A qualidade de vida no trabalho é proporcionada pelo ambiente agradável e seguro onde os trabalhadores possam de- senvolver suas atividades tranquilamente sem se expor a riscos ambientais ou acidentes. A fim de manter o ambiente laboral agra- dável e salubre, é necessário que os profissionais da área de segu- rança do trabalho realizem inspeções periodicamente, avaliando e recomendando ações que possam proporcionar melhorias e trazer segurança a esses trabalhadores. Quando um ambiente de traba- lho ou atividade laboral não pode ser modificado ou, mesmo que seja modificado, ainda possa causar riscos e danos à saúde do tra- balhador, é necessário que seja realizada uma avaliação ambiental para análise e caracterização do ambiente.
Essa caracterização pode enquadrar o ambiente como salubre ou insalubre e a exposição a situações de periculosidade ou não. Caso sejam caracterizadas as condições de periculosidade ou o ambiente for considerado insalubre, isto gera o direito ao trabalhador a perceber um adicional por estar exposto a riscos am- bientais que podem diminuir a sua expectativa de vida, os denomi- nados “adicional de insalubridade” e “adicional de periculosidade”. Os adicionais de insalubridade e de periculosidade são um direito constitucional, ou seja, eles estão previstos em nos- sa Constituição Federal, no artigo 7º, inciso XXIII. O primeiro surgiu, na época da revolução industrial, com o objetivo de pro- porcionar uma alimentação que suprisse as necessidades caló- ricas dos empregados, tornando-o mais resistente e produtivo. O benefício foi bem recebido pelos trabalhadores, entretanto, eximiu das indústrias a responsabilidade de investir em condições apropriadas ao trabalho.
No Brasil, em 1943, a Consolidação das Leis do Traba- lho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452 de 1º de maio de 1943, cria um capítulo específico para a Higiene do Trabalho e, em 1978, é criada a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego nº 15 (NR-15), descrevendo as atividades e operações consideradas como atividades insalubres, estando em vigor até os dias atuais (BOLETIM INFORMATIVO, 2013). Assim,
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Art. 189 - Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixa- dos em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efei- tos (BRASIL, 1943).
Para enquadrar um ambiente ou atividade laboral como insalubre, é preciso fazer uma análise criteriosa, levando em con- sideração três aspectos importantes, tais como a exposição direta do trabalhador ao agente nocivo, o limite de tolerância (limite de exposição ao agente nocivo estabelecido pelo Ministério do Tra- balho através da NR 15), bem como o tempo de exposição ao agente. Esses agentes estão classificados da seguinte maneira:
• Agentes químicos (poeiras, gases e vapores, névoas e fumos); • Agentes físicos (calor, ruído, radiações, frio, vibrações e umi-
dade), e;
• Agentes biológicos (vírus, bactérias e micro-organismos). Já o adicional de periculosidade surgiu no Brasil em 1955, estabelecendo um acréscimo de 30% sobre os salários recebidos pelos trabalhadores que exerciam suas atividades em contato per- manente com inflamáveis, em condições de perigo. Em 1978, sur- ge a NR-16 (Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego nº 16), que inova pela apresentação das definições de condições de periculosidade. Em dezembro de 2012, surge a Lei nº 12.740/2012, que altera o art. 193 da CLT a fim de redefinir os critérios para caracterização das atividades ou operações perigosas.
Dessa forma, atualmente, as definições de periculosidade se dão conforme alteração do Art. 193:
Art. 193 - São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamen-
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tação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentu- ado em virtude de exposição permanente do trabalhador a:
I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pes- soal ou patrimonial (BRASIL, 2012).
Após a análise da exposição de cada trabalhador ao agente nocivo à saúde, do limite de tolerância, do tempo de exposição e estabelecida a intensidade do agente através de Laudo Técnico Am- biental, elaborado por profissional habilitado (médico ou engenheiro de segurança do trabalho), o trabalhador exposto à situação de risco terá direito aos adicionais de insalubridade e periculosidade.
Para os trabalhadores regidos pela CLT, os percentuais dos adicionais de insalubridade e periculosidade são estabelecidos atra- vés da Norma Regulamentadora NR 15 do Ministério do Trabalho e Emprego, sendo 10%, 20% e 40% para os graus mínimo, médio e máximo respectivamente, para insalubridade (calculado sobre o salário mínimo da região); e 30% para periculosidade, percentual calculado sobre o salário base sem os acréscimos resultantes de gra- tificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa.
No caso dos servidores públicos federais, o Capítulo II, Artigo 68 da Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990, traz os adicionais de insalubridade e periculosidade como vantagens, con- forme segue:
Art 68. Os servidores que trabalhem com ha- bitualidade em locais insalubres ou em contato permanente com substâncias tóxicas, radio- ativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicional sobre o vencimento do cargo efetivo.
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§ 1º O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosidade deverá optar por um deles.
§ 2º O direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos que deram causa a sua concessão (BRASIL, 1990).
Já os percentuais desses adicionais de insalubridade e pe- riculosidade, são estabelecidos através do Artigo nº 12 da Lei nº 8.270 de 17 de dezembro de 1991, sendo 5%, 10% e 20% para os graus mínimo, médio e máximo (calculado sobre o vencimento do cargo efetivo) respectivamente, para insalubridade e 30% para periculosidade, percentuais igualmente calculados sobre o venci- mento do cargo efetivo.
A caracterização das atividades e condições insalubres e de periculosidade é prevista pelas NR 15 e NR 16, do Ministério do Trabalho e Emprego (órgão e entidades regidos pela CLT) e pela Orientação Normativa nº 006/13, de 18 de março de 2013, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (no caso dos servidores públicos federais), sendo a NR 15 e NR16 também se- guidas pelas instituições federais.
Grande parte dos trabalhadores apresenta maior interes- se em receber um pequeno acréscimo em seus proventos, mesmo que isso implique na manutenção de condições inadequadas de trabalho, do que prolongar a sua expectativa de vida com mu- danças e melhorias em suas condições de trabalho, persistindo na busca incansável por maneiras e artimanhas para ter direito a receber os adicionais.
Metodologia
Para a realização deste estudo, utilizou-se como metodo- logia a revisão bibliográfica incluindo a legislação vigente referente à segurança do trabalho. Para além disso, visando aproximar teoria
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e prática, optou-se por utilizar o relato de experiência como meto- dologia de abordagem qualitativa descrevendo situações vivenciadas ao longo do desenvolvimento das atividades de avaliação ambiental, e considerando a visão dos servidores públicos federais do estado do Tocantins, sobre os trabalhos realizados na área de segurança e medicina do trabalho.