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Psicopatia no Rorschach

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2.3 A Fenomenologia do Humano no Protocolo Rorschach

2.3.3 Psicopatia no Rorschach

No que consiste na identificação da psicopatia no Rorschach, Adrados(1980) descreve

vários indicadores. Quanto ao ego e o superego, esses encontram frágeis e debilitados,

representados por G%, K, F+% alterados, onde G% é rebaixado e seu número bruto é igual ou

inferior ao numero de K. Além disso, as respostas de movimento são inferiores a três e mal

vistas, de conteúdo desvitalizado e habitualmente passivo. Apresentam imaturidade afetiva e

egocentrismo, representados pela escassez de afetividade no protocolo ou quando a

afetividade aparece mostra-se pobre e mal integrada. Forte instabilidade emocional, indicada

pelo aumento de kan. Capacidade de crítica diminuída, representação pelo F% rebaixado.

Ausência de conflito, manifestada pela coerência entre três formulas determinantes do tipo de

vivencia. Ausência de angustia e culpa indicada pela diminuição de resposta claro-escuro.

Dorr e Viani (2006) também destacam alguns indicadores de psicopatia no Rorschach

dentre eles: A% elevado; resposta de “pele” nas pranchas IV e VI; dificuldade de integração;

ausência de resposta claro-escuro; as respostas de cor são escassas e quando aparecem

predomina CF; resposta DG (global confabulada); poucas respostas G; às vezes há um

aumento das respostas banais como uma atitude de escolha mais fáceis ou como uma atitude

de apego superficial a normas estabelecidas sem que estas tenham sido assimiladas, mas

apenas para serem manipuladas como objetos para alcançar suas necessidades. E quando a

atitude antissocial é mais acentuada aumentam as respostas C (cor pura) e DBL (espaço em

Vaz (1997) afirma que o transtorno de personalidade antissocial pode ser

diagnosticado pelas seguintes variáveis encontrados no psicodiagnóstico Rorschach: a

presença de cor forçada e cor arbitrária, expressão da labilidade afetiva, relacionamento

meramente superficial e formal; é o tipo de relacionamento pela troca de alguma coisa, pelo

uso; a presença de textura com predomínio de C+ CF sobre FC, significando a busca de

contato, a necessidade de contato com o risco de “acting out” por não poder conseguir se

controlar; é que CF e C expressam à busca do atendimento a necessidade afetiva sem o devido

controle sobre a maneira como conseguir, um terceiro sinal especifico n Rorschach do

transtorno de personalidade antissocial é o linguajar empolado, com fraseado rico e algumas

vezes retórico, razoavelmente ordenado e controlado, quer durante a fase de aplicação, quer

na do inquérito. Em suma, a verbalização da pessoa com esse tipo de transtorno é

observavelmente escorregadia, vaga e envolvente durante todo o exame com a técnica do

Rorschach. Dificilmente aparecem respostas com sombreado e cor acromática, uma vez que o examinando consegue controlar intelectualmente a ansiedade, também não é comum a

incidência de cor acromática; o sujeito usa os controles e a labilidade para se proteger da

depressão. O percentual de F dentro da média, uma vez que o antissocial consegue controlar

racionalmente ou intelectualmente o ambiente; o indivíduo tenta atrair a pessoa do

examinador, destacando seus predicados positivos, elogiando-lhe qualidades, não apresenta

CAPÍTULO III

REPRESENTAÇÕES PSICOLÓGICAS EM AUTORES DE CRIME HEDIONDO, UM ESTUDO EMPÍRICO

3.1 O Método Fenomenológico

Foi Descartes (1596 – 1650), a apreensão dos objetos percebidos passa

necessariamente pela consciência do sujeito pensante. Immanuel Kant (1724 – 1804), por

sua vez afirma que experimentamos apenas a superfície das coisas, isto é o fenômeno – o

que está aparente, mas não a verdadeira coisa em si. O conhecimento é então, o resultado da

atividade mental, que organiza as sensações de acordo com categorias apriorísticas, tais

como espaço, tempo, etc.

Foi Lambert, um médico francês, quem em 1764, criou a palavra fenomenologia, que

designou como descrição da aparência. Para Edmund Husserl (1859 – 1764), o criador da

corrente filosófica denominada fenomenologia, o método fenomenológico é puro, descritivo,

à priori e baseado na apreensão intuitiva dos fenômenos psíquicos, tais como se dão na

consciência.

Segundo Cheniaux (2005) para a fenomenologia tudo que existe é fenômeno e só

existe fenômenos. Fenômenos é todo objeto aparente, é o que se apresenta à nossa

consciência. Esta possui uma intencionalidade, isto é, ela se move em direção aos objetos

para apreender o fenômeno: é sempre consciência de algo. A consciência é doadora de

sentido as coisas, tem o poder de constituir e criar essências. A fenomenologia descreve

experiências psicológica subjetivas, e seu objeto é o que aparece na consciência; ela centra-

atenção aos seus próprios pressupostos, deixando de lado todas as teorias, para evitar que

distorçam a observação. A intuição, que é o instrumento por excelência da captação

fenomenológica, consiste na compreensão empática das vivencias; empatia esta que

representa a capacidade de sentir-se na situação de outra pessoa.

Coube a Karl Jaspers (1883 – 1969), filosofo alemão, a aplicação do método

fenomenológico na investigação psiquiátrica, a partir de 1913. Segundo ele a psicopatologia

representa uma descrição compreensiva. Por compreensão entende-se a intuição do

psiquismo do outro alcançada no interior do próprio psiquismo. O método fenomenológico

utiliza a mente do entrevistador, sua experiência emocional e cognitiva. Trata-se de método

empírico que enfoca dados subjetivos. As vivencias dos pacientes não podem ser percebidas

diretamente como os fenômenos físicos. Mas, após o relato do paciente (subjetivo), fazemos,

por meio da empatia uma analogia (comparação) com as nossas vivencias, e assim podemos

compreender a sua experiência subjetiva. A mera observação objetiva de seu comportamento

não permitiria um maior aprofundamento no fenômeno psicopatológico. O foco da

psicopatologia fenomenológica é, portanto, as vivencias subjetivas – conscientes – dos

pacientes, descritas pelos próprios. O que está inconsciente não é objeto da fenomenologia.

Por fim a psicopatologia fenomenológica não busca explicações teóricas para eventos

psicológicos. Através da redução fenomenológica, os fenômenos são colocados entre

parentes: são descritas as vivencias em si, sem a preocupação com as origens e

consequências.

A fenomenologia prioriza a indissocialização entre homem e mundo na própria

estrutura da vivência, da experiência intencional. Centraliza-se na relação sujeito- objeto-

mundo. Assim, não se atém à inquirição de fenômenos observáveis e controláveis apenas,

mas à investigação das experiências vivenciadas e aos significados que lhe são atribuídos

(Bruns, 2001).

Segundo o pensamento de Husserl, não existe “consciência pura”, desvinculada do

mundo, uma vez que toda consciência tende para o mundo, assim como não existe objeto em

si independente de uma consciência que o perceba. O objeto é sempre para um sujeito que

lhe atribui significado (Bruns, 2001). A compreensão do Ser depende da percepção da

consciência em sua totalidade, essência e intencionalidade.

A fenomenologia, enquanto método preocupa-se com os “fundamentos da

significação”, com o solo poético do sentido, “com o não formulado que sustenta a

formulação, com o implícito que prepara a explicitação. Ela quer destacar as condições de

inteligibilidade do próprio objeto da investigação científica”. É ainda é um método usado na

pesquisa qualitativa, que busca a compreensão do fenômeno interrogado, não se

preocupando com explicações e generalizações. Segundo Holanda (2001) o pesquisador não

parte de um problema específico, mas conduz sua pesquisa a partir de uma interrogação

acerca de um fenômeno, o qual precisa ser situado, ou seja, estar sendo vivenciado pelo

sujeito.

Para Moreira (2002). A Pesquisa Qualitativa propõe a construção de um itinerário

científico que ultrapassa os limites da percepção imediata, permitindo o contato com zonas

de sentido ocultas. Trata-se de um processo onde o conhecimento se produz na relação entre

pesquisador e pesquisado, havendo, então, um caráter interativo gerador de informações

onde a neutralidade se torna impossível.

Segundo Petrelli (2001), a fenomenologia se preocupa em colher relações constantes

e, por isso, significativas, entre fatos, para se chegar à compreensão singular e do conjunto

de fatos. Essa relação deve ser registrada como se desvela à consciência; num processamento

objetivo que colhe os produtos da consciência do investigado, livre de contaminações

algumas ideias básicas da fenomenologia é adotar essencialmente, uma postura que envolve

voltar-se para o outro, enquanto pessoa em sua própria experiência de vida, enquanto sujeito

ativo, com múltiplas possibilidades de existir, um vir-a-ser. Além disso, a fenomenologia

pode contribuir para essa área, no que diz respeito a uma melhor compreensão das relações

humanas.

O método fenomenológico constitui-se em etapas, a serem seguidas na execução da

pesquisa qualitativa, as quais em seu conjunto são nomeadas por Gomes (1998) de

Reflexibilidade Fenomenológica, sendo elas: Descrição Fenomenológica, Redução

fenomenológica e Interpretação fenomenológica.

Segundo Martins (1992) existem trajetórias que podem revelar caminhos adequados

na busca da compreensão do fenômeno. Trata-se de um caminhar gradativo, relacionado ao

próprio desenvolvimento da fenomenologia, enquanto alternativa metodológica de pesquisa

nas ciências humanas. O método fenomenológico possui sentido amplo, que vai de uma

interpretação a outra, e tem as seguintes características:

· É um método derivado de uma atitude, que presume ser absolutamente sem previsões, tendo como objetivo proporcionar ao conhecimento filosófico as bases sólidas de uma

ciência de rigor, com evidência empírica.

· É descritivo, conduzindo a resultados específicos e cumulativos. A descrição fenomenológica compõe-se por três elementos: a percepção, a consciência que se

dirige para o mundo-vida, o sujeito que se vê capaz de experimentar o corpo-vivido

através da consciência.

· Tem como método a redução, que é o movimento que vai da crença na atitude natural ao domínio da subjetividade transcendental. A redução fenomenológica, por sua vez, é

o momento em que são selecionadas as partes da descrição que são consideradas

imagina cada parte como estando presente ou ausente na experiência, até que a

descrição seja reduzida ao essencial para a existência da consciência da experiência.

· Analisa dados inerentes à consciência, funda-se na essência dos fenômenos e na subjetividade transcendental. É o momento em que se tenta obter o significado

essencial na descrição e na redução. O pesquisador assume o resultado da redução

como um conjunto de asserções ou unidades de significado, que se mostram

significativas para ele, apontando também para a experiência do sujeito, para a

consciência que o sujeito tem do fenômeno. Inicialmente, as unidades de significado

são assumidas na linguagem do sujeito que descreve o fenômeno, sendo

posteriormente transformadas em expressões próprias de discurso que sustentam o que

está sendo buscado, por exemplo, um discurso psicológico, educacional, social.

Finalmente é organizada uma síntese dessas unidades de significado encontradas, a

partir da análise das descrições dos vários sujeitos da pesquisa, sendo buscadas, então,

suas convergências, divergências e seu desabafo, tudo que o “eu” sente em relação ao

mundo material.

Segundo Chechin (1985) o método fenomenológico é o que melhor se adapta a

compreensão da realidade humana. O Rorschach nos dá uma série de dados, estruturas

perceptivas, que constituem o resultado de um teste. Esses dados podem ser analisados pelo

método das ciências naturais ou pelo método intuitivo fenomenológico. O resultado de um

teste pode ser comparado a um quadro que retrata o indivíduo. O método fenomenológico põe

entre parênteses os dados sensíveis e quantificáveis para colher o essencial humano e a

modalidade como ele é vivido pelo indivíduo. O método fenomenológico aplicado ao

Rorschach tem por objetivo compreender através de um ato intuitivo, as estruturas constitutivas da experiência humana, especialmente a presença, a convivência, a continuidade,

3.1.1 Instrumento

Os instrumentos de coleta de dados utilizados na pesquisa, como já citado, foram a

entrevista, análise de documento e o psicodiagnóstico Rorschach.

A entrevista possibilitou a obtenção de dados sobre a história de vida dos sujeitos,

suas percepções de si mesmo no mundo, intencionalidade, percepção dos fatos que se lhe

referem, de significado dos fatos, sua estrutura de juízo, sentimentos e conduta.

Na análise de documentos foi consultado o prontuário de sentenciado, composto de

vasta documentação sobre a vida dos sujeitos pesquisados no curso do processo de

aprisionamento, que permitiu uma avaliação geral dos casos em estudo.

3.1.2 Sujeitos do Estudo

Participaram deste estudo 05 (cinco) pessoas do sexo masculino escolhido de forma

aleatória entre os detentos do Centro de Inserção Social de Rio Verde que cumprem pena por

crime hediondo, em específico o crime de homicídio qualificado e que aceitaram participar

desta pesquisa.

3.1.3 Procedimentos

Para realização deste trabalho, optou-se pelo estudo de caso realizado através do

psicodiagnóstico Rorschach, por constituir instrumento de pesquisa que permite uma

compreensão profunda do sujeito: seu modo de ser no mundo, constituição subjetiva e

singularidade.

Neste trabalho, o processo psicodiagnóstico adquiriu uma forma de investigação

realizada em cinco autores de crime hediondo, em regime fechado na Agência Prisional de

Rio Verde do Estado de Goiás. As coletas de dados nos estudos de casos foram realizadas

mediante a utilização dos seguintes instrumentos: entrevista semi-estruturada e

Psicodiagnóstico Rorschach.

A princípio foi estabelecido contato com os participantes, onde se buscou sensibilizar

quanto aos objetivos e à natureza da pesquisa. Neste contato, os participantes se propuseram

espontaneamente a colaborar com a investigação, autorizando de forma escrita através do

termo de consentimento livre e esclarecido a entrevista e a utilização dos dados coletados na

pesquisa.

Todo procedimento deste trabalho foi realizado em duas etapas com cada sujeito,

sendo a entrevista num primeiro encontro e posteriormente aplicação do teste projetivo. No

primeiro encontro foi apresentado ao participante o termo de consentimento Livre e

Esclarecido e foi também realizada a entrevista que se processou de forma padronizada, com

tempo de duração indeterminado.

No segundo encontro foi aplicado o teste projetivo Rorschach, foram usadas dez

pranchas padronizadas, compostas por manchas de tinta, selecionadas de modo a cumprir os

requisitos de composição e materiais exigidos para a aplicação do teste. De início, foi feita a

aplicação padrão e, depois, feito o inquérito tradicional. O encontro para aplicação do teste

teve uma duração aproximada de duas horas para cada participante.

3.2 Resultados

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