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1 INTRODUÇÃO

2.2 A Ergonomia do Ambiente Construído

2.3.2 Psicologia Ambiental e ambiente construído

Ornstein, Bruna e Roméro (1995), afirmaram que considerando a herança e as variações culturais, o significado do ambiente construído difere entre as categorias de agentes do processo decisório de produção e uso destes. E ainda, que estes são compreendidos, percebidos e interpretados de modos distintos por cientistas sociais, arquitetos e usuários leigos.

Para Evans (2005), o ambiente físico objetivo é muito importante em qualquer pesquisa em Psicologia Ambiental, embora muitos psicólogos considerem o ambiente físico em termos sociais. O que deve idealmente se fazer é o estudo científico do relacionamento entre o ambiente físico e o comportamento humano. O comportamento humano, segundo Evans (2005, p. 48): ―[...] inclui reações fisiológicas e emocionais, relacionamentos interpessoais, e também, de modo significativo, o desempenho, a produtividade, a cognição.‖ Este destaca a importância do estudo do ambiente físico separadamente do ambiente subjetivo, pois no ambiente subjetivo parte são aspectos que envolvem a personalidade e as experiências individuais.

O ambiente construído, objeto da Arquitetura, existe para a função primeira de abrigar o homem. Afirmou Ching (2008, p. ix) que: ―Fundamentalmente, as manifestações físicas da arquitetura acomodam a atividade humana‖. De forma resumida, então, o homem (com suas atividades) é o ponto de partida para a projetação dos espaços. E, como indivíduo sensitivo (grifo nosso), tanto está sujeito às influências do ambiente quanto o influencia.

Para Zevi (2009, p. 18), a arquitetura é mais que os elementos construtivos (larguras, comprimentos e alturas), ela provém ―[...] precisamente do vazio, do espaço encerrado, do espaço interior em que os homens andam e vivem. [...] que não pode ser conhecido e vivido a não ser por experiência direta [...]‖.

Para Okamoto (2014, p. 171): ―A missão da arquitetura é criar espaços sensíveis e estimulantes que favoreçam o desenvolvimento da existência humana‖.

A Psicologia Ambiental faz o papel de uma ponte entre a Arquitetura e a Psicologia, já que nenhuma dessas áreas do conhecimento humano consegue abranger todos os aspectos da relação homem-ambiente, o que permite a produção de ambientes mais humanizados e ecologicamente coerentes (ELALI, 1997, p. 352).

Gifford, Steg e Reser (2011) disseram que a maioria dos psicólogos examinam as relações entre o estímulo ambiental e as respostas humanas, mas o que separa a Psicologia Ambiental é o seu compromisso com a pesquisa e sua prática tem como foco as metas e princípios de: melhorar o ambiente construído e administrar os recursos naturais; estudar ambientes cotidianos ou simulações aproximadas; considerar pessoa e cenário como um sistema holístico; reconhecer que indivíduos lidam ativamente e modificam os ambientes, não respondendo passivamente a forças ambientais; e trabalhar em conjunto com outras disciplinas.

Para estes autores as percepções ambientais variam de acordo com diferenças pessoais e culturais, por isso, geralmente, pessoas veem e interpretam o mesmo cenário diferentemente.

Percepção, segundo Piaget e Inhelder (1979), é uma organização dos dados sensoriais que admite muitos planos diferentes de estruturação. Esta não é apenas um registro, mas é também identificação ou assimilação. Identificação porque trabalha com a memória quando reconhece algo conhecido anteriormente. Assimilação porque se estende em interpretações e novas cognições.

Lynch (2011, p. 3) disse que: ―Estruturar e identificar o ambiente é uma capacidade vital entre todos os animais que se locomovem.‖ Cada indivíduo é portador de uma imagem ambiental ou quadro mental do mundo físico exterior, que é o elo estratégico no processo de orientação e essa imagem é produto tanto da sensação imediata do ambiente quanto da lembrança de experiências passadas. Sendo o homem extremamente adaptável e flexível, grupos diferentes podem ter imagens muito diferentes da mesma realidade exterior (LYNCH, 2011).

Da mesma forma, Tuan (2012) afirma que duas pessoas não veem a mesma realidade e nem dois grupos sociais fazem exatamente a mesma avaliação do meio ambiente. Segundo ele, a própria visão científica está ligada à cultura, ou seja, uma possível perspectiva entre muitas.

As diferenças na percepção podem, sem dúvida, estar associadas às habilidades de cada um. Algumas pessoas têm determinados sentidos mais desenvolvidos que outras, além disso, o ser humano tem outras maneiras de responder aos estímulos externos, não apenas através da visão, audição, olfato, paladar e tato. Existem individualidades fisiológicas como: pessoas sensíveis às mudanças de umidade e pressão atmosférica; outras com surpreendente senso de direção; deficiências ou mesmo a falta de algum dos sentidos; visão periférica privilegiada; diferenças na visão de cores; diferenças na percepção auditiva; sensibilidade para ruídos; diferenças entre temperatura (quente e frio são subjetivos, com grandes variações individuais). Portanto, são diversos os parâmetros considerados no processo da percepção (TUAN, 2012).

Nos estudos da percepção ambiental, vem ocorrendo, segundo Okamoto (2014), uma mudança de paradigma onde os problemas não devem ser tratados de forma independente, mas sim dentro de um contexto geral, como uma rede de relações. Afirma ele que há um padrão que liga o homem ao meio ambiente, aos espaços e aos locais de trabalho, moradia, lazer e convivência social. Esse padrão é a qualidade de vida, necessária para que haja um desenvolvimento vital harmonioso e equilibrado, de forma holística.

A noção de qualidade de vida, para Moser (2005), coloca a Psicologia Ambiental numa posição de visibilidade social, uma vez que esta disciplina contribui para a saúde e bem-estar do indivíduo.

A partir da conjugação dessas duas áreas do conhecimento (Psicologia Ambiental e Arquitetura) o edifício transforma-se em espaço vivencial onde as características físico-construtivas não são preponderantes sobre apercepção e o comportamento do usuário dos espaços, partindo-se então para a análise do uso, transformando espaços em lugares. O usuário do espaço, semelhantemente ao usuário de um produto, pelo contato direto e cotidiano, torna-se um crítico severo e abalizado na avaliação deste, complementando o parecer de um técnico, criando processos de realimentação nos ciclos produtivos, em sintonia com os Códigos de Direito do Consumidor (ELALI, 1997).

O profissional de arquitetura e urbanismo necessita acumular, em sua formação, conhecimentos que incluam, então, a Ergonomia e a Psicologia Ambiental, a fim de

que os projetos não sejam meras construções plásticas e estéticas, buscando o equilíbrio entre todos os aspectos envolvidos no ato de projetar, tendo como foco principal atender às expectativas dos usuários.

Fonseca e Rheingantz (2009) defendem a promoção de práticas acadêmicas de projeto em situações reais como forma de contribuir significativamente para o desenvolvimento e aprendizagem do aluno de arquitetura e urbanismo, onde problemas e demandas reais são explicitados, analisados a partir da participação dos envolvidos no processo (professores, alunos, usuários, edifício, atividades e equipamentos) e, onde as experiências e conhecimentos são compartilhados.

Como bem disse Rio (1998),no ensino de projeto o mais importante é a promoção de metodologias que estejam sempre fundamentadas na compreensão das relações entre o homem e seu ambiente, nos níveis comportamental, psicológico, social e cultural, entretanto que não impeçam a manifestação da criatividade do autor.

Igualmente, o estudante de arquitetura e urbanismo deve incorporar em sua formação um gama de conhecimentos que propiciem o desenvolvimento e a aplicação de procedimentos qualitativos de avaliação do ambiente construído, a partir de seu envolvimento não apenas nos processos de intervenção, como também, e principalmente (grifo nosso), nos processos de projetação (ALCANTARA e RHEINGANTZ, 2011).

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