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Quadro 12 Elementos de vulnerabilidade feminina ao HIV, segundo o tema central contexto do relacionamento sexual estável São Paulo

Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL Freqüência do tamanho do efeito: 0,39 (21 publicações)

IP-02

País da pesquisa: cidades

portuárias de Guatemala,

México, Nicarágua, Costa

Rica, El Salvador, Honduras, Belize e Panamá.

Ano: 2001

Procedência da população: migrantes legais e não legais. HIV: (-)

Faixa etária: > 16 anos

Parceria fixa das trabalhadoras sexuais associada à falta de percepção da vulnerabilidade e não-uso do preservativo.  As trabalhadoras sexuais relataram não usar preservativo com seus parceiros, por não serem considerados clientes,

mesmo sabendo que eles não são monogâmicos.

IP-05

País da pesquisa: Argentina (Buenos Aires)

Ano: 1994

Procedência da população: argentinas

HIV: (-)

Faixa etária: 15-35 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado a não-uso do preservativo:

O uso do preservativo é uma prática eventual, uma vez que o uso esteve sujeito aos momentos iniciais de uma relação ou a relacionamentos ocasionais. Nos casos definidos como estáveis, o uso é de forma alternada com outros métodos de cuidado ou simplesmente com nenhum, por relacionar “parceiro estável”/”conhecimento-confiança” com a seguridade de não contrair o HIV.

ID-52

País da pesquisa: Brasil Ano: 2005

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+)

Faixa etária: NE

Parceria fixa das trabalhadoras sexuais associada à falta de percepção da vulnerabilidade e não-uso do preservativo  As trabalhadoras sexuais soropositivas ao HIV relataram que, nas relações afetivas com o companheiro sexual, a valorização de outros elementos, como a manutenção de laços afetivos, influenciou diretamente a relação sexual sem proteção.

IP-21

País da pesquisa: Austrália Ano: 1995

Procedência da população: australianas

HIV: NE

Faixa etária: 18- 47 anos

Parceria fixa das trabalhadoras sexuais associada à poligamia masculina, falta de percepção da vulnerabilidade e não-uso de preservativo

 A maioria das trabalhadoras sexuais reconheceu que com os parceiros íntimos não usava preservativo, dado que seu uso faz sentir como se fosse um “trabalho”. Os relacionamentos íntimos foram freqüentemente identificados como fidedignos e permanentes, se o casal faz o teste anti-HIV. Se o resultado é negativo, o preservativo não é mais necessário nesse relacionamento íntimo. No entanto, muitos dos relacionamentos íntimos foram irregulares ou casuais, e as mulheres estiveram conscientes da múltipla parceria dos parceiros.

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Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL

IP-30

País da pesquisa: Índia Ano: 2003-2004

Procedência da população: indianas

HIV: NE

Faixa etária:: 16-54 anos

Parceria fixa das trabalhadoras sexuais associada à recusa do parceiro sobre o uso do preservativo

 O não-uso do preservativo, também, esteve relacionado com a parceria estável ou regular, associado ao desacordo do

parceiro para usar o mesmo e ao desejo de ter filhos.

IP-08

País da pesquisa: EEUU (Texas).

Ano: 1995

Procedência da população: mulheres hispânicas

HIV: NE

Faixa etária: 18-42 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado à não-percepção da vulnerabilidade e poligamia do parceiro

 As mulheres casadas e solteiras, em sua maioria, estiveram cientes das vantagens do uso do preservativo na prevenção

das DSTs. No entanto, as mulheres mais velhas casadas ou com parceiro fixo foram mais vulneráveis às DSTs e HIV devido à falta de proteção, estando em risco pelo comportamento dos esposos.

IP-15

País da pesquisa: África Ano: NE

Procedência da população: africanas

HIV: (+)

Faixa etária: 19-46 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado à poligamia do parceiro e aceitação da poligamia masculina

 Muitas mulheres soropositivas afirmaram confiar nos esposos, justificando o não-uso do preservativo.

 Em alguns casos, os homens questionavam a confiança para convencer as esposas de não usar preservativo.

 A infidelidade aconteceu particularmente quando o homem trabalhava fora da cidade.

 As mulheres perdoaram a infidelidade do parceiro, aceitando-o de volta para casa.

IP-12

País da pesquisa: África do Sul

Ano: 1999

Procedência da população: africanas

HIV: NE

Faixa etária: 13-25 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado a não-uso do preservativo

 As mulheres tiveram a noção de que o preservativo geralmente não é necessário em relacionamentos estáveis, pela confiança no parceiro, reduzindo o uso do preservativo.

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Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL

IP-18

País da pesquisa: África do Sul

Ano: 2002

Procedência da população: africana

HIV: (+/-)

Faixa etária: 18-53 anos

Confiança na monogamia do relacionamento estável associado à falta de percepção da vulnerabilidade e poligamia masculina

 Algumas mulheres reconheceram as conexões entre violência, infidelidade do parceiro e risco de HIV, embora considerassem que o preservativo não é necessário em um relacionamento transitório.

IP-19

País da pesquisa: EEUU Ano: 1993

Procedência da população: africana

HIV: (-)

Faixa etária: 15-44 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado a interesse de práticas de prevenção e não-uso do preservativo

 A maioria das mulheres relatou não ter intenções de usar o preservativo com o parceiro sexual estável, em nenhum momento no futuro, baseada na associação entre convivência estável ou de longa duração associada com a não- intenção do uso do preservativo.

IP-22

País da pesquisa: Israel Ano: NE

Procedência da população: américo-européias e israelitas HIV: NE

Faixa etária: NE

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associado à não-percepção da vulnerabilidade

 O não-uso do preservativo foi relacionado com as mulheres mais velhas e com as monogâmicas, embora com adequado

conhecimento sobre HIV.

IP-29

País da pesquisa: Brasil Ano: 1998-1999

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+)

Faixa etária: 22-59 anos

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associada à não-percepção da vulnerabilidade e poligamia do parceiro

 As mulheres relataram que a infecção aconteceu em relacionamentos estáveis, pelos quais, julgavam-se pouco ou não

vulneráveis à infecção pelo HIV. Situação somada à falta ou informação insuficiente sobre a transmissão e prevenção do HIV para uma atitude ativa (proteger-se ou não de forma consciente), e não adotaram comportamentos que as protegessem do vírus antes do diagnóstico positivo ao teste anti-HIV.

 A convivência prolongada e a confiança no companheiro, base das relações amorosas, deixam a mulher com o sentimento de que está imune e não levando em consideração a vida pregressa dele. A fidelidade e a situação conjugal aparecem como meios de proteção contra a infecção.

 Quando as mulheres consideram que são fiéis, cuidadosas e honestas, não enxergam sua vulnerabilidade, pois acreditam que nada pode lhes ocorrer de mal.

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Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL

IL-32

País da pesquisa: Brasil Ano: NE

Procedência da população: brasileiras

HIV: NE

Faixa etária: 17- 44 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado à não-percepção da vulnerabilidade

 As mulheres que confiaram na fidelidade do parceiro não exigiram o uso do preservativo.

IL-34

País da pesquisa: Brasil Ano: 1998-2002

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+)

Faixa etária: NE

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associado a não-uso do preservativo e bigamia do parceiro

 A confiança no esposo “acima de qualquer suspeita”, por ser esposo e “irmão” da igreja e o sentimento de proteção à

transmissão do HIV, devido ao casamento, causaram a infecção de uma das mulheres, sem experiência sexual antes do casamento.

IL-35

País da pesquisa: Colômbia Ano: 2002

Procedência da população: colombianas

HIV: NE

Faixa etária: 13-65 anos

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associado a não-uso do preservativo

 As mulheres casadas de alto nível econômico usavam o preservativo em menor proporção e se sentiram menos vulneráveis ao HIV que as mulheres não casadas.

IL-36

País da pesquisa: Brasil Ano: 2002

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+)

Faixa etária: 21- 35 anos

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associado a não-uso do preservativo e bigamia do parceiro

 As mulheres, antes de adquirir o HIV, não se perceberam vulneráveis, principalmente, por cumprir papel que se espera

delas: “o amor monogâmico” e dedicação ao lar e à família, portanto, não pertenciam a nenhum “grupo de risco” ou por acreditarem que, na sua relação monogâmica, existiam amor, confiança e respeito entre o casal.

 Apesar de, no discurso das mulheres soropositivas, estar presente a traição dos homens, isto não se constitui, numa representação imposta. Sua importância foi diluída em favor das outras coisas construídas e obtidas na vida conjugal, deixando claro que há uma escala hierárquica das representações da vida conjugal: a fidelidade é algo muito importante.  As mulheres manifestaram que à medida que o relacionamento se tornou amoroso, mais do que sexual e estável, se admitiu o risco de ter relacionamentos sexuais sem proteção, e usar outro método anticonceptivo, que não a camisinha, desconsiderando o risco da transmissão do HIV. O que não acontecia quando o desejo sexual unia o casal. Por tal, mais do que ausência do poder de negociação no uso do preservativo existiu uma desconsideração do risco, baseada na confiança e estabilidade da relação e desejo de ter filhos.

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Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL

IW-40

País da pesquisa: México Ano: 2001-2002

Procedência da população: mexicanas

HIV: NE

Faixa etária: 15-25 anos.

Confiança na monogamia do parceiro em relacionamento estável associado à não-percepção da vulnerabilidade  No noivado*, a confiança limita o questionamento sobre a saúde ou conduta sexual do parceiro, uma vez que as mulheres sentiam que isso pode ser interpretado como falta de confiança.

 No noivado*, a fidelidade limita a possibilidade de negociar o uso do preservativo, dado que implica reconhecer uma

vida sexual fora do relacionamento da mulher, saindo do marco sobre sexualidade socialmente aceito, assim como suspeitar da infidelidade do parceiro.

* modalidade de prática baseada no intercâmbio de favores sexuais por benefícios sociais ou materiais.

IB-46

País da pesquisa: Brasil Ano: 2003-2004

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+/-)

Faixa etária: 30-51 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado a não-uso do preservativo

 A confiança no parceiro foi um fator determinante de vulnerabilidade para a mulher para se infectarem com o HIV, uma vez que, antes de se infectarem, não se perceberam em risco para a aquisição do HIV, pois mantinham uma relação estável e vínculo afetivo com a parceira.

IB-47

País da pesquisa: Brasil Ano: 2006

Procedência da população: brasileiras

HIV: NE

Faixa etária: 20-49 anos

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado à não-percepção da vulnerabilidade

 Verificou-se que as mulheres associaram fortemente a prevenção do HIV com a confiança/desconfiança no

comportamento sexual do parceiro. O grau de confiabilidade do comportamento sexual do parceiro foi citado como um dos obstáculos para a prevenção, baseado na confiança mútua.

 No caso, a mulher desconfia do homem, em relação a relacionamentos extraconjugais, confia que o homem se protege

fora, e em casa, com a mulher, não existe a necessidade.

ID-53

País da pesquisa: Brasil Ano: 1997-2004

Procedência da população: brasileiras

HIV: (-)

Faixa etária: NA

Confiança na monogamia no relacionamento estável associado à poligamia do parceiro, submissão feminina e não- uso do preservativo

 A estabilidade nas relações conjugais, a confiabilidade na fidelidade conjugal, a subalternidade da mulher, a dependência econômica, a ausência do companheiro e a omissão do diagnóstico ao parceiro influenciaram a vulnerabilidade da mulher ao HIV.

 As mulheres consideraram desnecessário o uso do preservativo, dado o sentimento de fidelidade e a crença de ser parceira única do seu companheiro.

 Algumas representações estiveram permeadas pela suspeita de um comportamento de risco do companheiro, mas sua

condição de mulher não lhes permitiu a adoção de medidas que as protegessem da contaminação na relação com o parceiro, justificada pelo sentimento de amor ao companheiro, que poderia compensar o risco.

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Código Características da população Tema central: CONTEXTO DO RELACIONAMENTO SEXUAL ESTÁVEL

ID-48

País da pesquisa: Brasil Ano: NE

Procedência da população: brasileiras

HIV: (+)

Faixa etária: 19-37anos

Não revelar o resultado soropositivo ao HIV por parte dos homens

 O fato de retardar ou omitir o resultado de soropositividade ao HIV, por parte dos homens, tem aumentado a vulnerabilidade das mulheres.

No Quadro 13, apresentam-se os elementos de vulnerabilidade ao HIV