidade está sendo questionada, que poderão ocasionar o ressarcimento dos valores recolhidos.

b) Provisões classificadas como perdas prováveis e obrigações legais – fiscais e previdenciárias

A Organização é parte em processos judiciais de natureza trabalhista, cível e fiscal, decorrentes do curso normal de suas atividades.

a natureza das ações, a similaridade com processos anteriores, a complexidade e o posicionamento dos tribunais, sempre que a perda for avaliada como provável.

A Administração entende que a provisão constituída é suficiente para atender às perdas decorrentes dos respectivos processos.

O passivo relacionado à obrigação legal em discussão judicial é mantido até o desfecho da ação, representado por decisões judiciais, sobre as quais não caiba mais recursos, ou a sua prescrição.

I - Processos trabalhistas

São ações ajuizadas por ex-empregados e terceiros, visando obter indenizações, em especial o pagamento de “horas extras”, em razão de interpretação do artigo 224 da CLT. Nos processos em que é exigido depósito judicial para garantia de execução, o valor das provisões trabalhistas é constituído considerando a efetiva perspectiva de perda destes depósitos. Para os processos com características semelhantes e não julgados, a provisão é constituída com base no valor médio apurado dos pagamentos efetuados nas reclamações trabalhistas encerradas nos últimos 12 meses; e para processos originários de bancos adquiridos, com características peculiares, a apuração e a reavaliação do saldo necessário é realizada periodicamente, baseando-se na atualização do histórico de perda recente.

É certo que as horas extras realizadas são controladas por meio do sistema de “ponto eletrônico” e pagas durante o curso normal do contrato de trabalho, de modo que as ações oriundas de ex- funcionários do Bradesco não têm valores relevantes.

II - Processos cíveis

São pleitos de indenização por dano moral e patrimonial, na maioria referente a protestos, devolução de cheques, inserção de informações sobre devedores no cadastro de restrições ao crédito e à reposição dos índices de inflação expurgados resultantes de planos econômicos. Essas ações são controladas individualmente por meio de sistema informatizado e provisionadas sempre que a perda for avaliada como provável, considerando a opinião de assessores jurídicos, natureza das ações, similaridade com processos anteriores, complexidade e posicionamento de tribunais.

A maioria dessas ações envolve Juizado Especial Cível (JEC), no qual os pedidos estão limitados em 40 salários mínimos e não constituem eventos capazes de causar impacto representativo no resultado financeiro da Organização.

Em relação as ações judiciais pleiteando supostas diferenças de correção monetária dos saldos de cadernetas de poupança, em decorrência da implantação dos planos econômicos, que fizeram parte da política econômica do Governo Federal no combate à inflação nas décadas de 80 e 90, o Bradesco, embora tenha cumprido a legislação e regulamentação vigente à época, provisionou referidos processos, considerando as ações em que foi citado e as correspondentes perspectivas de perdas de cada demanda, tendo em vista as decisões e as matérias ainda em análise no Superior Tribunal de Justiça (STJ), estas como, por exemplo, a forma de aplicação de juros moratórios nas execuções decorrentes de Ações Cíveis Públicas, juros remuneratórios e sucessão.

Em dezembro de 2017, com mediação da Advocacia Geral da União (AGU), as entidades representativas dos bancos e dos poupadores, firmaram acordo relacionado aos litígios de planos econômicos, com a finalidade de encerramento dessas ações, no qual foram estabelecidas condições e cronograma para os poupadores exercerem o direito a adesão. O referido acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de março de 2018, estando em fase de adesão pelos interessados pelo prazo de 02 (dois) anos. Considerando tratar de acordo voluntário, o qual não obriga o poupador a adesão, não existe estimativa de quantos o farão. Destaca-se que, o Bradesco entende que possui provisionamento para cobrir os processos elegíveis ao referido acordo. Os processos que não estão no contexto do acordo, incluindo os relacionados aos bancos incorporados são avaliados com base no estágio

Cabe ressaltar que, quanto a esses litígios de planos econômicos, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o andamento de todos os processos que estavam na fase de conhecimento, até que haja pronunciamento definitivo daquela Corte, quanto ao direito discutido.

III - Provisão para riscos fiscais

A Organização vem discutindo judicialmente a legalidade e constitucionalidade de alguns tributos e contribuições, os quais estão totalmente provisionados, não obstante as boas chances de êxito, de acordo com a opinião dos assessores jurídicos. Essas obrigações legais e as provisões avaliadas como de risco provável, tem acompanhamento regular de suas evoluções nos trâmites do Judiciário, e no decorrer ou no encerramento de cada processo, poderão resultar em condições favoráveis à Organização, com a reversão das respectivas provisões.

Destacamos as teses:

- PIS e Cofins – R$ 2.562.453 mil (2017 – R$ 2.489.247 mil): pleiteia calcular e recolher o PIS e a Cofins sobre o efetivo faturamento, cujo conceito consta do artigo 2o da LC 70/91,

afastando-se assim a inconstitucional ampliação da base de cálculo pretendida para outras receitas que não as de faturamento;

- Contribuições Previdenciárias – R$ 1.729.211 mil (2017 – R$ 1.466.469 mil): autuações relativas às contribuições previdenciárias sobre aportes em planos de previdência privada, considerados pela fiscalização como verbas remuneratórias sujeitas às incidências de tais contribuições e multa isolada pela não retenção de IRRF sobre referidos aportes;

- IRPJ/CSLL sobre perdas de crédito – R$ 1.461.621 mil (2017 – R$ 1.614.663 mil): pleiteia deduzir, para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos, o valor das perdas efetivas e definitivas, relativas aos descontos incondicionais concedidos, sofridas no recebimento de créditos, independentemente do atendimento das condições e prazos previstos nos artigos 9o a 14o da Lei no 9.430/96, que só se aplicam às perdas provisórias;

- IRPJ/CSLL sobre MTM – R$ 607.258 mil: autuação de IRPJ e CSLL, relativa à glosa de exclusões em 2007 de receitas de marcação de Títulos e Valores Mobiliários a valor de mercado;

- INSS de Autônomos – R$ 470.237 mil (2017 – R$ 643.655 mil): discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas a prestadores de serviços autônomos, instituída pela Lei Complementar no 84/96, e regulamentações/alterações

posteriores à alíquota de 20,0% e adicional de 2,5%, sob o argumento de que os serviços não são prestados às seguradoras, mas aos segurados, estando, dessa forma, fora do campo de incidência da contribuição prevista no inciso I, artigo 22, da Lei no 8.212/91, com nova redação

contida na Lei no 9.876/99; e

- INSS - Contribuição ao SAT - R$ 417.442 mil (2017 – R$ 401.018 mil): em ação ordinária movida pela Federação Nacional dos Bancos – Febraban, desde abril de 2007, em nome de seus associados, é questionado o enquadramento dos bancos no grau de risco mais elevado, no que tange ao Risco de Acidentes de Trabalho - RAT, o que acabou por elevar a alíquota da respectiva contribuição de 1% para 3%, conforme Decreto no 6.042/07.

Em geral, as provisões referentes às ações judiciais são consideradas de longo prazo, devido à imprevisibilidade do tempo de duração dos processos no sistema judiciário brasileiro, razão pela qual não foi divulgada a estimativa com relação ao ano específico em que essas ações judiciais serão encerradas.

IV - Movimentação das outras provisões

R$ mil

Trabalhista Cível Fiscais (1)

Saldos em 31 de dezembro de 2017 5.554.796 5.346.563 7.589.368

Atualização monetária 677.970 508.399 386.671

Constituições líquidas de reversões e baixas 1.289.664 912.287 531.052

Pagamentos (1.538.827) (1.152.887) (302.885)

Saldos em 31 de dezembro de 2018 5.983.603 5.614.362 8.204.206

Saldos em 31 de dezembro de 2016 5.101.732 5.003.440 8.187.237

Atualização monetária 637.263 484.447 500.719

Constituições líquidas de reversões e baixas 1.002.559 830.642 (984.342)

Pagamentos (1.186.758) (971.966) (114.246)

Saldos em 31 de dezembro de 2017 5.554.796 5.346.563 7.589.368

(1) Em 2017, ocorreram reversões de provisões relativas: (i) ao processo de PIS, referente à compensação de valores indevidamente pagos, no montante de R$ 268.729 mil; (ii) IRPJ/CSLL sobre perdas de crédito, no montante de R$ 408.730 mil; e (iii) Decisão favorável no processo de contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas aos dentistas credenciados (INSS de Autônomos), no montante de R$ 348.820 mil.

c) Passivos contingentes classificados como perdas possíveis

A Organização mantém um sistema de acompanhamento para todos os processos administrativos e judiciais em que a Instituição figura como “autora” ou “ré” e, amparada na opinião dos assessores jurídicos, classifica as ações de acordo com a expectativa de insucesso. Periodicamente são realizadas análises sobre as tendências jurisprudenciais e efetivada, se necessária, a reclassificação dos riscos desses processos. Neste contexto, os processos contingentes avaliados como de risco de perda possível não são reconhecidos contabilmente. Os principais processos com essa classificação são os seguintes:

- IRPJ e CSLL – Anos bases de 2006 a 2013 – R$ 6.863.623 mil (2017 – R$ 6.264.741 mil): lançados sobre glosa de amortização de ágio na aquisição de investimentos;

- COFINS – R$ 5.070.337 mil (2017 – R$ 4.902.151 mil): autuações e glosas de compensações de créditos de Cofins, lançadas após o transito em julgado favorável em processo judicial, onde foi discutida a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pretendida para outras receitas que não as de faturamento (Lei nº 9. 718/98);

- ISSQN – Empresas de Arrendamento Mercantil - R$ 2.478.296 mil (2017 – R$ 2.394.087 mil): se discute a exigência do referido tributo por outros municípios que não aqueles onde as empresas estão instaladas, para os quais o tributo é recolhido na forma de lei, havendo casos de nulidades formais ocorridas na constituição do crédito tributário;

- Autuações de IRPJ e CSLL – Anos bases de 2004 a 2012 – R$ 1.759.431 mil (2017 – R$ 2.431.844 mil): relativas às glosas de despesas e exclusões sobre receitas de superveniência de depreciação, despesas de insuficiência de depreciação, despesas de depreciação de bens arrendados, despesas e receitas operacionais e glosa de compensação de prejuízo fiscal;

- Autuações de IRPJ e CSLL – Anos bases de 2012 e 2013 – R$ 1.689.160 mil: glosa de despesas operacionais de captação (CDI), relativas a recursos que foram capitalizados entre as empresas da Organização;

- PIS e COFINS – Autuações e glosas de compensações – R$ 1.445.126 mil (2017 – R$ 1.399.506 mil): relativas à inconstitucional ampliação da base de cálculo pretendida para outras receitas que não as de faturamento (Lei nº 9.718/98), oriundas de empresas adquiridas;

- Autuação de IRPJ e CSLL – R$ 859.049 mil (2017 – R$ 969.713 mil): relativa à glosa de despesas com perdas no recebimento de créditos; e

- Autuação de IRPJ e CSLL – Anos bases de 2008 e 2009 – R$ 508.180 mil (2017 – R$ 489.687 mil): sobre lucro de empresas controladas domiciliadas no exterior.

43) Outros passivos R$ mil Em 31 de dezembro 2018 2017 Passivos financeiros 62.598.235 62.439.512

Operações de cartões de crédito (1) 22.887.885 26.163.066

Operações de câmbio (2) 19.801.468 17.085.029

Obrigações com cessões de crédito 8.058.619 8.454.076

Planos de capitalização 8.186.955 7.562.974

Negociação e intermediação de valores 3.321.219 2.317.155

Obrigação por aquisição de bens – arrendamento financeiro (Nota 43 a) 342.089 857.212

Outros passivos 34.157.435 35.377.312

Recursos em trânsito de terceiros (3) 7.135.635 7.211.038

Provisão para pagamentos a efetuar 8.266.532 8.743.428

Credores diversos 3.137.923 3.205.800

Sociais e estatutárias 4.966.975 4.524.457

Outros impostos a pagar 1.757.283 1.466.306

Obrigação por aquisição de bens e direitos 1.206.376 1.480.777

Outros 7.686.711 8.745.506

Total 96.755.670 97.816.824

(1) Referem-se a valores a pagar para estabelecimentos comerciais;

(2) Referem-se, basicamente, a vendas em moeda estrangeira efetuadas pela instituição a clientes e os direitos em moeda nacional da instituição, decorrente de operações de venda de câmbio; e

(3) Referem-se, basicamente, as ordens de pagamento emitidas sobre praças do país e o valor das ordens de pagamento em moedas estrangeiras provenientes do exterior.

a) Abertura de prazo das operações de arrendamento financeiro e detalhes de arrendamentos operacionais R$ mil Em 31 de dezembro 2018 2017 Até 1 ano 296.691 564.337 De 1 a 2 anos 45.398 256.327 De 2 a 3 anos - 36.548 Total 342.089 857.212

O total de pagamentos mínimos futuros de arrendamentos operacionais não canceláveis em 2018 é de R$ 11.340.768 mil, sendo R$ 853.882 mil até 1 ano, R$ 3.250.392 mil entre 1 a 5 anos e R$ 7.236.494 mil com mais de 5 anos.