QUEM SÃO OS SUJEITOS DA PESQUISA?
QUADRO 3.17 D ( CONT ) – CAPITAL CULTURAL ALUNOS
ATIVIDADES
LEO LIMA LINO RUI TUCA
TOTAL FREQÜÊNCIA 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Ver televisão X X X X X 5 0 0 0 0 Vídeo/ DVD X X X X X 5 0 0 0 0 Ouvir rádio X X X X X 5 0 0 0 0 Ler livros X X X X X 0 4 1 0 0 Ler jornais X X X X X 3 1 1 0 0 Ir ao cinema X X X X 1 2 1 1 0 Ir ao teatro X X X X X 0 0 2 1 2 Shows de música X X X X X 0 0 3 2 0 Ir a shoppings X X X X X X 2 1 2 0 0 Ir bares e restaur. X X X X X 2 2 1 0 0 Praticar esportes X X X X X 1 1 3 0 0
Futebol, vôlei, etc X X X X X 1 0 3 1 0
Namorar X X X X X 2 0 2 0 1 Dançar X X X X X 3 0 1 0 1 Freqüentar a igreja X X X X X 3 0 0 2 0 Descansar X X X X X 5 0 0 0 Cuidar da casa X X X X X 2 2 1 0 0 Cuidar da família X X X X 3 0 1 1 0 Visitar parentes/ a X X X X X 2 1 2 0 0 Fazer compras X X X X 1 3 1 0 0
Tocar instr. Musical X X X X X 0 0 0 2 3
Divertir computador X X X X X 5 0 0 0 0
Legenda: 1- uma vez por semana; 2- uma vez por mês; 3- algumas vezes por ano; 4- uma vez há muito tempo; 5- nunca N- Não respondeu
Três pais e três mães têm o ensino superior, sendo uma delas não completou o curso de graduação; cinco pais e dez mães têm ensino médio completo; três pais têm ensino médio incompleto; um pai e duas mães ensino fundamental incompleto. Portanto, nove alunos têm pai e mãe com pelo menos o ensino médio (onze anos de estudos) e cinco têm pelo menos um dos pais com onze anos de estudos, o que revela uma situação favorável desses alunos, uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 49,6% dos brasileiros tem 11 anos ou mais de estudos (23,1% homens e 26,5% mulheres).
É relevante a participação dos alunos em grupos religiosos, grêmio estudantil, trabalho voluntário, assim como é a freqüência semanal à igreja. Nove, entre os dezessete alunos, frequentam a igreja semanlamente.
Entre os dezessete alunos, quatro estudaram língua estrangeira fora do currículo escolar e quinze sabem usar o computador. Embora, como já mencionado, apenas 59% tenham computador em casa, 88,2% (15 alunos) divertem-se semanalmente no computador.
As leituras preferidas são os jornais, revistas (11 alunos) e quadrinhos (11 alunos, seguidas dos livros de ficção (6 alunos), todavia esses não são adquiridos
com freqüência. Os livros não são lidos com freqüência por grande parte dos alunos, apenas oito (47%) afirmam ler livros mensalmente. Entretanto, essa porcentagem já é significativa, tendo em vista que segundo pesquisa do Ministério da Cultura 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm muito pouco ou nenhum contato com os livros.47
No que diz respeito à televisão, assistida com freqüência pelos alunos, suas preferências situam-se nas novelas, programas humorísticos e noticiários. Assistir à televisão e divertir no computador são suas atividades mais freqüentes, seguidas de ouvir rádio, cuidar da casa, descansar, cuidar da família, dançar, ir à igreja e namorar.
Doze alunos, ou 70,6%, freqüentam shoppings pelo menos uma vez ao mês; cerca de 53% (nove alunos) vão pelo menos uma vez por mês ao cinema, contudo a freqüência ao teatro e aos shows musicais não faz parte da vida cultural dos alunos. Três nunca foram ao teatro e oito foram uma única vez há muito tempo atrás; todos já foram a um show musical, entretanto, nove foram uma vez apenas há muito tempo atrás.
O conceito de capital cultural de Bourdieu não deve ser utilizado sem um certo cuidado de se pensar na realidade brasileira e na realidade de um mundo globalizado e caracterizado por mudanças profundas e aceleradas, onde se multiplicam espaços diversos e diversificados, além dos cinemas, teatros, museus, ou outros tipos de casas de cultura que podem possibilitar aos sujeitos a aquisição de conhecimentos nas mais diversas áreas. O acesso à televisão, ao rádio e ao computador pode significar possibilidades de acúmulo de capital cultura. Nos parques, praças, shoppings, escolas, igrejas há uma vida cultural que também não pode ser desconsiderada. A influência da freqüência ou da pertença a esses espaços na constituição do capital cultural dos alunos não pode ser considerada ficção, nem posta em dúvida. Portanto, a denúncia e a dúvida expressas por Bourdieu (1999a, p61) acerca da eficácia da ação cultural direta - desde os Centros Culturais até os empreendimentos de educação popular - merecem uma análise que se situe na realidade socio-econômico-cultural do Brasil, onde ao contrário do que defende Bourdieu 'há atalhos no caminho que leva às obras da cultura" (p.62).
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Preço dos livros, falta de bibliotecas e analfabetismo levam brasileiro a ler pouco. In: Brasil Agora. Disponível in:http://www.radiobras.gov.br/materia.phtml?materia=187985&q=1&editoria
Entre os aspectos que os alunos apontam como aqueles dos quais mais gostam na escola, destacam o espaço/estrutura física da escola e a relação com os colegas. Aspectos como a qualidade do ensino e do desempenho do professor são citados apenas por três alunos. Uma das alunas aponta a escola como um espaço que lhe proporciona sair de casa sem que os pais achem ruim e outro é categórico ao afirmar que gosta de quase tudo na escola porque ama a escola.
Entre aquilo de não gostam, enfatizam os conflitos nas relações estabelecidas no âmbito escolar devido a diferença de habitus cultural e escolar tanto dos colegas, quanto dos professores. Destacam como mais conflituosa a relação com a direção da escola que acusam de autoritária, burocrática, sem diálogo. Citam ainda a falta de atividades culturais e esportivas e de recursos, como o acesso à internet.
No tabela que apresenta a avaliação e visão dos alunos sobre a escola observa-se que a média atribuída à escola pelos alunos (5,2) é bem mais baixa do que as médias atribuídas pelos gestores (7,8) e professores (7,4).
Há uma convergência entre a avaliação dos gestores, professores e alunos no que diz respeito ao uso dos computadores e internet nas aulas e à participação dos alunos nas tomadas de decisões.
A tabela seguinte – Capital Social – apresenta uma leitura sobre as relações estabelecidas no interior da escola e pode-se observar que os alunos confirmam o distanciamento dos pais em relação à escola e mais uma vez demonstram a dificuldade de relacionamento com a direção.
De acordo com a avaliação dos alunos, as aulas no laboratório se classificam em segundo lugar e as aulas em quarto, embora a relação dos alunos com os professores não tenha merecido uma avaliação muito positiva – média 6,0 – bem próxima da média atribuída pelos gestores (6,8).
TABELA 3.5