4. Políticas Públicas de Formação em Portugal, a partir do ano de 2007
4.3. Quadro de Referência Estratégica Nacional 2007-2013 (QREN) – Programa
(Adaptabilidade e Aprendizagem ao longo da Vida)
O Conselho de Ministros aprovou o QREN para o período 2007-2013 em julho de 2007. Este documento representa o culminar das negociações políticas e técnicas que decorreram entre as autoridades portuguesas e a Comissão Europeia (CE)39.
As intervenções estruturais para o período referido, foram precedidas pela elaboração de um conjunto de estudos40 que se debruçaram sobre diferentes áreas por
forma a contribuírem para o aprofundamento das questões a considerar no QREN, ao nível social, económico, ambiental e território e por um conjunto de orientações estratégicas da Comunidade Económica Europeia para a Política de Coesão, que se iniciou em março de 2000, no Conselho Europeu de Lisboa, o qual adotou como objetivo estratégico ”tornar a União Europeia no espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo, baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e maior coesão social”. (Enquadramento da Estratégia de Lisboa, citado no QREN 2007-2013 (s.d)).
Em março de 2001, o Conselho de Estocolmo determinou que a Estratégia de Lisboa se deveria completar com a inclusão da dimensão ambiental “reunindo assim as três dimensões do desenvolvimento sustentável-desenvolvimento económico, coesão social e proteção ambiental”. (Enquadramento da Estratégia de Lisboa, citado no QREN 2007-2013, (s.d.)).
A orientação política referida foi concretizada em junho de 2001, no Conselho Europeu de Gotemburgo.
38 É de salientar que no Diário da República,1ª série-nº214 de 7/11/2007, Resolução do Conselho de
Ministros nº 173/2007,se prevê necessidade do envolvimento das empresas na qualificação dos Portugueses.
39 A Aprovação do Quadro de Referência Estratégica Nacional 2007-2013, foi efetuada na Resolução do
Conselho de Ministros nº86/2007, de 3 de Julho de 2007. D.R. nº126, Série I.
40 Veja-se a este propósito o QREN, no seu enquadramento, ponto 5.6., Estudos temáticos para
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No ano de 2005, no Conselho Europeu de março de 2005, foi efetuada uma revisão intercalar da Estratégia de Lisboa que conduziu a uma reorientação das prioridades que nela tinham sido definidas41. No ano seguinte, em outubro, o Conselho Europeu
estabeleceu as orientações Estratégicas Comunitárias em matéria de coesão.
O QREN, em 2007, veio assumir, em Portugal, como objetivo estratégico, a qualificação dos portugueses “valorizando o conhecimento, a ciência, a tecnologia e a inovação, bem como a promoção de níveis elevados e sustentados de desenvolvimento económico e sociocultural e de qualificação territorial, num quadro de valorização da igualdade de oportunidades e, bem assim, do aumento de eficiência e qualidade das instituições públicas”. (QREN, (s.d.))
A prossecução do objetivo referido é assegurada pelos programas operacionais de três agendas Operacionais Temáticas: Agenda Operacional para o Potencial Humano, a Agenda Operacional para os fatores de competitividade, e a Agenda Operacional para a valorização do território42.
O Quadro de Referência Estratégica Nacional 2007/2013, de entre os vários programas, contemplou, o Programa Operacional Potencial Humano (programa que tem a cargo a alocação financeira a distribuir pelos dez eixos de intervenção, dos quais se efetua uma pequena síntese.
Este programa estabeleceu quatro prioridades43:
· superar o défice estrutural das qualificações da população portuguesa, consagrando o 12.º ano como referencial mínimo de qualificação, centrando a aposta em estratégias da educação formação dirigidas a jovens e adultos. Expandir as ofertas da dupla certificação em formação inicial para jovens e a oferta de percursos de formação flexíveis aos adultos que lhes permitam a aquisição de competências certificadas;
· promover o conhecimento científico, a inovação e a modernização do tecido produtivo e da Administração Pública;
· estimular a criação e a qualidade do emprego, destacando-se o empreendedorismo e a transição para a vida ativa;
· promover a igualdade de oportunidades tendo por base estratégias integradas para a promoção da inserção social de grupos vulneráveis e
41 A evolução das prioridades e estratégias a implementar no QREN podem ser aprofundadas em Estudos
temáticos para preparação do QREN.
42 As Agendas Temáticas podem ser aprofundadas no QREN.
43 A descrição pormenorizada das quatro prioridades definidas podem ser consultadas no: Programa
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trajetórias de exclusão social. Este domínio contempla ainda a igualdade de género como fator de coesão social.
As quatro prioridades referidas concretizam-se através de dez eixos de intervenção, (cf Anexo B) dos quais, o eixo 2 que integra a modalidade de formação modular a que se reporta este estudo44.
Eixo 2 – Adaptabilidade e Aprendizagem ao longo da vida
Este eixo tem como objetivo elevar a qualificação da população adulta, o desenvolvimento de competências necessárias à modernização económica e empresarial, bem como a adaptabilidade dos trabalhadores.
Compreende assim o desenvolvimento de competências escolares e profissionais certificadas a adultos que não concluíram o 4.º, o 6º, o 9º e o 12º ano de escolaridade, ou que, tendo uma habilitação escolar, não tenham uma qualificação profissional.
Promover a qualificação e a empregabilidade dos ativos pouco escolarizados exige o desenvolvimento de estratégias formativas assentes em percursos de flexibilidade e ajustamentos às necessidades individuais de aquisições de competências.
O reconhecimento das competências por via da experiência ou em contextos formais ou informais, constitui uma opção estratégica para a concretização desse objetivo, na medida em que permite o acesso à promoção, bem como aumentar a sua relevância ao nível individual e nas organizações. As ofertas de cursos de educação e formação de adultos (EFA), as ações modulares de curta duração dirigidas a completar percursos de certificação de competências escolares e profissionais, são consideradas fundamentais.
A Resolução do Conselho de Ministros nº 173/2007, que aprovou a Reforma da Formação Profissional e o Quadro de Referência Estratégica Nacional 2007-2013, nomeadamente o programa potencial humano no seu eixo 2, são considerados os documentos de base da formação profissional a partir de 2007, no entanto o funcionamento das formações modulares assenta em legislação própria, que apesar de não ser desenvolvida no trabalho, parece ser importante referi-la. (cf Anexo C).
44 Os dez eixos de intervenção do Programa Operacional Potencial Humano (2007-2013) poderão ser
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