3 Resposta aos Quesitos
3.2 Em que consiste a vegetação (nativa) de restinga?
3.2.2 A Qual Bioma Integra?
Integra o Bioma da Mata Atlântica (BMA) como anteriormente documentado.
Aproveita-se a oportunidade de se esclarecer o que vem a ser um Bioma, conforme definição do próprio IBGE70:
“Bioma é um conceito que os biólogos e geógrafos criaram, na primeira metade do século passado, para descrever grandes sistemas ecológicos definidos, principalmente, pelo clima. Trata-se de uma área com dimensões normalmente superiores a um milhão de quilômetros quadrados em que o clima, a fisionomia da vegetação, o solo e a altitude são semelhantes ou aparentados. O critério florístico não é determinante. Comunidades vegetais que guardem diferenças importantes em termos de composição de espécies podem ser incluídas num mesmo bioma, desde que vivam sob condições ambientais semelhantes. Assim, o bioma da Mata Atlântica, por exemplo, agrupa um conjunto variado de comunidades vegetais.
Além de florestas de tipos diversos, estão incluídas comunidades periféricas – restingas, manguezais e campos de altitude, entre outros – sujeitas a estresses ambientais mais pronunciados, como extremos de temperatura, inundações, secas, alta salinidade, etc.”
O Ministério do Meio Ambiente71 reconhece oficialmente seis biomas.
São eles: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Cada um desses ambientes abriga diferentes tipos de vegetação e de fauna. Como a vegetação é um dos componentes mais importantes da biota, seu estado de conservação e de continuidade define a existência ou não de habitats para as espécies, a manutenção de serviços ambientais e o fornecimento de bens essenciais à sobrevivência de populações humanas.
Assim, o Brasil adota a divisão fitogeográfica macro brasileira, por sua correlação climática, como sistemática de definição do Bioma.
Apenas dois destes biomas têm contato com domínios marítimos, o Bioma Amazônico e o da Mata Atlântica.
A forte influência do Oceano Atlântico e o clima úmido devido à proximidade do mar e à vertente hidrográfica atlântica resultaram inicialmente, na denominação Matta Pluvial Atlântica, depois, apenas, Floresta (Mata) Atlântica e depois Bioma da Mata Atlântica, cuja classificação internacional adotou a designação Ombrófila Densa para a encosta e planície florestal. Desta, derivam as “formações pioneiras de influência marítimas” discutidas aqui como “vegetação de restinga”.
70 http://brasilemsintese.ibge.gov.br/territorio acessado em 15 de maio de 2015.
71 http://www.mma.gov.br/biomas
Há pouca divergência atualmente de que estas formações pioneiras são originárias da própria Ombrófila Densa, cujas espécies típicas em sua evolução se adaptaram melhor às condições edáficas extremas (tais como, a salinidade). Por isto, é fácil entender que áreas degradadas (campos sujos), anteriormente cobertas por formações de Ombrófila Densa, especialmente os mais degradados e mais próximos ao mar, hospedem e favoreçam o desenvolvimento de espécies pioneiras típicas de restinga.
Isto não significa que estes campos mistos das terras baixas possam ser classificados como campos “psammophilos” ou “Mattas Sclerophylleas”nativos, ainda mais em zonas de transição classificatória.
Enquanto recurso florestal, ninguém depositava qualquer importância florestal para as formações vegetacionais pioneiras herbáceas (psammphilos) e arbustivas (sclerophylleas), exceto botânicos e naturalistas, fascinados pelas adaptações naturais sofridas por estas espécies capazes de evoluir em ambientes tão agressivos e inóspitos em termos de habitat.
Fato é que insatisfeito com o tratamento legal dado às Matas de Restinga pelo parlamento nacional a ONG SOS-MA inicia nova campanha nacional (depois da aprovação da Lei da Mata Atlântica) para aumentar a pressão preservacionista em todo o litoral.
Cria-se a confusão entre “formação pioneira marinha permanente”(vegetação forense de restinga) com “formação pioneira em estágio inicial de regeneração da mata atlântica: Ombrófila Densa Aluviar ou Terra Baixa”.
Santa Catarina merece especial atenção por ter protegido suas restingas.
Alguns destes números já foram discutidos anteriormente neste documento.
Em termos macros, considera-se que a costa catarinense tenha 500 km em termos de extensão norte-sul, algo que significaria uma interface reticulada de contato mar/terra da ordem de 1.500 a 3.000 km sobre a qual se pode estimar deposições recentes arenosas na ordem 100 metros, algo em torno de 50:50 em termos de cobertura vegetativa. Com base nestes números a expectativa seria esperar uma cobertura análoga a restinga de 7.500 ha a 15.000 ha, caso não houvesse intervenção antrópica litorânea alguma.
Um terço desta formação deveria ser protegida e manejada para ser digno de reconhecimento internacional, tendo em vista que a meta
internacional atual para qualquer ecossistema terrestre é de apenas 17%.
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Estima que há em torno de 2.500 a 5.000 ha de “vegetação de restinga”
conservada em Unidades de Conservação, bem manejada (considerando os quase 50.000 ha levantados pela FATMA em 2009). Estas áreas bem manejadas poderiam ser suficientes para Santa Catarina contribuir de forma sustentável e socialmente responsável com as Metas Internacionais de Diversidade Biológica (COP-10), em termos de “formação pioneira marinha”. Repete-se se, bem manejadas.
Uma avaliação ecofinanceira e social das medidas propostas, como recomenda a própria Agência Internacional de Proteção Ambiental (UNEP), o resultado iria indicar qual seria a área ideal a ser destinada à Conservação. Acredita-se que o Estado de Santa Catarina já ultrapassou este patamar, que na Nova Zelândia, foi estabelecido em 30 a 35% do território, país que por sua economia agrícola semelhante à catarinense deveria servir de referência, sem muito trabalho.
Por isto, do ponto de vista de planejamento territorial, restrições maiores, via judiciário, podem apresentar frente a estes números em um
“risco de total inércia/inação - perigo oposto da cautela.73”
Acredita-se ser suficiente ao Estado regularizar as diversas Unidades de Conservação já criadas no litoral catarinense e implementar seus planos de manejo ao invés de restringir, ainda mais, o desenvolvimento econômico do litoral.
Ao se afirmar que estes fragmentos cobrem apenas 6 a 8%74 do território catarinense, justificando sua proteção, parece pouco e incapaz de causar dano econômico. Contudo, ao se ter noção que originalmente esta composição cobria apenas 8% a 10% no máximo do territória.
Estaríamos arbitrando um grau de proteção de 60 a 75%, quando o sustentável é entre 15 a 25%, tendo em vista a necessidade de se proteger
72 Meta 11 de 20 de Aichi, Até 2020, pelo menos 17 por cento de áreas terrestres e de águas continentais e 10 por cento de áreas marinhas e costeiras, especialmente áreas de especial importância para biodiversidade e serviços ecossistêmicos, terão sido conservados por meio de sistemas de áreas protegidas geridas de maneira efetiva e eqüitativa, ecologicamente representativas e satisfatoriamente interligadas e por outras medidas espaciais de conservação, e integradas em paisagens terrestres e marinhas mais amplas; estabelecida durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10), realizada na cidade de Nagoya, Província de Aichi, Japão. Neste foi aprovado o Plano Estratégico de Biodiversidade para o período de 2011 a 2020.
73 Giovanni Sartori traduziu no direito a idéia de que “toda conduta, se ultrapassa um certo limite se inverte, transforma-se no seu 'oposto', isto é, provoca efeitos contrários aos que produzia anteriormente”, semelhante às análises de risco de perigo, quando o medo, despreparo ou desconhecimento paralizam a reação e a ação positiva e desejada.
74 Dados informados pelo Ministro Herman Benjamin em seu voto em separado.
outros ambientes e composições florísticas (da flora) e contemplar outros aspectos da sustentabilidade territorial: o econômico e o social.