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provocações em torno dos conselhos de cultura

Com o objetivo de realizar uma investigação sobre o papel dos conselhos de cultura no Brasil, o Centro de Estudos Multidisci- plinares em Cultura da Universidade Federal da Bahia (cult/ ufba), em parceria com o Ministério da Cultura (minc), reuniu mais de 250 representantes – pesquisadores, gestores e repre- sentantes de conselhos de cultura – de 24 estados e do Distrito Federal – para o Seminário Políticas Culturais, Democracia e Conselhos de Cultura.

P e r f i l d o s p a r t i c i p a n t e s

Realizado na capital baiana, em 31 de agosto e 1º de setembro, o Seminário reuniu representantes de todas as regiões do país:

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Acre (4), Alagoas (1), Amapá (1), Amazonas (3), Bahia (118), Cea- rá, (6), Distrito Federal (16), Espírito Santo (4), Goiás (4), Ma- ranhão (4), Mato Grosso do Sul (1), Minas Gerais (7), Pará (6), Paraíba (2), Paraná (5), Pernambuco (3), Piauí (2), Rio de Janeiro (15), Rio Grande do Norte (2), Rio Grande do Sul (7), Roraima (3), Santa Catarina (6), São Paulo (13), Sergipe (5) e Tocantins (1). Não enviaram representantes os estados de Mato Grosso e Rondônia, e 15 registros não indicam o local de origem.

Dentre os inscritos, marcaram presença os Representantes de Conselhos Municipais de Cultura: eles foram 49 partici- pantes, o equivalente a 19,75% do total de inscritos. Os Repre- sentantes do Conselho Nacional de Política Cultural também se fizeram notar no Seminário, somando 44 participantes ou 17,74% do total. Participaram também estudantes (39 inscri- tos, ou 15,72% do total), Representantes da Sociedade Civil (21 inscritos, ou 8,47% do total), Representantes de Conselhos Es- taduais de Cultura (17 inscritos, ou 6,85% do total), além dos palestrantes que participaram das mesas e de pesquisadores do assunto políticas culturais (ambas as categorias com 16 repre- sentantes cada uma, ou 6,45% do total de participantes). Entre os participantes, 46 se inscreveram sob a categoria “Outros”.

P a n o r a m a d a s d i s c u s s õ e s n o p r i m e i r o d i a O evento debateu questões pertinentes à atual política cultu- ral, no que diz respeito ao papel dos conselhos de cultura nos três níveis: nacional, estadual e municipal. Na mesa de abertu- ra, estiveram presentes o Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles; a reitora da Universidade Federal da Bahia, Dora Leal Rosa; Albino Rubim, coordenador do projeto que deu origem ao seminário, e Gustavo Vidigal, representante do minc.

s e m i n á r i o l a n ç a o l h a r e s e p r o v o c a ç õ e s e m t o r n o . . . 1 � 1 1 � 1 Para o Secretário Márcio Meirelles, este é um momento ím-

par nas discussões de cultura, especialmente por proporcionar a reconstrução dos hábitos e modos de fazer a própria cultura. Na opinião de Gustavo Vidigal, “este seminário é um evento inédito por lançar um olhar para essa instância nova que são os conselhos de cultura. Seu papel é ajudar a pensar o lugar do conselho e propor direções”.

Da mesa 1, Conselhos e Democratização do Estado, participa- ram o coordenador do projeto Albino Rubim; os pesquisadores Luciana Tatagiba (Universidade de Campinas - Unicamp); Ber- nardo Mata-Machado (Universidade Federal de Minas Gerais - ufmg); José Ivo Pedrosa (Universidade Federal do Piauí - ufpi) e Soraya Cortês (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - ufrgs).

Nesta mesa, discutiu-se que os conselhos são espaços de esta- belecimento de pontes entre sociedade civil e Estado, na prática de controle social, proposição de políticas públicas e sua imple- mentação. É um espaço de participação política da sociedade, calcada na representação e construção de direções. Contudo, a pesquisadora da Unicamp Luciana Tatagiba explica que par- ticipação e conselhos não são a mesma coisa, visto que muitos espaços são apenas reprodutores do pensamento do governo vigente, nunca questionando, se opondo ou construindo um espaço crítico. Já outros se tornam um espaço partidário e de ex- trema oposição ao governo, o que também não gera construção.

O professor Bernardo Mata-Machado explica que as primei- ras experiências de conselhos no país remontam ao período monárquico, ainda no século XIX. Claro que não havia ali o mesmo papel de controle social e construção coletiva que exis- te hoje, mas era já um espaço de discussão, deliberação e des- envolvimento de normas. De lá para cá, mesmo nos momentos autoritários, como na ditadura de Getúlio Vargas e no período militar, havia instâncias dessa natureza, a exemplo do Conse-

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lho de Censura, misto entre representantes dos governos e ar- tistas, que tinha o papel de acompanhar as ordens de censura e rever processos. Hoje, os conselhos são parte fundamental do processo democrático e decisivo para implantação do Sistema Nacional de Cultura.

Da mesa 2, Conselhos, Fundos e Planos: consolidando o sistema nacional de cultura, realizada na tarde do dia 31, os expositores foram Roberto Peixe (minc), Jorge Alan Pinhei- ro (minc), Márcio Caetano (Fórum Nacional dos Secretários de Cultura das Capitais), Johny Everson (Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Cultura – Conecta) e Dulce Aqui- no (Colegiado Setorial do Conselho Nacional de Política Cultu- ral – cnpc). As discussões foram a respeito do funcionamento do sistema. Foram recorrentes as dúvidas e questionamentos da plenária a respeito de critérios de repasse de recursos para os Fundos, das relações entre os conselhos estaduais e municipais – em especial, os dos pequenos municípios – e da composição dos Conselhos.

P a n o r a m a d a s d i s c u s s õ e s n o s e g u n d o d i a

Os trabalhos da manhã do dia 1º de setembro começaram com a apresentação dos dados da pesquisa Políticas Culturais, De- mocracia e Conselhos de Cultura. Na oportunidade, o coor- denador da pesquisa Albino Rubim apresentou as principais questões elencadas, como a diferença regional no número de conselhos (maior presença no sudeste) e diferenças de caráter entre os conselhos (que podem ser normativos, de fiscalização, deliberativos e/ou consultivos). Outro ponto pouco uniforme nos conselhos de cultura é a forma de escolha: alguns são feitos com escolha da sociedade civil, outros por meio de indicação vinda do Poder Executivo.

s e m i n á r i o l a n ç a o l h a r e s e p r o v o c a ç õ e s e m t o r n o . . . 1 � 3 1 � 3 O debate teve prosseguimento com a mesa Conselhos de Cul-

tura no Brasil: Avaliação, Modelos e Perspectivas. Coordenada por Marcelo Veiga, do MinC, a discussão contou com as con- tribuições do secretário de Cultura da Bahia Márcio Meirelles, representando o Fórum Nacional de Secretários Estaduais; a pesquisadora Lia Calabre; o poeta e ativista Hamilton Faria; Osvaldo Viegas, do Conselho de Cultura de Alagoas, e José Cleto, do Conselho de Cultura de Pernambuco. Durante todo o debate, a questão do papel do conselho de cultura foi recor- rente. Na opinião de Lia Calabre, “o lugar dos conselhos não é o de fazer tudo. Mas ser conciliador e companheiro, e também provocador e contestador”.

Na última mesa, coordenada por Gustavo Vidigal (minc), a palavra manteve-se franqueada para a plenária, com o obje- tivo de constituir-se uma agenda para um trabalho colabora- tivo, dando seguimento às discussões do Seminário. Entre as contribuições da Plenária, apareceram muito fortemente as questões da continuidade dos debates, por meio da realização de outros Seminários, de caráter itinerante; da formação dos Conselheiros e da composição dos Conselhos, que deve res- peitar a realidade local. A Mesa foi encerrada por uma fala de Albino Rubim, coordenador do Seminário: “Esse projeto não se esgota aqui”, explicou. “Está prevista a continuidade da pes- quisa e a publicação de livros sobre o assunto pelo Cult”. As in- formações sobre o Seminário ficarão disponíveis no endereço www.conse-lhosdecultura.ufba.br.

S o b r e o p r o j e t o e a e n t i d a d e o r g a n i z a d o r a d o e v e n t o

Este livro integra o projeto Políticas Culturais Democracia e Conselhos de Cultura que, além do Seminário, prevê realização de pesquisa abordando o funcionamento dos conselhos nacio-

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nal, estaduais e municipais de cultura e a produção de publi- cações, lançamento de um livro e material multimídia.

O cult é um órgão complementar da Universidade Fede- ral da Bahia  e reúne pesquisadores, professores e estudantes da área da cultura. Entre seus objetivos, estão os de desenvol- ver pesquisas multidisciplinares em cultura, consolidando-se como referência para as investigações na área dos estudos da cultura e acompanhar criticamente os itinerários da cultura na Bahia, no Brasil e no mundo contemporâneos. Conheça mais sobre o Cult acessando o site www.cult.ufba.br.

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Jornalista, mestranda do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, da Universidade Federal da Bahia (ufba). Foi professora substituta na disciplina com 127 - Oficina de Assessoria de Comunicação da Faculdade de Comunicação (Facom-ufba), em 2004.