II. REVISÃO DE LITERATURA
4. Qualidade de Vida e Assistência de Enfermagem
Segundo o WHOQOL Group (1996) qualidade de vida (QV) é a percepção que os indivíduos possuem sobre suas vidas, tendo em vista o contexto cultural, seus sentimentos, valores, necessidades e expectativas. Fundamenta-se em seis áreas: física, psicológica, nível de independência, convívio social, fatores ambientais e crenças pessoais e espirituais (WHOQOL GROUP, 1996).
Pereira, Teixeira e Santos (2012) afirmam que o conceito de QV é muitas vezes ligado à felicidade, satisfação pessoal, saúde, condições econômicas e estilo de vida. Sendo assim, esse conceito difere de indivíduo para indivíduo, visto que cada pessoa tem sua maneira de perceber o mundo e sua posição nele.
Portanto, a percepção da QV de um paciente não deve ser baseada em relatos médicos ou familiares. Deve-se ressaltar ainda, que tanto os aspectos positivos quanto negativos influenciam na QV do indivíduo (WHOQOL GROUP, 1996).
Minayo, Hartz e Buss (2000) afirmam que a QV “pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera seu padrão de conforto e bem-estar”.
Para Pereira, Teixeira e Santos (2012) a QV possui quatro vertentes:
econômica, psicológica, biomédica e holística, sendo que cada qual procura interpretá-la de acordo com sua linha de raciocínio.
A vertente econômica baseia-se nos indicadores sociais e econômicos, como escolaridade, renda, moradia, entre outros. A vertente psicológica da QV aborda
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indicadores ligados às reações subjetivas dos indivíduos em relação a sua vivência, como felicidade e satisfação. A vertente holística baseia-se na multidimensionalidade do conceito de QV, onde esse difere de pessoa para pessoa.
A QV em sua vertente biomédica associa-se a condição de saúde e ao funcionamento social, tendo em vista que muitas doenças impedem que o sujeito tenha uma vida plena (PEREIRA; TEIXEIRA; SANTOS, 2012).
Como exposto anteriormente, os pacientes portadores de ICC possuem baixa QV, sendo assim, o enfermeiro deve trabalhar juntamente com os indivíduos de modo a construir mecanismos de enfrentamento que ajudem a melhorar sua QV (SOARES et al., 2008).
A QV pode ser avaliada através de diversos instrumentos, que podem ser genéricos ou específicos. Os instrumentos genéricos podem, ou não, abordar o perfil de saúde, e procuram questionar sobre aspectos relacionados à saúde, e, também, demonstrar o impacto da doença na vida do indivíduo. Esses instrumentos genéricos podem ser utilizados, tanto em grupos específicos de pacientes quanto na população em geral, permitindo a comparação entre indivíduos saudáveis e indivíduos doentes, ou entre pacientes com a mesma doença que vivem em contextos e ambientes diferentes. Os instrumentos específicos tem a capacidade de detectar aspectos específicos da QV em diversas situações, avaliando-os de maneira individual (DANTAS; SAWADA; MALERBO, 2003).
Dentre os instrumentos específicos para a avaliação da qualidade de vida em pacientes com IC encontra-se o Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire (MLHFQ), o qual possui 21 questões que abordam sinais e sintomas específicos de ICC, além dos aspectos emocionais ou psicológicos, e outras questões relacionadas a lazer, despesas com cuidados médicos, entre outras (CARVALHO et al., 2009).
Em seu estudo, Nogueira et al. (2010) utilizou um instrumento genérico para avaliação de qualidade de vida e, também, o Minnesota Living with Heart Failure Questionnaire, e obteve melhor correlação com as variáveis utilizando o último.
O tratamento da Insuficiência Cardíaca é voltado para a melhora dos sintomas, sendo assim avaliar a percepção de qualidade de vida dos pacientes com IC através de um questionário que analise separadamente os fatores físicos da
doença, é, também, uma forma de avaliar a eficácia do tratamento medicamentoso (CARVALHO et al., 2009).
Sendo a Sistematização da Assistência de Enfermagem uma ferramenta científica e clínica utilizada pelos enfermeiros, a aplicação de um questionário para análise da percepção de QV dos pacientes oferece subsídios para direcionar o enfermeiro na elaboração de intervenções (REIS; GLASHAN, 2001; TANNURE;
PINHEIRO, 2010a).
Segundo NANDA (2013), “o foco do atendimento de enfermagem é a pessoa como um todo, ou seu alcance do bem-estar e da autorrealização”. O enfermeiro trabalha em conjunto com o paciente na construção de diagnósticos e intervenções que promovam mudanças e resultados positivos para este.
O Processo de Enfermagem (PE) possui cinco etapas: investigação, diagnósticos de Enfermagem, planejamento, prescrição de Enfermagem e avaliação da assistência de Enfermagem (TANNURE; PINHEIRO, 2010a). Sendo que, de acordo com Conselho Federal de Enfermagem (2009), tanto o diagnóstico quanto a prescrição são atividades privativas do enfermeiro.
O Diagnóstico de Enfermagem (DE) é baseado nos problemas reais (atuais) e nos problemas potenciais (futuros) e deve estar relacionado a disfunções comportamentais, fisiológicas, espirituais ou psicossociais. O DE exige do enfermeiro habilidades de análise, julgamento, síntese e percepção durante a interpretação dos dados clínicos do paciente (TANNURE; PINHEIRO, 2010b).
O DE tem por finalidade elucidar os problemas e identificar os fatores de risco que serão abordados para a obtenção dos resultados esperados. Diante disso, é necessário que o enfermeiro saiba: reconhecer sinais e sintomas; identificar a possível ocorrência de complicações em pacientes de risco e elaborar medidas para controle dos riscos e prevenção de complicações; identificar emoções e reações a respeito das doenças, tratamento e convívio familiar e social, assim como, executar os cuidados planejados no momento correto (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2009; ALFARO-LEFEVRE, 2010).
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A partir da elaboração do DE é possível planejar a assistência de forma holística e individual, pois, como exposto anteriormente, a QV difere de acordo com o indivíduo, e, também, difere de acordo com o estágio da ICC (BOCCHI et al., 2009; TANNURE, PINHEIRO, 2010b).
Para que a assistência seja elaborada de maneira satisfatória e abrangente, é necessário que o enfermeiro esteja capacitado para levantar diagnósticos que compreendam a esfera psicossocial e também a biológica (CARVALHO et al., 2009).