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3.2 Projetos Político-Pedagógicos das escolas: as visões e os compromissos com a Participação

3.2.3 Qualidade da escola, participação e os propósitos da escola

Os PPPs trazem apontamentos de seus compromissos maiores com a comunidade escolar, que nortearão a produção dos planos de trabalho dos diferentes profissionais da escola. Nos documentos, esses compromissos são chamados de propósitos da escola. Para sustentar a definição desses propósitos, duas das escolas pesquisadas pautam-se nos princípios apresentados nas Diretrizes Municipais.

A Escola Sócrates elegeu o “Meio ambiente - seus diversos conceitos e concepções” como eixo norteador dos trabalhos, construindo em seu PPP 10 sentenças que indicam um movimento voltado à democracia, respeito, solidariedade e autonomia. Os objetivos traçados para todos os anos de todos os ciclos são 4: 1) Educar na diversidade; 2) Despertar para a cidadania e o senso do direito e do dever; 3) Educar para a autonomia; 4) Conscientizar ecologicamente.

A forma como a escola propõe que sejam elaboradas as atividades é marcada com o registro:

As atividades são planejadas antecipadamente, pois são instrumento de reflexão, organização e sistematização das possibilidades de trabalho, onde a aprendizagem leva ao desenvolvimento e vice versa. São discutidas com os alunos, avaliadas e registradas, e partem do que o aluno já conhece, visando um saber elaborado pela humanidade, apropriado aos alunos e com possibilidade de ser recriado e superado. (PPP Escola Sócrates – registros de 2017)

Nos mesmos registros, a escola defende a participação dos pais e dos estudantes como imperativo para o alcance dos propósitos eleitos:

A equipe pedagógica da escola entende que, para que os propósitos educativos sejam atingidos, é necessário estimular a participação efetiva dos pais e/ou responsáveis pelos alunos (ou os próprios alunos) nos Colegiados da Unidade Educacional. (PPP Escola Sócrates – registros de 2017)

Evidenciamos alguns fragmentos do texto que detalham os caminhos para a conquista dos propósitos, vinculando os mesmos com a prática educativa implicada com a participação discente.

Incentivar a participação individual e coletiva [grifo nosso], permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania. (Despertar para a cidadania e o senso do direito e do dever) (PPP Escola Sócrates – registros de 2017)

Promover a autoavaliação pelos alunos [grifo nosso] como recurso para que o professor conheça a aprendizagem dos estudantes, dando oportunidade para que estes construam a autonomia nos estudos, na medida em que aprendem a monitorar o seu próprio desenvolvimento. [...] Desenvolver práticas pedagógicas voltadas à temática da sexualidade, de gênero e etnicidade. (Educar para a autonomia) (PPP Escola Sócrates – registros de 2017)

Inserir a educação ambiental na prática pedagógica como uma prática

política [grifo nosso] por meio da qual sejam trabalhados conceitos e ideias

relevantes para o presente e o futuro dos educandos, despertando atitudes críticas em relação às práticas de consumo no seu dia a dia. (Conscientizar ecologicamente) (PPP Escola Sócrates – registros de 2017)

A escola Platão elege como Eixo da Unidade, “De leitor a escritor”, para orientar sua ação no sentido de fazer da educação uma realização presente de cidadania para o estudante e uma formação com vistas também ao futuro, num espaço escolar no qual os estudantes sintam confiança para se lançarem na busca crítica por melhores condições de vida. A escola defende como princípio, “a participação ativa dos sujeitos da escola” e, como premissa, “a construção de um espaço vinculado à atualidade da vida cultural e social no qual a construção e desenvolvimento de projetos transversais sejam uma ação favorecedora da formação humana.

Partimos do princípio de que todos os sujeitos envolvidos nesse processo educacional (educadores, educandos e gestão) têm participação ativa e devem persistir em um objetivo maior que alcance as múltiplas dimensões humanas: cognitiva, ética, política, científica, cultural, lúdica e estética, tornando-se produtores do seu próprio conhecimento e sendo capazes de reconhecer, apreciar e valorizar também a construção do outro. […] todas as disciplinas desenvolverão transversalmente os temas referentes à: - Ética e Cidadania […] - Respeito Mútuo […] - Pluralidade Cultural […] - Trabalho e Consumo […] - Orientação Sexual […] Meio Ambiente. […] (PPP Escola Platão – registros de 2017)

Para a escola Aristóteles, a meta principal é realizar, por meio de uma prática educativa crítica e dialógica, uma educação na qual os estudantes sejam entendidos como agentes de transformação social, considerando-se as suas singularidades. Pauta-se na perspectiva do desenvolvimento de competências e habilidades e assinala, entre seus objetivos, os de realizar uma prática educativa que promova a interação, de forma crítica, do estudante com a realidade e apresenta sua crença de que se o conhecimento for objeto de descoberta e construção pelo discente, este se perceberá como sujeito em seu processo de formação.

[...] Possibilitar ao estudante interagir com a realidade [grifo nosso] adquirindo e utilizando os conhecimentos de forma crítica e dinâmica; [...] Capacitar o estudante a se relacionar com a diversidade cultural e humana

desenvolvendo [grifo nosso] as habilidades necessárias que lhe auxiliem

nesse processo, tais como: solidariedade, tolerância e respeito [grifo nosso]; [...]Ao pensar sobre a ação docente o coletivo desta U.E. estabeleceu que os conteúdos devem ser apresentados de forma viva, dinâmica e integrados à realidade. Para atingirmos os objetivos educacionais os conteúdos precisam ser redescobertos e reconstruídos pelos próprios estudantes que, assim, sentir- se-ão sujeitos da própria educação e aprenderão a atuar sobre a realidade e o mundo em que vivem. [...] Para este processo ocorrer é mister o uso de métodos de ensino ativos com os quais o educando possa transformar-se em agente. […] (PPP Escola Aristóteles, registros de 2017)

Os objetivos gerais dispostos na LDB (Lei 9394/96) e os referentes aos ciclos dispostos nas Diretrizes Municipais são recuperados pela escola no documento como sustentação aos seus propósitos. Sobre a prática educativa voltada às crenças e aos propósitos da unidade, registra

a defesa do trabalho coletivo e do desenvolvimento de atividades em pequenos grupos, a

utilização de recursos que ultrapassem a esfera dos livros didáticos e a inclusão de temas

transversais às disciplinas.

[...] entendemos ser mais eficiente o uso dos métodos de trabalho coletivo, com dinâmicas de grupo, nos quais a competição e o individualismo sejam substituídos pela cooperação, pela solidariedade, pela reflexão compartilhada, sem contudo excluir os momentos de construção individual. Para dinamizar as atividades em sala ou em espaços alternativos o uso de variados recursos didáticos como ilustrações, mídias, textos complementares, livros para pesquisa, maquetes, mapas, jogos, música e filmes, uso de tecnologias, entre outros são importantes e eficazes. É importante salientar que a inclusão efetiva dos temas transversais neste currículo é ponto de atenção ao ato de planejar as aulas, possibilitando a inserção de temas atuais e debates gerados pela realidade cotidiana que se destaquem no jornalismo diário. (PPP Escola Aristóteles, registros de 2017)

Sobre a avaliação, aponta como foco o acompanhamento das aprendizagens e a utilização das informações para o replanejamento de ações que tornem o ensino mais significativo ao estudante.

[...] O foco principal é aprimorar a ação educacional para gestação de melhores resultados na aprendizagem do estudante. [...] desse ponto de vista encontram-se os processos avaliativos educacionais que primam, sobretudo, pelo pleno desenvolvimento do educando nas múltiplas áreas do conhecimento, na sua própria relação com o meio em que vive e suas singularidades. [...], nos valemos do mapeamento e troca de informações para preparar atividades que contemplem as necessidades peculiares a cada nível de aprendizagem. [...] os resultados da avaliação devem permear a reflexão permanente pelo ensino significativo e funcional dos saberes escolares, incluindo o desenvolvimento das habilidades, valores e atitudes. Ao possibilitar que o aluno perceba o valor do que aprende, ele conceberá a escola como projeto de vida. [...] o professor deverá registrar as percepções dos avanços e alteração de aprendizagem e estabelecer junto à equipe pedagógica novas ações que considerem o novo estado de saber do aluno. No momento de sistematizar a avaliação, deverá ser considerado ao aluno o grupo de saberes em que se encontra ao final do processo, atentando-se ao fato de que no Sistema Integre cada grupo de saberes equivale a um conceito formal de avaliação e que se deve respeitar o progresso do estudante. (PPP Escola Aristóteles, registros de 2017)

O Quadro 16 apresenta, por meio de fragmentos de registros, as principais ideias contidas nos propósitos eleitos pelas escolas.

Quadro 16. Registros no PPP sobre os propósitos da escola.

Propósitos da Escola

Escola Sócrates Escola Platão Escola Aristóteles

10 sentenças:

- Educar na diversidade; - Educar para autonomia; - Educar com, para e na

Democracia; - Formar o pensamento crítico; - Despertar a Cidadania e o senso do direito e do dever; - Educar para a solidariedade; - Preservar o patrimônio público; - Conscientizar ecologicamente; - Incluir socialmente; - Respeitar e formar um cidadão ético no relacionamento interpessoal. 1. Assegurar a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer aos alunos meios para progredirem no trabalho e em estudos posteriores projetando ao ensino um caráter de terminalidade e continuidade. 2. Propiciar momentos no planejamento escolar para que os alunos se sintam com confiança em pensar e agir de forma crítica, visando à melhoria de suas capacidades e buscando melhores condições de vida.

EIXO DA ESCOLA “De leitor a escritor”

Esta U.E. tem a meta de realizar uma educação capaz de

promover o desenvolvimento de competências e habilidades que tornem os estudantes agentes de transformação social e cidadãos autônomos por via de uma prática educativa-crítica inspirada na pedagogia dialógica. [...]

Que os alunos tenham acesso ao conhecimento de forma a contemplar as necessidades e características individuais. Que os momentos de aprendizagem aconteçam de forma: Digna; Tranquila; Segura; Alegre;

Que seja completo na oferta de várias possibilidades de aprendizagem

Fonte: elaborado pela pesquisadora a partir da análise dos PPPs das escolas participantes da pesquisa.

Os propósitos registrados anunciam projetos voltados a uma educação mais ampla, para além dos conhecimentos específicos das disciplinas previstas na matriz curricular, vinculados a questões sociais como a convivência solidária, a criticidade e o respeito às singularidades e alinham-se aos objetivos propostos nas Diretrizes Curriculares Municipais.