Na Rota 2, Os trajetos da/na vida da/na Arte e do/no Teatro, descrevo como a
criação vai perpassando por meu processo formativo na carreira de artista-pesquisador- -docente, em que é importante observar que as práticas analisadas vão ser justificadas como
uma herança das questões analisadas nas rotas posteriores, perpassando, assim, pela investigação de minhas percepções como criança que se põe a brincar e habitar calçadas, quintais, terreiros, ruas e outros espaços; como aluno na escola, em que, ao frequentar a educação básica, participo de grupos e coletivos artísticos dentro e fora do ambiente escolar, além de desenvolver experiências de construção de obras para festivais escolares e gincanas culturais; como professor-pesquisador, quando desenvolvo processos investigativos que operam dentro da pesquisa em criação teatral com estímulos distintos, como objetos, jogos e memórias, e observo os alcances pedagógicos, artísticos e criativos de cada um destes; como profissional artista, que, experienciando-me como ator, diretor e figurinista, vou levantando questões salutares da minha formação; como professor de professores, formador de formadores, quando oriento e acompanho processos e projetos artístico-pedagógicos, bem
como observo e reflito sobre as diversas possibilidades deste campo; e como um artista- -pesquisador-docente curioso, que vagueia pelo mundo com os olhares dilatados para
perceber o mundo e suas mais variadas percepções.
Na Rota 3, Os trajetos da criação no ensino de Arte/Teatro, tem-se uma minirrota, em que faço alguns apontamentos acerca da história do ensino em geral e da forma como ele se relaciona com o ensino da Arte, do Teatro e das demais linguagens artísticas, pautado principalmente nos estudos levantados por Araújo e Silva (2007), Pianowski e Goldberg (2019) e Saviani (2013), que fazem uma delimitação, ainda que por fins didáticos, estratégicos e organizacionais, sobre a história do ensino, a história do ensino da Arte e de suas questões e reverberações possíveis.
Na Rota 4, Trajetos da criação e da Arte na pedagogia tradicional – a Arte- -Educação pré-modernista e sua perspectiva técnica, realizo descrição e análise da Arte e de
seus processos de criação e ensino no Brasil, desde o período de colonização até o começo do século XX, quando as questões do ensino tradicional de Arte se estabelecem, pautado principalmente nos estudos de Amato (2006), André (2011), Araújo e Silva (2007), Bacarin (2005), Barbosa (2012), Barbosa e Coutinho (2011), Bastos (2014), Bezerra e Ribeiro (2020), Cáricol (2012), Cintra (2011), Hansted e Gohn (2013), Loureiro (2001), Machado (1999), Marques (2011), Mazzamati (2012), Pianowski e Goldberg (2019), Santana (2002, 2015, 2016), Saviani (2013) e Souza (2009). Além disso, delineio e reflito sobre os aspectos de criação, que receberam o nome de aspectos casulares, referentes a esse período, apontando questões como: o caráter instrumental envolvendo o mundo do trabalho, da evangelização, da colonização e do ensino de outras disciplinas e áreas; da influência dos elementos nativos e elementos estrangeiros; da utilização e sobreutilização da técnica; do foco no produto em detrimento do processo, entre outras questões.
Na Rota 5, Trajetos da criação e da Arte na pedagogia nova – a Arte-Educação modernista e sua perspectiva de expressão, também realizo a descrição e análise da Arte e de seus processos de criação e ensino no Brasil, indo do começo do século XX até os anos 60 e 70 desse mesmo século, em que as questões relativas ao ensino renovado da Arte se estabelecem, pautado principalmente nos estudos de Amato (2006), Araújo e Silva (2007), Barbosa (1989), Barbosa e Coutinho (2011), Bezerra e Ribeiro (2020), Cáricol (2012), Cintra (2011), Deckert (2012), Hansted e Gohn (2013), Japiassu (2001), Loureiro (2001), Marques (2011), Mazzamati (2012), Nanni (2003), Pianowski e Goldberg (2019) e Santana (2002, 2015). Reflito ainda sobre os aspectos casulares referentes a esse período, apontando questões como: o caráter instrumental, desta vez envolvendo outros vieses, como a formação humana, a formação de caráter e a formação cidadã; o rompimento com as práticas anteriores; a criatividade e a expressividade; a liberdade de expressão; a ampliação da compreensão do ser
humano, do aluno, da escola e do professor de forma mais ampla e plural; o foco e sobrefoco na expressão, entre outras questões.
Já na Rota 6, Trajetos da criação e da Arte na visão crítica da pedagogia – a Arte- -Educação pós-modernista e sua perspectiva de conhecimento e linguagem, realizo o mesmo procedimento das duas rotas anteriores, neste caso, especificando períodos da compreensão crítica da pedagogia, que tem seus primeiros lampejos de meados do século passado aos dias de hoje, salientando as particularidades e singularidades de suas características e estratégias artístico-pedagógicas, pautado principalmente nos estudos de Amato (2006), André (2011), Araújo e Silva (2007), Bacarin (2005), Barbosa (1989), Barbosa e Coutinho (2011), Bezerra e Ribeiro (2020), Cáricol (2012), Cintra (2011), Deckert (2012), Hansted e Gohn (2013), Japiassu (2001), Loureiro (2001), Marques (2011), Mazzamati (2012), Pianowski e Goldberg (2019), Richer (2014) e Santana (2016), além de também realizar um estudo documental dos diversos documentos educacionais oficiais da educação brasileira e da Lei de Diretrizes e Bases (1996) e suas diversas modificações e ementas. Reflito ainda sobre os aspectos casulares referentes a esse período, apontando questões como: a censura e as criações temáticas; a Arte que retorna ao técnico, especificamente voltado à formação de mão de obra e trabalhadores para a indústria; a polivalência artística docente; as abordagens de ensino; a formação de federações e associações;
a compreensão da Arte como área de conhecimento e linguagem, entre outros aspectos.
Na Rota 7, As areias soltas ao longo do caminho: “enlinhado” de fronteiras, territórios e mapas do ensino da Arte e de suas linguagens, trago alguns pensamentos e intercruzamentos das questões da criação e do ensino da Arte, em que busco compreender as potencialidades dos aspectos casulares salientados nos trajetos de vida e no percurso do ensino de Arte no Brasil como elementos influentes e norteadores da prática artístico-docente contemporânea, de forma que a compreensão desses aspectos abre percepções ao professor de Arte/Teatro das potencializações, problematizações e estímulos que são possíveis de serem encampados a partir das práticas em sala de aula. Dessa forma, foi possível observar que a
construção de conhecimentos relativos à criação e seus processos possibilitam um ensino- -aprendizagem que afloram a sensibilidade, a criatividade e a criticidade. Somos engajados a
perceber também as possibilidades de rotas que se movimentam para se traçarem nas novas aventuras metodológicas e práticas do ensino de Arte na sala de aula.
As rotas, em si, são territórios de passagens em que vivencio e reflito sobre o ensino e aprendizagem onde se situam processos criativos em Teatro na escola. Nem sempre são para serem seguidas, mas até para serem negadas e questionadas precisam ser minimamente conhecidas.