Dados de compreensão da área urbana Barreiras e limites e de crescimento
QUADRO COMPARATIVO DA TAXA DE CRESCIMENTO POPULACIONAL (%)
1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 Estado de São Paulo 2,40 3,60 3,20 3,50 2,10 1,80 1,10
Paulínia --- ---- --- 1,93 1,76 1,50 1,48
Tabela 8 – Quadro comparativo da taxa de crescimento populacional (%).
Fonte: Levantamento Domiciliar de Demanda – Prefeitura Municipal/ NEPO – UNICAMP e Censo demográficos de 1970,1980, 1991, 2000, 2010.
Observa-se na tabela 8 que apesar da queda na taxa de crescimento populacional tanto do estado de São Paulo quanto de Paulínia, a partir da década de 1980, a queda da taxa paulinense apresenta-se bem menor do que o decréscimo do estado de São Paulo, afirmando o potencial de crescimento demográfico do município.
Com expressivo aumento populacional, intensificou-se o processo de alteração na forma de organização do espaço urbano, que segundo Matias e Galindo (2011), passaram a ser
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condicionadas pelas demandas e anseios de agentes produtores do espaço interessados prioritariamente na elevação das taxas de reprodução de seu capital. Estimulado pelo comércio, serviços e construção civil, além das outras empresas implantadas no território, o rápido crescimento demográfico e a concentração da população em área urbana determinaram importantes mudanças quanto à configuração da mancha urbana do município.
O município com característica de vila teve que se adaptar rapidamente a uma nova dinâmica organizacional, reordenando toda a infraestrutura urbana exigida pelas novas demandas. Em resposta às mudanças econômicas e sociais que iria enfrentar, foi elaborado pelo arquiteto e urbanista Jorge Wilheim15 (1928-2014), a pedido da prefeitura, um plano urbanístico para
ordenação do crescimento urbano de Paulínia.
O plano da nova cidade tinha como objetivo nortear a expansão urbana municipal, que segundo o diagnóstico levando pela prefeitura em 1967, teria sua população aumentada em 12 vezes até 1980. Propunha-se a expansão da cidade a norte do centro antigo, criando um novo núcleo residencial perto do bairro João Aranha; e, em uma segunda etapa, a fusão dos dois polos urbanos provocaria a conformação de uma cidade linear, crescendo para o norte, paralela à rodovia de acesso a cidade vizinha de Cosmópolis, evitando qualquer tráfego rodoviário de passagem dentro da trama urbana.
Quanto ao uso do solo, estabeleceu-se em lugar de um zoneamento rígido, um zoneamento por predominâncias, considerando a convivência entre usos compatíveis. Quanto às áreas verdes previu-se a criação de um grande parque central, ao longo do Rio Atibaia, orientado para o uso recreativo ao longo das margens da represa. Nos setores ou bairros, destinou-se áreas verdes de acesso aos pedestres, sugerindo sua integração às áreas dedicadas a escolas e recantos infantis. O plano propunha também a criação da Companhia de Desenvolvimento de Paulínia (CODEPA), cujo escopo seria a articulação dos planos de obras da implantação da
15Jorge Wilheim nasceu em 1928, na Itália, e aos doze anos mudou com a família para o Brasil. Faleceu em
fevereiro de 2014, aos oitenta e cinco anos, sessenta dos quais foram dedicados à arquitetura, urbanismo e à administração pública. Em 1950 formou-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em 1956, participou do concurso para o plano-piloto de Brasília, na mesma licitação que elegeu o projeto de Lucio Costa. Foi responsável por mais de vinte planos diretores, destacando-se os de Curitiba, Goiânia, Natal, São Paulo, Campinas e São José dos Campos entre dezenas de outras cidades. Algumas de suas obras são: Parque Anhembi (1967-1973), os projetos de reurbanização do Vale do Anhangabaú (1981-1991), do Pátio do Colégio, sítio da fundação de São Paulo (1975), o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein (1978-1985).
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estrutura viária e das principais obras de futuras vias, além de outras medidas relacionadas ao desenvolvimento e promoção da nova cidade expandida (WILHEIM, 1969).
Figura 28 - Desenhos esquemáticos desenvolvidos por Jorge Wilheim para expansão de Paulínia. Fonte: http://www.jorgewilheim.com.br/legado/Projeto/visualizar/1694
68 Figura 29: - Malha linear desenvolvida ao longo do percurso viário - Paulínia.
Fonte: http://www.jorgewilheim.com.br/legado/Projeto/visualizar/1694.
Mas teria o plano de Jorge Wilheim obtido êxito? Teve Paulínia um controle sobre seu crescimento após o advento da refinaria de petróleo? Estaríamos diante de um caso exemplar de planejamento urbano de uma Cidade do Petróleo? Para tais questões, respostas serão dadas a partir de uma análise da mancha urbana, década à década.
Paulínia – anos 1950
Até a década de 1950 as áreas destinadas às futuras ocupações do município de Paulínia ainda apresentavam-se pouco urbanizadas, com vocação agrícola e predomínio de atividades primárias.
As poucas manchas de desenvolvimento do município iniciam-se bem dispersa. No centro original, encontra-se o primeiro traçado de Paulínia: a Vila José Paulino possuindo nesse período, cerca de 1,02 km² e localizava-se ao longo da avenida central que hoje tem o seu
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nome. A leste já era possível identificar a mancha dispersa da vila onde se encontrava o complexo industrial implantado na década de 1940 a partir da instalação da Rhodia. Nesse período outras indústrias têxteis de pequeno e médio porte foram inseridas no entorno da Rodhia, criando a primeira área industrial que possuía cerca de 1,7 km². Segundo dados levantados pela secretaria de obras de Paulínia, a implantação da Rhodia não alterou profundamente a morfologia do município, principalmente por ter a maioria da sua mão de obra vinda de municípios vizinhos.
Conforme nomeado por Panerai & Castex (1971), neste primeiro momento a forma de crescimento identificada foi o multidirecional, já que as primeiras manchas de crescimento localizadas no futuro território de Paulínia desenvolveram-se de maneira dispersa e espontânea, não havendo apenas um eixo específico de crescimento. Observa-se o desenvolvimento multidirecional de dois polos de desenvolvimento urbano com forma radial. Até o final da década de 1950, o futuro município era regido pelas legislações e planos urbanos de Campinas, já que o território fazia parte do mesmo, não havendo legislações urbanas específicas.
70 Figura 30 - Mancha urbana de Paulínia em 1950.
Fonte: Elaborado pela autora.
http://www.rhodia.com.br/pt/localidades/santo-Andre/unidade-textil-e-acetow/index.html http://www2.uol.com.br/tododia/ano2004/fevereiro/280204/pauli.htm
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Paulínia - anos 1960
A expectativa de chegada da Refinaria, já gerava alvoroço no pequeno município em meados da década de 1960, porém até então suas características urbanas se mantinham. Segundo levantamento realizado pela equipe de projeto de Jorge Wilheim, a cidade de Paulínia era constituída em 1964 por um núcleo original com casas relativamente novas, localizadas às margens da estrada que ligava Cosmópolis a Campinas.
(...) uma sociedade pequena de nível econômico relativamente bom cujas atividades estão ligadas à lavoura e, de forma discreta, a um pequeníssimo comércio de abastecimento local. Atualmente a vida social é fortemente contingenciada pela “expectativa de mudança”, representada pela instalação futura da refinaria da Petrobrás. (WILHEIM, 1969, p. 280.)
Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano e Controle Urbano - SPCU, até 1967 os planos urbanos ou diretrizes de desenvolvimento do município eram inexistente, sendo realizadas pela prefeitura, a partir de sua emancipação, algumas obras viárias como abertura da Rodovia Cosmópolis - Campinas (SP-332) cortando o município no sentido norte - sul, a construção do edifício da prefeitura e um abrigo para o ponto de embarque.
Em 1965, logo após a emancipação, foi implementada a primeira lei de fixação do perímetro urbano de Paulínia. A Lei nº 008/1965 que definia 2,02 km² como área urbana, dizia respeito apenas à extensão do núcleo urbano original da Vila José Paulino, localizado nas proximidades da Avenida José Paulino, centro da cidade. Nesse mesmo período a área ocupada já era superior à definida pela legislação, sendo 5,1 km². Além do núcleo original, já haviam ocupações distribuídas ao longo do rio Atibaia, além da área industrial a leste onde se localizava a Rhodia, existente desde a década de 1940, porém não regularizada.
Em 1969 inicia a preparação da área para implantação da REPLAN. De acordo com dados da Secretaria de Planejamento Urbano e Controle Urbano, a localidade adquirida pela Petrobrás para construção do complexo petroquímico localizava-se em uma área plana e mais alta do território possuindo cerca de 1.000 hectares doados pelo município. Nesse mesmo ano, houve por parte da prefeitura a contratação do urbanista Jorge Wilheim que inicia a elaboração do primeiro plano urbanístico para adaptação do município à nova demanda esperada pós REPLAN.
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Já é possível identificar no mapa a mancha referente à primeira ocupação da REPLAN, que teve sua construção iniciada no final da década de 1960 bem como do novo polo industrial anexo a ela ao norte do município. O desenvolvimento dessa mancha atinge maiores proporções na década seguinte chegando a ocupar 9,1 km² de área construída.
Entre os anos de 1960 e 1970, algumas mudanças podem ser observadas quanto ao crescimento do município. A mancha central (antiga Vila José Paulino) teve seu tamanho quase duplicado, estendendo-se para a porção centro - sul. A mancha localizada a oeste referente à área industrial apresentou um acréscimo de 0,69 km². Nota-se ainda o surgimento de duas novas manchas de crescimento urbano, localizadas nas proximidades do município de Americana e Cosmópolis. Conforme leitura de Panerai & Castex (1971), classifica-se a forma de crescimento desse período como multidirecional e espontânea, não havendo até então, um eixo demarcado de indução de desenvolvimento.
Figura 31 - Mancha urbana de Paulínia em 1960. Fonte: Elaborado pela autora.
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Paulínia – anos 1970
A década de 1970 reservou significativas mudanças ao município de Paulínia quanto ao crescimento da mancha urbana. O início da década traz consigo o principal período de implantação da REPLAN.
Outro importante evento dessa década foi à tentativa de implantação do projeto urbanístico de Jorge Wilheim na malha urbana existente em Paulínia. O projeto propunha que a ampliação da malha da cidade se desse linearmente, ao longo da Rodovia SP-332. Segundo o urbanista a macha urbana da cidade apresentava uma forte tendência de espontaneamente desenvolver-se ao longo de duas principais vias paralelas, Cosmópolis - Campinas e a via que ligava Americana à Rhodia, favorecendo um desenvolvimento radial na intersecção dessas duas vias criando uma área central que se desenvolveria entre as rodovias. A proposta do urbanista limitava o desenvolvimento da mancha em apenas um longo eixo, percorrendo toda a malha sem criar zona central - periferia. Segundo o urbanista, o desenvolvimento ao longo da Rodovia principalmente na porção norte, próximo à REPLAN, já era uma tendência natural de interesse e seu projeto apenas ordenaria essa intenção.
Quanto às mudanças legislativas, houveram quatro ampliações relacionadas às áreas de perímetro urbano nessa década. A primeira delas, amparada pela Lei nº 278/1970 ampliou para 17,84 km² a área municipal. No ano seguinte, a Lei nº 331/1970 deliberou um aumento de 2,64 km² na área total do território. A terceira mudança ocorreu em 1974 quando a Lei nº 452/1974 definiu 25,36 km² como novo perímetro urbano municipal. Por fim, o Decreto nº 540/1976 determinou a maior ampliação regulamentada até então, acrescentando 55,51 km² de área regular municipal, que finalizou a década com 80,87 km² de perímetro urbano regular. Nesse período as manchas de crescimento somaram 21 km².
A proposta de Jorge Wilheim de cidade linear para o município norteou a definição da Lei nº 540/1976 que previa o aumento do perímetro urbano para o norte. Apesar de alguns loteamentos chegarem a ser introduzidos na malha urbana, de acordo com o projeto, pouco dele foi de fato implementado. Em 1976, 19 loteamentos populares foram introduzidos a partir do modelo proposto pelo urbanista.
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Apesar do projeto proposto por Jorge Wilheim propor um plano de malha linear, tendo o eixo centro-norte bem marcado, nesse período de implantação houve expressivamente um crescimento no sentido centro - sul e sudeste. Apesar do crescimento no sentido norte, é possível perceber que ele se deu muito mais pela ocupação da refinaria. A mancha de crescimento continua se desenvolvendo de forma dispersa e multilateral, criando policentros de desenvolvimento simultâneos distribuídos na área municipal territorial. Abandonou-se o projeto de uma cidade nova, restando à Paulínia crescer aos moldes de uma cidade espontânea (TREVISAN, 2009).
Figura 32 - Mancha urbana de Paulínia em 1970. Fonte: Elaborado pela autora.
Paulínia – anos 1980
A década de 1980 reservou ao município ainda mais mudanças sobre seu território. Após a implantação da refinaria, diversas outras indústrias do mesmo ramo de interesse foram
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implantadas nas proximidades da REPLAN transformando a região em um polo industrial petroquímico. A demanda cada vez maior por moradia foi a principal responsável pelas transformações nas manchas de crescimento dessa década.
O ritmo de crescimento da mancha urbana de Paulínia manteve-se acelerado, o que fez com a área urbanizada do município tivesse um aumento de 7,33 km² na mancha referente à área urbanizada, passando a ocupar cerca de 16% do território municipal. Nesse período não houveram legislações deliberadas quanto ao crescimento urbano de Paulínia.
A expansão da mancha ocorreu principalmente no sentido sudeste e noroeste, ou seja, na margem oeste da rodovia SP-332. Nota-se também a continuidade da prevalência de um modelo descontínuo de expansão das manchas de crescimento. Segundo Matias & Galindo (2011), esse padrão de crescimento disperso teve grande contribuição para o aumento da especulação fundiária na cidade, permitindo a valorização de grandes áreas vazias que se localizavam como áreas de interstícios urbanos entre o centro e as novas áreas urbanizadas. Segundo dados da prefeitura, as novas manchas dispersas que surgem nesse período dizem respeito principalmente a condomínios fechados unifamiliares.
Na década de 1980 o crescimento municipal continua a ser classificado como multidirecional, devido aos vários eixos de desenvolvimento da mancha urbana que se espalha a partir de eixos de circulação (estradas) ao longo de todo perímetro, urbano a partir de policentros que aos poucos se unem uns aos outros dando unidade às manchas dispersas.
76 Figura 33 - Mancha urbana de Paulínia em 1980.
Fonte: Elaborado pela autora. https://www.braskem.com.br/historia
Paulínia – anos 1990
Durante a década de 1990 observa-se três sentidos de crescimento da mancha: sudeste, sul e sudoeste, com a formação de novas manchas compostas principalmente de áreas residenciais, favorecendo a continuidade do crescimento disperso. Além disso, nota-se o surgimento de manchas dispersas compostas de condomínios fechados, inseridos na região meridional, nas proximidades das vias de acesso ao município de Campinas. Nesta década foram implantados seis condomínios fechados dos doze hoje existentes na região.
O Bairro de Betel também foi anexado à mancha urbana a partir desse período. A formação do bairro está diretamente associada ao município de Campinas. Tal proximidade resultou em um processo de conurbação da mancha de Paulínia com a mancha do bairro, tornando difícil a
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identificação visual de distinção entre as duas áreas. Outro processo de conurbação que teve origem na década de 1990 foi o ocorrido entre o Parque Bom Retiro e o município de Sumaré, na região sudeste.
Quanto às mudanças legislativas, na década de 1990 houveram três ampliações relacionadas às áreas de perímetro urbano. A primeira no início da década foi amparada pela Lei nº 01/1991 que ampliou para 111,35 km² a área municipal. Três anos depois, a Lei nº 894/1994 deliberou um pequeno aumento de 0,81 km² na área total de Paulínia. A terceira mudança ocorreu em 1995 quando a Lei nº 957/1995 definiu um acréscimo de 4,85 km² finalizando a década de 1990 com 117,01 km² de perímetro urbano regular. Quanto ao aumento da mancha de crescimento, foi observado um acréscimo de 11,20 km² de área urbana até o final da década de 1990. O crescimento continua sendo classificado como multidirecional, espontâneo e disperso.
Figura 34 - Mancha urbana de Paulínia em 1990. Fonte: Elaborado pela autora.
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Paulínia – anos 2000
Sobre essa década, destaca-se que em complemento ao perfil industrial assumido pelo município, o desenvolvimento de Paulínia teve um contínuo aumento baseado em uma estratégia de valorização imobiliária decorrente da produção de novos empreendimentos, sobretudo, de loteamentos e condomínios de alto padrão. Na Avenida José Paulino, principal e mais antiga avenida da cidade, encontra-se a maior concentração de edifícios de múltiplos pavimentos, sendo essa área de maior verticalização. Nesse trecho, localizavam-se 18 condomínios verticais, sendo que, atualmente são 26.
A partir da década 2000, a mancha de crescimento distribui-se principalmente próxima aos limites com outros municípios. No sentido norte e nordeste em direção a Cosmópolis, conforme previsto pelo plano urbanístico de 1969, houve expressivo crescimento nesse período, embora segundo o plano, essa seria a primeira área a ser ocupada devido à proximidade com a REPLAN. No mesmo período houve maior densificação da porção sul e sudeste próxima a Sumaré, região onde se localiza principalmente loteamentos populares. A sudoeste e oeste prevalecem os condomínios fechados de classe média e alta, próximo ao município de Campinas. As áreas de expansão apresentam-se cada vez mais próximas do perímetro municipal, em área de uso predominante residencial. Destaca-se também o preenchimento dos interstícios urbanos unindo manchas antes dispersas. Em 2008, a área urbanizada de Paulínia correspondia a aproximadamente 51 km², sendo que essa expansão deu-se em praticamente todos os sentidos.
Foi também no final desse período que a mancha foi acrescida pela implantação do Parque Brasil 500, concebido, segundo a prefeitura e pelo aumento dos Royalties gerados pela indústria petroleira, com o intuito de concentrar diversos equipamentos públicos como: o complexo cultural, a sede administrativa municipal, o complexo rodoviária-shopping e o teatro municipal. A conformação do parque é formada por edifícios dispostos sobre grande área verde. O Parque Brasil 500 pode ser interpretado como uma continuidade do esforço do poder público de “direcionar” a crescente expansão do município, proporcionando infraestrutura para expansão de Paulínia na porção sul costurando as manchas no eixo norte - sul.
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Nessa década ocorreu a última mudança quanto ao perímetro municipal de Paulínia. Conforme a Lei nº 2688/2004 houve um acréscimo de 5,29 km² de área urbana, acumulando um total de 122,30 km², atual perímetro urbano do município, sendo essa a oitava ampliação ocorrida na história municipal. Em 2008, área urbanizada de Paulínia correspondia a aproximadamente 48,32% da área total municipal.
Em 22 de dezembro de 2006 conforme determinado pelo Estatuto da Cidade em 2001, foi sancionada a Lei nº 2.852/2006 definindo o Plano Diretor de Paulínia. O plano tem grande enfoque nas questões de preservação do meio ambiente e sustentabilidade. Quanto ao desenvolvimento urbano e organização territorial, evidenciam-se questões de políticas quanto à mobilidade urbana, descentralização das atividades econômicas no território e ocupação dos vazios urbanos e áreas intersticiais urbanas, mediante a produção de lotes ou conjuntos habitacionais.
Em 2008, com relevante contribuição do polo petroquímico, Paulínia apresentou PIB per capita que atinge totais de R$ 106.081,86, enquanto a Região Metropolitana de Campinas somou totais de R$ 22.044,73 (AGEMCAMP, 2006). Com população estimada de 95.221 habitantes, Paulínia vem se caracterizando pelo seu elevado grau de desenvolvimento urbano- industrial, bem como pelas intensas transformações na organização de seu espaço geográfico ocorrido nas últimas décadas.
80 Figura 35 - Mancha urbana de Paulínia em 2000.
Fonte: Elaborado pela autora.
O percurso de crescimento de Paulínia, transposições dos limites de crescimento e suas decorrências.
Ao longo dos períodos de 1950 a 2010 as leis de estabelecimento de perímetro urbano de Paulínia apresentaram oito alterações, possuindo em 1965 2,02 km² e chegando a 122,30 km² de perímetro urbano em 2004. Sua densidade de ocupação é considerada baixa, com apenas 48,32% de área urbanizada contida nos limites legais. Nota-se que ao longo dos períodos, as mudanças legislativas ocorram posteriormente ao espraimamento das manchas de crescimento e ocupação das áreas não regularizadas, além do considerável atraso na atualização do perímetro urbano especialmente entre 1976 e 1991. Nas últimas décadas observa-se principalmente a ocupação das áreas ociosas no interior das manchas. Atualmente, Paulínia não apresenta áreas urbanizadas além dos limites estabelecidos pela lei nº 2688/2004, a última lei do perímetro urbano. Ressalta-se que antes da ampliação de 2004, Paulínia não era
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considerada como município que atendia a legislação, apesar de suas áreas localizadas além dos