36.9 Condições ambientais de trabalho
36.9.2 Qualidade do ar nos ambientes artificialmente climatizados
98
• os efeitos secundários de danos à saúde provocados ou causados pelo uso do equipamento, como alergias, inflamações e outros;
• as atividades ou locais de trabalho onde o uso do EPI pode aumentar o risco de acidentes de trabalho;
• conservação e limpeza;
• as situações que demandam sua substituição.
Verificar comentários deste manual ao capítulo 36.16 Informações e Treinamentos em Segurança e Saúde no Trabalho.
99 São obrigadas a atender essa legislação as empresas que possuam sistemas de climatização com capacidade acima de 5 TR25 (15.000 kcal/h = 60.000 BTU/H), devendo:
• providenciar a avaliação biológica, química e física das condições do ar interior nos ambientes climatizados;
• promover a correção das condições encontradas, quando necessária, para que estas atendam ao estabelecido no artigo 4º da RE n.º 9 da ANVISA;
• divulgar aos ocupantes dos ambientes climatizados os procedimentos e resultados das atividades de avaliação, correção e manutenção realizadas;
• implantar e manter disponível um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC),contendo: a descrição das atividades a serem desenvolvidas; a periodicidade das mesmas; as recomendações a serem adotadas em situações de falha do equipamento e de emergência, para garantia de segurança do sistema de climatização;
• manter disponível o registro das avaliações e correções realizadas.
O PMOC do sistema de climatização deve estar coerente com a legislação de Segurança e Medicina do Trabalho.
Todas as medidas elencadas acima devem estar sob a responsabilidade de um técnico habilitado26.
36.9.2.2 Para atender o disposto no item 36.9.2.1 devem ser adotados, no mínimo, o seguinte:
a) limpeza dos componentes do sistema de climatização de forma a evitar a difusão ou multiplicação de agentes nocivos à saúde humana;
Consiste na remoção de sujidade dos componentes do sistema de climatização, equipamentos e dutos para evitar a sua dispersão no ambiente interno e a acumulação de poluentes.
b) verificação periódica das condições físicas dos filtros mantendo-os em condições de operação e substituindo-os quando necessário;
25Tonelada de Refrigeração, sendo que 1 TR=12.000 BTU/H e 3.024 kcal/h.
26 Considera-se como responsável técnico o profissional que tem competência legal para exercer as atividades descritas, sendo profissional de nível superior com habilitação na área de química (Engenheiro químico, Químico e Farmacêutico) e na área de biologia (Biólogo, Farmacêutico e Biomédico), em conformidade com a regulamentação profissional vigente no país e comprovação de Responsabilidade Técnica - RT, expedida pelo Órgão de Classe.
100 A filtragem do ar é necessária para reduzir a concentração no ambiente dos poluentes que vêm do exterior, assim como os gerados no interior, evitando-se sua acumulação.
Os filtros e demais componentes do sistema de climatização devem ser permanentemente verificados e mantidos em bom estado de operação e conservação.
As manutenções devem ser planejadas e efetuadas com base em informações do fabricante e de acordo com as normas técnicas especificadas na Portaria GM/MS n.º 3.523.
Os procedimentos de manutenção, operação e controle dos sistemas de climatização e de limpeza dos ambientes climatizados não devem trazer riscos à saúde dos trabalhadores que os executam, nem aos ocupantes dos ambientes climatizados.
c) adequada renovação do ar no interior dos ambientes climatizados.
A renovação do ar no interior dos ambientes é efetuada pela insuflação de ar exterior e pela filtragem do ar insuflado, servindo para reduzir a concentração de poluentes biológicos, gasosos e químicos nos ambientes internos.
De acordo com a legislação do MS27, a taxa de renovação do ar adequada para ambientes climatizados deve ser, no mínimo, de 27 m3/hora/pessoa, exceto no caso específico de ambientes com alta rotatividade de pessoas. Nestes casos, a taxa mínima de renovação do ar deve ser de 17 m3/hora/pessoa.
A captação de ar externo deve ser livre de possíveis fontes poluentes externas que apresentem riscos à saúde humana, devendo ter proteção contra intempéries e insetos.
36.9.2.3 Deve ser observado, como indicador de renovação de ar interno, uma concentração de dióxido de carbono (CO2) igual ou inferior a 1000 ppm.
O organismo humano consome oxigênio e produz dióxido de carbono (CO2)e vapor de água, que são eliminados pela respiração. A taxa de oxigênio consumida e a de CO2 produzido corresponde ao nível de atividade física (metabolismo).
Dessa forma, a emissão de CO2 nos ambientes internos pode ser dada pela respiração e pela emissão dos demais efluentes biológicos humanos, como odores resultantes da atividade metabólica das pessoas. Por isso, a concentração de CO2 no
27Resolução (RE) n.º 9 da ANVISA.
101 ambiente interno acima da concentração no ar exterior é considerada como indicador válido do nível de poluição produzido pelas pessoas.
O valor máximo recomendável para conforto e bem-estar por contaminação química é:
• 1.000 ppm (partes por milhão) de CO2, como indicador de renovação de ar externo;
• <= 80 mg/m3 de aerodispersóides totais no ar, como indicador do grau de pureza do ar e limpeza do ambiente.
36.9.2.3.1 Uma medição de CO2 acima de 1000 ppm não indica que o critério não é satisfeito, desde que a medição não ultrapasse em mais de 700 ppm a concentração no ar exterior.
A concentração máxima de CO2 de 1.000 ppm no interior dos ambientes é considerada como critério aceitável de qualidade do ar. Este critério se baseia em uma concentração de CO2 no ar exterior de 300 ppm. No entanto, a concentração no ar exterior pode variar acima de 300 ppm. Dessa forma, uma medição acima de 1.000 ppm não indica necessariamente que o critério não foi satisfeito e por isso existe esta ressalva.
Assim, deve ser levada em consideração, para estipular o limite de CO2 no ambiente interno, a variação da concentração de CO2 no ar exterior que exceda os 300 ppm de referência. Cita-se como exemplo o caso hipotético em que no ar externo seja encontrada a concentração de 400 ppm de CO2. O limite interno será aceitável até uma concentração de 1.100 ppm de CO2 (400 ppm do ar externo mais 700 ppm).
36.9.2.3.2 Para aferição do parâmetro indicado no item 36.9.2.3 deve ser adotada a metodologia constante na Norma Técnica 002 da Resolução RE n.º 9 da ANVISA, de 16 de janeiro de 2003.
O monitoramento e controle do processo de renovação de ar em ambientes climatizados para o CO2 deve ser efetuado semestralmente, utilizando-se de equipamento de leitura direta por meio de sensor infravermelho não dispersivo ou de célula eletroquímica, a ser localizado na altura de 1,5 m do piso, no centro do ambiente ou zona ocupada.
102 As medidas devem ser realizadas em horários de pico de utilização do ambiente e a estratégia de amostragem deve ser construída conforme a tabela da Nota Técnica n.º 002 da ANVISA.