Depois de se fazer um percurso teórico falando do corpo-criante na sua criatividade, que se expressa, também, na obra arte como revelação do amor criante de Deus - fundamento para a fé como uma vivência de cura para as dores e sofrimentos, chega-se a esta parte da tese para dar testemunho de uma vivência no campo da arte pictórica, que confirma o que se apresentou acima. Esta vivência se trata do Caso R.
Dar testemunho sobre o Caso R. é dizer sobre o que os olhos viram e as mãos tocaram. É expressar um conhecimento encarnado no corpo-criante da Maria Glória, que vivenciou, no processo de sua autopoiese nas inter-relações com R. acontecimentos marcantes para a sua vida e para a de R. Só é possível dar um testemunho desde as percepções registradas na criatividade da vida num corpo-criante, diante de suas vivências no mundo.
Tillich diz que a teologia surge desde a base da cultura (nas obras, nos eventos, nos fatos etc.), pois, ali, a vida, como dádiva de Deus, se mostra como espírito de rica criatividade, que estabelece uma relação entre o ser humano criador e a pergunta que ele faz sobre o sentido último da sua existência. Com efeito, vivenciar o Caso R. foi, sem dúvida, para Maria Glória, um despertar que implicou perguntar pelo sentido da vida; e isso remeteu à busca de um fundamento último que lhe desse suporte para descobrir o sentido do seu viver.
Esse testemunho se construirá desde uma hermenêutica fenomenológica, e que teologicamente se movimentará no método da correlação de Tillich, que diz respeito às preocupações preliminares do cotidiano e àquilo que preocupa o ser humano de forma última. Diante disso, serão percorridos três cenários no Caso R.: o
primeiro é o cenário de uma preocupação preliminar diante dos impactos do cotidiano, mas que aponta para uma busca mais profunda; o segundo implica uma relação em que a preocupação preliminar é elevada a uma última instância; e o terceiro é aquele em que uma preocupação preliminar se torna mediação de preocupação última para descobrir o fundamento último que sustenta o ser no seu sentido de ser no mundo.279
“O corpo-criante é a chave de abertura para o surgimento de significados do ser visível”280 e também do invisível que se manifesta nos fatos, nas obras, nos acontecimentos, como é o Caso R.
Aristóteles, em sua obra Retórica, entendia testemunho como “‘a questão de fato ou a questão pessoal’ que são também questões de fato”.281 Isso é verdadeiro porque a descrição do Caso R. é um fenômeno que está intrinsecamente ligado à vida da Maria Glória, artista plástica, mas que agora implica na vida da Maria Glória, pesquisadora, que agora aqui dá testemunho.
Só é possível dar testemunho sobre aquilo que se vive, logo, se vê e se experimenta, se toca e pelo qual se é tocado implacavelmente. É o próprio fenômeno da revelação que se torna vivência marcante de fé, como um estar possuído por uma criatividade que vai além de uma explicação biológica e psicológica, pois diz respeito a algo fundamental para que a vida se faça com sentido.
A vivência do Caso R. é um fenômeno que envolveu profundamente os corpos-criantes da Maria Glória e de R., no que diz respeito à criatividade, ao amor, à arte e ao sentido último de tudo isso. Com efeito, quando a consciência – pessoa espiritual do corpo-criante é tocada, três fenômenos podem acontecer: o amor, a criatividade e a fé, como manifestações que sinalizam um movimento do corpo-criante na direção e ligação com seu fundamento último – Deus, fonte da vida e poder de AMOR CRIANTE, a fim de encontrar soluções para os problemas do cotidiano. 279 Cf. TILLICH, 2005, p. 30. 280 DITTRICH, 2004, p. 971. 281 ABBAGNANO, 1962, p. 921.
Esse argumento é procedente, pois, quando Maria Glória sentiu-se desafiada pela vendedora da APAE, que a questionou sobre uma ajuda para aquela instituição, certamente foi atingida em sua sensibilidade no sentido de sua bondade, de seu amor para com o ser humano carente. O questionamento foi contundente, pois remetia não só para uma questão existencial, mas essencial. Quando Maria Glória diz que sentiu seu coração aberto para criar e fazer o bem, revelou-se nela um sentimento de preocupação com o sentido último de seu ser no mundo. Era uma preocupação preliminar que dizia respeito ao fundamento do seu ser e estar no mundo. Aliás, esta foi a questão de fundo na vida de Maria Glória.
Esse despertar implicou a autocriatividade da Maria Glória. Foi a vivência rápida e profunda de uma manifestação de fundo espiritual, divino, que a impulsionou para descobrir algo que trouxesse uma solução para ajudar a APAE. E a resposta que veio, disse ela, foi a seguinte: “vou fazer um bem, ensinando a arte
da pintura para cinco alunos da APAE com necessidades especiais. Vou dedicar uma tarde por semana de trabalho próprio em meu Atelier. Deus tem me dado tanto, já recebi tanto que nem sei, preciso ajudar. E posso ajudar oferecendo meu trabalho e meu espaço de arte.”
Aqui Maria Glória confirma o argumento acima, pois sua decisão estava ligada ao fundamento último de seu corpo-criante - Deus. Ela reconheceu que Deus é aquele que dá de si para ela e ela precisava revelar em ações, compartilhar em ações esse dar-de-si, como sinal mesmo de Deus para todos. Embora, talvez, inconscientemente ainda, o que ela queria afirmar para si mesma é que a razão de ser de sua criatividade na arte estava ligada à sua espiritualidade e essa tinha suas origens no fundamento último de sua vida. Essa espiritualidade estava marcada por um amor criante, espiritual, que nascia de suas entranhas e se tornava uma preocupação latente consigo mesma, com o outro, com o mundo e com Deus. Maturana sustenta esse argumento quando registra a seguinte idéia:
O amor não é conseqüência do social, mas ao contrário. Se não existe amor, se não nos movemos no amor em nossos encontros com os outros, não existe fenômeno social, e a opção é a indiferença que permite qualquer mecanismo de negação do outro, desde a
competência para o ódio.282
A decisão de acolher os alunos excepcionais, para fazer um bem através da arte, tinha um fundo de revelação – o amor criante de Deus como força integradora e geradora da criatividade da Maria Glória. Esse amor manifestava-se preliminarmente num sentimento de esperança, para encontrar novas formas de acolher o outro e cuidar dele no cotidiano do Atelier de Arte. Nesse sentido, Maria Glória mostrou que vivenciou o processo da vida como auto-integração e autocriatividade, pois por si mesma e pela força do amor criante conseguiu abrir-se para o outro, tornando-o uma preocupação existencial que tinha ligação com o seu fundamento último, a Presença do Espírito divino em sua vida. Nessa ação criativa, o amor criante de Maria Glória venceu a negligência, o desamparo, a negação do outro, do R. Tillich defende que “nossa preocupação última é aquilo que determina
nosso ser ou não-ser. Só são teológicas aquelas afirmações que tratam de seu objeto na medida em que este possa se tornar para nós uma questão de ser ou não-ser.”283
Sim, a interrogação da vendedora da APAE levou uma questão cotidiana (dinheiro, economia, acolhida ao carente marginalizado) para um nível transcendental, de profundidade espiritual, que atingiu o corpo-criante inteiro de Maria Glória. Foi uma vivência de ameaça do ser frente ao não-ser, que começou e permaneceu durante a vivência inteira do caso R. Citam-se algumas passagens registradas por Maria Glória:
“Esse momento inicial da trajetória foi de alto impacto para mim. [...] Eu sentia uma agitação interior que quase me paralisava. Mas continuei. Algo me empurrava, me chamava.”
“Na experiência daquela tarde, percebi que estava diante de seres humanos especiais, com uma dose significativa de afetividade nas relações, maneira de ser diferente, e que me desafiavam nos meus conhecimentos pedagógicos e artísticos. Senti-me, em várias situações, impotente no sentido de saber como agir, pois
282
“El amor no es consecuencia de lo social, sino al revés. Si no hay amor, si no nos movemos en el amor en nuestros encuentros con otros, no hay fenômeno social, y la opción es la indiferencia que permite cualquier mecanismo de negación del otro, desde la competencia al ódio.” MATURANA, 2002a, p. 109.
283
percebi que estava diante de sérias e complexas realidades humanas.”
“Eu não sabia como tratar, por exemplo, o R., de 18 anos, vítima de paralisia cerebral aos três anos de idade. Ele quase nem condições tinha para pegar um pincel entre os seus dedos, quase não podia falar, nem ficar bem de pé, e mal conseguia locomover-se no interior da sala de aula. Seus movimentos eram lentos, até seu olhar movimentava-se lentamente nas interações com os outros e com o todo em sua volta. Sua boca apresentava dificuldade de manter-se fechada, babava. Suas mãos eram duras, travadas, fechadas. Alguns de seus dedos eram retorcidos, dificultando a mobilidade e a sensibilidade no fazer manual. Suas pernas e pés também apresentavam dificuldades na coordenação motora para caminhar e sentar.”
“Impressionada, senti imediatamente, nas profundezas de meu corpo, que estava inserida em uma relação educacional complexa. De certa forma, isso me amedrontava, mas não era possível voltar atrás, já me sentia comprometida com a vida, com algo tão forte que eu nem sei bem dizer ainda o que é.”
“Naquela tarde, tudo o que eu fiz foi não dar a aula de arte que havia preparado. Percebi que meus conhecimentos didático-pedagógicos [...] eram insuficientes e impotentes para lidar [...] com tal complexidade humana. No entanto, vi que R. e os outros alunos, que tinham, segundo informação da APAE, hiperatividade e dificuldades cognitivas, estavam ansiosos esperando algo de mim.”
“Sentada com eles, ao redor da mesa de trabalho, percebi nos seus rostos que me fitavam silenciosamente, quando explicava sobre a arte e o poder de criação do ser humano para expressar os seus sentimentos, que eram alegre-tristes, mas apresentavam uma admiração pelas obras de arte que estavam presentes nas paredes da sala de aula.”
Nas várias passagens fica claro o quanto foi contundente para Maria Glória a presença de R. e de seus colegas da APAE, já no início do trabalho no Atelier. Ela registra com clareza um sentimento de finitude, de transitoriedade, que se manifestava em forma de impotência diante do outro, o jovem R., na complexidade de seu problema de saúde, que atingia uma dimensão de infinitude - Deus. Com efeito, “só os que experimentam o choque da transitoriedade, a ansiedade na qual
se tornam conscientes de sua finitude, e a ameaça do não ser podem entender o que significa a palavra Deus”.284
Pela fala de Maria Glória, pode-se perceber que ela sentiu na carne a ambigüidade da vida – o jogo da finitude e infinitude, o não-ser ameaçando o ser do seu corpo-criante. De certa forma, ela vivenciou bem uma ansiedade existencial285 que nasceu da sua dimensão profunda espiritual, no sentido de fazê-la tomar consciência de que não estava preparada com conhecimento e metodologia capazes de dar conta do problema que estava vivendo. A finitude rondou soberbamente o seu ser diante do outro. Sua fala dizendo “[...] gente querida! Eu
vivo aqui uma experiência literal de caos e ordem. É a pura criatividade em gênese... Meu Deus... estarei eu no caminho? [...] Tudo isso deve ter uma razão maior.”
Essas palavras têm raízes profundas, abissais, e confirmam que a ansiedade foi vivida por Maria Glória como um sentimento interior de união e destruição do seu ser para o não-ser, da infinitude para finitude, da terra para o céu. Com efeito, esse sentimento apontava uma direção – a busca por novos caminhos de significações para vencer os desafios ameaçadores e descobrir o sentido último do seu ser no mundo - Deus.
Com efeito, a vivência da ansiedade remetia para uma preocupação que tinha origem vital-cognitiva e espiritual: compreender o sentido de estar passando por tamanha insegurança e impotência, que, como tais, assombravam, pois fora nascendo um sentimento de angústia profunda que quase a esvaziava. Percebe-se que isso é muito verdadeiro quando ela diz: “Na noite após minha primeira aula de
arte criativa com os alunos da APAE, cheguei a minha residência e contei para meu marido a experiência vivida com os alunos, especialmente o R. Disse que estava assustada e preocupada com o compromisso e a responsabilidade que eu havia
284
GOTO, Tommy Akira; GIANASTACIO, Vanderlei. A transcendência divina na vivência do homem - perspectiva da psicologia hum anista-existencial. Disponível em:<http://www.metodista.br/correlatio/num_03/a_goto.htm>. Acesso em: 06 fev. 2007. p. 2.
285
Tillich explica essa questão da ansiedade existencial desde uma visão ontológica. Afirma que o caráter de negação do ser é determinado por aquilo que é negado no ser. “O não-ser ameaça a auto-afirmação espiritual do homem, de modo relativo em termos de vacuidade, de modo absoluto, em termos de insignificação. A ansiedade na vacuidade é despertada pela ameaça do não-ser ao conteúdo especial da vida espiritual. Uma certeza rompe através dos acontecimentos externos ou processos interiores [...].” Com efeito, a ansiedade da vacuidade permanente leva à insignificação, que é a ameaça absoluta do não-ser à auto-afirmação espiritual do ser humano, corpo-criante. TILLICH, 1972. p. 32, 37.
assumido com o diretor da APAE e com os alunos que se fizeram presentes no Atelier de Arte. Socializei minha angústia existencial, dizendo que tomava consciência da minha incompetência pedagógica para ensinar alunos com dificuldades tão complexas, assim como o R., por exemplo. No entanto, confessei que me sentia desafiada porque tinha um sentimento profundo, o de querer ajudar e encontrar a razão de tantas coisas que estavam acontecendo em meu interior e que eu mesma nem sabia dizer bem o que era.
Essa percepção era real e os seus conhecimentos dentro da filosofia, da pedagogia, da psicologia não tinham força explicativa suficiente para, de entrada, lidar com o R. Estava posta uma situação do ser e do não-ser, da finitude e da infinitude, e ela diz que isto a amedrontava, “mas não era possível voltar atrás”. Continuou afirmando: “já me sentia comprometida com a vida, com algo tão forte
que eu nem sei bem dizer ainda o que é.”
Para Tillich, essa experiência de Maria Glória diz respeito àquele primeiro passo teológico de busca de sentido de vida na correlação entre o cotidiano cultural do ser humano e Deus. É o fenômeno da revelação da vida divina na vida humana em forma de auto-integração do corpo-criante Maria Glória na relação com o Caso R.
O comprometimento com a vida, aqui, toma uma profundidade da centralidade da vida do corpo-criante – a auto-organização do amor criante na sua estrutura e organização vital-cognitiva espiritual. “A vida é o processo no qual o ser potencial se torna ser efetivo. Ela é a efetivação dos elementos estruturais do ser em sua unidade e em sua tensão.”286 Dentro disso, pode-se dizer que Maria Glória viveu um ato de fé como a tomada do seu ser por um poder espiritual que vinha de um lugar não identificado e que ela são sabia nomear, mas que se manifestou nela, em seu corpo-criante, em forma de criatividade que se objetivou em sensações, emoções e ações, a fim de encontrar e enfrentar o Caso R. nos seus problemas. O ser humano é
[...] em sua existência um ser finito, porém seus projetos se entrelaçam no caminho da infinidade e é neste estado que se manifesta o conflito de sua ansiedade existencial perante todo
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significado do vivido. A finitude passa a ser “o terror de perder sua vida”. A consciência da finitude faz surgir a ansiedade e a angústia ontológica: ser finito é estar ameaçado.
Essa idéia fica confirmada quando Maria Glória descreve a experiência de pedido de ajuda à sua professora, no mestrado em Educação, e que ela a manda pesquisar e ir em frente. Diante disso, Maria Glória escreve: “Minha sensação era de
que se abria um novo momento em minha vida e que não dava mais para voltar atrás. [...] Era uma experiência rara em minha vida. A inquietude tomava conta do meu ser e parece que até apertava a minha garganta. Meu coração batia tão rápido e forte que até me incomodava. Em minha consciência vinha a idéia: algo bom está acontecendo. Alguém já está me ajudando. Eu não estou sentindo aquilo que não existe. Isto que está se passando é real. Meu Deus! Que estranho! [...]. Meu Deus, que loucura! Senhor, mas tu sabes do meu coração. Ajuda-me! Dá-me uma luz!
Calma... Eu vou para frente...”
Tillich diz que, na experiência de finitude, quando o Espírito de amor se manifesta no espírito humano, é sentida uma força, uma energia autocriativa que quase paralisa e destrói287 o ser humano. Ele se sente ameaçado na sua criatividade como fluxos permanentes de auto-organizações vital-cognitivas que vão se dinamizando no seu corpo-criante, rapidamente, de formas não controláveis. Isso se confirma quando Maria Glória diz: “Eu sentia uma agitação interior que quase me
paralisava. Mas continuei. Algo me empurrava, me chamava. [...] Eu não estou sentindo aquilo que não existe. Isto que está se passando é real. Meu Deus! Que estranho! [...]. Meu Deus, que loucura! Senhor, mas tu sabes do meu coração.
Ajuda-me! Dá-me uma luz! Calma... Eu vou para frente... ”.
O que será que a empurrava para frente? Quem será que a chamava? Seria o amor criante como Presença Espiritual – o fundamento último – Deus, revelando-se como caminho de cura, como resposta para o sofrimento humano? Seria a voz de uma Presença Ignorada, que emergia das suas profundezas e lhe dava autonomia
287
A pesquisadora, quando pensa a questão da paralisia e da destruição da força do espírito de Deus no espírito humano, caminha por um viés de entendimento da tomada de posse de um poder que dinamiza a estrutura da rede psicossomática do ser human o nas suas várias dimensões ontopsicológicas e dá uma capacidade auto-organizativa de destruir (transformar) na base da sua estrutura biológica e psicológica a configuração de elementos vital-cognitivos. Com efeito, essa é uma vivência de autonomia e heteronomia que causa um impacto de integração e desintegração no corpo-criante do ser humano na inter-relação com o mundo em seu entorno.
para despertar, pouco a pouco, a sua compaixão e o seu amor incondicional diante do R., que no seu silêncio clamava por cura? Salvação para o seu sofrimento? Teria sido essa vivência uma vivência de revelação da criatividade do amor criante?
Sem dúvida, a descrição inteira do Caso R. evidencia que Maria Glória encontrou coragem para enfrentar a finitude e direcionar a sua prática desde o amor criante, como força de origem divina para a criatividade do seu corpo-criante diante do seu problema – ajudar R. a superar as suas dificuldades psicomotoras por meio da arte. Ela tomou o problema do R. como um problema seu, e isso implicava descobrir um caminho, uma resposta para poder ajudar. Testemunho disso é quando ela escreve: “Eu acreditei, no e do fundo da alma, que tinha que ajudar
aqueles seres humanos. Para isso, sentia que uma força maior, divina iria me dar força, coragem e sabedoria para fazer algo, o qual nem sabia bem o que poderia ser. Eu pensava tudo e não pensava nada. Era um momento estranho, raro, que emergia das profundezas do meu ser interior. Eu dizia para mim mesma: não faz mal se eu ainda não sei o que fazer e como fazer; a experiência do dia-a-dia me dirá. Vamos em frente, Maria Glória! [...]. Ai, meu Deus, me ajuda!”
O chamamento por Deus foi, para Maria Glória, uma experiência de fé, não como crença em um dogma, mas como vivência de profundeza espiritual que culminou na criatividade do seu corpo-criante, como elevação da sua consciência ao seu fundamento último. O que ocorreu, segundo Frankl, foi uma experiência incondicional na busca de sentido, que certamente se efetivou na ligação entre as