MAPA II LOCALIZAÇÃO DOS VIGÁRIOS GERAIS DE PERNAMBUCO EM 1701
QUADRO 1 FREGUESIAS E CURATOS DO BISPADO DE PERNAMBUCO EM
FREGUESIA/CURATO FOGOS CLÉRIGOS
Freguesia da Sé 660 28 sacerdotes
8 subdiáconos
São Pedro Martir 200 1 vigário colado
1 coadjutor 20 sacerdotes A freguesia e de São Pedro
Gonçalves (Vila do Recife)
2450 1 vigário 1 coadjutor 1 sacristão sacerdote 24 sacerdotes paroquianos 1 clérigo de evangelho 8 de epístola
A freguesia da Muribeca (igreja paroquial dedicada a Nossa Senhora do Rosário)
400 1 vigário
1 coadjutor
15 sacerdotes paroquianos A freguesia do Cabo de Santo
Agostinho
700 1 vigário
1 coadjutor
18 sacerdotes paroquianos Ipojuca (tem matriz de São
Miguel)
300 1 vigário
1 coadjutor 20 sacerdotes Serinhaém (paróquia de nossa
Senhora da Conceição)
400 1 vigário
1 coadjutor 14 sacerdotes
Uma (matriz de São Gonçalo) 200 1 vigário
1 coadjutor
3 sacerdotes paroquianos O curato de São Bento (matriz do
mesmo Santo)
120 1 cura
2 clérigos paroquianos Vila do Porto Calvo
(paróquia de Nossa Senhora da Apresentação)
255 1 vigário
1 coadjutor
5 sacerdotes paroquianos Lugar de Camaragibe
(paróquia do Bom Jesus)
310 1 cura
5 sacerdotes paroquianos Lugar da Alagoa do Norte
(paróquia de Santa Luzia)
200 1 vigário
1 coadjutor
6 sacerdotes paroquianos Vila da Alagoa do Sul (matriz de
Santa Maria Madalena)
540 1 vigário coadjutor
8 sacerdotes paroquianos Lugar de São Miguel (paróquia
de Nossa Senhora da
Expectação)
180 1 cura
3 sacerdotes paroquianos Vila de Penedo (paróquia de
Nossa Senhora do Rosário)
300 1 Vigário
1 Coadjutor
7 sacerdotes paroquianos,
do Maranguape. Tem paróquia) Vila de Igarassu
(matriz dos Santos Cosme e Damião)
600 1 vigário
1 coadjutor
3 sacerdotes paroquianos Vila de Itamaracá (matriz de
Nossa Senhora da Conceição)
280 1 vigário
1 coadjutor 8 sacerdotes Vila de Tejucupapo (matriz de
São Lourenço)
180 1 vigário
1 coadjutor
5 sacerdotes paroquianos Vila de Goiana (matriz de Nossa
Senhora do Rosário)
600 1 vigário
1 coadjutor
13 sacerdotes paroquianos Lugar de Tacoara (matriz de
Nossa Senhora da Penha de França)
200 1 cura
Cidade da Paraíba (igreja dedicada a Nossa Senhora das Neves)
1650 1 vigário
1 coadjutor 21 sacerdotes Lugar de Manamgoape (matriz
dos sagrados apóstolos São Pedro e São Paulo)
90 1 cura
2 sacerdotes paroquianos Lugar de Goaninha (matriz de
nossa senhora dos Prazeres)
120 1 cura
1 sacerdote paroquiano Cidade do Rio Grande (matriz de
Nossa Senhora da Apresentação)
400 1 Vigário Coadjutor
9 sacerdotes paroquianos divididos pela freguesia Capitania do Ceará Grande
(matriz de Nossa Senhora da Assunção)
80 1 vigário
8 sacerdotes paroquianos divididos pela freguesia e aplicados ao ministério das missões
Lugar da Várzea (freguesia da Várzea. Tem grandiosa matriz de Nossa Senhora do Rosário)
260 1 vigário
1coadjutor 10 sacerdotes Lugar de Jaboatão (matriz de
Santo Amaro)
350 1 vigário
1coadjutor
8 sacerdotes paroquianos Lugar de São Lourenço da Mata
(paróquia do mesmo santo)
450 1 vigário
1coadjutor
10 sacerdotes paroquianos Lugar de Nossa Senhora da Luz
da Mata (paróquia da mesma invocação)
320 1 vigário
1 coadjutor
12 sacerdotes paroquianos Lugar de Tracunhaém (matriz de
Santo Antônio)
260 1 cura
Lugar de Santo Antão da Mata (matriz do mesmo santo)
150 1 cura
Lugar de Rodela
(paróquia de Nossa Senhora da Conceição)
115 1 pároco
Lugar do Rio Grande do Sul (paróquia)
Nada consta 1 pároco
1 coadjutor Rio de Piauí (paróquia de Nossa
Senhora da Vitória)
160 1 pároco
1 coadjutor Lugar entre Pinhanco e Piranha
(uma igreja matriz)
Nada consta 1 pároco
1 coadjutor
A leitura do quadro nº 1 consente afirmar que a diocese de Pernambuco, em 1701, era composta por 36 freguesias e curatos onde exerciam as funções sacerdotais 368 clérigos. O total de fogos da diocese era de 13.580. Tendo em consideração que um fogo tinha em média cinco pessoas, é possível estimar uma população de 67.900 habitantes, sendo assim cada sacerdote deveria atender, em média 184,51 pessoas, ou seja, havia uma taxa de enquadramento clerical de 3,68 padres por cada 100 habitantes80.
Esta configuração sofreu transformações na década 20 do século XVIII. Nesta altura, os limites com o bispado do Maranhão foram alterados, mais precisamente em fevereiro de 1724, quando o Piauí, até então pertencente ao bispado de Pernambuco, foi transferido para a jurisdição espiritual maranhense81, fato que acarretou uma redução do número de freguesias em Pernambuco com a perda das seguintes: Nossa Senhora da Vitória, Nossa Senhora de Monte Carmo, Santo Antônio de Sorubim e Nossa Senhora do Livramento82. Sendo que entre estas apenas a de Nossa Senhora da Vitória aparece registrada na visita ad limina do bispo D. Francisco de Lima, como tendo 160 fogos e contando com um pároco e um coadjutor para os ofícios83.
80 Teresa Rodrigues aponta que nas fontes quinhentistas são utilizados os conceitos de morador, vizinho e fogo,
porém não é conhecido exatamente seu significado ou equivalência quantitativa. Alguns autores defendem 4 como sendo o coeficiente mais plausível para estimativas populacionais a partir destes conceitos. João Alves Dias aponta este número como estando entre 4 e 5. RODRIGUES, Teresa, Portugal nos séculos XVI e XVII: vicissitudes da dinâmica demográfica, Porto, Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, 2004 (working paper — primeira versão sobre a história da população portuguesa nos séculos XVI e XVII — investigação realizada no âmbito do projecto POCI/DEM/57987/2004 “História da População Portuguesa: das grandes permanências à conquista da modernidade. p. 15-16). Assim sendo, este trabalho considera um fogo como sendo composto por 5 pessoas.
81 MENDONÇA, op. cit., 2011. p. 29. 82 Ibidem, p. 29-30.
83 Cf. ASV, Visita ad sacra limina Apostolorum, 1710, Congregazione del Concílio, Relationes Diocesium, 596
Apesar deste desmembramento, irá predominar a tendência de crescimento no número de freguesias e curatos entre o início e meados do século XVIII, ao menos é isso que a ponta a Informação geral da capitania de Pernambuco organizada pelo governador de Pernambuco D. Marcos de Noronha84. Trata-se de uma coleção de atos oficiais correspondentes à capitania de Pernambuco e às demais de sua jurisdição, tendo sido organizada, provavelmente, em 1749 e não indo além de dezembro de 1748 os atos nela colecionados. Este documento apresenta uma séria de limitações, como a de não contabilizar as pessoas de comunhão e os fogos de algumas freguesias, mas, ainda assim, é útil para elaborar uma ideia geral sobre a diocese de Pernambuco em meados do século XVIII.
QUADRO 2 - FREGUESIAS E CURATOS DO BISPADO DE PERNAMBUCO EM