RESULTADOS E DISCUSSÃO
8. Psychotria L., Syst Nat (ed 10) 2: 929, 1122, 1364 1759.
Ervas, subarbusto, arbustos ou árvores de pequeno porte, raramente trepadeiras. Ramos glabros, pubérulos ou pubescentes, geralmente mais grossos próximos aos nós. Estípulas interpeciolares, persistentes ou caducas, livres ou unidas na base formando bainha, triangulares ou bífidas, às vezes com até 5 lobos. Folhas opostas, dísticas, às vezes verticiladas, com ou sem domáceas nas axilas. Inflorescência terminal ou axilar, geralmente paniculada, tirsóide, cimosa ou em glomérulos, às vezes fascículos ou flores solitárias. Flor bissexual ou unissexual, cálice turbinado a ovóide, curto, e geralmente caduco, 4 5 lacínios (raramente 6) ou truncado, corola tubular, infundibuliforme, hipocrateriforme, campanulada, externamente glabra a pubescente, tetra a pentâmera (-6), branca, creme, rósea, azul clara, amarela; estames inclusos ou exsertos; anteras oblongas a lineares, dorsifixas; ovário
bilocular, raramente 4 6 locular, uniovulados. Fruto drupáceo, geralmente carnoso, branco, amarelo, laranja, azul, roxo ou negro.
É um gênero Pantropical que compreende mais de 1.000 espécies, com possivelmente 600 espécies Neotropicais (Taylor et al. 2007). No Brasil, distribui-se por quase todo o território nacional (Andersson 1992). Psychotria é bastante semelhante à Palicourea, sua principal diferença é a ausência de anéis de tricomas no interior do tubo da corola (pode ser pubescente da base para o ápice do tubo da corola tubo, mas não possui um anel definido) (Mendonza et al. 2004). Na área de estudo ocorre uma espécie.
8.1. Psychotria bahiensis DC., Prodr. 4: 509. 1830. Fig. 7 A-E Arbusto 0,5 2 m alt. . Ramos cilíndricos, lisos a estriados, verde-claros, glabros, entrenós 4 9 cm. Estípulas persistentes, bipartidas, ápice agudo, glabras, 2 3×2 3 mm. Folhas opostas, dísticas, pecíolo 3 7×0,5 1,5 mm, glabro, lâmina 4,1 11,1×1,1 4,4 cm, elíptica a lanceolada, ápice acuminado, base aguda a atenuada, margem inteira, cartácea in sicco, glabras em ambas faces, 5 8 pares de nervuras secundárias, nervura principal proeminente na face inferior, glabra. Inflorescências tirsos, terminais, pedunculados, multifloros (6 42 flores), 3×1,5 2 cm. Flores sésseis, prefloração valvar, botões florais, oblongos, ápice agudo a arredondado, 2 4×1 2 mm, cálice campanulado, denteado (5), glabro a pubescente, 1 1,5×1 2 mm, corola hipocrateriforme, branca, pentâmera, glabra a pubescente na face externa, pilosa na face interna no ponto de inserção dos estames até próximo aos lacínios, tubo 4 5×1,5 2 mm, lacínios triangulares, ápice agudo 2 4×1 1,5 mm, estames exsertos, presos na porção média do tubo, filete glabro 0,1 mm, antera 2×0,25 0,5 mm, oblonga, amarelada, glabra, 2×0,25 0,5 mm, estilete glabro, 6 6,5 mm, ovário bilocular, estigma bífido, 2 3 mm. Flores sésseis, prefloração valvar, botões florais, oblongos, ápice obtuso a arredondado, cálice campanulado, denteado (5), glabro, 1 1,5×1 2 mm, corola
hipocrateriforme, branca, pentâmera, glabra a pubescente na face externa, piloso na face interna no ponto de inserção dos estames, tubo 5 6×2 2,5 mm, lobos 2 3×1 2 mm, triangulares, ápice agudo, estames (5), exsertos, presos na porção média do tubo, filetes 2,5 3 mm, glabros, antera 1 2×0,5 1 mm, oblonga, amarelada, glabra, estilete 2 3 mm de compr., glabro, ovário bilocular, um óvulo por lóculo; estigma inteiro, muricado. Fruto 5 7×3 5 mm, globoso a ovada, branco quando madura, glabra. Sementes 4 5×2,5 3 mm, oblongas, plano- convexas.
Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Parnamirim, Mata do Jiqui, 26/II/2009, fl., D. F. F. Mól & J. G. Jardim 36 (UFRN); idem, 25/III/2009, fl., fr., D. F. F.
Mól 45 (UFRN); idem, 25/III/2009, fl., D. F. F. Mól 46 (UFRN); idem, 20/V/2009, fr., D. F. F. Mól 65 (UFRN); idem, 28/VII/2009, fr., D. F. F. Mól & J. L. Lima 72 (UFRN); idem,
28/VIII/2009, fr., D. F. F. Mól 82 (UFRN).
Material adicional examinado: BRASIL. PARAÍBA: Mamanguape, Rebio Guaribas. Área II, 12/I/2001, M. S. Pereira 256 (JPB); idem, II, 23/II/2001, bot., fl., M. S. Pereira 266 (JPB). Esta espécie ocorre na Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guianas e Brasil (Pereira & Barbosa, 2006). espécie é bastante frequente na área, encontrada no subosque da floresta e também nas bordas sob sombreamento. Caracteriza-se por apresentar inflorescências tirsóides terminais e frutos brancos que a diferenciam facilmente de Margaritopsis carrascoana a qual tem frutos laranja a vermelhos na maturidade e inflorescências uni ou bi-floras. Observada com flores em março e frutos em março, maio e agosto.
9. Richardia L., Sp. Pl. 1: 330. 1753.
Ervas eretas ou rasteiras, pubescentes. Estípulas interpeciolares, presas à base da bainha, fimbriadas e persistentes. Folhas opostas, dísticas, pecioladas, elípticas a lanceoladas, membranácea Inflorescência terminal em glomérulos capituliformes, (2 4) brácteas foliáceas
involucrais. Flores sésseis ou curto pecioladas, cálice externamente pubescente, corola campanulada o infundibuliforme, hexâmera, externamente glabra, amarela, branca, rósea ou laranjada, lobos triangulares; estames exsertos ou inclusos, anteras oblongo-lineares, arredondadas na base e ápice, ovário, 3 4 locular, raramente 2, 5 ou 6 locular, uniovulado. Fruto esquizocarpo, 3 4 mericarpos (com menos freqüência 2, 5 ou 6). Semente castanha, ovóide ou elipsóide, lisa, com uma testa sulcada.
O gênero Richardia compreende aproximadamente 15 espécies do continente americano (Bagacilupo 1968). No Brasil, são listadas oito espécies distribuídas de forma descontínua por todo o território brasileiro (Anderson 1992). O gênero está intimamente relacionado com
Spermacoce e Diodia, mas difere pelo ovário 3 4 lóculos (Mendonza et al. 2004). Na área de
estudo foi registrada apenas uma espécie.
9.1. Richardia grandiflora (Cham & Schltdl.) Steud., Nomencl. Bot. 2: 459. 1841. ..Fig. 7 F-I Erva prostada a procumbente 20 40 cm alt., ramificada. Ramos cilíndricos a tetragonais, lisos, avermelhados, hirsutos, entrenós, 3 6,5 mm. Estípulas 4 8 lobos, hirsutas, 2 4×2 4 mm. Folhas pecíolo 3 6,5×0,1 0,2 mm, hirsuto, lâmina 1,5–5×0,3–1,5 cm, lanceolada, ápice agudo a acuminado, base atenuada, margem inteira, membranácea in sicco, híspida em ambas as faces, 2 3 pares de nervuras secundárias, glabras, nervura principal proeminente na face inferior, hirsuta. Inflorescências em glomérulos compressos, multifloros (5 21 flores), 0,4 1,7×0,6 1,2 cm, 4 brácteas, involucrais, foliáceas, verdes, ovadas a obovadas, híspidas, 1,1 2,1×0,4 1,2 cm. Flores sésseis, prefloração valvar, botões florais ovalados, ápice obtuso a arredondado, 0,8 1,2×0,1 0,2 cm, cálice campanulado, laciniado (6), híspido a escabro, 3 5×1 2 mm, corola infundibuliforme, róseas a brancas, com anel de tricomas na base interna, tubo 1,4 1,5×0,1 0,2 cm, lacínios 4×1 3 mm, ápice agudo e piloso, estames (6), inclusos, presos à fauce, filetes glabros, 1 2 mm, antera 1,5 2×0,5 1
mm, oblonga, branca, glabra, estilete glabro 1,6-1,7 cm; ovário trilocular, estigma trífido, glabro, 0,5-1×0,5 mm. Fruto 5 6,5×3,5 4 mm, esquizocarpo, oblongo-ovado, verde, glabro a hirsuto, muricado. Sementes 0,11 0,2×0,05 0,1 mm, ovaladas, muricadas.
Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Parnamirim, Mata do Jiqui, 03/IX/2008, fl., D. F. F. Mól 19 (UFRN), idem, 28/VII/2009, fl., D. F. F. Mól 80 (UFRN), idem, 28/VIII/2009, fl., fr., D. F. F. Mól & J. L. Lima 93 (UFRN).
Material adicional examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Natal, Parque da Cidade: San Vale, dunas atrás do Sest/Senat, 28/V/2007, V. R. R. Sena et al. 88 (UFRN). Nísia Floresta, 30/III/2008, Sousa & Trindade 18 (UFRN). São Miguel do Gostoso: Novo Horizonte, 06/VIII/2007, Paterno & M. I. B. Loiola 147 (UFRN).
Espécie encontrada por toda a América (Schumann 1888), Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e no Brasil, ela ocorre nos estados da Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul e São Paulo (Lewis & Oliver 1974). Esta espécie é frequente na Mata do Jiqui nas áreas com maior luminosidade e com solo arenoso, principalmente nas bordas da mata. Caracteriza-se por apresentar inflorescência em glomérulos terminais, com flores hexâmeras, ovário trilocular, estigma trífido e frutos esquizocarpos com mericarpos muricados. Esta espécie floresce durante todo o ano e seus frutos foram observados em fevereiro, março, agosto e novembro.
10. Spermacoce L., Sp. P. 1:102. 1753.
Ervas ou subarbustos, eretos ou prostados. Ramos tetragonais ou aplanados, glabros ou pubescentes. Estípulas interpeciolares persistentes, presas à base formando uma bainha, fimbriadas nas margens. Folhas simples, opostas ou verticiladas, lâmina elíptica, ovada, elíptico-lanceolada ou lanceolada. Inflorescências axilares e/ou terminais, glomerulares,
sustentadas por duas ou mais brácteas. Flor bissexual, pequena, séssil, prefloração valvar, cálice persistente, glabro a pubescente, 2 4 8 lacínios; corola infundibuliforme ou hipocrateriforme, tetrâmera, branca ou rósea, estames inseridos na fauce, anteras oblongas a elípticas, ovário bilocular, um óvulo por lóculo, estigma capitado ou bífido. Fruto cápsula septicida que se abre em dois mericarpos, coroados pelo cálice. Sementes arredondadas, ovóides ou elípsóides, com sulco ventral.
Gênero pantropical que com ca. 250 espécies, muitas delas ocorrendo na América Tropical. Atualmente este gênero é frequentemente circunscrito incluindo os gêneros Borreria e Hemidiodia (Taylor et al. 2007)
Delprete et al. (2007), juntamente com outros autores, consideram Borreria sinônimo de Spermacoce. O gênero Borreria tem sido tratado como separado de Spermacoce por diferentes especialistas, mas sua separação não tem suporte em filogenias moleculares, nem em evidências palinológicas (Mendonza et al. 2004).
Entretanto, estudos multidisciplinares demonstraram que é melhor tratar Spermacoce como amplamente delimitado, incluindo Borreria, sendo que este conceito tem um forte suporte da morfologia, anatomia, palinologia e filogenias moleculares (Delprete 2007). Na área de estudo o gênero está representado por uma espécie.
10.1. Spermacoce latifolia Aubl. Hist. Pl. Guiane 1: 55.1775. Fig. 7 J-N Erva ereta 40 70 cm alt. ramificada. Ramos tetragonais, lisos, verdes claros, hirsutos, entrenós 1,5 5 cm. Estípulas 5 10 lobos, pubérulas, 0,4 0,6×0,4 0,5 mm. Folhas opostas, cruzadas, pecíolo séssil, lâmina 2,5-6,5×0,6-3,0 cm, elíptica a ovada, ápice agudo, base atenuada, margem inteira, cartácea in sicco, hirsuta em ambas as faces, 4 6 pares de nervuras secundárias, hirsutas, nervura principal e secundárias proeminentes na face inferior, hirsutas. Inflorescências glomérulos, não capitulifurmes, axilares, multifloros (2 6 flores)
0,5 1,4×0,6 0,8 cm, 2 brácteas involucrais, foliáceas elíptica a ovada, verdes, hirsutas em ambas as faces. Flores botões florais oblongos, ápice arredondado, 0,15 0,3×0,05 0,1 mm, cálice infundibuliforme, laciniado (4), lacínios iguais, hirsutos, 0,3 0,4×0,1 0,2 mm, corola infundibuliforme, branca a rósea, glabra em ambas faces, tubo 0,3 0,4×0,05 0,1 mm, lacínios triangulares, ápice agudo e piloso, 1,5 2×1 mm, estames (4), inclusos, presos no terço superior da corola, filetes glabros, 1 mm, estilete glabro, 0,5 0,6 mm, antera 1×0,5 mm, elíptica, branca, glabra, estigma bífido 0,5 1 mm. Fruto sub-globoso a elipsóide, pubescente, 4 lacínios, 3 4×2,5 4 mm. Sementes elípticas, plano convexas, 3 4×2,5 3 mm.
Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Parnamirim, Mata do Jiqui, 30/VI/2009, fl., fr., D. F. F. Mól 70 (UFRN); idem, 28/VII/2009, fl., fr., D. F. F. Mól & J. L.
Lima 78 (UFRN), idem, 30/XI/2009, fl., D. F. F. Mól 96 (UFRN).
Spermacoce latifolia ocorre no México, Antilhas e América do Sul. No Brasil distribui-se
desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul (Pereira et al. 2006). A espécie é pouco frequente na área, geralmente encontrada em locais mais úmidos, em áreas de borda com sombreamento. A espécie diferencia-se das demais por apresentar folhas elípticas a ovadas, hirsuta em ambas as faces, corola com tubo curto (0,3 0,4 mm compr.). Flores foram observadas em junho, julho, agosto e setembro e frutos em junho e junho.
10.2. Spermacoce verticillata L., Species Plantarum 1: 102. 1753. Fig. 8 A-D Erva ereta 30 90 cm alt., ramificada. Ramos tetragonais, lisos, verdes a avermelhados, glabros, entrenós 1,3 5,5 cm. Estípulas 6 9 lobos, pubérulas, 3 5×2 3 mm. Folhas opostas, cruzadas, pecíolo séssil, lâmina 0,5 1,6×0,2 0,6 cm, lanceoladas a lineares, ápice agudo, base aguda a atenuada, margem inteira, membranácea in sicco, híspida a escabra em ambas as faces, 2 4 pares de nervuras, glabras, nervura principal proeminente na face inferior glabra. Inflorescência em glomérulos, não capituliformes, terminais e axilares, multifloros,
0,6 1,4×0,4 0,8 cm, 2 4 brácteas, foliáceas, involucrais, verdes, lanceoladas a lineares, pubérulas a escabras. Flores botões florais oblongos, ápice obtuso a arredondado, 1 2×1 1,5 mm cálice campanulado, laciniado (2), lacínios iguais, híspido a hirsuto, 0,8 1,5×0,5 1 mm, corola infundibuliforme, branca, glabra externamente ou com tricomas curtos e hialinos no ápice do lobo, internamente piloso no ponto de inserção dos estames, tubo 1 2×1 1,5 mm, lobos triangulares 1 2×1 1,5 mm, ápice agudo; estames exsertos, presos na base da corola, filetes 1 1,5 mm, glabros, estilete glabro 1 1,5 mm; antera 0,5 1×0,25 0,5 mm, rimosa, oblonga, branca; estigma bífido 0,5 0,75×0,25 mm. Fruto 0,1 0,2×0,3 0,5 mm, oblongo a ovado, pubescentes, 2 lacínios. Sementes não observadas.
Material examinado: BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Parnamirim, Mata do Jiqui, 08/XII/2008, fl., fr., D. F. F. Mól 21 (UFRN); idem, 11/II/2009, fl., fr., D. F. F. Mól 28 (UFRN); idem, 25/III/2009, fl., D. F. F. Mól 53 (UFRN); idem, 28/VIII/2009, fl., fr., D. F. F.
Mól 90 (UFRN).
Material adicional examinado: BRASIL. PARAÍBA: Mamanguape, Rebio Guaribas. Área II, 15/VI/20000, fl., M. S. Pereira 150 (JPB); BRASIL. RIO GRANDE DO NORTE: Nísia Floresta, Sítio Currais, 20/IV/2004, Queiroz 62 (UFRN).
Distribui-se do Sul dos Estados Unidos até o sul da América do Sul. No Brasil, distribui-se desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul (Pereira et al. 2006). Foi encontrada com frequência na área em áreas abertas e ensolaradas. Spermacoce verticillata caracteriza-se por apresentar inflorescências em glomérulos não capituliformes axilares e terminais com flores numerosas. Foram observadas flores em dezembro, fevereiro, março, agosto e frutos em dezembro, fevereiro, agosto.